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segunda-feira, 17 de outubro de 2016

O passeio vai ser legal, não ia?

Passeios de moto são muito legais, mas o entusiasmo incontido é perigoso.

Quando você se deixa levar pela empolgação, o passeio periga acabar em 2 minutos e 40 segundos.



As distrações com as motos dos amigos, o querer se mostrar para a turma, a alegria de pegar a estrada, a atenção voltada para tudo — menos para o foco na pilotagem.

Resista à tentação de descobrir a velocidade final da sua moto.



Chegar na curva e descobrir que não deu para fazer pode quebrar mais do que apenas as suas pernas — infelizmente, o rapaz do vídeo não sobreviveu.



Não tenho notícias sobre o que aconteceu a este piloto, mas não ter ninguém do lado dele é um mau sinal.

De moto basta uma decisão errada para sua vida virar do avesso.

Ao sair para um passeio, não caia nessas armadilhas.

Um abraço,

Jeff

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Adianta ter motão e não saber usar?



O pessoal rodando de boa, quase sem fazer arte, aí do nada aparecem dois manés com motos mais potentes se achando os tais e fazem uma baita лазанья dessas...

E nos comentários ainda tem gente que vem falar mal do pessoal das motonetas...

Ô, pessoalzinho tarado incapaz de fazer autocrítica e enxergar que quem está errado, está errado...

Só porque têm motos caras — que muitas vezes não sabem pilotar direito, nem tão mais potentes — a yamaha R15 que caiu é uma 150 carenada, são bons de reta — e se borram nas curvas, alguns se acham donos do mundo com direito de passar por cima das leis e até do bom senso.

Mas na hora em que vão para o chão por mérito próprio, o pessoal das motos menos potentes que eles tanto menosprezam é quem para pra ajudar.

O pessoal das motinhos não abusou tanto, não aprontou muito e teve condição de voltar para casa por conta própria...

Já os caras das "motonas" se acharam no direito de ultrapassar todo mundo na contramão em local proibido, sem visão, o (  *  ) fechou no meio da curva, pagaram o maior micão, saíram no prejuízo, e é capaz de um deles ter de voltar de carona na caminhonete de alguém...

Uma lição de vida dessas devia levar esse pessoal a repensar algumas atitudes na sua relação com os outros motociclistas e motoristas...

Ter uma moto mais potente capaz de rodar significativamente mais rápido que outras não lhes dá o direito de se achar superior a ninguém.

Que tal aproveitar para deixar apenas boas lembranças de nossa breve passagem por este nosso mundo onde podemos pilotar por tão pouco tempo?

Um abraço,

Jeff

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Como não cair no primeiro passeio em grupo

Que emoção, você acabou de tirar carta e vai participar do seu primeiro passeio em grupo!

Primeira dica: relaxe!

A preocupação em não errar na frente dos amigos é um grande sabotador de você mesmo / mesma.

Só não deixe a empolgação dominar e fazer você se esquecer dos detalhes básicos...



Não tente pilotar acima do que sua experiência permite.

Prestar atenção em um monte de outras motos poderá desviar o seu foco do percurso e da pilotagem.

Mantenha a concentração — não se esqueça que a moto irá para onde o seu olhar estiver.


Ficar demasiadamente preocupado com os outros pode fazer você se esquecer de sua própria segurança.

Não force seu ritmo.

Tentar acompanhar o pessoal mais experiente sem estar preparado para isso é perigoso.

Você precisa adquirir uma boa experiência antes de se aventurar em um passeio em grupo, mesmo que seja apenas na cidade.


Resista à tentação de ficar procurando os amigos no espelho, concentre-se na sua moto, na sua trajetória e em manter uma distância de segurança da moto à sua frente.

Possivelmente você não será o único novato / novata no grupo, então pilotar muito colado pode complicar para você no caso de alguém cometer um erro na sua frente.



Você vai precisar adquirir experiência para evitar esse tipo de coisa antes de se aventurar em uma estrada de alta velocidade.

Não tente impressionar seus amigos demonstrando uma habilidade que você ainda não possui... 



Em caso de insegurança, o prudente é deixar para acompanhar o pessoal em outra ocasião... 

Ainda mais se estiver chovendo e você ainda não se molhou o suficiente em cima de uma moto.

Um monte de motos andando perto umas das outras com a pista escorregadia pode não ser uma boa...



A chuva causa embaçamento de óculos e viseiras, aí junta a preocupação com o trânsito, não se desgarrar do grupo e não conseguir se comunicar para avisar dos problemas...

Lidar com tantas informações pode te sobrecarregar e levar a decisões erradas — muitos outros passeios virão.

E quando realmente chegar o dia de participar, informe ao pessoal que eles vão precisar manter um ritmo mais suave até você pegar o jeito da coisa.

Nada como chegar ao destino depois de um passeio tranquilo...


Caso eles se esqueçam e comecem a andar mais rápido do que você acha prudente, não ultrapasse seus limites. Dica: em algum momento eles irão se esquecer... mas irão parar para te esperar. Ou voltar para ver o que te aconteceu...

Não tenha vergonha de ficar para trás, seus amigos estarão atentos a você e não te deixarão na mão.

Afinal, todo mundo já foi novato um dia.

Um abraço, e bons passeios,

Jeff

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Grupos e encrencas

Passeando em grupo, não se distraia...



Por mais incrível que seja a decisão do seu grupo, ou o acontecimento no acostamento, você não pode se esquecer que está em uma rodovia e reduzir bruscamente a velocidade no meio da pista.

E nem se distrair do que está na sua frente.

No comando da moto, você não pode nunca perder a noção do local em que está e das suas proximidades.

Suas ações não podem se basear apenas no que você acha que os outros irão fazer.

Todo mundo estar parando não quer dizer que quem vem atrás de você está pensando em fazer a mesma coisa.

A moto atrás de você pode nem mesmo ser do seu grupo de amigos, ela pode simplesmente estar seguindo viagem — e parar na frente dela causará um desastre.

E você que está seguindo viagem, ao encontrar um pessoal viajando em grupo fique atento a reações impensadas de seus integrantes.

Preveja que alguém vai poder querer parar ou fazer uma manobra imprudente para acompanhar o grupo, e fique a uma distância e velocidade prudentes.

Só para o caso de.

Um abraço,

Jeff

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Cachorro filhote de cão e cadela!!!

Você nunca sabe quando uma encrenca poderá resolver atravessar a rua...

E nem imagina o que pode acontecer depois. Dica: fique de olho no caminhão...
Para esconder os links que atrapalham a imagem, clique no botãozinho com formato de engrenagem e no botãozinho Anotações, depois no Play para sumir o menu.

HOLY ПОЛЕТ DOG!!!

Veja o mesmo acidente por outro ângulo:

Realmente, o cara foi muito ninja! Agradeço a colaboração do leitor José Carlos Aires que enviou o link fantástico!

É por isso que motos viajando em grupo precisam se manter a uma boa distância, nunca uma ao lado da outra, e nunca em fila indiana.

Se algo acontece com quem está na sua frente, você terá melhor chance de escapar da encrenca se não estiver logo atrás ou do lado — veja a foto lá embaixo. 

No vídeo, o primeiro piloto evitou o cachorro, já o segundo não teve o que fazer — quando viu o bicho já estava debaixo da roda...

Mas quem quase morreu foi o terceiro cara, que viajava logo atrás e freou e caiu antes de bater na moto que atropelou o cachorro.

Se ele não tivesse sido ninja para sair da frente do caminhão, não ia dar para mostrar o vídeo neste horário. 

Encrenca não tem hora para acontecer, então o negócio é ser prudente.

Passear em grupo é muito legal, exige precaução de todos os integrantes, mas pelo menos você pode combinar esses detalhes com os amigos.

Quando alguém do grupo visualiza um cachorro ou outro animal na pista ou no acostamento, o sinal universal para alertar e reduzir a velocidade é levantar o braço esquerdo com a mão espalmada e quatro dedos levantados — indicando um bicho de 4 patas. Canguru perneta, só o dedo do meio.
Imagem e reportagem: http://diariogaucho.clicrbs.com.br/rs/dia-a-dia/noticia/2013/07/ao-viajar-de-moto-em-grupo-fique-atento-aos-sinais-4195566.html

Mas no trânsito comum não há sinais combinados e você nunca sabe como o pessoal vai se posicionar perto de você, então fique atento para não rodar muito perto de outras motos.

Os outros pilotos e os cachorros não leem o blog, mas você já faz ideia das encrencas que podem aparecer na rua de repente — então seja prudente. Puxa, não canso de repetir isso...

Um abraço,

Jeff
PS: Hoje foi dia de postagem dupla, tem outra logo abaixo.

domingo, 1 de novembro de 2015

O banco da moto não é lugar de fazer graça

Pés firmes nas pedaleiras e nos comandos servem para evitar esse tipo de coisa:

Não estranhe que logo no começo o autor do vídeo chama a atenção para o farol vermelho e todos avançam. O código de trânsito americano permite dobrar à direita com atenção no farol vermelho, muito antigamente isso também valia por aqui, briguei muito com meu pai por causa disso. Felizmente suprimiram, porque é uma armadilha mortal.

Aos 2:00 você vê como uma simples brincadeira bobinha a 170 km/h derrubou e quase matou o garoto — na hora em que precisou acionar os freios, se atrapalhou todo e comprou um terreno enorme no meio da estrada.

Encontrou o que não procurava.

Ao pegar a estrada, a alegria e o espírito de porco de rodar em bando costumam levar o pessoal a fazer gracinhas uns para os outros.

Isso é muito comum quando a galera se reúne para passeios.

Tome cuidado quando se juntar a uma turma onde você não conheça todo mundo, porque sempre aparecem um ou dois sem noção de que colocam os outros em perigo.

E mesmo conhecendo, não se descuide porque 5 segundos de bobeira podem acontecer para qualquer um, até para este que vos tecla.


Imagem: https://suckerforvampires.wordpress.com/2011/02/21/senta-que-la-vem-a-historia-17/

Durante uma viagem, início do segundo dia da jornada, nosso grupo aguardava uma brecha para entrar na movimentada BR-369 em Maringá, Paraná.

Meus companheiros conseguiram se encaixar e, em vez de acelerar tudo que podiam, começaram a rodar lentamente, esquentando os motores... 


Se esqueceram que atrás do último do grupo (eu) vinha uma fila de Scanias carregados, velozes e furibundos.

De tão lerdos que os meus amigos estavam, um deles
até brincou movimentando as pernas fazendo de conta que estava empurrando a moto. Não vou dizer quem são para eles não ficarem mal na fita. Podem ficar tranquilos. Ia pegar mal. Forte abraço, Edi e Betho!

Ele lá na frente brincando e a fila de Scanias freando bufando atrás de Jezebel (no bom sentido), quase me borrei todo tive de sair dali rapidinho. Mas já perdoei, galera! Afinal, lá se vão quatro anos! Nem lembro mais dessa história! Pelo menos, não todo dia! A terapia ajudou muito, já até consigo dormir sem pesadelos. Uma vez ou outra. Só não façam mais isso, ok? 

O piloto do primeiro vídeo teve muita sorte de sair dessa sem um arranhão. E eu também. 

Só lembrando, hoje é dia da Grande Abóbora de Todos os Santos. Aniversário de 260 anos do terremoto de Lisboa, tão forte que provocou um tsunami que matou gente no Brasil, deu no fantástico.

Amanhã, Dia de Finados, eu conto uma história de motociclistas diferente, sem final feliz.

Até lá,

Jeff

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Tachão derrubou mais um. Para a imprensa, como sempre, foi o motociclista que perdeu o controle...

Reportagem: http://www.campograndenews.com.br/cidades/interior/motociclista-perde-controle-da-direcao-cai-e-fica-gravemente-ferido-na-br-158

Jornalistas, digam a verdade com todas as letras!

Ele só perdeu o controle da direção porque foi derrubado por um tachão.

Tachão é uma armadilha mortal, você que é motociclista fique longe deles.

Essa é a BR-158 a 10 km de Três Lagoas, o acidente talvez tenha acontecido aqui:



A ultrapassagem é proibida por um longo trecho antes daqui, mas sinalizada apenas pelas faixas contínuas.

Ao se aproximar da rotatória começam os tachões, e o motociclista não esperava encontrá-los à noite — sempre um período a ser evitado para viagens de moto.


Muito possivelmente esses tachões já não estejam refletindo mais nada... a foto do google maps é antiga, imagine a condição deles hoje.

Outra coisa:


O piloto saiu de uma cidade a 226 km do ponto do acidente com uma Hornet.


Motos esportivas não são confortáveis para viagens longas, o cansaço da viagem pode ter tido influência para que não percebesse ou deixasse a moto chegar perto dos tachões.


Alguém poderá dizer, "bem feito, quem mandou ultrapassar em local proibido?"

Só que as coisas não são bem assim.


Ter passado por cima dos tachões não quer dizer necessariamente que ele estivesse fazendo uma ultrapassagem — nem sempre o motociclista é o irresponsável que pintam por aí. Só na maioria das vezes.

Essa vítima do tombo poderia estar pilotando corretamente, respeitando a sinalização, mas ter sido fechado e jogado contra os tachões por conta de um veículo parado ou uma obra na pista como esta aqui, na mesma rodovia:



Cones mal colocados muito próximos ao local da obra surpreendem os condutores e não dão tempo de todos se acomodarem na outra faixa.

Nessa situação, viajando em grupo, alguém pode ser fechado e obrigado a ir para cima dos tachões... um erro a ser evitado a todo custo.


Outra possibilidade é que algum carro tenha feito uma conversão perigosa na frente do motociclista, obrigando a frear forte e desviar.

Duvida?

Esta imagem também é dessa rodovia do acidente, a BR-158, um pouco mais à frente:



Olha só as marcas de freadas no asfalto por causa da conversão à esquerda e me diga o que acontece quando um carro faz isso na sua frente...

Não sabe? Eu digo:

Você tenta tirar da traseira do carro para não bater e acaba passando com os freios acionados por cima dos tachões, é tombo certo.

O fato é que nós motociclistas pagamos um preço alto por conta da utilização dessa sinalização que as autoridades viárias instalam sem considerar os riscos para as motocicletas.

Quem trabalha com sinalização viária só pensa em automóveis — não imagina que tachões desequilibram as motos e causam acidentes fatais.


E depois que acontecem, a culpa sempre é jogada sobre o motociclista, que muitas vezes não tem como se defender.


A mídia sempre diz que foi o motociclista que perdeu o controle, o que pressupõe culpa própria — nunca ele é vítima das condições inadequadas evitáveis da pista ou das ações irresponsáveis de outros motoristas.


Nem sempre o motociclista faz o que faz por irresponsabilidade — também pode ser falta de preparo para o trânsito na motoescola, falta de noção desconhecimento do mundo e falta de malícia. Ou falta completa de bom senso. 

Nada disso é motivo para a pena de morte sem julgamento nem direito à defesa e com execução imediata representada pelos tachões.

Não sei a quem apelar para que se adote uma sinalização menos perigosa no lugar dos tachões, como as tachinhas refletivas.

São menores e não representam um perigo tão grande para os motociclistas.

Mas recorrer a quem para banir essa excrescência viária?

Um deputado? Um senador? 


Eles não têm tempo de trabalhar por seus eleitores, andam ocupados demais tentando salvar a própria pele... 


Um abraço, e cuidado com os tachões,


Jeff

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Viagem pouca é bobagem — a ida

Bom, depois dessa bela postagem do Vinícius (e de muito enrolar, que a carga de trabalho aumentou barbaridade), chegou a hora de contar a viagem do mês passado.

Eu estive fora do blog por conta deste passeio aqui:


Este foi o percurso da ida, 1.359 km fora as erradas de caminho os rolês:


Google Maps

Fomos até Penedo, em Itatiaia, RJ, para encontrar os amigos WD±40 de Rio, São Paulo e Goiás (ainda bem que o Cássio se mudou para Minas Gerais, senão Edith e eu estaríamos rodando até agora...), com direito a alguns desvios pelo caminho...

Resuminho:

Primeiro dia, São José a Miracatu para o pernoite, sem novidades.

Segundo dia, Miracatu a Juquiá só para pegar a estradinha deliciosa cheia de curvas no meio da Mata Atlântica até Piedade, depois Raposo Tavares e Anel Viário até São Bernardo do Campo e então Santo André, rever meu pai, meu irmão, minha padoca e minha pizzaria preferidas do Brasil.

A estrada da serra de Juquiá eu chamo de Graciosa Paulista. Se tivesse mais divulgação... humm... ia aumentar o trânsito... esqueça... a serra é feia, sem graça, chata e boba. 

Incidentes da serra de Juquiá:

No alto de uma curva, uma grande cobra atravessando a estrada fez o motorista à minha frente quase parar, fui para a contramão vazia para não encher a lata do Palio. 

A cobra era mesmo grande, esticada devia ter uns 2 metros, porque toda sinuosa ela coube certinho no espaço entre as duas rodas... o carro passou por cima sem atropelá-la.

A coitada levou o maior susto, desistiu de atravessar a estrada e voltou para o mato. Nasceu de novo, mas deve ter perdido os dentes na tentativa de morder o carro... tadinha.

Depois do lance da cobra, o tiozinho do Palio resolveu acelerar para ver se eu desgrudava da traseira dele... (é que o senhorzinho era muito prudente demais, e eu queria saborear aquelas curvas como elas mereciam).

Não desgrudei e, nessa brincadeira, fiz uma curva quase no limite de inclinação da moto e dei de cara com um pedaço de tábua caído ou colocado intencionalmente bem no lado externo da curva.

Se eu não tivesse uma margenzinha mínima de segurança para fechar ainda mais a curva, a roda dianteira teria passado por cima da tábua e eu e a moto teríamos ido parar debaixo de um dos poucos caminhões que desceram a serra naquele dia — não sei se daria para matar, mas certamente ia render uma boa temporada no hospital.

(É mentira, Edith e eu teríamos morrido sim... mas não contem para minha filha!)

Depois desse susto, maneirei no cabo e parei para almoçar lá em Piedade, no primeiro posto / lanchonete /restaurante na entrada da cidade. 

O local se chama Hess e tem uma logomarca curiosa... 

Pelo sim, pelo não... nos mandamos de lá rapidinho porque ameaçava chover.

Cheguei pouco depois do almoço na firma em São Bernardo para finalizar um trabalho que elaborei mentalmente no meio do caminho (será que cola?) 


A vida secreta de Walter Mitty, o filme

E de noite fui para a casa do meu pai.

Não costumo avisar quando vou para lá a fim de não deixá-lo preocupado, então ele não estava me esperando... poxa, se arrependimento matasse... 

Eu quase morto de cansaço trancado para fora de casa o velhinho só chegou depois das 23:00, estava se sacudindo num baile por aí...

Assuntos em dia com meu pai e meu irmão, chega o terceiro dia, Santo André/São Bernardo a Sumaré e Campinas para rever os amigos do interior que não participariam do encontro. 

Percurso também via Anel Viário, porque a chuva em São Paulo era de parar toda a cidade, e pelo Anel nós contornaríamos o congestionamento e a chuva. 

Só escapamos do congestionamento...
http://g1.globo.com/sao-paulo/transito/noticia/2015/03/chuva-forte-poe-sp-em-atencao-e-regis-bittencourt-e-alagada.html

A chuva nos acompanhou da Régis Bittencourt até a Bandeirantes, ela foi na mesma direção que nós, que nem nuvem de desenho animado.


O trecho em azul indica o percurso embaixo d'água.
Nunca me molhei tanto. Até aquele dia. 

A água era tanta que não se enxergava nada, e o anel viário não tem pontos de parada tipo postos de gasolina... 

Foi aí que eu tive a ideia de fazer um capacete com snorkel. 

Arriscar parar no acostamento era pedir para alguém seguindo nossa lanterna nos atropelar, então fomos seguindo a luzinha de um caminhão que ia a uma velocidade compatível com a pista encharcalagada.

Por causa da baixa velocidade e baixa visibilidade, liguei a seta direita durante todo o dilúvio (Edith não tem pisca-alerta) para garantir que fôssemos vistos. 

Acabou a chuva e aí vem uma das grandes vantagens da moto, que é chegar ao seu destino já com a roupa seca. Bom, tentei...

Acabei não conseguindo visitar todo mundo novamente... é difícil conciliar agendas de um monte de gente, uma pena, fica pra próxima (será que consigo voltar em julho? 80 anos do pápi... não posso deixar de aparecer por lá).

Quarto dia, Campinas a Jacareí via Dom Pedro I para encontrar o grupo dos WD±40 que sairia de SP - capital.


Rodovia D. Pedro I, muito boa. Mas as curvinhas são poucas...
Imagem: http://www.rotadasbandeiras.com.br/Show.aspx?IdMateria=hvK31XHNPBRa1GJYWZTrlw==

Parti tranquilo com a informação dada em Campinas pelo Betho de que eu levaria apenas uma hora para chegar ao ponto de encontro na Dutra.

Pausa para falar do Betho:

O Betho é um dos fundadores dos WD±40 e encarna de maneira exemplar o espírito do grupo!


Como todo WD±40, ele é um profundo conhecedor das estradas locais e um inigualável calculador de rotas, distâncias e tempos necessários para chegar ao destino. Só que não, e isso vale pra todos.

Exatamente uma hora depois, viajando a 110 km/h, encontrei a placa indicativa de que faltavam apenas 120 km pra chegar a Jacareí. 

Meados de março e o Betho ainda no horário de verão... vou te contar, não tem representante mais representativo dos WD±40... 

Esse é o verdadeiro espírito que nos norteia (até agora não descobrimos para onde, o que faz com que frequentemente nos percamos, erremos os caminhos e cheguemos atrasados aos eventos) — é essa tradição que faz um WD±40 de corpo e alma: o que vale mesmo é o passeio, chegando perto da hora marcada, ou no mesmo dia, tá valendo.

Quando todo mundo já estava desistindo de me esperar, nos encontramos e partimos rápido para Penedo, uma pequena vila muito bonita na serra da Mantiqueira, vale a visita.


Galera na Dutra (que fica uma delícia para fazer curvas depois de Lorena)


Chegamos depois dos cariocas, já que para eles era pertinho. Revimos os amigos e depois disso pouco me lembro, porque o cansaço foi maior e desabei a dormir a tarde toda.

Alguém mais deve ter dormido, porque me contaram que o ronco era tão forte que eles tiveram que ir para a outra casa para poder conversar. Como eu não ronco (apenas ressono levemente), deve ter sido outra pessoa que não descobri quem foi. 

De noite teve muita conversa, muito comentário maldoso saudoso sobre os amigos que não puderam participar do encontro, muito churrasco, muita cerveja coca-cola que os remedinhos têm alergia ao álcool... e o meu fígado agradece.

Pela manhã, hora de aproveitar o ar puro da montanha para fazer uma caminhada a manutenção básica: conferir nível de óleo, ajustar corrente, completar o líquido de arrefecimento.

Uma dúzia de WD±40 reunidos, e só o Vinícius e eu colocando as meninas em ordem... acho que ninguém lê o nosso blog.

O domingo de manhã foi hora de registrar o prometido encontro de Agnes e Edith:


Não essas... estas:



Edith e Agnes, a segunda e a terceira motos do grupo, em momento de pouca conversa. E um monte de motos de amigos que se conheceram graças às suas primeiras motos.

E domingo 15 de março também foi dia de protesto contra a situação em que o país se encontra — protestamos durante o churrasco, mas ninguém viu porque o chalé na montanha era rodeado de natureza. Que pena.

Acabado o protesto, a carne e o refrigerante, demos de beber às máquinas e nos despedimos dos cariocas, acompanhando os paulistas somente até a metade do caminho (o motivo eu conto amanhã na próxima postagem...)

Mas a lembrança desse encontro ficará para sempre na memória. 

Que no meu caso dura somente alguns dias — é por isso que escrevo aqui, senão as memórias se mandam sem dar adeus. 

E sem mandar lembranças.

Um abraço,

Jeff

sexta-feira, 6 de março de 2015

Domínio da moto é isso. Ou não.

Domínio da moto e conhecimento da estrada é isso: 



Saber os limites da moto e fazer uma pilotagem limpa, sem necessidade de corrigir trajetória ou invadir a pista contrária (o maior erro de pilotagem que existe).

Você não precisa estar a uma velocidade superior à que é razoável para a estrada. 

O cara do vídeo tem uma 250. 

Ele conhece muito bem essa estrada, porque mesmo um cara bom e experiente não poderia manter esse ritmo em uma estrada desconhecida, ele teria que acabar fazendo correções de trajetória.


O legal é que o vídeo mostra que você não precisa ter uma superesportiva para curtir os maiores prazeres que uma moto pode te proporcionar.


Aliás, em uma estrada deliciosa como essa, uma supermoto atrapalha mais do que ajuda.




De novo aquela história de ultrapassar os próprios limites para acompanhar o grupo...

Postei os dois vídeos para você ter uma ideia dos limites de inclinação e velocidade em uma estrada sinuosa que são possíveis (ou não) com sua moto.

A diferença entre contornar a curva na boa e comprar um terreno é muito pequena, e influenciada por detalhes como a calibragem correta dos pneus para a condição sozinho ou garupado, seu desgaste e outras variáveis — por isso, margem de segurança é fundamental. 


Outra coisa:

A guria se ralou por não usar jaqueta, mas poderia ter quebrado o pescoço nesse tombo. A proteção da garupa é tão importante quanto a do piloto. 


Aprenda com os caras do primeiro vídeo — é importante saber o que dá para fazer para não ter medo de fazer na hora em que for necessário.

Mas lembre que tentar fazer uma pilotagem dessas sem ter alguns anos de estrada é igual a comprar um terreno na primeira curva mais fechada.


Mais ou menos como no segundo vídeo.

Então aprenda com quem conhece, e contenha o entusiasmo... um dia você chega lá, se não abusar nem se afobar tentando fazer o que ainda não está pronto para fazer.


Importante: 


Aquilo que é possível fazer com uma moto street ou esportiva, não é possível fazer com uma custom ou motoneta.


Elas têm pedaleiras mais baixas e raspam no asfalto com inclinação muito menor, então a velocidade também precisa ser menor para não morder barranco.


Em compensação, você curte muito mais a bela paisagem.


Um abraço,


Jeff

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Acidente entre quatro motos [atualizado]

Reportagem: 

A imprensa dá destaque à informação de que um dos pilotos do grupo de três motos era um menor de idade pilotando uma CG, e apenas menciona que no sentido oposto a moto da outra vítima era uma Ninja ZX 10, uma esportiva 1000.

Também relata que o acidente aconteceu após uma ultrapassagem forçada, mas não diz de quem.

Com base apenas nessas informações, não dá para saber quem forçou a ultrapassagem, se foi o piloto da esportiva ou o grupo de três adolescentes motociclistas simultaneamente... nem dá para arriscar um palpite. 

Motos potentes estimulam uma pilotagem agressiva e perigosa, e adolescentes motociclistas em grupo tendem a pilotar de maneira irrresponsável e impensada.

Somente a perícia poderá dizer quem estava na contramão (se é que não estavam todos sobre a faixa divisória fazendo ultrapassagens simultâneas)

[Atualização]: Hoje foi noticiado que quem forçou a ultrapassagem foi o adolescente, que estava sozinho e pegou a moto sem autorização dos pais. Ele teria colidido com o grupo de amigos que iriam participar de um encontro de motos, no qual se encontrava a Ninja 1000.

É mais um daqueles casos "Moto não é brinquedo não, garoto"
Reportagem: http://diariocatarinense.clicrbs.com.br/sc/geral/noticia/2015/02/jovem-de-16-anos-morto-em-acidente-na-antonio-heil-fugiu-com-moto-sem-permissao-dos-pais-4701494.html

Em qualquer caso, o laudo não trará ninguém de volta e nem confortará a dor dos familiares.

Não se lance em ultrapassagens "acho que dá". Na dúvida, não vá.

Seja prudente com sua moto de baixa ou alta cilindrada e tenha uma vida longa.

Sempre pilote com margem de segurança para escapar dos erros de outros pilotos e motoristas, e viva muito.

Um abraço,

Jeff

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Desrespeitar os próprios limites

Postagem, reportagem e vídeo sugeridos pelo leitor Roberto Yanaguihara via facebook (obrigado, Roberto!!!):


Reportagem: http://www.estadao.com.br/jornal-do-carro/noticias/motos,motociclista-voa-apos-bater-em-barranco,23075,0.htm

O vídeo é esse aí embaixo, e é muito didático — mostra um risco ao qual você se expõe quando viaja em grupo. Você também pode cometer esse erro sozinho, mas em grupo é mais fácil.

O acidente acontece aos 40 segundos:




O que aconteceu aqui?

Esse é o maior problema dos passeios em grupo:

O piloto acidentado não tinha domínio suficiente da moto para conseguir acompanhar os líderes do grupo naquele ritmo forte e excedeu sua habilidade.


Os líderes fizeram ultrapassagens com faixa dupla contínua, mas ele aguardou um trecho de ultrapassagem permitida. Ficou para trás e, na tentativa de alcançar os líderes que se distanciavam, se esforçou acima de sua capacidade de controlar a moto.

Ao chegar na curva, ele não teve condições de manter a trajetória correta, desgarrou para a contramão e, para não bater de frente com o carro (o que seria morte certa), ele comprou o terreno na beira da estrada — ter voado salvou sua vida.


Quem puxava o pelotão deveria ter tido sensibilidade de maneirar a tocada em função do amigo menos hábil e mais respeitador da lei... se soubesse que ele não tinha tanta experiência. 


Então quem pode ser responsabilizado por este acidente?


O nosso velho culpado de sempre, o próprio piloto. 


Se o pessoal lá na frente não sabe ou não percebe que o ritmo está muito forte para alguém do grupo, o próprio piloto é que deve limitar sua velocidade — ir na onda dos outros, tentar fazer o que os outros faziam, isso quase matou o rapaz do vídeo.


Ficando para trás, o grupo seria obrigado a esperá-lo, e ele poderia comunicar que estava com dificuldades para seguir com a galera; todo mundo seguiria com um pouco menos de velocidade daí por diante, e todos chegariam ao destino em segurança.


Mas e se o pessoal não parasse para esperar? Se todo mundo fosse embora e ele ficasse sozinho lá atrás?


Então ele estaria melhor sozinho do que se arriscando a se desgarrar, destruir a moto, fazer um voo de baixa altitude e se quebrar inteiro.


Somente você pode determinar seus limites, não seus amigos.


Se eles forem mais experientes, irão tocar em um ritmo cada vez mais exigente para você. 

A pressão de não atrasar o grupo e não atrapalhar o passeio será estressante, e o estresse leva a decisões erradas, como entrar numa curva acima da velocidade ideal para seu domínio da moto ou fazer ultrapassagens sem condições de segurança.  


Não se mate nessa tentativa de acompanhar o pessoal. 


Seja prudente e viva mais. 


Se isso desagradar seus amigos, eles não merecem ser chamados assim.


Outras postagens sobre viagens em grupo:


http://minhaprimeiramoto.blogspot.com.br/2014/04/viagens-em-grupo-ii.html


http://minhaprimeiramoto.blogspot.com.br/2012/12/passeios-em-grupo.html


http://minhaprimeiramoto.blogspot.com.br/2012/12/uma-situacao-que-tem-tudo-para-dar.html


http://minhaprimeiramoto.blogspot.com.br/2014/01/uma-excelente-postagem-do-roberto.html


Na postagem de amanhã, o que fazer ao ver um amigo sendo vítima de um acidente como esse.


Um abraço,

Jeff