Mostrando postagens com marcador Como agir em acidente. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Como agir em acidente. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Meu pior tombo e a importância de usar equipamentos de proteção

Bom, agora a parte que todo mundo estava esperando, o tombão.

Felizmente uma câmera no local flagrou o momento em que fui ao chão:

Na hora em que a roda desgarrou, não deu tempo de pensar em mais nada, e enquanto eu via as pedrinhas rolando na viseira do capacete, meus pensamentos foram apenas dois.

Felizmente, um gravador no local registrou meus pensamentos:

NÃO!!!! NÃO!!!!.... que legal, o capacete está funcionando!

O local do acidente foi este aqui, na Serra do Ribeira:
Essa estrada corta o parque até a cidade de Apiaí, onde começa o Rastro da Serpente.

O estrago na Jezebel foi este:

Para-lama quebrado (agora o dianteiro, o traseiro já tinha sido remendado com arame na mesma viagem), os dois espelhos, os dois piscas do lado direito ficaram pendurados e acabaram caindo pelo caminho, os alforjes rasgaram na emenda, o cabo do velocímetro se soltou na pancada com a placa... 

E falando na placa, ela foi a grande heroína do dia:
Não dá para ver direito na foto, mas depois dela tem um abismo.

Se não fosse a placa, Jezebel teria deslizado para o abismo, um tombo de uns 100 metros, pelo menos.

Com a escapada da roda, ela desviou para a direita e bateu contra a placa, enquanto eu deslizei junto, mas do lado da estrada — o maior risco que corri foi ser atropelado por uma onça, porque na estrada não passava ninguém.

Não passava ninguém e eu preso embaixo da moto, sem conseguir sair.

Quase quebrei as costelas, a primeira coisa que fiz foi avaliar se tinha quebrado ou não — a segunda foi desligar o corta-corrente com o pé livre, o outro preso embaixo da moto.

Cabeça fria nessa hora: 

Se eu me levantasse afobado, uma costela quebrada poderia se deslocar e perfurar o pulmão, e aí eu estaria no mato sem cachorro. Só onças.

Depois de apalpar e ter certeza de que as costelas não estavam quebradas, mas poderiam estar trincadas (porque a dor era muito forte), começou a luta para sair de debaixo da moto vazando combustível... tudo era urgente e eu não conseguia fazer nada com rapidez.

E por que eu não conseguia me levantar?

Porque o pé livre não conseguia fazer força... eu estava usando botinas desse tipo aí embaixo (não eram da mesma marca, mas o modelo é parecido):
Bonitinhas e baratinhas, mas com um sério problema se você for viajar em uma estrada com onças:

No tombo, a bota deslizou no pé e ficou no meio do caminho, não entrava nem saía do pé.

Deitado eu não conseguia calçar de novo porque ela entra muito justa, nem tinha como tirar de vez porque não tinha ponto de apoio e a dor nas costelas impedia de me sentar ou fazer força.

Felizmente os outros equipamentos funcionaram bem.

O capacete robocop aguentou a pancada e protegeu muito bem o meu rosto. 

Eu sempre achei que a queixeira seria arrancada no caso de um tombo — e também sempre achei que nunca iria cair — mas de moto, nunca pense em nunca acontecer um acidente, use sempre os equipamentos de proteção.
E a queixeira realmente quase foi arrancada durante a queda. 

Ela quebrou na articulação — se eu estivesse uns 10 km/h mais rápido, a outra articulação sozinha não teria aguentado, a queixeira seria arrancada e eu certamente teria me machucado.

Moral da história: 

Capacete robocop nunca mais, o conforto não compensa o risco.

Quem também se portou muito bem foi a jaqueta de couro, fez o trabalho dela com perfeição e ganhamos estes registros de batalha que nos enchem de orgulho:
E o que causou tudo isso?

Acredite se puder, aquelas pedrinhas ridículas que resolveram se soltar na nossa frente — e o uso de medicação contra dores que prejudica nossa capacidade de julgamento e reação.

Desviando de um buraco, ficamos muito perto da lateral suja da estrada, e não deu tempo de fazer mais nada, só ir pro chão colecionar mais uma história.

Aquelas pedrinhas ridículas no canto direito da foto — Jezebel está na contramão, virada em direção da subida para não cair do cavalete, a serra é íngreme e em descida nesse trecho.
Depois que consegui sair e me levantar, e com dificuldade e muita dor calçar novamente a bota, aí do nada apareceram dois carros e em seguida mais um.

O pessoal dos dois carros me ajudou a colocar a moto em pé e o pessoal do mais um se mandou.

Foram os primeiros que bateram estas fotos, menos a do tombo e a vista da serra, e me ajudaram a prender os alforjes caídos em cima da moto com os elásticos que eu sempre carrego.

Eles que perceberam que eu e a Jezebel quase tínhamos caído no abismo.

Duas semanas antes, um motociclista e sua moto caíram em outra barroca da mesma estrada e só foi resgatado porque ficou horas chacoalhando uma árvorezinha comprida e um motorista desconfiou que aquilo não era coisa de macaco.

Depois de ter certeza de que eu conseguiria subir de novo na moto e ligar o motor, e eu dizer que estava tudo bem, eles foram embora, gente boa — até endireitaram a placa para que ela continuasse avisando o pessoal sobre a curva logo à frente. E quem sabe segurar alguma outra moto...

Depois de alguns dias me enviaram as fotos porque eu havia passado meu email atual ainda não hackeado e já estava pensando na postagem que iria estrear de novo o blog...

Eu disse que estava tudo bem, mas não estava não.

A dor era muita, agora na coluna e também nas costelas. Costelas dóem pacas.

Subi na moto e percebi que não havia removido o cabo do velocímetro que estava arrastando no chão.

Descer e subir de novo com a dor que eu estava? Nã nã nã. 

Pisei no cabo e acelerei a moto, ele ficou por lá mesmo, consciência pesada de poluir a natureza, mas era questão de sobrevivência.

Agora eu iria mesmo chegar a Apiaiaiai com a noite caindo, não tinha como ir ligeiro, cada buraquinho e pedregulhozinho da estrada eram motivo de dor intensa... eu não podia escorregar nas poças de lama, eu tinha de chegar rápido até o hospital e bater uma radiografia naquelas costelas.

Mas nessas horas tudo ajuda, e do nada no meio de lugar nenhum surgiu uma onça um filho de cadela que começou a me seguir e avançar contra o pé que eu não podia dar uma bicuda por causa da dor. Espaço reservado para protestos de defensores de animais que não pilotam motocicleta.

O totó não desistia e eu não tinha como fugir dele, até que tive a ideia de acionar a embreagem e acelerar ao máximo. Jezebel não é veloz, mas sabe como fazer um barulhinho bom.

Cheguei no hospital e uma enfermeira percebeu que eu não estava visitando um parente, então me ajudou a descer da moto. 

Atendimento preferencial para idosos estropiados, radiografias tiradas, costelas inteiras, pensei que ia receber um colete de gesso ou pelo menos um enfaixamento para diminuir as dores.

Costela não pode enfaixar. Pelo menos, não no meu caso. Ia ter de conviver com a dor. Um mês inteiro de dor, acordando a toda hora por causa da dor.

E aí, medicado contra dores de novo, vem a questão: o quequeu faço?

Eu TINHA de ir até Floripa para receber meu pagamento, ou não teria como voltar para casa.

A noite de quinta-feira eu passei no hotel emendando as duas metades dos alforjes com laça-gatos, felizmente eu tinha levado uma dúzia deles. Furava o couro corvim com a chave de fenda e suturava com os laça-gatos.

O conserto ficou tão bom que eles estão lá até hoje. Emendados e remendados pela segunda vez. 

Chegou a madrugada, hora de dormir, hora dos caminhões que levam madeira para as padarias e pizzarias começarem a subir a ladeira em frente ao hotel. Noite inteira sem dormir, e com dor.

Sexta-feira pela manhã, éramos os primeiros na loja/oficina de motos de Apiaiaiai.

Peripécias para conseguir que minha filha fizesse o pagamento do conserto sem poder falar diretamente com ela, tipo email sem fio via balconista da loja.

No final da história, consertos realizados, Jezebel ganhou um para-lama amarelo que odeio até hoje e tive de comprar o único capacete que entrou muito apertado na minha cabeçona gorda.

Fomos os primeiros a entrar na oficina e só saímos quando perdi a paciência às três da tarde e fui buscar a moto lá dentro da oficina, eu precisava chegar até Floripa ainda naquela noite porque tinha o compromisso de me encontrar com minha amiga e fonte pagadora no dia seguinte.

Estavam esquentando o motor para lavar a moto. Pois é, não pergunte. Não tem explicação.

Chegamos em Curitiba já estava anoitecendo e ainda tínhamos 300 km pela frente, com dores, cansado e com problemas para digerir aquela maldita coxinha de beira de estrada.

O cansaço era tanto que diminuí o ritmo para poder ficar atrás de um caminhão cheio de luzes sem ter de decidir o que fazer, apenas não perder as luzinhas de vista.

Depois de uns 50 km o motorista desconfiou da moto que o seguia e parou no acostamento, acabei parando junto, foi uma luta conseguir sair dali.

Chegando em Palhoça, rodei a cidade inteira várias vezes procurando o hotel que eu conhecia o caminho de cor.

Mas de noite e tão cansado, eu não sabia mais para que lado estava a serra e para que lado estava o mar, e de madrugada não tinha para quem perguntar.

E ainda por cima, sob os efeitos desesperadores da coxinha de Curitiba.

Acabamos morrendo em um motel na BR-116 ops, BR-101 lá pelas 6 da manhã onde pude tomar um banho. E lavar as roupas — coxinha em Curitiba, nunca mais. 

Jezebel ficou na garagem (não passava pela porta da suíte) e o motel tinha um degrau daqueles que você não vê e fui para o chão, onde fiquei me perguntando why, God, why?

Mas no final final deu tudo certo, até recuperei o blog um ano depois, e estamos aqui para contar a história.

É como diz a camiseta que eu usei na viagem:
Continue rodando, nunca desista

"Ué, falou tanto, mas cadê a jaqueta?"

Motivos religiosos.

Minha religião não permite usar jaqueta em trajetos inferiores a 5 km. Se eu cair de casa até a padoca, eu fiz por merecer.

Aproveito para mandar um forte abraço aos meus amigos Daniel e Meri que bateram as fotos e me deram sustança enquanto estive por lá, e agradeço aos leitores pela paciência de ouvir até aqui,

Jeff & Jezebel

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Moto saindo pela tangente no alto do morro e primeiros socorros

Lembra daquela postagem de setembro do ano passado?

Aquela onde eu falo que motos em alta velocidade perdem o contato com o solo e saem em linha reta em uma curva no alto de uma elevação?

Esta postagem aqui, ó:
Postagem: http://minhaprimeiramoto.blogspot.com.br/2016/09/moto-morro-abaixo-e-moto-morro-acima.html

Apareceu um vídeo ótimo que mostra isso acontecendo com uma Hayabusa — uma moto pesada — e o drama de se acidentar no meio do nada.

Essa fogueira foi tudo que restou da moto — ainda bem que o piloto sobreviveu em condições de ser hospitalizado:
Imagem: https://www.youtube.com/watch?v=iXSvQxiQYOY

Infelizmente, o autor não permite embutir o vídeo aqui no blog. Deve ser mais um que não sabe que reproduções do vídeo aqui contariam como visualizações para ele...

Então você terá que ir até o youtube neste link para assistir o vídeo

Note logo aos 0:40 a subida intensa e a curva no alto dela — e como a moto seguiu em linha reta porque o piloto perdeu totalmente o controle.

"A mudança de trajetória mais a diminuição da aderência por causa da mudança de inclinação da pista fazem a moto em alta velocidade perder o contato com o solo."

Para saber mais detalhes sobre esse tipo de acidente muito comum com motos esportivas, mas que também pode surpreender o piloto em motos menores, leia a postagem Moto morro abaixo e moto morro acima quando quer sair de banda ninguém segura.

E quanto ao socorro ao piloto acidentado?

Vítimas de acidente não devem ser movidas, EXCETO quando expostas ao risco de queimaduras, sufocamento, intoxicação, afogamento ou outro risco maior no local do acidente.

Fraturas agravadas pela necessidade de remoção eventualmente podem se recuperar, desde que não causem uma hemorragia intensa — mas queimaduras graves tendem a ser fatais.

Então é questão de avaliar a situação e agir de imediato diante da escala de gravidade dos ferimentos.

Afaste uma vítima com traumatismos do local de um incêndio somente pela distância mínima necessária.

Considere que o calor também causa queimaduras à distância por radiação térmica, e não só por contato direto com as chamas.

E como você viu no filme, o fogo pode ficar mais intenso e se alastrar rapidamente.

Na hora de mover a vítima, faça isso imobilizando o pescoço e cabeça da melhor maneira possível e puxando pelos ombros / sovacos em linha reta na direção da coluna.

Uma pessoa desmaiada não segurará o peso da cabeça, evite que a cabeça se movimente durante o transporte.

Esta foto mostra uma técnica usada pelos bombeiros que ajuda a não movimentar muito o pescoço:

Passar uma cinta pelos ombros (na verdade, sovacos) da vítima para puxá-la...
Imagem e treinamento de bombeiros (em inglês, use o tradutor do google): http://www.fireengineering.com/articles/print/volume-164/issue-9/features/techniques-for-removing-victims-from-the-fire-building.html

Outra técnica para esse transporte:
Imagem e treinamento de bombeiros (em inglês, use o tradutor do google): http://www.fireengineering.com/articles/print/volume-164/issue-9/features/techniques-for-removing-victims-from-the-fire-building.html

Dificilmente você terá uma cinta numa emergência dessas, mas as fotos servem para mostrar como a tração pelos ombros / sovacos ajuda a manter cabeça e pescoço relativamente imóveis, evitando agravar uma lesão que pode causar uma paralisia permanente ou morte.

Puxar a vítima pelos antebraços poderia agravar uma fratura ali existente. Você correria o risco de ficar com os braços dela pendurados nas mãos e sangue esguichando para todos os lados, cena de filme de horror. Você não quer isso.

Puxar a vítima alinhada com o eixo do corpo minimiza a chance de agravar fraturas e causar novas lesões.

É sempre preferível aplicar esforços no sentido de alongar a vítima do que dobrar qualquer parte de seu corpo. 

Nunca tente carregar nos braços uma vítima de politraumatismo — todo movimento com tendência de fazer o corpo dela se dobrar irá agravar as lesões.
Imagem: https://br.pinterest.com/wredants/batman-and-superman/

Você só faz isso quando tem certeza de que não há nenhum osso quebrado, tipo uma pessoa que desmaiou pela fumaça em um incêndio em uma casa* — mas nunca um acidentado de trânsito.

*E ainda assim, somente depois de se certificar de que ela não bateu a cabeça ao cair, porque isso é suficiente para lesionar o pescoço.

Remoção do capacete, somente se estiver atrapalhando a respiração da vítima — e com o máximo cuidado para não movimentar o pescoço.

Aliás, a primeira coisa a fazer depois de afastar a vítima das chamas é se certificar de que ela está conseguindo respirar.

Não adianta salvar alguém de um incêndio para deixá-lo morrer com o capacete ou a dentadura tampando sua respiração.

Não dê água para a vítima — ela poderá se engasgar e a água nos pulmões irá complicar muito a situação no hospital.

É uma cortesia que pode resultar em uma pneumonia fatal — melhor esperar que o pessoal do resgate aplique soro na veia.

Nunca tente sentar a vítima, nem tente fazê-la ficar de pé ou andar — ossos trincados poderão se quebrar totalmente e cortar artérias ou perfurar pulmões e outros órgãos.

Se houver uma hemorragia grave, trate de contê-la senão a vítima morrerá antes da chegada do socorro.

O resgate na cidade não leva menos de 10 minutos, e no meio do nada pode levar horas.

Há outras postagens falando sobre este assunto nas abas "Como agir em acidente" e "Como agir em emergências". 

O índice de abas só fica visível na lateral direita da tela quando o blog é aberto em um computador desktop.

Um abraço,

Jeff

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Reflexões sobre a postagem de ontem — aproveite pra ler que o asteroide vai cair já, já

Analisando a dinâmica do quase acidente de ontem (vídeo novamente ao final desta postagem):

Como não cair na armadilha em que eles caíram?

Vamos começar pelo piloto que quase bateu no carro, o primeiro a entrar na garagem:

Note que o motorista não invadiu a pista da moto.

O piloto apenas se assustou porque tencionava fazer uma tomada de curva no limite da faixa dele...

Mas aí ele iria passar muito perto do carro...

Ao ser obrigado a desviar da trajetória pretendida, ele estava em velocidade alta demais para conseguir contornar a curva.

A atitude da moto parece indicar uma frenagem súbita com o pneu traseiro derrapando.

Por sorte havia a entrada da garagem do pacato cidadão logo à sua frente...

Já o segundo piloto teve a visão atraída totalmente pelo drama do amigo à frente:

Literalmente, a visão dele se fechou no túnel onde o amigo dele foi parar.

Outro grande risco da situação que não comentei ontem foi o de aparecer um carro e acertar em cheio o pessoal invadindo a contramão.

Coisa que dá arrepio só de pensar.

Então qual a estratégia para não ser surpreendido em uma curva?

Primeira coisa, não conte em usar o limite de sua faixa para fazer uma curva.

Maneire a velocidade, porque se você depende de uma tangente perfeita para completar a curva, você está pilotando errado.

Tangentes e trajetórias perfeitas são preocupação de alguém em uma pista de corrida, não no trânsito comum.

Trajetórias precisam ser alteradas por proximidade de outros veículos, buracos e irregularidades na pista, gambás, preguiças e sucuris aparecendo de repente no meio da estrada...

Segunda coisa, entre focado em fazer a curva.

Pode aparecer o papa com uma camisa da seleção brasileira segurando um cartaz escrito iVIVA PELÉ!, sua atenção e seu olhar precisam estar no fim da curva e não em algo que apareça no meio dela — por mais que chame sua atenção.
Imagem: Sério que você achou mesmo que eu ia encontrar uma imagem do papa com a camisa da seleção brasileira segurando um cartaz escrito iVIVA PELÉ!????

Olhe para onde quer chegar — o final da curva lá na frente — e sua moto irá para lá automaticamente.

Olhe para onde você NÃO QUER se estatelar e sua moto providenciará uma temporada no hospital para tu. E eventualmente algum amigo te acompanhando. 

O mesmo raciocínio vale para o filmador.

Por mais que você goste do seu amigo, você tem que gostar mais de você mesmo.

Se os dois se acidentarem, quem vai chamar o resgate?

Focar em terminar a curva e parar a moto com segurança pode ser fundamental para salvar a vida do seu amigo acidentado.

Se distrair com o acidente dele pode fazer os dois ficarem rezando para alguém encontrar vocês dois caídos em um barranco no meio da serra de Nhoquerê da Mata Dentro.

Quem sabe o papa. Ou a rrrruuuuiva da moto.

Se quiser rever o vídeo para tirar dúvidas, aí vai:

Um abraço,

Jeff

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Esteja sempre preparado

Pilotando você precisa sempre estar preparado para tomar decisões muito rápidas...



Uma decisão rápida pode fazer a diferença entre a vida e... um monte de lesões bem graves.

Entre nas curvas já contando em encontrar um idiota tentando uma ultrapassagem proibida.

Contar com um plano B a cada curva te evita grandes dores de cabeça.

E nos ombros, costelas, braços, pernas...

Um abraço,

Jeff
PS: Agradeço ao leitor Beto — verdadeiro irmão meu — que enviou o vídeo!

terça-feira, 26 de julho de 2016

Vixi, caí no mato sem cachorro... e agora?

A coisa pode se complicar quando você sai para um rolê sozinho e cai longe de tudo...

Quando outras pessoas te veem cair, tudo fica mais fácil.

A primeira preocupação de quem vê um acidente deve ser cuidar da própria segurança e então sinalizar imediatamente para que outras motos e veículos não atropelem o piloto e a moto caídos.

O filmador fez a coisa certa, sinalizou o local antes da curva para que outros pilotos diminuíssem a velocidade e pudessem parar para ajudar — fazendo isso ele garantiu a segurança de todo mundo.

Em seguida, ele estacionou a própria moto em local com menor chance de ser atingida por um aloprado em alta velocidade.

Remover a moto acidentada do caminho é outra coisa que deve ser feita — isso evita vazamentos de combustível e óleo, evita novos acidentes e melhora a segurança de todos em sua volta.

Você só não remove a moto do local antes da chegada da polícia em caso de acidente com vítima grave ou fatal, porque aí eles poderão determinar uma perícia com fotos do local.

Mas e quando você se acidenta sozinho?
Você faz o quê nessa situação?

No vídeo o acidentado fez a coisa certa, garantiu o socorro e ficou imóvel

Felizmente ele conseguiu sinalizar e ser visto aos 0:41 da filmagem.

O filmador se comunicou com o acidentado e teve certeza que ele estava lúcido e consciente, sem problemas para respirar.

Com a perna quebrada, a coisa certa é não mexê-la, mas permanecer imóvel, e não tentar levantar o acidentado — e garantir que ele não se levante na adrenalina.

Ficar em pé com uma perna quebrada faria com que o osso se desencaixasse e atravessasse a carne, a tal da fratura exposta — se a ponta do osso cortar uma artéria, ele poderia morrer em poucos minutos pela perda de sangue. 

Sem uma hemorragia evidente, nem a necessidade de outros cuidados, o filmador se preocupou em desligar e erguer a moto.

Isso se justifica porque o combustível vazando e o contato com o escapamento quente, não só do combustível como da folhagem, pode iniciar um incêndio — se isso acontecer, você estará num mato sem cachorro. 

Mas se não fosse o filmador perceber o cara pedindo ajuda com os braços levantados, quanto tempo ia se passar até alguém perceber o motociclista acidentado lá fora da estrada?

Pensou nisso?

E se não tem ninguém por perto para perceber que você caiu em uma vala e se quebrou todo? Belas curvas e um acidente aos 3:35.

E se ninguém vê você caindo lá no meio do mato barranco abaixo, e você não consegue sair de lá sozinho? 

Neste outro vídeo, o cara lá na frente cai no barranco aos 5:45 — aproveite para ouvir o belo uso do freio motor; pilotar não é andar só de cabo enrolado e cravar os freios que nem um doido.

E se estivesse escurecendo?

Passar a noite sem conseguir voltar à estrada e sem ninguém ter ideia do que aconteceu contigo, sem sinal de celular, sem ninguém na estrada ouvindo você gritar, pode ser uma das experiências mais tormentosas da vida. O consolo (epa!) é que não há mal que sempre dure, já dizia Grim Reaper.

Essa coisa de cair no mato, ninguém na estrada te ver e ser obrigado a sair da encrenca sozinho acontece até com carros, imagina com motos...
Reportagem: http://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/2016/08/motorista-capota-rasteja-ate-sc-480-e-e-socorrido-11-horas-apos-acidente.html

Pilotos de moto se machucam muito mais em um acidente desse tipo. Rastejar com uma perna ou um braço quebrado barranco acima pode ser impossível.

Quando você estiver muito a fim de enrolar o cabo, deixe para fazer passeios sozinho por estradas distantes e com pouco movimento apenas quando já estiver bem familiarizado com sua moto — e com a estrada.

E não se arrisque muito em curvas cegas, elas podem trazer grandes surpresas para os novatos, postagem falando disso sai daqui a uma semana.

Pegar sozinho uma estrada remota cheia de curvas é coisa para se fazer somente depois de ter experiência suficiente para não se meter nessas enrascadas.

E dá para dizer que até quem é experiente e prudente está se arriscando a uma queda inesperada...



Já imaginou se ele tivesse quebrado uma perna lá embaixo no barranco?

A moto te convida a desafiar seus limites, aceitar é contigo. Mas se você precisar de resgate, aí será com os outros.

Então vá na boa, se divirta, e tome cuidado para não estragar o passeio da moçada.

Um abraço,

Jeff

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Carro entrando na frente da moto... com uma novidade

Aconteceu de novo, o motorista de um carro não viu a motocicleta se aproximando e entrou na frente dele. Veja o vídeo neste link.
Reportagem e vídeo: http://g1.globo.com/goias/transito/noticia/2016/06/piloto-sobrevive-apos-ser-lancado-cerca-40m-em-acidente-veja-video.html

Esse tipo de acidente muito comum foi explicado em detalhes na postagem Postes, árvores e outros obstáculos à visão — Por que os motoristas não veem as motos.

Para quem não leu, vai um resumo: 

O motorista não vê a moto porque na hora em que ele pensa em fazer a conversão, ela está encoberta pelas árvores na ilha central.



O motorista acha que não vem ninguém (porque ele só pensa em carros), avança e só percebe a moto quando já está para bater.

Até aí nenhuma novidade, esse tipo de acidente acontece dezenas de vezes todos os dias.

O fato novo é que o motociclista sobreviveu e deu uma dica de como minimizar o estrago em uma batida como essa:

Ele levantou a frente da moto logo antes de bater.

Corrigindo a informação conforme alertado pela leitora Fabiana Ribeiro, ele disse que levantou a traseira da moto.

Não vejo como é possível levantar a traseira da moto... Será que ele quis dizer que levantou a própria traseira do banco da moto?

Olha, pela intensidade da pancada, para sair de uma dessas apenas com o braço quebrado (em três lugares), essa dica deve funcionar mesmo...

Isso Uma coisa tem lógica:

Melhor voar por cima do carro do que bater com toda força direto contra ele.

Mas também ele deu sorte de não bater contra a cabine — a frente dos carros costuma ser bem mais baixa e fácil de sobrevoar.

Nessas situações, ao cair no asfalto e sair quicando e rolando que nem melancia ladeira abaixo, os ocupantes da moto vão desacelerando aos poucos.

Cada quicada no chão rouba um pouco da energia cinética (lembra que o professor falava dela? Não, né? Pense assim: quanto mais você puxa o elástico, maior a energia cinética, mais longe vai a pedra o passarinho e mais estrago ele faz.), e isso é bem melhor do que transformar toda essa energia em deformação do motoqueiro. Não a do passarinho. Nem do porquinho.

Mas se o piloto bate direto de cara contra o carro, a desaceleração é praticamente instantânea, e aí já era.

Tomara que nenhum de nós precise usar essa dica de levantar a moto ou mirar no capô do carro na hora H.

E para não precisar usar, tenha sempre em mente o seguinte:

Quando houver árvores, postes e outros obstáculos para a visão no canteiro central de avenidas, você estará invisível para os carros na outra pista.

Postes e árvores são suficientes para esconder uma moto devido ao ângulo de visão do motorista. 
Vídeo e reportagem: http://g1.globo.com/sp/bauru-marilia/noticia/2015/05/nao-deu-tempo-diz-mecanico-que-atropelou-motociclista-em-acidente.html
Postagem explicando isso: https://minhaprimeiramoto.blogspot.com.br/2015/06/postes-arvores-e-outros-obstaculos-visao.html

Aliás, fazer de conta que nós motociclistas somos invisíveis o tempo todo ajuda muito a não se enfiar em armadilhas do trânsito como essa.

Você deixa de confiar que ninguém vai entrar na sua frente e fica muito mais precavido contra outras motos, carros e etc. cortando seu caminho.

Te digo que vale muito a pena.

Um abraço,

Jeff

domingo, 25 de outubro de 2015

O que eu faço se minha moto pegar fogo?

O que você faz se a sua moto pegar fogo?
Imagem e reportagem: http://sportv.globo.com/site/eventos/mundial-de-motovelocidade/noticia/2015/10/moto-vira-bola-de-fogo-apos-queda-de-piloto-em-treino-na-malasia-fotos.html

Se a moto pegou fogo, se mande, porque já era... 

Melhor perder a moto do que a vida, grandes queimaduras matam.


Ninguém consegue se queimar "só um pouquinho" — toda queimadura que atinja metade de um braço ou perna já coloca sua vida em risco por falência dos rins.

Uma moto pegar fogo é uma coisa rara, mas de vez em quando acontece — principalmente se você deixar que ela fique vazando gasolina.

Mas pode acontecer, como neste acidente filmado em um dia comum de trânsito normal aqui em Floripa:

Ops, me enganei... era um domingo.

Em caso de incêndio, você pula fora pra longe da moto, mas se as suas roupas estiverem pegando fogo, você não poderá sair correndo.

Quando a roupa pega fogo, dar no pé é a primeira coisa que vem na cabeça. Além da fumaça.

Mas correr com a roupa pegando fogo é o pior erro que você pode cometer.

Correr com a roupa pegando fogo é a mesma coisa que abanar a churrasqueira, você joga mais ar (= mais oxigênio) na fogueira.

Aliás, você tem mais chance de ver suas roupas pegando fogo em um churrasco com a família do que andando de moto, por isso sempre é bom saber como agir numa emergência dessas.

A coisa certa a fazer é manter a cabeça fria (sem trocadilho), não inalar o fogo e a fumaça, proteger os olhos, ficar longe da gasolina vazando do tanque da moto (ou da churrasqueira), se jogar no chão e ficar rolando até apagar o fogo (enquanto ninguém te joga um balde de água, guaraná, coca-cola, cerveja — só não pode jogar cachaça).

Se outra pessoa estiver com as roupas em chamas e sair correndo, não hesite!

Derrube-a com uma rasteira com cuidado para que ela não bata a cabeça ao cair, e faça com que ela role no chão enquanto tenta abafar o fogo com um pano, blusa, cobertor, qualquer coisa que abafe o fogo — só não use tecidos sintéticos para isso.

Não use seu próprio corpo para abafar o fogo das roupas da outra pessoa se as suas roupas forem de nylon ou poliéster, que pegam fogo e derretem com facilidade — se você estiver usando calças jeans, elas oferecerão alguma proteção por pouco tempo, a menos que a vítima esteja encharcada de gasolina. 


Arranque as roupas queimadas antes que elas grudem nas queimaduras, e impeça o contato da pele ferida com sujeira — não passe nem coloque nada sobre queimaduras graves (nunca use álcool, pomada, pasta de dente, gaze, lençol — nada além de água limpa ou soro fisiológico, se estiver à mão).

Apenas lave com muita água, de preferência mineral, senão quando chegar no hospital os médicos terão de raspar as ataduras, pomada, seja o que for a fim de remover, e vai doer muito muito mais. Muito mais mesmo.

E como bem lembrou o leitor José Carlos Aires (obrigado!):


Um detalhe importante em qualquer queimadura recente, é que o local atingido deve ser resfriado (se possível) com água, gelo, o que for, para evitar agravamento, pois a área atingida aumenta, mesmo após a eliminação da causa — o calor que fica na pele continua cozinhando os tecidos sadios e se estende até o resfriamento total.


Se você tiver certeza absoluta de que o único problema da vítima é a queimadura, ela não tem nenhuma fratura ou lesão interna, leve-a imediatamente ao hospital — se o problema for apenas de queimadura, não há sentido em chamar e aguardar o resgate dos bombeiros.

O transporte não irá agravar os ferimentos se eles não ficarem em contato com o banco do carro, mas a demora no atendimento sim.

Duvida que apenas rolar no chão funcione para apagar o fogo?


Essa molecada desmiolada corajosa já testou isso por você:

MAS ATENÇÃO: 

Não tente fazer a mesma coisa que esses garotos fizeram — isso pode dar muito errado.


O vídeo serviu para mostrar que a técnica funciona, mas o garoto poderia ter morrido nessa brincadeira.

Ele se queimou, mesmo usando roupas protetoras por baixo das calças. 

Queimaduras em uma grande área do corpo são mortais — a pele precisa eliminar o suor, e deixa de fazer isso quando queimada. 

Além disso, todas as terminações nervosas não param de doer terrivelmente o tempo todo, sem descanso — é insuportável.

Se a pele for queimada mesmo que superficialmente por uma grande área, os rins trabalharão com sobrecarga, deixarão de funcionar e a vítima morrerá em poucas horas ou dias, dependendo da extensão e gravidade dos ferimentos.


Com dores indescritíveis.

Agora que você aprendeu a técnica, assista este vídeo dos bombeiros de Trinidad e Tobago com dicas de como evitar incêndios, como se proteger em um incêndio, e uma dancinha para você nunca mais esquecer a técnica de parar, cair e rolar (stop, drop, roll).

É do Caribe!

Então... você está curioso e quer saber tudo sobre incêndios

Não brinque com fogo, não brinque com fogo, não brinque com fogo, você se queimará com fogo!

Em um incêndio não se esconda, todo mundo caia fora, na fumaça apenas caia e rasteje

Não volte para dentro porque você pode perder a vida, todo mundo foi contado?

PARE, CAIA, E ROLE se o fogo queimar sua roupa

Não brinque com fósforos, não brinque com velas, não brinque com isqueiros, você vai se queimar...

Não brinque com fogo, não brinque com fogo, não brinque com fogo, você se queimará com fogo!

Em todo o País tem um corpo de bombeiros, você só precisa chamar

Estamos aqui para ajudar! Sua vida e propriedade também, te levantar quando você cair

PARE, CAIA, E ROLE se o fogo queimar sua roupa, mantenha o fogo sob controle e ligue 193 

Não brinque com fósforos, não brinque com velas, não brinque com isqueiros, você vai se queimar...

Não brinque com aquecedores, não brinque com tomadas, não brinque com fogo, você vai se queimar!
*****
De brinde, você também nunca mais vai esquecer a musiquinha, ela vai grudar na sua cabeça e você só irá esquecer quando ficar velhinho / velhinha. E então seus netinhos irão cantar para você.

Nem precisa me agradecer por isso (hehehe)

Um abraço,

Jeff