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domingo, 25 de setembro de 2016

Jeff, porque você é tão paranoico com o óleo da moto?

Sniff... buááá.... saudades...
Esta é outra postagem que encontrei perdida nos rascunhos... era do tempo em que ainda morava em Santa Catarina e ainda era o feliz proprietário da saudosa Fenix Gold Edith...

Vamos lá:

Jeff, porque você é tão paranoico com essa história do óleo?

Porque a coisa é traiçoeira e pode trazer grandes prejuízos e até mesmo risco de vida aos ocupantes da moto — e ninguém fala disso.

Os casos de motores travados que testemunhei enquanto participava do fórum da dafra me conscientizaram do risco a que estamos expostos por esse recurso utilizado pelas empresas... 

E na postagem de ontem você vê como as motos da bmw flagradas com pouco óleo se encaixam exatamente na mesma dinâmica. (O "ontem" aparece porque eu havia atualizado e programado esta postagem para o dia seguinte à denúncia da bmw, mas adiei e ela acabou entrando no ar sem revisão junto com uma sobre a entrega técnica das triumph que ainda nem havia sido finalizada...)

Mesma dinâmica que afeta motos da triumph, disfarçados por uma manobra sutil do fabricante.

Mesma dinâmica que afeta motos da honda e demais fabricantes japonesas, causados pelo procedimento enganoso do manual divulgados pelas fabricantes e práticas condenáveis da parte das concessionárias... 

Motores que duram 1/3 a metade do que poderiam, dando prejuízo aos proprietários, colocando suas vidas em risco, e dando grandes lucros para os empresários envolvidos... quem escaparia de uma investigação rigorosa? 

Vou dar um exemplo concreto de como a medição do nível de óleo usando esses artifícios criados pelos fabricantes pode ser traiçoeira.

Tome como base na minha experiência com minha mvk Fenix Gold — Edith.

Na última troca de óleo da Edith, mandei por e acompanhei a colocação da quantidade de óleo que considerava correta:

O manual manda colocar 1,9 litro de óleo, e habitualmente coloco colocava 2,3 litros de óleo.


E assim foi feito na sexta-feira, 11 de setembro de 2015.


Abastecida com 2,3 litros de óleo, conferi o nível logo após a troca (motor ainda quente) e a vareta apontou praticamente 7/8 da faixa de medição da vareta de óleo.

Beleza, né? Só que não.

Meus amigos Betho e Edifrans estavam chegando na manhã do domingo seguinte, e o planejado era que todos subíssemos a Serra do Rio do Rastro. 

Por isso, na manhã do domingo, com o motor frio, antes que eles chegassem, me preparei para colocar uma dose de Militec para preencher aquele 1/8 faltante, e aproveitei para fazer nova verificação do nível de óleo. Velho hábito muito saudável para os meus motores. 

Para minha surpresa, ligando o motor por alguns minutos e desligando, exatamente conforme o manual, verifiquei a vareta e não encontrei óleo — ela estava praticamente seca.

Fiquei besta. Só não caí de quatro porque foi depois do café da manhã. E não havia um gramado.

Conferi novamente, e conferi mais uma vez, cheguei a pensar que estava alucinando (não seria a primeira vez), mas a realidade era que o motor estava pedindo mais 350 ml de óleo.

Ou seja, resumindo:

Acabei não subindo a Serra do Rio do Rastro com o pessoal por motivo de trabalho urgente. 

A medição do nível de óleo a quente que fiz assim que troquei o óleo MASCAROU a necessidade de colocar pelo menos mais uns 350 ml para atingir a marca de nível superior da vareta medidora. (Então no total são necessários 650 ml a mais de óleo na mvk Fenix Gold do que diz o manual do proprietário.)

Logo após a troca o óleo esquentou assim que entrou no motor e se dilatou. 

Na segunda medição, com o motor frio (ligar por 2 a 3 minutos não é suficiente para esquentar o óleo a ponto de se dilatar), a quantidade colocada que já era bem superior ao recomendado pelo fabricante se mostrou extremamente insuficiente.

Depois eu lembrei que o mesmo já havia acontecido na penúltima troca...

O procedimento determinado pelos fabricantes é enganoso por uma série de motivos, a começar pela quantidade incorreta.

E há uma série de pequenos detalhes que contribuem para que você nunca perceba que está tomando prejuízo — o que não aconteceria se o manual simplesmente dissesse a quantidade correta de cada troca...

As empresas sabem perfeitamente de tudo isso que eu falo aqui, mas os proprietários não.

Então é uma festa, porque na hora em que o motor abre o bico, todo mundo passa aquela imagem de que "moto é assim mesmo", "motor de moto não dura nada"...

E os proprietários se conformam porque poucas pessoas têm condição de chafurdar nos fatos e descobrir a verdade por si mesmas.

É por isso que sou tão paranoico quanto a isso.

Odeio ver pessoas inocentes sendo lesadas e lesionadas por falta de conhecimento e por confiarem excessivamente em quem não faz por merecer.

Um abraço,

Jeff

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Amaciamento de motores de arrefecimento líquido

Vou contar minha experiência com o amaciamento na estrada do motor da Edith, minha mvk regal raptor Fenix Gold:


Edith Giovanna não é esta aqui, mas é parecida...
O manual do proprietário recomenda o seguinte procedimento de amaciamento, que funcionou muito bem para um motor de arrefecimento líquido (à água):

- Evite uso prolongado do motor em alta rotação ou outra condição que possa provocar superaquecimento do conjunto — ou seja, não acelere no talo, não mantenha acelerações intensas por período prolongado — o que não impede de dar uma esticada ou outra quando realmente necessário.

- Primeiros 150 km: Evite operação prolongada a mais de 1/3 da abertura total do acelerador, variando a velocidade, e pare a cada hora por 10 minutos para resfriamento do motor.


- 150 a 500 km: Evite operação prolongada a mais de 1/2 da abertura total do acelerador, sem usar aceleração total.


- 500 a 1000 km: Evite acelerações superiores a 3/4 da abertura total do acelerador.


Só lembrando, fiz o amaciamento em uma viagem de 1000 km com Edith Giovanna, condição que não é a ideal para amaciar o motor. 

Não esforçar o motor durante esse período funcionou muito bem, mas é necessário lembrar que uma moto resfriada à água não tem dilatações do motor tão grandes quanto a imensa maioria das motos resfriadas apenas a ar — as condições de trabalho são mais brandas.


Aproximadamente aos 350 km, fomos obrigados a fazer uma ultrapassagem e não tive dúvida de colocar Edith a 110 km/h reais (ela é uma 250).

E quanto ao óleo?

Logo de cara, a quantidade de óleo colocada pela concessionária não bateu com o nível recomendado. 


A quantidade de óleo recomendada é de 1,9 litro, e o pessoal me informou que já haviam colocado 2 litros redondos.

Mas, para não contrariar a denúncia feita em A esperteza dos fabricantes e a ingenuidade do povo, o macaco velho que vos tecla conferiu e precisou acrescentar mais 300 ml para atingir o nível recomendado máximo da vareta medidora.


Ou seja, foram necessários 400 ml a mais em um motor recomendado para 1,9 litro, o que dá de cara uma diferença de 21% — a diferença entre o nível estar no máximo ou no mínimo da vareta medidora.

NOTA: Percebi depois que essa medição foi feita a quente... medida a frio, foram necessários no total 750 ml para a moto ficar com o nível de óleo correto.

Se tivéssemos saído de SP com a quantidade de óleo colocada na concessionária, sem conferir, certamente o motor teria se fundido na estrada.


Mas com a quantidade certa, bastou respeitar os limites e seguir viagem com tranquilidade e pronto, repondo o óleo quando necessário, e estava feito o amaciamento do motor.

Durante o trajeto ela consumiu mais 500 ml na estrada, repostos em duas etapas até a primeira troca, que fiz em Curitiba quando o motor chegou aos 700 km. 


Como ia ser jogado fora, eu até poderia ter reposto menos do que 500 ml, mas não gosto de rodar com óleo abaixo da metade da faixa da vareta medidora. 


Prefiro jogar vinte reais fora do que me arriscar a comprometer a vida inteira do motor — ainda mais em uma primeira viagem. 

E como confirmado por um grande fabricante, colocar menos óleo do que o nível máximo da vareta medidora pode causar travamento do motor.


Por que eu não esperei dar 1000 km para a primeira troca? 

Porque não há concessionária mvk na região de Floripa. As revisões e a manutenção dessa moto correrão por minha conta e risco. La garantía soy yo!

E também porque eu não confiava no óleo do primeiro enchimento — aquele óleo famoso que só tem propaganda e que ao chegar aos 700 km já virou água suja. 

Além disso, saímos de SP em um dos dias mais quentes da temporada, 37 graus. Quase desidratei em cima da moto, não estava fácil para o óleo.

Se eu não fizesse a troca em Curitiba, iria ter de fazer mais 300 km até Floripa com um óleo que eu sei que abre o bico aos 700 km... 

Meu receio também era que o filtro de tela estivesse entupido com sujeira da produção, como já vi acontecer no motor de uma moto chinesa que tive oportunidade de abrir a trabalho... 

Naquela outra moto, era um festival de cavacos e cola e fiapos de estopa que dava pena do motorzinho, acho que nem passava óleo por ali.

Mas não foi isso que ocorreu com a Edith, o filtro estava muito limpo:

Sinal que a fabricação dos motores é cuidadosa bem acima da média para uma moto chinesa. Fiquei ainda mais contente.

Com o óleo renovado pela minha marca predileta, senti tranquilidade para continuar a viagem.

Completei o óleo e prosseguimos, e nesses 300 km coloquei mais 300 ml.

Na primeira medição pela manhã, já em casa, o nível estava bem próximo do máximo, sinal de que a quantidade reposta foi acertada.

E já fiz a segunda troca, com apenas 800 km (hoje ela está com 1570 km).

O motivo de trocar tão rápido foi um mau entendido — parei na oficina de troca de fluidos para comprar líquido do radiador e quando voltei já tinham esvaziado o cárter.
Mas desconfio que Edith teve participação nisso...

Não esquentei porque planejava mesmo trocar aos 1000 km.

Um abraço,

Jeff

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Nível de óleo em motos sem cavalete central

Por uma coincidência incrível, aproveito para responder à dúvida do leitor Darci Neto (esta postagem estava preparada, só faltava conferir o nível de óleo na Kansas):

Devo medir o óleo com a moto vertical ou no cavalete lateral?

Como medir o nível de óleo em motos sem cavalete central?

Medir o nível de óleo em motos sem cavalete central é uma operação meio complicada, porque exige equilibrar a moto vertical e nivelada, ligar e desligar o motor por dois a três minutos, e conferir o nível na vareta após retirar, limpar e introduzir novamente sem parafusar, na maioria das motos.

Daí que se a moto tiver interruptor no cavalete lateral, ou estiver engatada, o motor não ligará... Edith me sacaneou várias vezes durante essa operação.

Na concessionária mvk me deram a seguinte dica:


Na Fenix Gold é possível verificar o nível de óleo com a moto apoiada no cavalete lateral logo cedo pela manhã na seguinte condição:


Sem ligar o motor, com a moto desligada a noite inteira, nível de óleo será indicado pela marca na vareta medidora que estava TOTALMENTE PARAFUSADA.

Verifiquei em ambas as condições e realmente a indicação de nível com a moto fria no cavalete lateral e a vareta parafusada
coincidia com o nível medido pelo procedimento do manual — ligando e desligando o motor e medindo com a moto nivelada, sem parafusar a vareta.

A informação é válida para a mvk Fenix Gold, fui conferir se isso também vale para a dafra Kansas 150 e bateu, o nível no cavalete lateral a frio sem ligar o motor com a vareta parafusada coincidiu com o nível medido pelo procedimento recomendado. (Ah, se soubéssemos disso há 5 anos...)

Hoje pude conferir uma yamaha Crosser 150, e me pareceu que essa indicação também funciona, mas não posso garantir a correspondência porque não sei quanto óleo havia naquele motor. 

Assim, não é possível garantir se esse procedimento de medição é válido para outros modelos de motos. 

O ideal é que cada um verifique na sua própria moto para ter certeza.

— Posso usar o visor para conferir o nível de óleo com a moto no cavalete lateral?


Não. 

O óleo não aparecerá no visor com a moto no cavalete lateral.

Ele só aparece na vareta porque ela está parafusada, portanto abaixo do nível pelo qual vareta e visor estão calibrados.

Com a moto no cavalete lateral, o visor aparecerá vazio, assim como a vareta pareceria se você a retirasse, limpasse e apenas inserisse sem parafusar com a moto inclinada.

Em motos sem vareta medidora, como a Mirage 250, a conferência apenas pelo visor poderá ser enganosa porque um restinho de óleo preso no visor poderia ser interpretado erradamente como o nível de óleo do motor, quando na verdade o nível real estaria bem abaixo disso.

O método de medição com a moto no cavalete lateral só funciona com a vareta parafusada. 

E muita atenção:

Esse método alternativo não é 100% confiável.

Com o tempo o cavalete lateral poderá se deformar e ceder, devido ao peso de pessoas sentando na moto com o cavalete abaixado, com carros encostando na sua moto estacionada, desgaste da articulação...

Se o seu cavalete estiver deformado e a sua moto estiver mais inclinada do que a condição original de fábrica, confiar apenas nessa medição poderá dar uma leitura falsa.

Resumindo:

Nas motos testadas (Fenix Gold e Kansas):

Nível de óleo a frio com moto vertical e vareta sem parafusar após ligar o motor por 2 a 3 minutos 

é igual ao 

Nível de óleo a frio com moto no cavalete lateral e vareta parafusada sem ligar o motor.

Um abraço,

Jeff