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quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Os problemas do manual do proprietário que podem colocar seu patrimônio e sua vida em perigo

Continuando com os problemas do manual do proprietário da haojue Chopper Road 150 que podem ter sérias consequências para você:

Tropeço nº 3: a perigosa regulagem da corrente de transmissão...

Imagem: Manual da haojue Chopper Road 150 com link encontrado no site https://haojuemotos.com.br/models/chopper-road-150/

O procedimento está muito errado, e cria uma situação perigosa.

O ajuste correto da folga da corrente de qualquer motocicleta é feito com alguém do mesmo peso que você sobre a moto ou, se a garupa for companhia frequente, você e sua garupa sentados sobre ela.

Só que isso é muito raro de se ver escrito nos manuais de proprietário... por que será?

Se você ajustar a corrente da moto para uma folga de apenas 10 a 20 milímetros sem peso nenhum em cima da moto, conforme o especificado por eles...

... na hora em que você (e sua garupa) se sentar(em), essa pequena folga desaparecerá completamente por causa da mudança da geometria da suspensão.

Para você ter uma ideia do quanto essa folga é insuficiente, motos equivalentes pedem 20 a 30 mm de folga na corrente, e nas mesmas condições sem ninguém em cima — e isso já é pouco... 

A folga da corrente é necessária para a suspensão traseira se movimentar sem retesá-la.

Rodando sem folga, sua corrente sofrerá um esforço muito maior que o normal e será esticada fortemente a cada buraco e lombada.

Isso irá reduzir a vida útil de toda a relação (corrente, coroa e pinhão) a 1/4 de sua vida útil, ou menos.

Você será obrigado a comprar peças novas e originais com intervalo de poucos meses — esse desgaste não é coberto pela garantia, é considerado "normal" pelas fabricantes.

E ainda existe a grande possibilidade disso causar a quebra do eixo do pinhão em curto prazo (um ano) por excesso de esforço repetitivo (fadiga do metal)... 

Esse reparo do eixo também não será feito em garantia — provavelmente ele se quebrará assim que a garantia acabar. 

E mesmo que quebre antes, alegarão mau uso da moto ou passagem por buracos, que você não terá como provar que não ocorreram, e isso não é coberto pela garantia.

Não queira imaginar o custo de trocar o eixo do pinhão, você perderá o sono — envolve remover o motor do chassi e abrir a carcaça inteira.

Pior é o risco de vida:

Perder totalmente a tração da moto na frente de um caminhão pode ser fatal, então esse procedimento de regulagem com folga mínima e insuficiente é... irresponsável.

Tropeço nº 4: as informações desencontradas sobre os freios 

Vale a pena aproveitar a figura da postagem anterior para comentar o procedimento destacado em laranja quanto à inspeção dos freios:
Imagem: Manual da haojue Chopper Road 150 com link encontrado no site https://haojuemotos.com.br/models/chopper-road-150/

"Acione ambos os freios para ver se estão flexíveis"???

Que пузырь é essa?

É mais um erro grosseiro de tradução.

O que deveria ser dito é para verificar se os freios parecem esponjosos, verificar se ao acionar a alavanca e pedal eles cedem lentamente.

Se você aciona um freio hidráulico e a pegada não é firme, isso indica a presença de ar na linha de freio.

Ar é compressível, fluido não é.

Isso significa que, na hora em que você precisar acionar o freio em uma emergência, a bolha de ar lá dentro da linha do freio diminuirá de tamanho, mas não fará força sobre as pastilhas de freio.

Sua frenagem será muito mais fraca e em vez de parar a moto em 10 metros, só conseguirá parar em 20 metros.

Ou seja, encherá a lata do carro na sua frente.

Do jeito que está, o texto pode ser entendido como uma preocupação com o ressecamento das mangueiras.

O envelhecimento natural causará a perda de sua flexibilidade ao longo de anos.

Não é um assunto para preocupação imediata.

Mas uma falha inesperada por um defeito qualquer, seja por problema de fabricação, erro de montagem, tombo besta ou desgaste natural, pode acontecer até no primeiro dia de uso da moto...

Então verificar a eficácia de atuação dos freios todos os dias faz muito mais sentido do que se preocupar com sua "flexibilidade".

E é isso que deveria ser enfatizado no manual, mas não é.

A necessidade de verificar os freios todos os dias não está sendo explicada para a imensa legião de novatos que terá a Chopper Road como sua primeira moto.

A informação fundamental omitida no manual é:

O que você tem de conferir, seja qual for sua versão da moto, seja com freio hidráulico ou a tambor, é se os freios estão agindo com eficiência na hora de parar a moto


Tropeço nº 5: a trollada em cima dos primeiros proprietários...

Por que a Chopper Road fala em mangueiraS de freio, se usa o freio traseiro a tambor e só tem uma única mangueira de freio?

Porque existem duas versões da moto, uma com freio traseiro a tambor e outra com freio traseiro hidráulico, e a maneira como a segunda versão foi lançada pegou muito mal.

Meses (ou você prefere contar em semanas?) depois de lançar a Chopper Road com freio a traseiro a tambor, a haojue passou a vender a moto com freios a disco dianteiro e traseiro de acionamento hidráulico de ação combinada, a tal Chopper Road CBS.

O que deixou os compradores iniciais revoltados:
 

Para quem comprou a moto na versão inicial, verificar se "os freios estão flexíveis" não faz sentido. 

Já quem teve a sorte de pegar o modelo novo, não tem do que reclamar.

Freios hidráulicos são infinitamente superiores aos freios a tambor, e com a versão combinada, acredito que eliminaram a tradicional "rabeada que leva para o chão" das obsoletas motos com freio traseiro a tambor.

Amanhã vou abordar a questão do óleo do motor e porque as informações passadas no manual sobre esse assunto podem colocar a vida dos ocupantes em perigo.

Até lá e um abraço, menos ao pessoal envolvido nessa literatura técnica,

Jefferson

sábado, 4 de março de 2017

Coisas que as pessoas não sabem sobre a corrente da moto

As pessoas têm alguns conceitos errados sobre a relação e a corrente das motos...

Vou reproduzir o vídeo do Fagner Prioli porque ele demonstra perfeitamente a maneira como a imensa maioria das pessoas encara sua relação com a moto:


Observe algumas coisas que valem a pena comentar:

1) O Fagner atribui o problema à relação gasta — mas essa relação não está tão desgastada assim.

Essa relação está no máximo com meia vida, e olhe lá se não for muito mais.

Uma corrente só chega ao fim da vida útil quando acaba a faixa de regulagem.

2) A relação está na regulagem inicial — ela provavelmente nunca foi regulada depois da instalação e foi por isso que ela escapou da coroa.

3) A corrente não está encaixada na coroa — os elos estão encavalados sobre os dentes e é por esse motivo que a roda está dura de girar, os mancais e os elos estão forçados.
Imagem: Vídeo https://www.youtube.com/watch?v=tfyfcBr5WX4 aos 01:10

Quando a corrente escapa, não adianta simplesmente recolocá-la no lugar sobre a coroa.

O mais provável de acontecer será isso, ela ficar encavalada sobre os dentes — a moto não pode funcionar assim porque forçará excessivamente o eixo do câmbio.

Mesmo que ela se encaixe direito (não é o caso no vídeo), uma corrente frouxa escapará de novo em minutos...

Você precisa afrouxar o eixo, chutar a roda para a frente, encaixar corretamente a corrente, trazer a roda para trás e regular os ajustadores para deixá-la com a folga correta — e não esquecer de apertar bem a porca do eixo e as contraporcas dos ajustadores.

É um serviço impossível de fazer sem ferramentas.

Outra coisa:

A corrente não pode ficar totalmente esticada, senão ela se romperá ou quebrará o eixo do câmbio.

A corrente precisa ter uma folga mínima na casa dos 3 centímetros no meio da parte de baixo para compensar as flutuações da suspensão traseira.

E esse ajuste precisa ficar por igual dos dois lados, senão a roda ficará torta no quadro.

Se ficar torta, a corrente poderá escapar de novo, ou os rolamentos da roda ou eixo do câmbio serão danificados.

4) O tranco sofrido pela coroa quando a corrente escapou alterou a posição de fixação do eixo, deixando a roda torta em relação ao quadro — o Fagner, assim como a imensa maioria dos donos de motos, desconhece o fato.

É algo que pode ser resolvido soltando o eixo e regulando a corrente, sem depender de socorro mecânico — se você estiver com as ferramentas da moto.

5) Essa corrente está totalmente seca, nunca viu óleo na vida depois que foi instalada. A coitadinha não merece isso.

A melhor lição que tiramos deste vídeo é:

Se você não inspeciona e corrige os problemas de sua moto de trabalho, a vítima do acidente será você mesmo.

Você é o maior interessado em rodar com a moto em perfeitas condições.

O Fagner teve muita sorte, outras pessoas não têm uma segunda chance na vida:

A falta de regulagem da corrente mata... mesmo em baixa velocidade.
Imagem e reportagem: http://g1.globo.com/sp/presidente-prudente-regiao/noticia/2017/03/motociclista-vitima-de-acidente-na-avenida-ana-jacinta-morre-no-hr.html

Olhe na foto, não existe a sombra da corrente.

A corrente frouxa escapou e causou a perda de controle da moto.

O motociclista bateu e foi atropelado ao cair no asfalto.
Reportagem: http://g1.globo.com/sp/presidente-prudente-regiao/noticia/2017/03/motociclista-vitima-de-acidente-na-avenida-ana-jacinta-morre-no-hr.html


Outro caso de motociclista que não sobreviveu para contar a história:
Imagem e reportagem: http://www.drd.com.br/news.asp?id=50089800012695010000


Nem precisou ser atropelado, bastou a queda de cabeça no asfalto para matar o motociclista:
Reportagem: http://www.drd.com.br/news.asp?id=50089800012695010000

Então, jovem novato no mundo das motos, não se descuide dessa regulagem (e lubrificação) tão fácil de fazer e que pode salvar sua vida.

É um cuidado de 5 minutos... motos não são como carros.

Carros têm margem de segurança muito grande quanto a descuidos na manutenção.

Motos podem matar por um descuido muito fácil de acontecer...

Você é o maior interessado na sua vida, não é?

Então faça o que deve ser feito, sem vacilar.

Um abraço,

Jeff

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Festival de correntes pulando fora da coroa

Uma corrente mal regulada pula fora da coroa. 

E o leitor Spirit Veicle lembrou muito bem, uma corrente sem lubrificação se desgasta e faz a mesma coisa, veja como todas as correntes estão secas de óleo ou graxa.

Se a corrente simplesmente se desencaixa, sua moto fica sem tração. 


Encaixá-la de novo não é fácil, você vai ter muito mais trabalho do que se tivesse regulado antes de sair de casa.


E como você viu, tem gente que não aprende e continua saindo de casa sem conferir a corrente.

Às vezes ela não apenas desencaixa, ela arrebenta.
Geralmente ela faz isso na emenda, e costuma enviar alguns sinais de que algum elo vai se soltar, tipo um barulhinho que acontece cada vez a corrente passa pelo pinhão e pela coroa.

Se você não ficar atento a esses barulhinhos e não inspecionar a corrente de vez em quando, poderá vê-la estourada longe de qualquer oficina...
Quando alguém esqueço de apertar as contraporcas dos ajustadores, costuma acontecer isso aí de cima.
E se a corrente sai para o lado da balança, fica fácil de levar para o acostamento — quando não há trânsito.


Vá fazer isso na BR ou na Marginal Pinheiros...

Agora a coisa fica feia mesmo quando a corrente enrosca no pinhão e estoura a carcaça do motor.
Depoimento: http://www.triumphonline.com.br/forum/viewtopic.php?f=38&t=1037&start=10

Ou então quando ela enrosca e trava a roda traseira...
Aí é chão certo, reze para não vir ninguém atrás.

Grandes e pequenos problemas evitáveis com um cuidado bastante pequeno.

Um abraço,

Jeff

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Minha moto dá trancos e trepida com a embreagem acionada

Você aciona a embreagem com a moto parada em primeira marcha na sinaleira e o motor fica dando trancos.

Isso é sintoma de embreagem desregulada, e é fácil de regular tanto no ajustador superior do cabo perto do manete, quanto no inferior perto do motor.

Mas se acontece de você regular e pouco tempo depois (um dia ou dois) o problema voltar, aí já não é mais sintoma de falta de regulagem, é sintoma de cabo desfiando prestes a se romper.

Outro sintoma é o manete de embreagem pesado e as marchas dando tranco durante a passagem — você pensa que o problema é a embreagem (e alguns mexânicos poderão se aproveitar do seu desconhecimento para cobrar pela troca da embreagem, quando na verdade trocarão apenas o cabo, um item muito barato).  

Afaste a proteção de borracha do manete e confira se algum ou alguns filamentos do cabo estão desencaixados neste ponto aqui:
Encontrando filamentos rompidos, providencie a troca antes que o cabo arrebente de vez e te crie uma situação complicada no trânsito.

O mesmo critério de avaliação serve também para os cabos do freio dianteiro e do acelerador.

Fazer a lubrificação e também a troca preventiva dos cabos te livra de parar no meio do trânsito e precisar sair empurrando a danada. Não que ela não goste de ser levada para passear.

Se a troca do cabo de embreagem não resolver, isso indicará que os componentes da embreagem estão gastos e precisam de substituição.

Os componentes que mais se desgastam são os discos de cortiça da embreagem, depois os separadores de aço.

Eles atuam dentro da carcaça da embreagem, aquela peça com recortes em forma de torre de castelo, que também se desgasta pelo atrito. 
Na minha experiência com Jezebel, apenas a troca dos discos de cortiça aos 35 mil km permitiram que ela chegasse aos 80 mil km, e agora está pedindo a troca de todo o pacote de discos, inclusive os separadores de aço.

Somente ao abrir a tampa direita do motor e desmontar o conjunto da embreagem é que saberemos se a carcaça da embreagem também está pedindo substituição, o que considero muito provável.


Peças se desgastam pelo uso, não tem como evitar.


Esse desgaste é o responsável pela trepidação: quando o pacote de discos está acoplado (embreagem não acionada), as peças estão travadas umas com as outras.

Com a embreagem acionada, as peças soltas encontram grandes folgas, girando e causando o desbalanceamento do conjunto da embreagem, o que provoca aquela trepidação característica somente enquanto o manete é pressionado.

Um abraço,


Jeff

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Posso pilotar com a perna quebrada?

Tem problema pilotar com a perna engessada?

Magina, problema nenhum, ainda é capaz de alguém bater uma foto e você acabar aparecendo no noticiário.

Se caprichar, você pode até acabar aparecendo na televisão ou no youtube:
Reportagem e vídeo: http://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2015/08/moto-invade-estacao-tubo-e-quase-acerta-funcionario-assista-ao-video.html

Assista o vídeo na reportagem do g1 neste link.

E se for pego pela polícia, ainda ganha uma multa por colocar a vida de outras pessoas em risco — não fosse a ninjice do gari, a manchete poderia ser outra.


Motocicleta é um negócio tão dependente de tudo estar em perfeita ordem que basta você não ter firmeza no pé para se arriscar a um acidente.


Por coincidência, justamente hoje comprei botas novas (as velhas se bateram com as dez).


Bota motoqueiro, solado grosso, xuxu xuchu chuxu chuchu belexa.


Sentei na moto e o pé não entrava embaixo do pedal do câmbio, ficou difícil passar marcha. 


Na primeira freada levei um susto porque o pé chegou mais rápido que o normal no pedal do freio.


Isso causou algumas situações complicadas no trânsito, ninguém espera que você comece a acelerar e diminua a velocidade porque a marcha não entrou, quase bateram atrás umas duas vezes.


E as freadas mais intensas exigem algum tempo para você se acostumar com a nova reação do freio traseiro.


Saímos da sapataria direto para a oficina para fazer o ajuste do pedal do câmbio — sim, as motos têm essa regulagem.


É só soltar o pedal do câmbio e encaixar em uma nova posição levantando o pedal um pouquinho, ou então reajustar o comprimento da articulação do câmbio também muito pouca coisa; se exagerar, ficará impossível mudar de marcha.


Deu um pouco de trabalho achar um ajuste que permitisse encaixar a bota e ainda passar as marchas sem ter de levantar excessivamente o pé, mas chegamos lá.


Se apenas um calçado novo já alterou tudo isso na pilotagem, causando riscos, imagina tentar pilotar com dor, sem firmeza nas pedaleiras, com bota de gesso ou imobilizador, e não poder fazer força no pedal do freio ou do câmbio...


Foi isso que causou o acidente lá de cima, repare que o piloto está usando um fixador externo no fêmur — provavelmente resultado de um tombo anterior.


A criatura não imaginou que as hastes do fixador pudessem enroscar na moto na hora em que ele precisasse acionar o câmbio.


Ele perdeu o controle da moto de maneira exemplar — foi filmado tentando domar o cavalinho chucro xucro e se espataquando* na plataforma de embarque civilizada de Curitiba.

* Do verbo espataquar, se esborrachar que nem um pato.

E a cereja do bolo, batendo a cabeça com força no chão porque o capacete mal ajustado ou desafivelado foi a primeira coisa que voou longe — essa é a maneira que a Vida usa para ver se bota algum juízo em quem é cabeça dura. E sobrevive.

Por muito pouco esse acidente que estamos aqui brincando não se tornou algo extremamente grave e mesmo fatal.

E tudo pela irresponsabilidade do sujeito de achar que conseguiria fazer algo que o bom senso sairia correndo e pedindo socorro.


Felizmente esse cara vai passar um bom tempo afastado do guidão enquanto conserta a moto, a única que se machucou gravemente neste incidente, coitada.

Vamos esperar para ver se no próximo tombo ele pelo menos aprendeu a travar direito o capacete.

Um abraço,


Jeff

domingo, 26 de julho de 2015

Qual a importância de lubrificar os cabos de comando?

A manutenção correta dos cabos de comando, com a lubrificação e substituição preventiva periódica, diminui a chance de coisas como estas:



Casey Stoner, campeão pela Ducati em 2007 e o cara que obrigou a lenda Valentino Rossi a dar uma de Prost (= jogar sujo) para ganhar uma corrida, protagonizou este acidente por causa do acelerador travado.



O blog do uol diz que foi o "regulador de pressão"... E agora, em quem será que eu devo acreditar?

Bom, vou ficar com a versão do Casey porque até onde eu sei, o motor dele não é turbinado.

Já a throttle grip (que nós chamamos de manopla do acelerador) controla a válvula borboleta daquilo que os gringos chamam de throttle valve (a válvula de aceleração — eles não são muito criativos para nomes)

E apesar de nos motores superalimentados a válvula de aceleração controlar o fluxo de ar para o motor, o que poderia ser interpretado com muito boa vontade como um regulador de pressão, mas não é assim que essas coisas são chamadas.

O verdadeiro regulador de pressão da admissão é a válvula limitadora de pressão do turbo, que até onde eu vejo, não teria como causar o travamento do motor em alta rotação. Se a moto fosse turbinada... mas não acompanho nem a Fórmula 1, quanto mais motovelocidade. 

O Casey Stoner acabou quebrando só a escápula (o grande osso chato do ombro) e a tíbia (lá vem o Tíbio e o Perôniooo...)

Teve sorte, porque a moto quase caiu em cima dele.

Um stuck throttle é um acelerador emperrado, e ele pode emperrar na manopla, no cabo ou na própria válvula de aceleração. 

A fonte mais provável de emperramento é o cabo desgastado, mas no caso dele pode ter sido um problema na montagem da válvula, porque uma moto de competição não teria um cabo desgastado, a menos que estejam contratando estagiários.

Além disso, pode ser que essa moto use acelerador sem cabo mecânico, totalmente eletrônico, e aí pode ser uma pane elétrica. 

Mas para nós, humanos comuns, o cabo do acelerador nada mais é do que um arame trançado que corre dentro de uma capa de plástico emborrachada, com um encaixe na ponta da manopla e outro encaixe na ponta do carburador / válvula de aceleração.

Se algum arame do cabo se soltar e começar a desfiar, ele poderá enroscar dentro da capa e impedir que a válvula borboleta / pistonete ou a própria manopla do acelerador retorne para a posição de descanso.

Ou seja, você abre o acelerador e não consegue fechar, porque mesmo girando a manopla, o cabo fica travado e mantém a válvula de aceleração que alimenta o motor totalmente aberta.

E com o motor acelerado, a moto não tem mais freio motor. 

Ela segue desembestada e você vai junto, a menos que não entre em pânico, acione a embreagem e desligue o corta-corrente. 

Se não fizer isso, a rotação do motor irá para o espaço e seu motor entrará na faixa vermelha.

Enquanto a embreagem permanecer acoplada, os freios não terão força suficiente para estancar a moto.

Se você estiver em uma competição fazendo as curvas no limite, dificilmente terá tempo de controlar a moto antes da próxima curva e acabará comprando um belo terreno em grande estilo.

O melhor a fazer para não passar sustos com o acelerador é verificar periodicamente a condição do(s) cabo(s) do acelerador (algumas motos têm dois) e trocá-lo(s) antes que representem uma ameaça.

A mesma coisa para o cabo da embreagem, se bem que em caso de rompimento é possível passar as marchas sem necessidade da embreagem.

E nunca ouvi falar de cabo da embreagem enroscado, mas você tem fácil acesso à alavanca de acionamento pelo lado de fora do motor.

Os cabos do acelerador e da embreagem são baratos, vale a pena trocá-los preventivamente a cada 20 ou 25 mil km. Mais detalhes nesta postagem

O último cabo que coloquei na Jezebel já tem uns 30 mil km, já passou da hora de trocar.

Como não gosto de passar por situações de risco evitáveis, a troca do cabo acabou de entrar na minha lista de prioridades máximas.

Mais ou menos em 6º lugar.

Um abraço,

Jeff

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Um alerta para as meninas sobre a corrente e os pneus

Ultimamente tenho visto muitos casos de acidentes e quase acidentes com meninas pilotando motos.

E o motivo para elas estarem se acidentando é o descuido quanto à manutenção básica da moto.

Reportagem: http://g1.globo.com/ro/rondonia/noticia/2014/08/vitima-de-acidente-na-br-364-em-ariquemes-ro-corre-risco-de-morte.html

Neste outro acidente aí de baixo, o pessoal diz que o pneu estourou e a corrente se quebrou ao mesmo tempo.

Mas também pode ter ocorrido de a corrente se soltar, travar a roda e causar o estouro do pneu. 


Imagem e reportagem: http://www.rotacomando.com.br/Noticia.asp?Noticia=02051&@=moto-estoura-pneu-e-corrente-causando-grave-acidente-na-br-429-em-seringueiras

Meninas, não se descuidem de conferir e regular a folga da corrente, nem de trocar os pneus da moto quando chega a hora.

O desconhecimento do risco que é rodar com a corrente muito frouxa e com pneus em mau estado leva muitas pilotas a não dar a devida atenção a algo tão perigoso.

Os homens também negligenciam isso...
Reportagem: http://www.saraivareporter.com/index.php?option=com_content&view=article&id=6270:corrente-de-moto-quebra-e-homem-morre-em-acidente-na-avenida-miguel-rosa&catid=39:quentinhas&Itemid=57

... mas as meninas têm mais dificuldade em lidar com ferramentas e a força física necessária para soltar a porca da roda. 

Bom, as reportagens acima falam por si. 

Nunca jamais se esqueça de conferir a folga da corrente, e se tiver dúvida, peça ajuda. Motoqueiros adoram ajudar motoqueiras. Homem é tudo bobo.

O que você não pode fazer é ignorar os sintomas de uma corrente muito frouxa — quando a corrente começa a dar pancadas no cavalete da moto, ela está avisando que vai pular fora a qualquer momento.

Adiar a regulagem pode resultar em uma perda de controle da moto, te levando a ser atropelada(o), colidir com outro veículo ou bater contra um poste ou muro, e aí não tem capacete que segure o baque. 

O descuido com a corrente é surpreendente comum. 

Minha própria vizinha deixou a corrente desregular de tal maneira que precisou colocar a moto em uma picape para levar até a oficina, porque não seria seguro ir pilotando. 

Se não fosse o alerta de um vizinho que viu a corrente frouxa, ela poderia ter sofrido um acidente tão grave quanto esses aí de cima.


Em uma emergência sem ninguém por perto para ajudar, não tenha medo de usar as ferramentas que vêm junto com a moto.

A parte mais difícil é soltar a porca da roda, é um pouco difícil até para os homens, mas existe um macete para facilitar:

Não tente soltar o parafuso do eixo, que aparentemente é mais fácil porque o acesso é fácil.


A folga não deve passar disso aí em cima, senão começará a pegar no cavalete e poderá causar um acidente.

É tentador, mas é muito mais difícil girar o eixo todo do que apenas a porca do outro lado.

Encaixe aquela chave de boca maior na posição mais horizontal que conseguir na porca da roda, naquele espaço apertado entre o escapamento e a suspensão da moto (cuidado para não se queimar!). 


Imagem: http://www.intruder125.com.br/2012/03/esticar-corrente-eu-finalmente-aprendi.html — Bom tutorial que ensina em detalhes o procedimento, vale a visita.

Em seguida, fique de pé e coloque todo o peso do corpo sobre a ponta da chave, e a porca se soltará com facilidade. Relativa. 

Afrouxe a porca repetindo esse movimento umas 4 ou 5 vezes, aí é só girar as porquinhas (ou o parafuso) dos ajustadores no sentido dos ponteiros do relógio.

Normalmente 2 a 4 movimentos com a chave são suficientes para fazer a corrente ficar com folga adequada — ela não pode ficar muito esticada, senão ela ela se romperá na hora que você passar por um buraco ou lombada.

Faça o mesmo ajuste dos dois lados. 

As faces da porca estão a 60 graus uma da outra. 

Quando você gira a porca o suficiente para que uma face fique na mesma posição que a anterior, você a girou por 60 graus.

Cada movimento feito com a ferramenta geralmente dá uns 30 graus. Então não faça mais do que dois movimentos da ferramenta sem ajustar o outro lado.

Se você girar a porca (ou parafuso) do ajustador direito por 60 graus, gire a outra pelos mesmos 60 graus. 

Girou as duas porcas (ou parafusos) por 60 graus, verifique a tensão da corrente, porque ela diminui surpreendentemente com esse pequeno ajuste.

Tudo isso é aproximado, o importante é não girar a porca excessivamente, senão dará muito mais trabalho recuar a roda. 

Depois de ajustar a folga, aperte a porca da roda com o máximo de força que puder, E dê mais um aperto nas porquinhas (ou parafusos) do ajustador e, em seguida, aperte as contraporcas.

As contraporcas servem para travar os ajustadores para que eles não se afrouxem e caiam com a vibração.

Enquanto preparava a postagem, encontrei este bom tutorial detalhado que poderá te tirar algumas dúvidas, o link é este aqui.

E pare no primeiro posto de gasolina para que alguém dê um reaperto, por segurança.

É melhor aprender a fazer isso do que se arriscar a sofrer um acidente muito, muito grave por causa de tão pouco trabalho, que uma vez aprendido, não terá mistério.

E não se esqueça de carregar um pano para limpar as mãos, porque é impossível fazer esse serviço sem se sujar um pouquinho...

Tudo de bom,

Jeff

terça-feira, 21 de abril de 2015

Lembra daquele acidente?

Na postagem Pneu de moto não pode ficar careca eu falei que a causa provavelmente teria sido um pneu furado...
Postagem: http://minhaprimeiramoto.blogspot.com.br/2014/05/pneu-de-moto-nao-pode-ficar-careca.html

Encontrei uma reportagem local sobre esse acidente com uma nova foto que talvez permita identificar o verdadeiro causador da perda de controle e invasão da pista contrária:


Reportagem: http://www.ndonline.com.br/oeste/noticias/92404-pai-e-filha-de-nove-anos-morrem-em-acidente-na-sc-283-em-agua-de-chapeco.html

A corrente de transmissão muito folgada pode ter pulado fora da coroa...


Reportagem: http://www.ndonline.com.br/oeste/noticias/92404-pai-e-filha-de-nove-anos-morrem-em-acidente-na-sc-283-em-agua-de-chapeco.html

Ou tanto o pneu quanto a corrente pularam fora do aro e da coroa devido ao arrasto da moto pelo caminhão. 

Ou então o piloto simplesmente errou o momento de fazer uma ultrapassagem... ou passou mal... há várias possibilidades, mas não tenho como provar nenhuma.

Por isso que o trabalho de perícia é tão difícil, a distinção entre causa e efeito precisa ser comprovada com exames minuciosos, e mesmo eles nem sempre permitem chegar a uma conclusão definitiva.

Por via das dúvidas, fica renovado o lembrete.

Não descuide da regulagem da sua corrente de transmissão. Eu canso de ver a moçada pilotando com a corrente se despedindo, acenando um adeus, e o pessoal nem aí.

Corrente excessivamente frouxa pode matar! 

Ela precisa ter uma pequena folga, mas essa folga não pode aumentar a ponto de a corrente chegar perto do cavalete.

Uma corrente embarrigada como essa aí debaixo precisa ser conferida. 



Uma pequena barriga é normal, mas se a barriga ultrapassar o limite recomendado e a corrente não for regulada imediatamente, ela irá pular fora — sim, a coisa é traiçoeira e exige atenção diária.

Essa folga da foto me parece superior aos 3 centímetros recomendados, portanto exigiria regulagem.

E como se mede essa distância? 

Ao levantar a parte central da corrente (o ponto mais baixo da barriga) ela deverá subir no máximo a distância recomendada para sua moto. 

Não é a distância somada entre o tanto que subiu mais a espessura da corrente!

Olhe um ponto fixo da corrente, por exemplo o centro de um elo — é esse ponto que tem que subir no máximo a distância recomendada.

Na maioria das motos esse valor é de 3 centímetros, mas pode ser um pouco maior nas motos de trilha e um pouco menor nas motos custom — verifique o manual da sua moto e, se possível, meça com alguém do seu peso sentado sobre a moto e ela apoiada sobre as rodas.  

Desculpe voltar a falar deste assunto, mas é um daqueles cuidados essenciais que os proprietários novatos subestimam, assim como a importância do nível de óleo correto para a vida do motor — ambos apresentam risco de travamento e queda em alta velocidade.

Um abraço,

Jeff

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

A corrente da moto escapou da coroa, o que eu faço?

Um amigo meu, o Vitruvius, vive falando para todo mundo sobre o quanto é perigoso descuidar da regulagem da corrente.

Mesmo assim, olha só, ele se descuidou da regulagem da moto dele e a corrente escapou quando ele estava a dois quilômetros de casa.


Sabe o famoso pensamento "preciso regular a corrente quando chegar em casa" adiado por uma semana? Esse meu amigo, vou te contar, não vale nada.

O Vitruvius me pediu que eu contasse a experiência dele aqui no blog, porque pode ajudar alguém na hora da necessidade.

Ele começou dizendo que quanto mais velho for o conjunto de pinhão, coroa e corrente, mais fácil de a corrente pular fora... Você ajusta num dia e três dias depois ela já está pedindo regulagem de novo porque chegou a hora da troca.


Felizmente ela escapou sem travar a roda. Se tivesse travado, era tombo certo.

A corrente escapou e está impossível encaixar de volta na coroa?

Se você não tiver as manhas, parecerá impossível; mas conhecendo o macete, fica fácil.

Primeira coisa, arranje as ferramentas para afrouxar a porca do eixo da roda traseira e as porcas e contraporcas dos ajustadores da corrente. 


Está errado!
Você não coloca a ferramenta
 na cabeça do parafuso do eixo
A chave deve ser colocada na porca.
Imagem: http://www.cyclepedia.com/online-manuals/cyclepedia-honda-online-service-manuals/honda-crf80-crf100-online-service-manual/

Se você estiver sem o jogo de ferramentas, você as encontrará no posto de gasolina mais próximo. Peça emprestadas no setor de troca de óleo. 

Na moto do Vitruvius, uma Kansas 150 chamada Jeze...ahn... Jezeane, ele usa para a porca do eixo uma chave estrela de 19 mm ou 3/4 de polegada (é o único caso em que as medidas em milímetros e polegadas praticamente coincidem), e chaves de boca comuns de 12 e 13 mm para as contraporcas e porcas dos ajustadores. Mas na sua moto a medida poderá ser diferente, verifique. 

Aí você afrouxa bastante a porca do eixo — não precisa remover, mas ela tem que ficar bem frouxa.

A porca do eixo da roda está muito apertada, como soltar a porca?


Primeiro de tudo, verifique se o eixo de sua moto usa porca-castelo e cupilha. 


Cupilha é aquela trava de arame enfiada no furo do eixo. A posição certa da cupilha é encaixada em uma das ranhuras da porca, e não como está mostrada na foto.

Se usar, você precisará desentortar a perna da cupilha e removê-la do eixo antes de poder soltar a porca. Use um alicate e tenha cuidado para não se espetar, essas coisas podem dar tétano, e tétano mata.

Na maioria das motos, você encaixa a ferramenta em posição horizontal na porca
 e pisa sobre a ponta dela. Nas porcas com cupilha, preciso confirmar... mas acho que é ao contrário, você tem que levantar a chave para soltar a porca — verifique na sua moto.

Colocando todo o peso do corpo sobre a ferramenta, você vence o esforço inicial e depois fica fácil. 

Depois que a porca começar a girar, você conseguirá soltá-la apenas com a força da mão sobre a ferramenta.


Para a corrente voltar a encaixar na coroa, a roda terá de ser empurrada para a frente, e para isso existe um macete:

Se você não afrouxar bem as contraporcas e porcas do ajustador da corrente, os próprios ajustadores limitarão o movimento da roda para frente e você não conseguirá colocar a corrente no lugar.

Depois de recuar as porcas dos ajustadores para garantir um espaço livre de pelo menos 10 mm, chegou a hora de empurrar a roda para frente. 

Como empurrar a roda traseira da moto para frente?


Chutando. 


É isso mesmo, segure a traseira da moto para que ela não caia do cavalete central e dê alguns bons pontapés na roda para que ela se desloque para frente.

Depois que a roda avançar, com o motor DESLIGADO e a transmissão em neutro, encaixe novamente a corrente na parte de cima da coroa e gire a roda para trás — nunca tente encaixar a corrente com o motor em funcionamento, ou você perderá as pontas dos dedos. 


Isso colocará a corrente no lugar, e bastará voltar os ajustadores para as posições em que estavam, e apertar mais um pouquinho para corrigir a folga da corrente.

No escuro será difícil garantir o alinhamento correto das marcas de referência dos ajustadores, então o truque é usar o mesmo número de voltas para soltar as porcas em cada lado, e depois o mesmo número de voltas para ajustar a corrente. 

A corrente precisará ter uma pequena folga, coisa de uns 3 centímetros medidos na metade do tramo inferior.

Chegando nessa folga, aperte muito bem a porca do eixo da roda e reaperte as porcas dos ajustadores.

Depois de apertar as porcas dos ajustadores, aperte as contraporcas para evitar que os ajustadores se afrouxem e as porcas se percam. 

Se as contraporcas estiverem frouxas, porcas e contraporcas cairão com a vibração, e as placas limitadoras dos ajustadores também, o que fará a corrente pular fora de novo.

Qual o aperto da porca do eixo da roda?


Por trás da maioria das motos, levante a ferramenta até o aperto ser suficiente para levantar a traseira da moto (cuidado para não derrubá-la do cavalete). Verifique o lado certo na sua moto.

Caso utilize, não esqueça de reinstalar a cupilha e dobrar sua perna (da cupilha, não a sua) depois de apertar a porca! 

Se a perna se quebrar, dobre a perna restante e providencie a troca por uma cupilha nova assim que puder — uma roda frouxa no eixo pode causar perda de controle da moto.

Aí vem a parte mais difícil, limpar as mãos (uma mistura de detergente e WD-40 ajuda muito).


Depois de chegar em casa, verifique à luz do dia se o alinhamento está satisfatório e, se necessário, repita o procedimento para garantir um bom alinhamento da roda com a corrente.

Um abraço, e agradeça as dicas ao meu amigo Vitruvius (que não sou eu),

Jeff