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segunda-feira, 31 de julho de 2017

Um vídeo sobre contra-esterço que até eu que sou burro quase entendi

Ontem parte da galera WD±40 se reuniu e no meio da conversa surgiu o assunto contra-esterço.

O consenso geral foi que ninguém entendia como aquela coisa funcionava, se é que funcionava.

E eu confessei que sabia que a coisa funcionava, mas não entendia a bruxaria por trás da coisa.

E o google, por uma daquelas coincidências que só quem acredita que ele fica monitorando nossas conversas até mesmo com o celular desligado, hoje me recomendou o melhor vídeo que encontrei até agora sobre o assunto. 

Paranoia da minha parte, porque foi coincidência, claro. OK, google?

O vídeo é este aqui:


O vídeo está em inglês, mas a explicação visual é suficiente para esclarecer muito bem.

Resumindo, uma moto vertical fazendo uma curva tende a desgarrar para fora da curva, certo? [0:05]

Para ela não desgarrar, você inclina a moto — as rodas inclinadas naturalmente conduzem a moto ao longo da curva. [0:20 e 1:00]

Existe um limite de velocidade em que a inclinação resolve o problema, mas se você ultrapassar esse limite, ou não se inclinar suficientemente para aquela velocidade, a moto se desgarrará do mesmo jeito. [0:40]

E aí está a grande sacada do vídeo: [1:31]

A resposta da moto quando você a inclina é mais lenta do que praticando o contra-esterço. [1:45]

O contra-esterço é a maneira mais rápida de você desviar de um buraco ou objeto à sua frente porque você aproveita a tendência de a moto desgarrar a seu favor.

Com a moto vertical, mover o guidão para uma direção fará com que ela se desgarre para o outro lado porque ela ficará instável... [2:10]

A moto estará desgarrando em uma curva virtual que surgiu por causa da mudança da direção da roda dianteira.

Na prática, é como se você estivesse inclinando a moto na direção oposta da roda. [2:28]

Agora você entendeu como a coisa funciona?

Se o vídeo ainda não foi suficiente para entender, faça como eu:

Continue a botar a culpa nas motos, afinal elas são bruxas que gostam de fazer coisas que ninguém entende. Como pedir reserva inesperadamente no meio do rodoanel te obrigando a sair no primeiro trevo para chegar no posto e descobrir que ela ainda está com meio tanque — motos gostam de brincar com seus donos.

Só não chame sua moto de bruxa na frente dela, motos são vingativas.

Que Jezebel não nos ouça. Nem leia esta postagem...

Um abraço,

Jeff

sábado, 14 de novembro de 2015

Exercício para praticar o contra-esterço

Nós sempre falamos para aprender a praticar o contra-esterço, e finalmente encontrei um vídeo que ensina como fazer isso.

Esse domínio da moto é algo que você precisa ter porque desviar de um problema é muito mais eficiente e menos complicado do que simplesmente frear.

Aquele acidente da postagem do outro dia poderia ter sido evitado com essa técnica.

Note o jogo de cintura dos pilotos e a maneira como eles empurram o guidão direito para ir para a direita, e empurram o guidão esquerdo para ir para a esquerda.

Isso é o contra-esterço, e ele pode ser o seu melhor amigo na hora do sufoco. 

Inicialmente os cones estão colocados a uma distância de 11 metros uns dos outros e a extensão total é de 66 metros — você vai precisar encontrar um estacionamento ou rua fechada ao trânsito com pelo menos 80 metros livres.
A meta é atingir uma velocidade de 50 km/h costurando entre os cones, sem frear nem acelerar. 

Sempre comece com velocidades menores e vá aprimorando o domínio.

Quando estiver craque, pratique a manobra evasiva, que simula desviar de um carro parado na sua frente em uma rodovia.
Pratique essa manobra por vários fins de semana desviando tanto para a esquerda quanto para a direita — ela poderá salvar sua vida e sua moto muitas e muitas vezes.

Não importa se a sua moto é grande ou pequena: aprenda, pratique muito e não vacile na hora de usar o contra-esterço e as manobras evasivas.

Aquele circuitinho das aulas da motoescola só serve para tirar a carteira de habilitação.

Para sobreviver no trânsito, não serve para nada.

Um abraço,

Jeff
PS: Lembre-se que todo exercício com a moto tem o risco de cair associado. 
Os autores do vídeo não recomendam fazer os exercícios sozinho em local isolado devido à possibilidade de queda com uma moto pesada. 
Tome os devidos cuidados para não levar um tombo e se machucar sem ter recursos para pedir ajuda.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

O cara mais sortudo do mundo

Nada como uma estrada vazia, uma moto e um dia lindo de sol.

Curvas e mais curvas, natureza (não muita), você filmando seu passeio para mostrar para os amigos, o que mais falta para ser um dia perfeito? (O vídeo tem 20 minutos, mas o acidente acontece logo aos 2:40 e depois a câmera fica só mostrando o céu e gravando os sons do socorro e o resgate de helicóptero)



Só falta um caminhão vermelho aparecer do nada na sua frente bem na hora que você entrou forte e abriu demais a curva.

Por essa ninguém esperava, muito menos o piloto — que não se preocupe, escapou milagrosamente dessa apenas com uma perna quebrada.

E o que ele fez no susto?

Ele tomou a pior decisão no meio de uma curva, ele tentou frear a moto. Não dá tempo.

Frear a moto na curva só fará você perder o controle e ir direto contra aquilo que você quer evitar.


A velocidade em que ele estava era alta para uma estrada cheia de curvas como essa (as 50 milhas por hora indicadas no painel são 80 km/h), mas não absurda a ponto de impedir que a moto se inclinasse ainda mais para fazer a curva.

Se ele tivesse contra-esterçado a moto, empurrando para frente o guidão do lado de dentro da curva, teria feito a moto esterçar rapidamente, a moto fecharia ainda mais a curva, e ele teria conseguido passar pelo caminhão.


E você não leu errado, eu disse empurrando para frente, colocando peso no guidão do lado de dentro da curva. 

É contra o instinto da gente, porque isso faria o guidão virar na direção do caminhão, mas é assim que a coisa funciona.


O contra-esterço ocorre devido aos ângulos da geometria da suspensão da moto e eu confesso, até hoje não consegui entender direito como funciona, mas o importante é que funciona.


Imagem baseada em: http://www.motorcycletraining.com/team-arizona-riding-tip-march-2013-countersteering/

É para situações como essa que você precisa conhecer a técnica do contra-esterço, mas não adianta apenas conhecê-la.

Empurrando para frente a manopla direita, o guidão vira para a esquerda enquanto a moto faz a curva para a direita.

Incrível, né? 

Mas é verdade, e isso já derrubou muita gente. Teste com muito cuidado, porque assusta.

Você precisa estar familiarizado com a técnica de maneira tão automática que seja capaz de praticá-la por reflexo condicionado.


Você sabe o que é reflexo condicionado?



http://pandawhale.com/post/47186/testing-the-reflexes-of-seven-kittens-gif
É aquilo que os lutadores de artes marciais praticam à exaustão, movimentos repetidos de maneira automática.

É por isso que eles conseguem reagir a uma situação e responder com a contramedida mais apropriada por instinto, sem precisar pensar no que fazer — os movimentos já estão decorados pelo corpo. 

O corpo age por reflexo, sem necessidade de o cérebro processar a informação — igual quando uma bola é jogada na sua direção e você a desvia com a mão. Vixi, péssimo dia pra escrever isso. Aquilo não foi reflexo, foi burrice ou má-fé. Aquilo outro foi má-fé ou burrice. Mas não posso falar mal da desculpa da virose, que a coisa anda tenebrosa por aqui.

O primeiro erro dele foi a descontração. Ele assumiu que não haveria mais ninguém na estrada e pilotou como se nunca alguém pudesse aparecer em sentido contrário.

Você não pode invadir a faixa contrária, nem mesmo em uma estrada deserta, porque você nunca sabe o que vem depois da curva.

O segundo erro foi travar o olhar naquilo que queria evitar, e não na maneira de se livrar do problema.

O terceiro erro foi tentar frear, mas disso já falamos.

erro essencial, aquele que veio antes de todos, o erro primordial foi não ter praticado o contra-esterço a ponto de reagir instantaneamente, empurrando o guidão do lado de dentro da curva para que a moto fechasse a curva ainda mais.

A reação instintiva de alguém quando vê a coisa ficar preta vermelha em uma curva é girar o guidão na mesma direção da curva — isso está errado, esse pode ser o seu (dele) último erro na vida.

Então você precisa aprender e treinar o contra-esterço para não reagir instintivamente para o lado errado, aquele que te joga para baixo do caminhão.

Transcrevo o comentário do Daniel, que quando ainda não tinha o juízo e a vivência que tem hoje, arrepiava nas curvas da BR-282 com a galera.

Ali ele poderia ter apenas baixado uma ou duas marchas para fazer freio motor, deitado mais a moto e apoiado o freio traseiro para trazer a dianteira da moto para a pista dele. 

Contra-esterço deve ser praticado com muita, mas muita cautela, pois ao fazer o contra-esterço a moto literalmente mergulha na curva, e dependendo da velocidade pode derrubar o piloto. 


Lembrando que para contornar uma curva já fazemos contra-esterço automaticamente, mas não percebemos. 


Contra-esterço fazemos ao iniciar a curva para fazer a moto mergulhar nela.

O contra-esterço joga a moto para baixo,"mergulhar" o corpo [fazer o pêndulo] é a melhor ferramenta, pois é contrapeso e altera o centro de gravidade [do conjunto moto e piloto].

Aí entram duas coisas: treino e conhecer a pista.

Eu não contornaria curva a 80 km/h pois é uma curva cega.


A pilotagem é um conjunto de fatores, conhecer os limites da moto, o teu limite, conhecer a pista, para aí ajustar a velocidade de entrada e saída de curva, onde frear, onde começar a mergulhar na curva, hora de abrir o gás, etc.

Postei aqui os comentários do Daniel, porque ele tem grande prática com pilotagem em alta velocidade, e essa vivência eu não tenho. 

Na minha opinião, técnicas avançadas de pilotagem como as que ele descreve estão fora da curva de habilidade de pilotos comuns, como eu e a maioria dos leitores do blog. O cara tem que ser bão, senão se estrepa.

Naquela situação do vídeo, eu também não entraria na curva a 80 km/h sem conhecer a pista, e tenho por norma nunca invadir a faixa contrária porque sempre considero que alguém poderá estar oculto atrás da curva, e ainda deixo uma margem de segurança porque ele pode estar fazendo a curva com metade do carro na minha faixa. Um pouco de gacaço te mantém longe do hospital. 

Somente sabendo usar as técnicas depois de praticá-las a ponto de estarem entranhadas no seu instinto e mantendo o foco na pilotagem, prevendo imprevistos, tendo a visão além do alcance, é que você se livrará de repetir os erros que já levaram tanta gente para o hospital.


O Jesse foi o cara mais sortudo do mundo porque escapou com vida e só quebrou uma perna ao bater contra o caminhão dos bombeiros no meio de uma estrada deserta. Hummm... talvez seja melhor mudar o título da postagem...

Outras postagens sobre contra-esterço:

http://minhaprimeiramoto.blogspot.com.br/2014/02/virei-para-um-lado-e-moto-foi-pro-outro.html

http://minhaprimeiramoto.blogspot.com.br/2015/01/minha-primeira-moto-sera-uma-alta.html

http://minhaprimeiramoto.blogspot.com.br/2015/05/nao-basta-acelerar-tem-que-saber-fazer.html

Um abraço,

Jeff e Daniel

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Não basta acelerar, tem que saber fazer curvas

Não pense que moto é igual bicicleta, que você compra e sai pedalando da loja.

Motocicleta é algo que você precisa saber dominar.

Se não souber, poderá acontecer isto aqui contigo:


Desgarrar em uma curva com a moto é uma das maiores causas de mortes de motociclistas.

E sabe por quê?

Porque o pessoal não aprende a fazer curvas em estrada na motoescola.

Naquela velocidade ridícula em que você aprende a pilotar, a moto é o veículo mais doce e obediente do mundo, não tem segredos.

Até um cara bêbado faz o circuito da motoescola na boa.

Mas na vida real você estará em velocidades bem superiores às de uma bicicleta, no meio do trânsito, e se você não souber algumas coisas básicas, você morrerá e/ou matará alguém.

Na hora em que você pegar uma estrada em velocidade real de estrada (80 km/h para mais), você corre o risco de chegar em uma curva e não saber o que fazer.

Não sabe se a moto conseguirá fazer a curva naquela velocidade, não sabe o quanto pode inclinar a moto, não tem ideia da trajetória ideal e acaba se esparramando na curva, invadindo a pista oposta ou sobrando para o acostamento.

E pior, no pânico você vê a curva fechando na sua frente, tem a reação instintiva de virar o guidão para o lado que você quer ir, e descobre que as motos funcionam com contra-esterço, elas vão para o lado contrário daquele que você vira o guidão...

Então aqui vão algumas dicas para você não se apavorar na hora em que encontrar uma curva nervosa pela frente:

1) As motos conseguem fazer as curvas na mesma velocidade que os carros — desde que os carros estejam dentro dos limites de velocidade para a estrada

Nessa condição, se a estrada permite e um carro consegue fazer uma curva a 80 km/h, a moto também conseguirá — se você não travar de medo, se você conhecer o macete do contra-esterço, e se você incliná-la o necessário para que ela faça a curva.

Se você estiver dentro dos limites de velocidade indicados pela sinalização, será fácil fazer qualquer curva — se você não encontrar um obstáculo no meio da curva, por isso que sempre é necessário contar com margens de segurança

2) A moto é menos limitada do que você. 

Já viu um pião girando? Notou que quando ele perde velocidade ele se inclina e levanta de novo, ameaça cair várias vezes e volta a ficar de pé, leva um bom tempo até cair de verdade?

Isso se chama efeito giroscópico, um objeto girando em volta de um eixo tende a permanecer girando. E a motocicleta tem dois grandes giroscópios chamados rodas — quanto mais rápido elas giram, maior a tendência da moto para ficar na vertical, mas também mais difícil será mudar sua direção.

Sim, é mais fácil se desequilibrar com a moto em baixa velocidade do que em alta velocidade. Desde que não excessivamente alta...

3) Conheça e saiba praticar a melhor técnica para não se esparramar em uma curva: a tangência correta.

Fazer a tangência quer dizer começar a curva pelo lado externo, fechar para passar pelo lado interno no ápice da curva e sair dela sem invadir a contramão.   

Se você fizer a tangência apenas olhando para a curva, você fará a tomada de curva (iniciará a curva) muito cedo, tangenciará cedo demais e abrirá demais na hora que a curva realmente ficar complicada. 

Melhor do que falar é mostrar:

Fazendo a tangência no momento certo, você terá um controle muito melhor sobre sua moto e passará a uma distância segura dos carros em sentido oposto. 

4) A moto vai para o lugar onde você olha... (pode assistir, o cara sobreviveu inteiro)


Ao chegar na curva, não fixe o olhar no lugar onde você NÃO quer ir. 

Desvie o olhar permanentemente para o ponto futuro além da curva onde você quer chegar. A moto faz o resto. Acredite, funciona.


Ficando de olho no que você vai encontrar lá na frente e não na paisagem, você conseguirá corrigir a trajetória para desviar de um obstáculo no meio da curva.
Imagem: http://www.motonline.com.br/noticia/como-o-motor-de-sua-moto-ajuda-voce-a-se-manter-nas-curvas/


5) Esteja atento o tempo todo; o piloto acima passou acenando pelo autor das imagens e, quando viu, tinha um Corvette na frente dele. Assustou e foi pra cima. 

A cabeça dele não estava na curva. Um segundo de desatenção e deu no que deu.

Para ver o acidente acima na íntegra e conhecer a maravilhosa Dragon's Tail ("Rabo do Dragão", assista o vídeo You Go Where You Look ("Você vai para onde olha") neste link do youtube.

6) Treine, pratique, pesquise.

Quanto mais informação você tiver, e quanto melhor souber usá-la, menores serão suas chances de cair (literalmente) nas armadilhas do trânsito.

O acidente do vídeo lá de cima foi causado pelo excesso de velocidade em uma curva. O efeito giroscópico das rodas tornou difícil a correção da trajetória da moto. 

Ao se manter muito perto da borda externa da curva, e ao adiar demais a ida para a parte interna da curva, ele acabou desgarrando para o canteiro central e foi parar lá do outro lado — quase do outro lado mesmo... 

7) Invista em você, invista em sua segurança: aprenda a pilotar de verdade, faça um curso de pilotagem defensiva.

Pilotar não é só sair acelerando não.

Um abraço,

Jeff

terça-feira, 31 de março de 2015

Voltando de férias respondendo aos leitores!

Olá, pessoal !!!

Voltando de "férias" com energia renovada!


Imagem: Filhota

Estas foram as férias mais malucas que eu já tive...

Começou que minha filha me avisou que viria para cá no dia 2 de março. 

Como suas visitas são sempre de três ou quatro dias, não cancelei a viagem programada para quase dez dias depois a fim de participar do encontro dos WD±40 em Penedo, no Rio de Janeiro.

Sucedeu que minha filhota queria me fazer uma surpresa surpresaça e veio para ficar um mês inteiro... bom, acabei ficando com ela um mês menos uma semana, porque eu não podia cancelar a viagem (que vou contar em outra postagem). 


E tudo isso sem deixar de entregar as traduções com prazo curtíssimo de umas novidades muito da hora que estão pintando por aí... 

Então começo o ano mês de março abril respondendo aos leitores de fevereiro que ficaram aguardando esse tempo todo (foi mal, desculpa aí gente, mas com minha filha aqui em casa, viajando, trabalhando e com tão pouco tempo para a gente passar junto, eu não tinha como ficar cuidando do blog... vocês entendem, né?)

O primeiro comentário que vou responder é o da Mariana Alves na postagem Um novato e uma moto potente .

Como a Mariana confirmou posteriormente, o motivo da quase torção do pé ao quase cair com a moto foi realmente um calçado inadequado — os pés precisam ficar bem firmes dentro das botas para evitar sustos como esse que você passou.


Quanto à sua dificuldade em saber dosar a força de frenagem, realmente não há outra coisa a fazer senão praticar muito em todas as situações. 


Somente o tempo e a convivência com sua motocicleta lhe darão essa percepção das reações da moto durante a frenagem.


E mais uma coisa:


Não descarte a possibilidade de que a real culpada por sua dificuldade seja sua moto!


Minha primeira moto foi uma CG e eu vivia caindo com ela por causa do travamento e derrapagem da roda traseira durante a frenagem.


Eu achava que era por minha inexperiência (aprendi a pilotar depois de comprá-la) e não imaginava que poderia haver uma condição de frenagem melhor, afinal, era uma hoooonda.


Passei 28 anos afastado do guidão e quando comprei minha segunda moto, a Kansas Jezebel com freio dianteiro a disco, tive dificuldade inicial para me adaptar porque ao frear eu aplicava no freio dianteiro a mesma força de alicate necessária para parar a moto com o ineficiente freio a tambor da CG.


Depois que me adaptei, fiquei maravilhado com a eficácia do sistema de freios da Kansas, justamente por não travar a roda traseira nem causar desvios de trajetória.


Várias vezes cheguei a levantar a roda traseira do solo sem que a moto se desviasse para lado algum... Em compensação, usando a CG do curso de pilotagem defensiva que fiz aqui em Floripa, travei a roda traseira várias vezes. Edith (minha lifeng Fenix Gold) também freia sem desviar, então o problema realmente é de projeto da moto.


Uma experiência ruim ocorreu no mesmo mês em que troquei as sapatas de freio da Kansas Jezebel por outra marca não original — as sapatas eram mais eficientes, mas causavam uma frenagem mais abrupta, e acabei caindo do mesmo jeito que eu caía com a CG.

O que eu quero dizer é que talvez sua moto não colabore contigo nas frenagens por conta da necessidade de um pequeno acerto como esse, encontrar a melhor marca para as sapatas de freio a fim de obter a máxima eficiência de frenagem da sua moto.


É um ajuste fino que os pilotos de competição fazem, mas os fabricantes não, porque estão presos a contratos de fornecimento de peças.

Quanto à sua preocupação com o contra-esterço, lembre-se de que você já o pratica inconscientemente em todas as curvas que faz.


Ao inclinar a moto, você a está contra-esterçando de maneira quase imperceptível.


Uma boa técnica para ficar craque nisso é a prática do slalom que o Daniel sugeriu no comentário posterior ao seu.


Slalom é aquela prática de mudança de trajetória em espaços muito curtos.




Você domina essa técnica quando solta a cintura e deixa a metade de baixo do corpo acompanhar a moto, e a metade de cima cuidar do guidão.

Ou seja, é algo que você só consegue fazer quando faz uma pilotagem relaxada (no bom sentido), sem medo de cair, e tem muita intimidade com sua moto.


É praticamente como se você guiasse a moto com os quadris. Aplicando esse jogo de cintura durante as curvas (em vez daquela postura tensa típica dos iniciantes) seu domínio da moto melhora muito.


E aproveitando, no vídeo da postagem Posso frear durante a curva?, onde você comenta que não entendeu o motivo da queda no segundo vídeo: me parece que ele passou por uma pequena mancha de óleo.

Mas ele também pode ter derrapado por ter acelerado mais do que o possível para aquela inclinação, ou ainda mais provavelmente porque os pneus estavam frios ou com pressão muito alta (portanto muito abaulados).

Quando você chega perto do limite, qualquer motivo é motivo, por isso que insisto tanto na necessidade de sempre contar com margens de segurança.

Quase abusando (só um pouquinho) em umas curvas deliciosas, Edith e eu quase fomos parar embaixo de um caminhão durante a viagem do começo do mês (é, teve outras...).

Mas esses são assuntos para outras postagens.

E como esta postagem ficou longa, pretendo ir respondendo aos outros leitores na medida do possível ao longo deste mês.

Um abraço, e é muito bom voltar à atividade no blog (mas ficar com minha filha foi muito ótimo — felicidade não tem preço!)

Jeff

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Minha primeira moto será uma alta cilindrada (500 para cima)

Boa sorte e que Deus te acompanhe! (porque você vai precisar...)




Eu discordo do autor do vídeo que chamou o piloto aprendiz de idiota — os erros que ele cometeu são os erros típicos de quem nunca pilotou.

Ele desgarrou na curva porque se preocupou com o problema, e não com a solução — o resultado é que a moto vai para onde o seu olhar estiver focado.

O piloto pensou que estava em velocidade excessiva para a curva e nem passou pela cabeça dele frear por receio de cair.


Para tentar consertar a trajetória, ele esterçou instintivamente na direção da curva, sem saber que as motos são pilotadas com contra-esterço — acima de uma velocidade mínima, acima daquela velocidade ridícula que você roda na moto-escola, uma moto vai na direção oposta daquela para a qual você vira o guidão.

Ele não teve tempo de aprender a usar o peso do corpo para corrigir a trajetória em uma curva, isso é algo que se aprende com o tempo em motos pequenas.

Por isso que digo que não é vantagem alguma começar a pilotar de cara com uma moto de grande potência.

Porque além do risco óbvio de se matar por falta de domínio da moto, o prejuízo no primeiro tombo besta ficará na casa dos 5 mil reais, se você tiver sorte de quebrar pouca coisa.


Se for uma pancada um pouco mais feia, o reparo poderá chegar ao custo de 120% do valor da moto.


Maluco, né? Mas isso aqui é Brasil.


Não dá para ter moto de alta cilindrada sem ter um senhor seguro, que não cobrirá o custo da franquia. 

Franquia que fica na casa dos 5 a 10 mil reais para mais, e que sai integral do bolso do acidentado.


Para saber mais sobre os riscos de se aprender a pilotar com uma moto de alta potência, veja as postagens seguintes.


Para quem pensa em pegar uma esportiva de alta cilindrada:


Apresentação


Virei para um lado e a moto foi para outro


Nunca trave o olhar


Curvas e tombos


Chicotadas e curvas


Posso frear durante a curva?


Ressonância, oscilação e instabilidade


É assim que se quebra o quadro da moto


Suicídios e assassinatos


Pneu liso faz a moto andar mais rápido?


O cara que pensa que sabe pilotar 

Especificamente para quem está pensando em uma custom de alta cilindrada:

Entendeu porque capacete aberto não serve para nada?


Pilotar exige o corpo todo...não é só sentar e acelerar


Um abraço,

Jeff

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Virei para um lado e a moto foi pro outro

Motos são máquinas fantásticas porque têm personalidade.

E essa personalidade lembra muito um gato: ela faz o que quer na hora que quer, e muitas vezes ela faz o contrário do que você gostaria.

Tipo você virar o guidão para um lado e a moto ir para o lado oposto.


No acidente de ontem, além de travar o olhar no veículo, o piloto provavelmente tentou consertar a curva aberta girando o guidão para a direita, o que o jogou contra o carro na contramão.


Mas por que as motos fazem isso?


O problema é que as leis da Física pregam algumas peças brincando com o ângulo das rodas e da direção dos veículos de duas rodas.


Se você manobrar sua moto em baixa velocidade para tirá-la de uma vaga, ela fará exatamente o que você quer. Virou o guidão para a direita, a moto foi para a direita.

E quando você faz curvas, você inclina a moto com seu jogo de cintura e ela obedece. 


Mas motos têm alma, vontade própria e senso de humor; pode acreditar, ela está só fingindo para te sacanear se você não aprender seus segredos.

Se você tentar virar o guidão depois que a moto ganhou um pouco de velocidade, vai descobrir que ela reage ao movimento do guidão virando para o lado oposto ao que você queria.

Se você puxar o guidão para a esquerda, a moto fará uma curva para a direita

Se virar o guidão para a direita, ela fará uma curva para a esquerda

É contra-intuitivo, mas é assim que é. Essa reação é chamada de contra-esterço.

Imagem: Gentilmente escaneada de www.hdforums.com 
Maluco, né? Parece que vai se estabacar, mas acaba fazendo a curva numa boa. E isso funciona em velocidades bem mais baixas do que essa.

Tome muito cuidado quando tentar fazer isso, a reação da moto será intensa e poderá te surpreender. Comece aos poucos. 

Você já faz o contra-esterço intuitivamente quando inclina a moto para fazer uma curva.

Ao se inclinar, seus braços movem o guidão muito discretamente, realizando um contra-esterço quase imperceptível, mas suficiente.

Você aprendeu isso instintivamente, mas agora que sabe que isso acontece, poderá usar esse truque em seu favor.

Contra-esterçar intencionalmente permite fazer curvas muito mais fechadas do que simplesmente inclinando a moto. 


Imagem: http://en.wikipedia.org/wiki/Countersteering , mas há o site em português: http://pt.wikipedia.org/wiki/Contra-esterço

Foi por isso que eu disse que a pior coisa a fazer é tentar intensificar a curva girando o guidão na direção dela, a moto fará o contra-esterço e você ficará vendido.

Numa situação em que a curva está se fechando na sua frente, como a da postagem de ontem, ou que um obstáculo aparece e você precisa desviar rapidamente sem sair muito da trajetória, o contra-esterço pode ser sua melhor saída.

Mas essa técnica somente funcionará se você tiver perfeito domínio dela.

Numa emergência, não dá tempo de ficar pensando "faço contra-esterço, inclino a moto ou faço um pêndulo?".


Você precisará praticar até ter o domínio completo a ponto de poder aplicar a técnica ideal para a situação sem precisar pensar.

Uma maneira fácil de lembrar qual será a reação da moto no contra-esterço é que ela fará a curva para o mesmo lado que você empurrar o guidão.

Dominar e utilizar essa técnica é algo que precisará se tornar instintivo.

Tentar utilizá-la numa situação de colisão iminente sem ter perfeita noção do que a moto fará poderá piorar sua situação, então pesquise e pratique muito para o caso de isso ser necessário.

Para saber mais, recomendo esta ótima postagem do Old Dog Cycles.

Um abraço,

Jeff