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quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Ciclovia projetada por engenheiro mata mais um motociclista

Um engenheiro tinha um problema para resolver:

Como fazer os motoristas respeitarem as ciclovias?

Ele pensou que somente o maldito tachão não seria suficiente, então ele achou que usar o segregador de concreto, vulgo picolé, também conhecido como gelo baiano, seria uma boa ideia.

E assim ele ficou feliz da vida quando sua ciclovia ficou pronta, cheia de picolés para tudo que é lado, olha só que obra vistosa.

E também perigosa, mas o engenheiro não percebeu.
Imagem: http://www.clickcamboriu.com.br/geral/2010/03/camboriu-ciclovia-da-av-santa-catarina-recebe-protecao-contra-veiculos-2758.html

Nem passou pela cabeça do engenheiro que ele estava colocando obstáculos à circulação no caminho de carros, motos e também das próprias bicicletas que ele queria proteger.

Ele simplesmente não considerou que no trânsito existe uma situação muito comum, chamada "fechada", que obriga os motoristas / motociclistas / ciclistas a desviar repentinamente e instintivamente de outro veículo para evitar uma colisão.

O resultado foi este:

Imagem e reportagem: http://www.otempo.com.br/cidades/gelo-baiano-usado-em-ciclovias-%C3%A9-reprovado-por-causar-acidentes-1.793227

Os motoristas não gostaram de ter seus carros quebrados nessas armadilhas construídas pelo poder público com o nosso dinheiro público.

Os motoristas não gostaram de ver seus carros capotando por conta da infeliz ideia do engenheiro.
Imagem: Facebook Reportagem: http://tribunadoceara.uol.com.br/noticias/mobilidadeurbana/carro-capota-ao-colidir-com-gelo-baiano-na-avenida-bezerra-de-menezes/


http://rogeriopachecorp.blogspot.com.br/2014/05/blog-post.html
Nem os ciclistas gostaram da ideia, porque o picolé é um perigo para eles também.

Sabe, eu penso que a ideia de colocar em plena via pública obstáculos assassinos que podem causar acidentes para os veículos, e também para as bicicletas, é uma ideia indigna de um engenheiro.

Engenheiros são ensinados nas faculdades de Engenharia a pensar nas consequências de seus projetos sob todos os aspectos, especialmente o da segurança.

Lamentavelmente, alguns engenheiros (será mesmo que são engenheiros?) tiveram essa ideia esdrúxula e indigna de um verdadeiro engenheiro de implantar ciclovias com segregadores de concreto.

Uma ideia indigna de um engenheiro e que mata motociclistas.
Reportagem: http://g1.globo.com/sp/presidente-prudente-regiao/noticia/2015/09/servente-perde-o-controle-de-moto-300-cilindradas-sofre-queda-e-morre.html

A imprensa enfatiza a "moto de 300 cilindradas", mas não publica uma palavra sequer contra o absurdo de colocar esses objetos com cantos vivos capazes de provocar acidentes e derrubar e matar ciclistas e motociclistas.

O piloto de Presidente Prudente caiu com as costas contra essa aberração e fraturou a coluna.


Fraturas de costelas potencialmente fatais também são previsíveis.

O motociclista morreu no hospital e não pôde expressar sua indignação por morrer por causa de uma ideia indigna de um engenheiro como essa.


Mas ele não pode falar, então eu tomo a liberdade de falar por ele.


Ilustríssimo engenheiro viário criador de ciclovias com tachões e segregadores de concreto:


Sua ideia indigna de um engenheiro destruiu a vida de mais um brasileiro.


Sua incapacidade de prever que algo como essa aberração com segregadores e tachões, que você batizou de ciclovia, poderia causar acidentes graves e fatais.


Sua falta de previsão custou a vida de um cidadão de apenas 35 anos. 

Sua inabilidade em prever os riscos envolvidos ao instalar deliberadamente obstáculos na via pública matou mais um motociclista.


Ele não pode reclamar, ilustríssimo engenheiro autor de uma ideia indigna para um engenheiro.


A voz dele nunca mais será ouvida. 


Os filhos dele não brincarão mais com o pai.


A esposa não terá mais o companheiro. 


Resta aos pais do rapaz enterrar o seu filho de apenas 35 anos.


Essa é sua obra, engenheiro.


Eis o resultado de sua aberração criada para "proteger os ciclistas".


Sua decisão de colocar esses objetos trouxe riscos a todos os usuários das vias públicas, inclusive aqueles a quem deveria proteger.

Admita ou não, o fato é que você é um homicida culposo, já que matou sem intenção, senhor engenheiro.

Não seria mais digno reconhecer que foi uma má ideia instalar essas abominações e ajudar a acabar com essas armadilhas viárias criadas pelo poder público?

Até quando você continuará matando cidadãos brasileiros dessa maneira, senhor engenheiro autor dessa ideia indigna para um engenheiro?

Até quando?

Jefferson

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Tachão derrubou mais um. Para a imprensa, como sempre, foi o motociclista que perdeu o controle...

Reportagem: http://www.campograndenews.com.br/cidades/interior/motociclista-perde-controle-da-direcao-cai-e-fica-gravemente-ferido-na-br-158

Jornalistas, digam a verdade com todas as letras!

Ele só perdeu o controle da direção porque foi derrubado por um tachão.

Tachão é uma armadilha mortal, você que é motociclista fique longe deles.

Essa é a BR-158 a 10 km de Três Lagoas, o acidente talvez tenha acontecido aqui:



A ultrapassagem é proibida por um longo trecho antes daqui, mas sinalizada apenas pelas faixas contínuas.

Ao se aproximar da rotatória começam os tachões, e o motociclista não esperava encontrá-los à noite — sempre um período a ser evitado para viagens de moto.


Muito possivelmente esses tachões já não estejam refletindo mais nada... a foto do google maps é antiga, imagine a condição deles hoje.

Outra coisa:


O piloto saiu de uma cidade a 226 km do ponto do acidente com uma Hornet.


Motos esportivas não são confortáveis para viagens longas, o cansaço da viagem pode ter tido influência para que não percebesse ou deixasse a moto chegar perto dos tachões.


Alguém poderá dizer, "bem feito, quem mandou ultrapassar em local proibido?"

Só que as coisas não são bem assim.


Ter passado por cima dos tachões não quer dizer necessariamente que ele estivesse fazendo uma ultrapassagem — nem sempre o motociclista é o irresponsável que pintam por aí. Só na maioria das vezes.

Essa vítima do tombo poderia estar pilotando corretamente, respeitando a sinalização, mas ter sido fechado e jogado contra os tachões por conta de um veículo parado ou uma obra na pista como esta aqui, na mesma rodovia:



Cones mal colocados muito próximos ao local da obra surpreendem os condutores e não dão tempo de todos se acomodarem na outra faixa.

Nessa situação, viajando em grupo, alguém pode ser fechado e obrigado a ir para cima dos tachões... um erro a ser evitado a todo custo.


Outra possibilidade é que algum carro tenha feito uma conversão perigosa na frente do motociclista, obrigando a frear forte e desviar.

Duvida?

Esta imagem também é dessa rodovia do acidente, a BR-158, um pouco mais à frente:



Olha só as marcas de freadas no asfalto por causa da conversão à esquerda e me diga o que acontece quando um carro faz isso na sua frente...

Não sabe? Eu digo:

Você tenta tirar da traseira do carro para não bater e acaba passando com os freios acionados por cima dos tachões, é tombo certo.

O fato é que nós motociclistas pagamos um preço alto por conta da utilização dessa sinalização que as autoridades viárias instalam sem considerar os riscos para as motocicletas.

Quem trabalha com sinalização viária só pensa em automóveis — não imagina que tachões desequilibram as motos e causam acidentes fatais.


E depois que acontecem, a culpa sempre é jogada sobre o motociclista, que muitas vezes não tem como se defender.


A mídia sempre diz que foi o motociclista que perdeu o controle, o que pressupõe culpa própria — nunca ele é vítima das condições inadequadas evitáveis da pista ou das ações irresponsáveis de outros motoristas.


Nem sempre o motociclista faz o que faz por irresponsabilidade — também pode ser falta de preparo para o trânsito na motoescola, falta de noção desconhecimento do mundo e falta de malícia. Ou falta completa de bom senso. 

Nada disso é motivo para a pena de morte sem julgamento nem direito à defesa e com execução imediata representada pelos tachões.

Não sei a quem apelar para que se adote uma sinalização menos perigosa no lugar dos tachões, como as tachinhas refletivas.

São menores e não representam um perigo tão grande para os motociclistas.

Mas recorrer a quem para banir essa excrescência viária?

Um deputado? Um senador? 


Eles não têm tempo de trabalhar por seus eleitores, andam ocupados demais tentando salvar a própria pele... 


Um abraço, e cuidado com os tachões,


Jeff

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Como não morrer na contramão atrapalhando o tráfego

Morreu na contramão atrapalhando o tráfego é frase da música Construção, de Chico Buarque de Hollanda.

Chico denunciava a indiferença de todos diante da epidemia de mortes na construção civil durante as décadas de 50 e 60, quando se erguiam arranha-céus pra todo lado.


O progresso do Brasil era construído à custa das vidas de milhares de pedreiros e serventes de obra que morriam sem treinamento, sem equipamento de proteção, sem barreiras de segurança. Uma verdadeira indústria de moer gente.


Pedros pedreiros penseiros eram insumos descartáveis esperando aumento desde o ano passado para o mês que vem. Os itálicos são do Chico também.

Situação parecida com a do trânsito de hoje, onde motociclistas mortos são apenas um estorvo para os motoristas. 


Uso a frase do Chico para falar de mais uma morte causada pela má sinalização viária que mata motociclistas, o tachão.


Tachão é uma coisa que derruba motos e mata seus ocupantes, mesmo em baixa velocidade, mas ninguém está nem aí — os motociclistas é que são abusados e passam por cima deles, é o que dizem. 

Ninguém questiona se isso é mesmo verdade.

Ninguém associa as imagens de motos e mortos caídos com os tachões ali do lado.

Ninguém se pergunta se os motociclistas não estariam morrendo por uma causa que poderia ser eliminada, ninguém pensa em alternativas para essa sinalização viária criminosa — afinal, a culpa é sempre do motociclista, não é mesmo?

Não, não mesmo. 


Reportagem: http://g1.globo.com/goias/transito/noticia/2014/08/motociclista-morre-apos-cair-embaixo-de-caminhao-na-go-080-em-goiania.html

Então sempre que posso eu reproduzo estas imagens na esperança de que algum dia alguém tome uma atitude.

Não tente passar por cima dos tachões, é suicídio.

Os tachões são colocados na pista para evitar ultrapassagens em locais proibidos, como curvas e lombadas.


Nunca se coloque em posição de ser empurrado de encontro aos tachões — não arrisque fazer ultrapassagens em curvas, e não dispute posição com outros veículos no meio de uma curva.


Mesmo que você esteja na sua faixa, o motorista poderá abrir a curva por desatenção ou para desviar de um obstáculo no meio da curva, te jogando contra os tachões. 


Veja a imagem abaixo:

Imagine que no momento do acidente houvesse um veículo parado ali onde está aquele ônibus, e todos estivessem desviando para a esquerda.

A moto seria forçada a rodar sobre os tachões e cairia no exato local onde caiu... É praticamente a cena que estamos vendo aqui.


Reportagem: http://g1.globo.com/goias/transito/noticia/2014/08/motociclista-morre-apos-cair-embaixo-de-caminhao-na-go-080-em-goiania.html

Será que o motociclista estaria realmente fazendo uma ultrapassagem em local proibido, ou foi fechado e jogado contra os tachões por um motorista desatento?

Se eu fosse apostar, apostaria nessa última. 


Ele não estaria ultrapassando irresponsavelmente, como o pessoal adora pensar — ele pode ter sido fechado por um motorista que se mandou sem parar para socorrer. 


Fuja e fique longe dos tachões.

Ao resvalar uma das rodas da moto no tachão, ela dá uma guinada e você cai debaixo das rodas de quem estiver por perto. Não dá tempo de fazer nada.


Essas armadilhas são mortais para motociclistas, mas necessárias para sinalizar o trânsito principalmente à noite e em dias de chuva, portanto nunca serão removidas das ruas — embora pudessem ser substituídas por olhos de gato de menor altura e menos mortais, as tachinhas.



Este fabricante se preocupa com a ecologia e se esquece das vidas humanas.   
O jeito é se precaver contra essas armadilhas, ficando ao máximo de distância delas.

Pilote com atenção redobrada em pistas demarcadas com tachões assassinos, porque no Brasil existe pena de morte sim.


No Brasil, ao fazer uma ultrapassagem em local proibido, errar a pilotagem, desconhecer a má sinalização viária local ou ser fechado e obrigado a ir para o meio da pista em uma via sinalizada com tachões, os motociclistas são punidos com a morte ou lesões graves.


Sem julgamento e com execução imediata, sem direito à defesa nem apelação.


Triste país este que não se importa com as vidas de seus cidadãos.


Fuja dos tachões — não morra na contramão atrapalhando o sábado.


Jeff

Como é difícil acordar calado, se na calada da noite eu me dano... quero lançar um grito desumano, que é uma maneira de ser escutado... quero cheirar fumaça de óleo diesel, me embriagar até que alguém me esqueça... 
Cálice, Chico Buarque e Milton Nascimento


PS: Esta postagem estava programada há dias. Por uma daquelas estranhas coincidências, acabou publicada no mesmo dia em que o Cardoso publicou uma postagem usando a mesma e pouco utilizada expressão insumos descartáveis. Bizarro.

segunda-feira, 2 de março de 2015

Um acidente previsível



O acidente acontece aos 7:40, mas era previsível que fosse acontecer.


O asfalto começa a ficar ruim lá pelos 4:00 minutos, bem diferente das condições de asfalto de um autódromo, onde uma moto pode dar o máximo e mesmo assim não está livre do risco de cair.


E importantíssimo, havia tachões separando as pistas. Tachões matam motociclistas.


Ao fazer a tangência no limite de velocidade da curva, você não tem margem de segurança; não pode desviar de imprevistos, senão desgarrará e irá para o acostamento ou a pista oposta.

Da mesma forma, pilotando no limite basta pegar um tachão na lateral do pneu para perturbar a trajetória o suficiente para perder a tangência e desgarrar para fora da pista.

Tachão é um perigo até em baixa velocidade.


Na minha opinião, foi o que aconteceu aqui.


Se bem que basta o excesso de velocidade para desgarrar, como visto no vídeo da postagem Pedras na curva.

Felizmente, o piloto não ficou ferido, mas certamente o prejuízo com a moto foi grande. Uma pena.


Um abraço,


Jeff

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Mais uma vítima da má sinalização viária

Denúncia de Natal

Nem pude entrar de férias, aconteceu um acidente gravíssimo aqui em Floripa, que irá se repetir se as autoridades não tomarem providências, e que por isso não posso deixar para comentar mais tarde.

Do começo:

Esta tarde eu passei mal e fui parar no hospital, mas dizem que nada acontece por acaso. Na sala de espera era comentado o caso do sargento da PM que morreu em um acidente de moto na região do elevado Rita Maria.

Eu já sabia do acidente, mas não tinha informações suficientes para uma postagem. A reportagem do G1 só falava em acidente de moto e ônibus, não tinha uma foto.


O comentário no hospital foi que o piloto não conseguiu dominar a moto em uma curva porque vinha muito rápido, a moto era muito pesada, bateu contra a mureta e foi atropelado. 

Pela descrição, até imaginei onde esse acidente poderia ter ocorrido, há algumas armadilhas viárias por aqui com curvas extremamente fechadas. Mas havia informações que não se encaixavam... a moto seria uma CB 300, então o fator moto pesada não se encaixava. 


Em casa, medicado, comecei a pesquisar e encontrei uma foto, e descobri que não era o lugar que eu tinha imaginado, mas outro local onde certamente isso não poderia ter acontecido do modo que foi dito:




Consegue ver o local do acidente? 


No centro da imagem há uma viatura parada na pista, atrás dos dois ônibus subindo o viaduto.


Uma aproximação permite ver melhor o local:


Quase embaixo das pontes que dão acesso à Ilha e logo antes do elevado Rita Maria.

Você consegue ver o assassino causador do acidente na foto?

Segundo a polícia, e o que o pessoal comentou, o sargento que morava no interior do Estado estava na capital para um curso, e saindo de lá, colidiu contra um ônibus, caiu e foi atropelado. Mas eu conheço esse local e não foi isso que aconteceu, eu garanto.

Este outro ângulo permite ver o local do acidente (na verdade, o local onde o corpo do piloto foi parar, porque o choque contra o ônibus e o atropelamento aconteceram vários metros antes) indicado pela seta vermelha, e seu real causador, o assassino de motociclistas claramente visível e ignorado por todos:

Imagem: Google View

Tachões...

Essa armadilha mortal para nós, motociclistas, está instalada bem na entrada de Florianópolis, e para quem não conhece a cidade, é muito difícil escapar dela.

PS: Na manhã de Natal fui lá conferir o local e, mesmo sabendo o que vinha pela frente, as condições do trânsito quase me impediram de escapar dos malditos tachões. É uma armadilha extremamente traiçoeira.


Imagem: Google View

Quem vem do continente chega à ilha de Florianópolis pela ponte Pedro Ivo Campos. 


Quem busca a avenida Beira-mar Norte e toda a parte norte e nordeste da ilha, incluindo a Lagoa da Conceição, sai da ponte por uma alça de saída que se une a outras duas faixas que vêm do sul da ilha, vamos chamar esse conjunto de pistas 1, 2, 3 e 4.


Então você é o turista que acabou de chegar e está em baixa velocidade na faixa da direita, a faixa 4, em uma curva ampla. No meio dessa curva você vê a indicação: Litoral Norte, use as faixas 1 e 2; para ir para o Centro, faixas 3 e 4.


Você vê o viaduto logo ali na frente com as faixas 1 e 2 e repentinamente precisa ir para lá com muito cuidado, atravessando a faixa 3 e se encaixando no trânsito pesado.


Mas como você é novo na cidade, não imagina que bem antes de as pistas se separarem, encoberta pelos outros veículos, existe no solo uma demarcação desnecessária, perigosa e fico tentado a chamá-la de criminosa e assassina, feita com enormes e malditos tachões.


O resultado é que você, pilotando em velocidade normal compatível com o tráfego, se desequilibra e cai da moto na frente de/se choca contra um ônibus. 


Para os noticiários e os leigos, "motociclista perde o controle da moto e é atropelado", "motocicleta é um veículo perigoso", "motociclistas abusam da velocidade", "motociclistas não têm juízo", etc., etc.


O que eu digo é:


Essa foi mais uma morte causada por uma má sinalização viária que instala tachões a torto e a direito sem atentar para o risco que eles representam para os motociclistas.


O sargento morreu não porque estivesse em alta velocidade — ele não estava, apenas acompanhava o trânsito local. 


Insinuar que o sargento estivesse desrespeitando a legislação viária em alta velocidade é uma ofensa à sua memória e ao seu trabalho.


O sargento morreu apenas porque ainda não conhecia bem esta cidade e suas armadilhas viárias. 


A sinalização de trânsito tem de ser universal — ela não pode servir apenas a quem mora e conhece bem a cidade. Ela não pode representar riscos para os visitantes.


Quem vem de fora não pode ser surpreendido por obstáculos à circulação dificilmente visíveis e capazes de derrubar motociclistas — e esta crítica não é apenas contra a prefeitura de Florianópolis. A sanha pela instalação de tachões afeta todo o Brasil.



Vale dizer, obstáculos que não são representados apenas pela sinalização viária — eu já havia comentado aqui sobre o defeito no asfalto da alça de saída da ponte Pedro Ivo, que derrubou um motociclista em 22 de maio de 2013. Falha que já era velha de anos e ainda levou mais de um ano para ser reparada.


A sinalização viária e as vias têm de ser pensadas para todos, não apenas os automóveis. Se houver risco na implantação, não a sinalizem com tachões. Falhas no asfaltamento não podem ser consideradas apenas quando incomodam os motoristas; muito antes disso, elas já estão derrubando motociclistas.


Esse é um cuidado tão simples, mas tão difícil de ser entendido pelos engenheiros e responsáveis pela sinalização e manutenção viária...

Quantos outros motociclistas terão de morrer por conta dessa irresponsabilidade dos departamentos de trânsito de todo este meu país?

Meus sentimentos à família do sargento, e um abraço a todos nesta manhã de Natal,

Jefferson

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Passando de motinha no tachão tuplec tuplim caplof ai...

A imprensa noticiou um acidente, mas não investigou as causas. Quem vê, pensa que o motociclista bateu porque quis, mas uma análise mostra que não foi isso que ocorreu.

Olha só que coisa maviosa essa montagem feita pelo terra:

Reportagem do terra: http://tecnologia.terra.com.br/google-street-view-flagra-queda-de-motociclista-em-sc,e97f982a7ac38410VgnVCM4000009bcceb0aRCRD.html
Reportagem do g1: http://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2014/09/google-maps-flagra-acidente-de-moto-em-blumenau-sc.html

Esse acidente foi registrado pelo Google Street View na rua Sete de Setembro em Blumenau em janeiro deste ano.

O gif do terra só mostra ele caindo, não mostra a causa do acidente. 


Tanto a reportagem do terra quanto a do g1 só se preocupam em noticiar o feito do google e mostrar o motociclista caindo; lendo as reportagens, você fica com a impressão de que o motociclista se enfiou de bobeira na traseira do carro porque não conseguiu frear.


Não perco meu tempo lendo os comentários postados por lá, mas certamente haverá quem acuse o motociclista de estar bêbado.

Nenhum dos jornalistas se preocupou em investigar o motivo real de o motociclista ter se chocado contra o carro e caído. 

Sabe como é, né?


Para a imprensa, a culpa é sempre do motociclista... (pior que na maioria das vezes é mesmo... ;)

Neste link para o Google Street View você consegue ver a manobra desastrada desde o início e entender o que aconteceu.


Quando estiver no GSView, basta clicar sobre as setas no asfalto que aparecerão para avançar as imagens passo a passo. Quanto mais recuado o clique, menor o avanço da imagem.

Fatos:


Ao ultrapassar o carro branco, o motociclista 
passou sobre os tachões, se desequilibrou e acabou caindo de encontro à traseira do carro prateado.

Esta nova foto é fundamental para entender o que aconteceu realmente:


Imagem: Google Street View


Imagem: Google Street View


Imagem: Google Street View


Imagem: Google Street View

Qual foi a causa primária do acidente?


Fazer uma ultrapassagem imprudente em uma curva com faixa contínua e tachões.


Por que foi uma ultrapassagem imprudente?

Porque o motociclista não manteve distância de segurança dos outros carros, tanto é que ele tentou passar no que seria o corredor (se o trânsito estivesse parado — não existe corredor com trânsito fluindo).


Por que o motociclista não manteve distância de segurança?


O motociclista trafegava por um trecho onde a faixa delimitadora era tracejada, sem tachões e, quando se preparava para mudar de faixa e iniciar a ultrapassagem do carro branco, foi surpreendido pelo início da faixa contínua com obstáculos.


Na tentativa de não cair nos tachões, ele passou colado ao carro branco, mas não foi suficiente; resvalou e se desequilibrou.


Uma velocidade mais próxima do fluxo do trânsito e aguardar um momento melhor para a ultrapassagem após a curva teriam evitado o acidente.


Por que não se ultrapassa em uma curva?

Porque você não tem visão do que virá; se o carro ultrapassado for obrigado a desviar de algum obstáculo, ele jogará o veículo sobre você.


Por que não se deve cruzar faixas contínuas?


Porque elas sinalizam locais onde a mudança de faixa ou pista é proibida por ser perigosa devido à condição naquele trecho.

É por isso que as faixas tracejadas se tornam contínuas nas proximidades de faixas de pedestres e semáforos, curvas, locais de ultrapassagem proibida como pontes, chegada às cabines de pedágios...


Se tiverem tachões então, representam um risco mortal para nós, motociclistas.


Por que não se ultrapassa nas proximidades de tachões?


Porque eles eliminam qualquer margem de segurança. 


Só o fato de desviarem sua atenção do trânsito já é o suficiente para te colocarem em perigo, se você estiver próximo de outros veículos. Resvalar no tachão te desequilibra e você precisa de espaço para se reequilibrar. Foi o que aconteceu.

Pequenos tachões podem te derrubar e te matar.


Os tachões sobre as faixas delimitadoras contínuas são colocados nas ruas por três motivos:


1) Obrigar todos os condutores a respeitar a faixa contínua (o que já é um absurdo: a faixa contínua significa que não deve ser cruzada.);

2) Evitar que os veículos mudem de faixa durante a curva a fim de evitar acidentes;


3) Derrubar motociclistas que ignorem os tachões.

Passar por cima de tachões ou muito perto deles é pedir para cair.


O cara teve a sorte de ser um acidente besta, sem consequência.


Mas ele poderia ter caído embaixo das rodas de um ônibus ou caminhão, e aí as imagens não seriam nada legais de se ver, acredite em mim.


Se isso acontecesse, a imprensa noticiaria apenas como Motociclista morre ao perder controle da moto.


E o coautor da fatalidade continuaria saindo impune, os órgãos públicos que não se lembram dos motociclistas quando sinalizam o trânsito com esses tachões criminosos.


Para saber mais sobre o perigo dos tachões, visite a postagem Malditos tachões.


Outra coisa:



Imagem: Google Street View

Se ele estivesse vestido corretamente para andar de moto, com botas com salto, calças, jaqueta e luvas, nem teria se esfolado.


Um esfoladinho de nada dói pra chuchu, imagina essa raladura que ele levou.


Aproveitando: O uso de capacete aberto com óculos apropriado merece comentário. 

Apesar de ser um capacete para uso fora de estrada, ele é muito usado aqui no Sul por causa do sol baixo na linha do horizonte. 

Essa aba faz uma diferença positiva e tanto contra o ofuscamento, mas dificulta a visualização de semáforos. 

Um abraço,


Jeff

PS: Link para Tuplec tuplim

PS2: 

E o TROFÉU HOMER SIMPSON DE SAGACIDADE, CAPACIDADE DEDUTIVA E BRILHANTISMO INTELECTUAL vai para a suposta reportagem sobre o suposto acidente com a suposta queda do suposto motociclista supostamente noticiado presumidamente pelo UOL: 
Suposta imagem: Suposta manchete do suposto UOL

O suposto estagiário da suposta escola de suposto jornalismo é o suposto autor da suposta pérola supostamente literária supostamente encontrada no suposto corpo da presumida reportagem:

"O Google Maps registrou um possível acidente entre uma moto e um carro no Brasil. A colisão teria ocorrido em Blumenau, SC. Não há informações sobre os envolvidos no incidente e se alguém ficou ferido."


Suposto link: http://tecnologia.uol.com.br/album/2012/05/30/flagras-do-street-view-reunem-incendio-gente-urinando-e-ate-pedido-de-casamento.htm?abrefoto=147








sábado, 2 de agosto de 2014

Resuminho da viagem

Este é o mapa geral da última viagem:


Mapa: Google Maps

São José — Balneário Camboriú — Juquiá — Santa Bárbara d'Oeste — Sumaré — Campinas — Santo André — Arujá — Mogi das Cruzes — Bertioga — Joinville — São José.

Primeiro dia, sábado, fiz o percurso São José a Juquiá, BR-101 sem novidades.


Mapa: Google Maps

Passei por Balneário Camboriú procurando as faixas de pedestres adesivas, mas percorri todo o centro e não encontrei nenhuma.

Em compensação, as novas faixas estão sendo implantadas pelo método tradicional, pintadas no asfalto, então desconfio que a novidade não se mostrou viável em termos de adesão e durabilidade.

Segundo dia, domingão, Juquiá a Santa Bárbara d'Oeste por uma estrada linda que merece ser percorrida, a SP-079. À noite, segui até Campinas via Sumaré.


Mapa: Google Maps

Até Piedade e um pouco além a SP-079 é uma sucessão de curvas lindas e deliciosas. No trecho da serra ela serpenteia ao longo do rio Juquiá, um rio largo e bonito no meio da Mata Atlântica preservada, paisagem que enche os olhos.



Vídeo: Evandro Klimpel Balmant

O primeiro terço está totalmente recapeado, asfalto novinho, estavam pintando as faixas.... delícia! 

O restante não chegava a estar precário, há uma faixa entre os buracos que permite a passagem de motocicletas. No meio do caminho dois grampinhos com curvas intermináveis, passeio melhor que o Rastro da Serpente pelo asfalto e pela paisagem.


Nesta postagem vou comentar somente as estradas — a visita aos amigos merece postagem especial; vou esperar instalarem a internet lá em casa esta semana para escrever sem pressa (tem cada história...)

Pernoitei em Campinas para resolver um assunto na Unicamp e visitar a filhota, aí já era o terceiro dia; momento pai e filha 2.

Saindo de lá, fui para Santo André via rodovia Bandeirantes e Rodoanel, aniversário do Papi na quarta-feira terça-feira. Dia de churrasco e reunião familiar, sai de baixo!


Mapa: Google Maps


Na quarta-feira tomei o caminho de Arujá e Mogi das Cruzes para encontrar os Vinícius, o parceiro daqui do blog e o outro, que está sumido (Cara, por onde você anda? Bati o nariz na porta de novo!)


E aí começaram as surpresas.

Mapa: Google Maps


Saímos de perto da Pirelli e tomamos um atalho para Arujá que passou em frente à Volkswagen — Jezebel e eu não comentaremos o assunto. 

Só digo uma coisa: falta sinalização e faltam retornos no Rodoanel e na Via Anchieta. E tenho dito.

Após o café da manhã, o almoço e a troca de óleo DA JEZEBEL com o Vinícius (foi longa a conversa), e depois de não encontrar o Vinícius (o outro) em casa, descemos a serra da Mogi-Bertioga, uma das estradas mais lindas do Brasil.

No meio da serra fui parar pra resolver uma coisa besta, a fivela da pochete que estava aberta.

Malditos tachões colocados no acostamento!

Tentei não parar em cima deles, me desequilibrei, e na hora que coloquei o pé no chão, ele foi para o valão.

Pé no valão, Jezebel no chão. Foi tombo ou não foi, Arnaldo?

— A regra é clara, para ser tombo tem que sair deslizando. Se a moto não deslizou, é só uma queda besta, é limpar a roupa e seguir em frente.

— Mas Arnaldo, ele não consegue levantar a moto, ela continua lá deitada, vazando gasolina perto do escapamento. Parece que sentiu a coxa. 

— Estirou a coxa. Vai ter de sair de maca, Galvão.

Estiramento de coxa é igual cãibra, só que dói mais mais mais, e não passa não passa não passa. E quando você tenta mexer a perna, dá uma fisgada que te derruba.

Estava lá repassando flashes da história da minha vida e pensando no sentido de giro da Via Láctea, a infinitude do universo e o karma da mãe do cara que determinou os tachões no acostamento, quando vi um vulto branco de sandálias e a camisa do São Paulo.

http://www.fotosefotos.com/page_img/24698/historia_do_mascote_do_sao_paulo


Pensei que era São Pedro em pessoa me recebendo no Céu, mas era só uma alma caridosa (apesar de são-paulina — só conheço ele e o Wagnão!) que me ajudou a tirar a moto do valão.

O esforço rendeu mais algumas fisgadas doloridas, e aí não teve jeito, fui para o chão, fiquei deitado só vendo os carros passando.

Uma coisa bizarra, eu deitado lá, o tempo passando e eu sem poder fazer nada a não ser curtir a paisagem...

Bom, eu tinha que sair dali e não queria que fosse de viatura, então dei um jeito de subir na moto e descer a serra.

Só pensava em tomar algum remédio para a dor, aí lembrei daquele truque de morder um pedaço de pau (epa!) enquanto arrancam a bala com um canivete, mas eu não ia fazer uma coisa dessas: antiecológico e anti-higiênico.

Mordi foram as curvas, o que eu muito teria curtido, não fosse a dor. 

Ao chegar em Bertioga parei na primeira farmácia, tomei o analgésico mais forte, comprei a pomada mais forte e fui para a primeira pousada que encontrei — e viva o diclofenaco!

A noite foi tranquila até as 5 da manhã, quando acordei com as explosões e os tiros de fuzil.

Como a fuzilaria e as explosões duraram uns 15 minutos, concluí que não era nem chacina nem acerto de contas, deviam estar explodindo algum caixa eletrônico, virei para o lado e continuei dormindo.

Na manhã seguinte, perguntei ao porteiro o que tinha acontecido. Resposta:

— Dessa vez fizeram os caixas do Itaú e o Santander. Geralmente eles fogem pelo mar.

Geralmente? Virou rotina... tá feia a coisa.

A coisa é tão banal que nem sai notícia na grande mídia, alinhada com o candidato à reeleição. Provavelmente nem entra para as estatísticas oficiais. Legado da Copa. Legado da Olimpiada. Legado do Brasil.


Homem Muppet, filme Os Muppets
Com a perna comprometida e andando que nem o Homem Muppet, subi na moto e me mandei direto para Santa Catarina, fazendo um desvio em Joinville para visitar o amigo José Luís.


Mapa: Google Maps

A parte chata era a dor na hora de acionar o freio traseiro, o que exigiu cuidado quintuplicado. 

Jezebel me ajudou e se comportou maravilhosamente bem, vou contar as novidades numa postagem exclusiva.

Saí de Bertioga às 8 da manhã de quinta e cheguei em casa à 01:40 da sexta. Fazer 750 km em um único dia e sem cansaço, apesar da dor, nada mau. 

Foi legal descobrir que a adaptação que mandei fazer no assento de Jezebel possibilitou fazer toda a viagem sem o cansação (foi erro de digitação, mas ficou legal) de sempre. 

De agora em diante, irei a SP sem precisar pernoitar, a menos que vá pela estrada de Piedade, onde a paisagem vale a pena e seria um risco muito grande subir à noite.

Depois do sucesso desse assento, Rio de Janeiro, me aguarde!

Um abraço,

Jeff