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terça-feira, 31 de janeiro de 2017

A conclusão final a que chegamos

Nas últimas dez postagens vimos uma série de casos de recalls de motos e carros recém lançados com graves erros de projeto e execução.

Apenas separei alguns casos, para quem quiser pesquisar o assunto vai longe... 

Mas para concluir e encerrar o assunto destas duas semanas, vamos voltar à vaca fria:
Vendo tantos recalls por motivos graves e bizarros acontecendo, é o caso de perguntar:

Por que tantos problemas acontecem e são descobertos somente depois que as motos (e carros e mais um monte de produtos) estão nas mãos dos clientes — colocando a vida e o patrimônio deles em perigo?

A principal responsabilidade dos fabricantes é fornecer produtos confiáveis e seguros — não podemos abrir mão disso.

Mas parece que hoje a preocupação das fabricantes com o custo de fabricação, o preço de venda, a beleza, a propaganda, o apelo aos consumidores e a rapidez no lançamento e na obsolescência de novos produtos se sobrepõe a qualquer critério de segurança.
Imagem: http://leninja.com.br/obsolescencia-programada/ — A comparação entre windows e apple é bizarra... a microsoft não se diferencia da concorrência na hora de obrigar os consumidores a migrar para novos sistemas operacionais...
Mais sobre obsolescência programada: http://na-beirada.blogspot.com.br/2012/04/obsolescencia-programada.html

— O produto novo tem um risco mortal...

Nôu problem, se custar menos de 10 centavos a gente conserta na revisão e não fala nada — e cobra como "materiais diversos".

— Mas vai custar mais de 10 centavos...

Bom, o jeito é marcar uma reunião para discutir o assunto.

— O produto já matou alguém...

Tudo bem, o departamento jurídico cuida disso para negar a responsabilidade. Na pior das hipóteses, eles negociam a menor indenização possível.

— A imprensa está fazendo alarde... 

A gente aumenta a verba publicitária para preservar a imagem da empresa e manter as vendas lá no alto e enrola o quanto puder. 

— As autoridades estão investigando...

É, não vai ter jeito, faz um recall.

É triste, ma
s é assim que eu imagino essas decisões vitais sendo tomadas nessas empresas...
Imagem: Montagem sobre https://cityroom.blogs.nytimes.com/2010/10/18/complaint-box-recap-meetings-and-those-who-hate-them/?_r=0

Eu acuso as montadoras de descaso com seus clientes devido à urgência desmedida de lançar novos produtos no mercado sem fazer os devidos testes de confiabilidade e durabilidade.

Antigamente novos produtos eram testados no mínimo por dois anos antes de irem paras as ruas.

Hoje o projetista dá ENTER no computador e as motos já começam a ser despachadas para as concessionárias. 

Estou exagerando, mas não é muito diferente disso.

A data de lançamento é definida antes de outros parâmetros fundamentais do projeto — e os funcionários que façam mágica para cumprir as metas.

Se vai dar certo ou não, aí é outra história...

Chega uma hora em que se ultrapassa o limite do razoável e os problemas superam as vantagens.

Veja o caso da harley e da indian:

Os motores de menor cilindrada das Sportster e das Scout não excederam a barreira do viável e não dão problemas... enquanto os maiores estão decepcionando ou a caminho de decepcionar seus proprietários.

Fique esperto, porque se depender dos fabricantes, sejam quem for, você estará cada vez mais entregue à própria sorte porque as metas são cada vez mais inalcançáveis.

Como a dafra demonstra com as Indian e Kansas, nem mesmo na hora de convocar um recall que poderá salvar vidas eles enfiam a mão no bolso.


Mas para fazer propaganda na hora de vender, a estória é outra, vale até computação gráfica:


A dafra nunca se retratou por recomendar menos óleo que o mínimo necessário para as Kansas e Speed, e repetiu o escárnio com as Horizon 150.

A dafra não teve pudor de omitir e alterar informações em seus próprios manuais de proprietário, "porque assim se ganha mais dinheiro", já dizia o Cazuza.

A honda demorou uma eternidade para descobrir a causa do problema de incêndio do freio das Gold Wing, mas pelo menos teve a decência de convocar publicamente o recall até mesmo no Brasil... Antes tarde do que nunca.

Em compensação, até hoje a honda "não descobriu" o motivo dos motores começarem a pipocar depois da adoção do óleo 10W-30.

E até hoje deita e rola em cima dos proprietários que estão perdendo seus motores por confiar na empresa e usar esse óleo inadequado que até outro dia não era recomendado para o Brasil.

Suas concessionárias cometem o desplante de recomendar o famigerado óleo 10W-30 até mesmo para motos que originalmente usavam 20W-50, como a CB 300... 

O resultado é o que todos conhecem.

Graças a essa pressa de lançar novos produtos e ganhar mais dinheiro, os fabricantes não cumprem com sua obrigação de colocar à venda produtos seguros.

Quando descobrem um problema grave, nem sempre dão o destaque que a situação exige.

Se omitem quanto a seus deveres máximos — alguns são omissos até mesmo diante do que a lei determina.

O Casoy diria que tais erros e atitudes são uma vergonha.

Outros diriam que é a falta dela.

O pessoal sai de fininho e finge que nem é com eles.

Os engenheiros da polaris / indian, cujos problemas desencadearam esta série de postagens, não são vilões.

Eles certamente se empenharam em fazer o melhor projeto possível, e os quadriciclos e as motos fabricadas por eles são prova disso.

A gente vê nos detalhes que há paixão no desenvolvimento de todos os componentes das máquinas.

O lamentável é que na hora de unirem essas peças eles cometeram falhas de projeto elementares, indignas até de iniciantes — e essas falhas custaram vidas.

E assim como eles, a imensa maioria dos engenheiros das outras empresas também não quer ser vilão.

Mas eles são obrigados a trabalhar para atingir objetivos fora da realidade estabelecidos por critérios de marketing e não de bom senso.

Em nome do mercado, perdeu-se o pé da realidade, e isso está colocando vidas e patrimônios em perigo.

Está faltando alguém lá dentro dessas empresas dar um murro na mesa e afirmar em alto e bom som:
Imagem: http://www.arthur.bio.br/2013/12/31/relacionamentos/basta-ou-a-gota-que-faltava#.WJBfglMrK1s

Não dá para lançar produtos confiáveis nos prazos exigidos e nos custos de produção almejados!

Ou talvez alguém já tenha dito isso e foi substituído por outro engenheiro mais "pró-ativo e alinhado com as metas da empresa"... nunca saberemos.

Algo está profundamente errado na maneira como as empresas estão lançando produtos no mercado.


Quando a gente vê empresas como a harley-davidson lançando no mercado uma moto que precisa passar por recall porque não cumpre normas elementares — como a obrigatoriedade de instalar refletores na traseira da moto...
Imagem e reportagem: http://www.asphaltandrubber.com/recall/harley-davidson-recalls-motorcycles-lack-reflectors/

Ou uma honda da vida soltando no mercado milhões de motos perigosas porque os piscas não atendem às normas internacionais de distância mínima em relação ao farol...

E ainda por cima, retirando o modelo de fabricação de fininho, sem nunca convocar um recall...
Denúncia: http://minhaprimeiramoto.blogspot.com.br/2014/09/uma-modinha-e-milhoes-de-motos.html

Mesmo sabendo que os piscas embutidos no farol descumpriam a legislação e colocavam colocam a vida dos usuários em risco, a honda teve a cara de pau de fingir que nunca pariu a criança.

E ainda fez o marketing dos novos piscas externos da CG 2014 afirmando cinicamente que eles são "atualizados e atendem às normas internacionais de iluminação com excelente sinalização" — tudo o que os piscas das CG 2009 a 2013 não faziam e não fazem até hoje!

É ou não é o cúmulo do máximo da cara de pau?

Ver tantas empresas que se dizem sérias cometendo tantos erros que colocam as vidas dos usuários em perigo é suficiente para perder de vez a fé nas indústrias automotiva e de motocicletas.

Eu responsabilizo a ganância das empresas por levar ao abandono das práticas consagradas de Engenharia.

Culpo essa pressão absurda para vender cada vez mais e mais rápido, sem enxergar direito o que estão fazendo, sem prever as consequências dessa pressa irresponsável.

Na ânsia de despejar novos produtos no mercado, transformaram os consumidores em pilotos de prova e cobaias de teste.

Se alguma coisa der errado, fazem um recall.

Ou tiram o produto do mercado fazendo de conta que o problema nunca existiu — até têm o descaramento de usar a falha do projeto anterior como argumento de vendas para o novo produto.

Ou então enrolam o quanto podem para não assumir a responsabilidade pelos erros.

Quando não jogam a culpa pelos problemas nas costas dos clientes que nem sabem onde encontrar os argumentos mínimos para contestar esse abuso de poder.

Enquanto as verbas para o marketing forem a maior prioridade, e a segurança e confiabilidade dos produtos for sacrificada, continuaremos a ver os nomes de grandes empresas associados a escândalos revoltantes.

Revoltantes porque evitáveis.

Essa fórmula aplicada pelas empresas de "máxima qualidade no menor prazo e menor custo" está errada.
Imagem: http://uncyclopedia.wikia.com/wiki/Unobtainium

Começa errada porque nem considera a segurança final do produto.

Além disso, essa equação não fecha.

É algo impossível de se obter. 

Para atingir duas dessas metas, você é obrigado a abrir mão de uma.

E ao priorizar o menor prazo de desenvolvimento dos produtos e o menor custo de fabricação, automaticamente a qualidade e a segurança do produto vão pelo ralo.

Alguém precisa dar um basta nessa espiral decadente de obsolescência programada e muitas vezes imprevista que os carros, motocicletas e demais produtos estão cumprindo cada vez mais rápido. 

Se você souber de algum outro motivo para isso estar acontecendo além da ganância e abandono das práticas consagradas de Engenharia em prol do marketing e aumento das vendas, é só dizer nos comentários.

Obrigado por acompanhar o meu desabafo, eu precisava dizer essas coisas. 

Estavam entaladas na garganta há tempos...

Um abraço,

Jeff

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

O outro recall por risco de incêndio e o recall por falha do freio que você também não ficou sabendo

Continuando o assunto de ontem:

Por acaso você já tinha ouvido falar ou lido alguma coisa a respeito daquele recall das indian Chief Classic, Chief Dark Horse, Vintage, Chieftain, Chieftain Dark Horse, Springfield e Roadmaster na imprensa brasileira?

Nem uma palavrinha, né? Palavrinha nenhuma. É, eu costumava dormir nas aulas do professor Pasquale. Culpa dele.


Até a data da publicação desta postagem, não encontrei nem na imprensa, nem no próprio site da indian no Brasil e nem no site do clube de proprietários de motos Indian qualquer informação a respeito desse recall tão importante...

Ué, mas pela lei não é obrigatório convocar recall de segurança da maneira mais ampla e abrangente possível?

É o que diz claramente o Artigo 10º do Código de Defesa do Consumidor:

Código de Defesa do Consumidor, http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8078.htm Clique na figura com o botão direito para abrir ampliado em outra aba.

Resumindo, o responsável pelo produto E TAMBÉM os governantes são obrigados a fazer anúncios publicitários na imprensa, rádio e televisão alertando sobre o problema. Quaquaquá... alguém preocupado em alertar os consumidores... fabricantes e importadores de motos fazendo anúncio no rádio e na televisão para evitar que alguém morra comprando o produto deles... é raro, hein?


Quando uma empresa não faz publicidade de um recall e se limita a contatar apenas os proprietários originais, ela não atinge os proprietários de motos de segunda mão.

Sem informações, eles continuarão a usar um veículo potencialmente mortal na maior inocência.

É por isso que a lei determina o recall público e ostensivo — agir na moita é um desrespeito à lei.

Eles precisariam pagar para anunciar no rádio, tv, jornais e grande mídia na internet, mas nos próprios sites deles mesmos essa divulgação seria gratuita.

Não custaria nada, nada, nada simplesmente cumprir a lei.

E qual é mesmo o nome que se dá para o desrespeito à lei?

Que nome se dá a uma transgressão imputável da lei penal por dolo ou culpa, ação ou omissão?

Não vou dizer, porque se eu falar que o nome disso é crime, vão pensar em me processar.

Mas vão deixar de pensar rapidinho, porque eu digo isso há uns sete anos.

Já apelei ao Ministério Público Federal e até agora o pessoal da empresa responsável pela indian no Brasil não me processou.

Não me processaram porque não estou inventando nada e tudo está definido na Lei nº: 8.078/1990 no Artigo 10º e também no Artigo 64º: 
Imagem: Código de Defesa do Consumidor — Abra em outra aba que aumenta.

Acho que o Código de Defesa do Consumidor define bem o assunto:

Art. 64. Deixar de comunicar à autoridade competente e aos consumidores a nocividade ou periculosidade de produtos cujo conhecimento seja posterior à sua colocação no mercado:

Pena - Detenção de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos e multa.

Só para ficar bem claro, a cadeia prevista na lei não é para mim não, viu? 

É para os responsáveis por não divulgar o recall.

Aliãs...

Você ficou sabendo, ouviu falar, teve qualquer notícia dos outros dois recalls recentes da indian? 
Imagem e reportagem: http://www.moto.com.br/acontece/conteudo/indian-anuncia-recall-envolvendo-18-mil-motos-nos-eua-99033.html

Olha só, outro risco de incêndio, mas por outro motivo.


Engraçado que a reportagem brasileira diz que esse recall só afeta as motos nos EUA, né?


Vai ver que as motos que saem da mesma linha de montagem com o mesmo projeto e as mesmas peças são diferentes das que são enviadas para o Brasil e o mundo... 


Porque conforme a reportagem, o problema não está em um lote de produção, mas na programação da ECU, o módulo de controle do motor — a programação deu problema apenas lá? Difícil, hein?

Ou então vai ver que a nossa gasolina é tão ruinzinha que por aqui não tem perigo de a moto pegar fogo... Vai nessa.

Curiosamente, foi noticiado um terceiro recall que segundo o fabricante não se aplica ao Brasil:

Imagem e reportagem: https://wilsonroque.blogspot.com.br/2015/11/indian-faz-recall-de-7611-motocicletas.html

Noticiado apenas no blog do Wilson Roque e no MOTO.com.br, porque não encontrei nada na grande imprensa.

E um recall também por outro probleminha bobo, o freio traseiro pode falhar totalmente na hora em que você pisa no pedal — uma bobagenzinha, nada pra se preocupar.

Afinal, o que pode dar errado na hora em que você precisa do freio e ele não faz nada?


Diz o autor nos comentários do vídeo que a mulher dele caiu com a moto por falha do freio duas semanas depois de atender ao recall... 

Recall que foi feito lá fora também para as Scout que não estão na lista de modelos publicada no Brasil — pode ser que não tenham sido vendidas aqui, já que a vinda da indian é recente.

O autor do vídeo alega que inspecionaram e disseram que a moto deles não tinha problema e liberaram — e isso lá nos EUA / Canadá, onde recall é levado a sério, hein?


Não sei não, mas me parece que os recalls da indian não tiveram a consideração e a divulgação que mereciam aqui no Brasil.


Principalmente o Artigo 64.

Fico me perguntando o porquê...

A indian faz recall lá fora e todo mundo fica sabendo, e aqui no Brasil ninguém fala nada...

Será que isso tem alguma coisa a ver com a montagem e a comercialização dos produtos da divisão de motocicletas indian no Brasil ter sido feita pela dafra? Ih, falei o nome...
Divulgação: http://www.revistaduasrodas.com.br/site/noticia/visualizar/2085/indian_montara_cinco_modelos_no_brasil_e_planeja_mais

Você não fazia ideia de que as indian são montadas e comercializadas no Brasil pela famosa dafra?

Vai ver que é porque muito pouca gente na grande mídia deu destaque a essa informação.

Na época do lançamento ela apareceu na grande mídia numa frasezinha bem discreta quase no final da notícia, quando todo mundo já não está nem lendo mais.

Ou então noticiada bizarramente de maneira que dava a entender que apenas e unicamente o modelo Scout seria montado pela dafra:
Divulgação: https://carros.uol.com.br/motos/noticias/redacao/2015/10/25/nacional-scout-abre-portas-da-indian-no-brasil-por-r-49990.htm 

A notícia enfatizava a vinda da indian para o Brasil, mas dizia que apenas o modelo Scout seria montado pela dafra.

Por que ninguém disse que todos os modelos seriam montados e comercializados pela dafra?

Engraçado, até parece que alguém não queria que o pessoal soubesse dessa parceria indian-dafra.

Será que era para não queimar a imagem do produto?

Ué, mas porque alguém teria preconceito contra a dafra? 

Afinal, é uma empresa arrojada e criativa com tradição de dez anos no mercado e um histórico bem conhecido...

O fato é que a dafra não está por trás somente da indian — ela representa vários fabricantes mundiais.

Além da indian, ela traz ou trazia para o Brasil as motos da ducati, ktm, aprilia, tvs, zongshen, daelim, lifan, loncin, haojue... esqueci alguém?

Ah, sim. 

A dafra cedia parte das instalações para a bmw montar suas motos — mas em 2016 os alemães investiram em fábrica própria.

Seria o caso de se perguntar:

Será que esses recalls das indian com tão pouco destaque e divulgação têm alguma relação com a conhecida política de recalls da dafra?
Imagem: Lembra do grande recall que a dafra fez para a Kansas? Não lembra? Nem você, nem eu, nem ninguém. Disseram que era mau uso dos proprietários. Hondeiro, yamaheiro, suzukeiro, kawasakeiro não faz mau uso da moto, só os kanseiros.

Porque como todo mundo sabe, a dafra é recordista mundial em convocar recall para problemas em suas motos.

No caso, recorde negativo.

Se você pensou zero, nada, nicles, patavina... passou muito perto.

Encontrei quatro recalls na internet:

Em 2008 para a fixação do garfo dianteiro da Laser 150, outro em 2009 para a Super 100 para o parafuso de fixação do garfo traseiro

E teve um agora em dezembro de 2016 para as recém lançadas ktm devido ao risco de um curto-circuito no sistema de freios que pode derreter o tubo de freio, disseram eles.

Também fiquei sabendo de dois recalls brancos (não divulgados na imprensa, só foi atrás quem foi avisado por eles ou ficou sabendo), um para o rolamento de direção da Next em 2012 e outro para os magnetos do sistema de partida da Maxsym 400i em 2014.

Para trocar parafuso, magneto, rolamento e tubinho de freio a dafra faz recall... 

Mas para resolver o caso das Kansas se partindo ao meio, para começar a colocar a quantidade certa de óleo nos manuais e nas revisões evitando motor estourando na estrada, para isso ela não toma atitude nenhuma... Perguntei a Deus quando eles se emendarão e Ele não soube me dizer.

Será que o caso da falta de divulgação dos recalls das indian é mais uma vez a dafra fugindo de suas responsabilidades?

Isso explicaria esses recalls das indian não terem sido noticiados na imprensa, como manda a lei.

Afinal, a dafra nunca deu bola para detalhes insignificantes como a vida dos usuários de seus produtos.
Imagem e denúncia: http://www.revistamotoclubes.com.br/2011_05/Materia_2011_05_18_Kansas.htmhttp://www.revistamotoclubes.com.br/2011_05/Materia_2011_05_20_CurtaseGrossas.htm

Fico com essa dúvida:

Será que foi feita tão pouca divulgação dos recalls das Indian apenas porque poucas delas foram vendidas e todos os proprietários foram alertados diretamente?

Sem divulgação pública, como os proprietários de motos de segunda mão ficarão sabendo que esse recall existiu?

Eles precisam saber disso para que possam monitorar até mesmo as máquinas que passaram pelo recall a fim de detectar uma eventual recorrência do problema. 

Que garantia há que o recall tenha realmente resolvido e não apenas adiado a falha? 

Terão de aguardar um novo recall que não será anunciado publicamente?

Como fica a obrigatoriedade da divulgação determinada por lei? 

A lei não vale para a dafra?

Eles são melhores que alguém, estão acima do que as outras empresas são obrigadas a fazer?

Tenho o direito de questionar porque nada justifica a dafra se amoitar quanto ao recall das Indian.

Muito menos não fazer o recall das Kansas.

Afinal, a Kansas prova que a dafra nunca fez o recall de motos com problemas tão graves quanto esses das Indian, apesar de ter vendido dezenas de milhares de motos...

A fama da dafra a precede e ela não faz nada para melhorar. 

Fique ligado na segurança de sua moto, seja da marca que for, porque neste país tem fabricante que não está nem aí contigo — para eles, lei de defesa do consumidor é só para constar.

E recorrer às nossas autoridades pode ter resultados muito decepcionantes.

Mas esse assunto dos recalls por problemas graves da indian, polaris e outras empresas não acaba aqui não.

Se você se surpreendeu de saber que tem muita moto recém lançada no mercado com chance de pegar fogo por falha do projeto, acompanhe as próximas postagens.

Vem muita coisa cabeluda por aí de honda, yamaha, suzuki, kawasaki, bmw, harley... tem para todos os gostos.

Amanhã eu volto para falar de outro recall muito sério de outro produto de outra divisão da mesma polaris, os quadriciclos Ranger.

Você pode achar que o assunto não te interessa porque você não tem nem pretende ter um quadriciclo...

Mas te aconselho a ler porque tem muita relação com a postagem de hoje e com as de quinta, sexta e sábado que irão encerrar o assunto e amarrar todas as pontas.

Um abraço,

Jeff

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

O mega recall das motos da indian que você não ouviu falar

Você soube do mega recall das motos da indian?

Agora em dezembro a Indian Motorcycles convocou no mundo todo o recall de quase todas as suas motos, exceto as Scout.


São todas as motos fabricadas a partir de 2013 (já modelo 2014) caracterizadas pelo tradicional paralamão equipadas com o motorzão esfriado a ar Thunder Stroke 111 (1.820 cm3):
Imagem: http://www.indianmotorcycle.com/pt-br e http://www.indianmotorcycle.com/en-us/2016

Detalhe importante:

Todas elas foram produzidas a partir da aquisição pela canadense norte-americana Polaris e a revitalização da tradicional marca norte-americana Indian em 2013 — falarei disso nas postagens de amanhã e depois. Eu disse canadense? Não, você se enganou.
Reportagem: https://rideapart.com/articles/indian-motorcycle-issues-recall

Ficou claro?


Tirando as Scout que usam paralamas modernos e motores de menor cilindrada (1.130 cme 980 cm3) com arrefecimento líquido, o recall inclui TODAS AS MOTOS DE TODOS OS OUTROS MODELOS DA INDIAN fabricados desde 2013 (já modelos 2014) incluindo os modelos 2017.


É isso aí.


O projeto do motorzão nasceu com uma falha potencialmente mortal e que surge depois de algum tempo.


Os projetistas se esqueceram de levar em conta ou se viram obrigados a projetar um motor onde o tubo de alta pressão de combustível da injeção eletrônica passa muito rente ao motor.


Não sei se você sabe, mas o motor da motocicleta vibra, né?


Então tudo que passa encostado ou muito perto demais do motor vibrando pode acabar danificado por causa do atrito. 


Depois de muita abrasão, esfrega-esfrega e roça-roça o tubo de combustível não consegue mais conter a intensa pressão dentro dele e deixa escapar um jato potente, um esguicho interminável que deixa molhados o cabeçote quente e o 
escapamento esbraseado. Hummm... isso ficou muito estranho...

Gasolina aspergida óiquichiqui em cima do motor em funcionamento pode significar fogo no meio das pernas e nesse caso esse fogo ali não é uma boa. Não mesmo. 


Porque entre suas pernas estará o tanque de combustível doido de vontade pra explodir na sua cara — imaginou a cena?

É mais ou menos assim:
Imagem ilustrativa: delawareonline.com 
Parece uma indian, mas não é. A finada — que Odin a receba em seus manetes — é (era) uma honda Gold Wing. 
Aparentemente não é uma das 145.219 Gold Wings que foram chamadas para recall por risco de incêndio porque o problema afetava supostamente apenas o freio traseiro. Falarei mais sobre esse caso na postagem de sexta-feira.

Depois que uma motocicleta pega fogo é praticamente impossível impedir a perda total — ou evitar perder o controle da moto no meio da rodovia.

Você na estrada a 120 km/h, de repente o calorzinho vira um calorzão... bate o desespero de o tanque ameaçar pegar fogo, perder a moto sem seguro, você não pode pular fora por causa da velocidade...

Sua batata não só da perna assando e você não pode parar a moto de bate-pronto... ou então a moto bate e pronto. De todo jeito você tá na roça.

Como se vê, não prever que o combustível iria vazar mais cedo ou mais tarde foi um errinho bobo de engenheiros cujo trabalho é não cometer errinhos bobos.

Não prever espaço suficiente é uma contingência difícil de contornar porque isso é definido muito cedo no projeto.

Depois da autorização para tocar o projeto, os engenheiros precisam se virar para empacotar uma infinidade de sensores e cacarecos eletrônicos de última geração que até ontem não existiam.

Tudo atulhado naquele mesmo espaço apertado das motos de antigamente. E elas só tinham o carburador e mais nada.

A impossibilidade de os engenheiros anteciparem problemas como esse da indian tem uma explicação:


Na hora de projetar a moto na tela do computador o motor não vibra, não esquenta e nem pega fogo.

Tudo fica muito lindo no papel e na telinha.

Mas no mundo real o bicho pega, e pega pra valer.


Faz muita falta no mercado aquele bom professor de Projetos Industriais que 
logo no primeiro dia de aula orientava seus alunos sobre os cuidados com a dilatação térmica, a vibração e a fadiga dos componentes mecânicos... Obrigado, meus mestres!

E nem sempre é possível conciliar interesses conflitantes — o motor tem que caber naquele espaço senão será necessário alterar o quadro, o que atrasaria o lançamento, daria um baita prejuízo, deixaria os acionistas insatisfeitos, cabeças rolariam.


Problemas como esse não são inéditos na indústria de motocicletas, que o digam os proprietários de kasinski hyosung Comet e Mirage 250 e suas mangueiras de combustível...

Acontece quase a mesma coisa, mas o atrito é com o quadro a caixa de ar e a gasolina escorre por ele — que eu saiba nenhuma Comet ou Mirage pegou fogo por causa disso e a kasinski nunca fez o recall.


Você encontra os detalhes e fotos desse problema das Mirage na postagem do blog do Vinícius: Leão e Sua Moto, O Primeiro Charme de Agnes.

O assunto está bom, mas a postagem ficou muito longa, então vou continuar amanhã com os outros recalls da dafra indian que você também não ouviu falar.

Até lá e um abraço,

Jeff