domingo, 6 de agosto de 2017

Pessoas doentes no trânsito

Aconteceu ontem na avenida perto de casa.

O motorista à minha frente invadiu a contramão e deu um grande susto ao motociclista com garupa em sentido contrário.


O carro parou no semáforo e emparelhei com ele, pedi que abrisse a janela para uma pequena conversa.


Era um senhor na casa dos 70 anos.


Seguiu-se o diálogo:


— O senhor
fechou aquele motociclista. Uma moto pode cair se frear de repente, sabia?

Resposta do cidadão:


— O senhor é motoqueiro, não sabe dirigir carro... o carro da frente deu seta que ia parar e eu abri pra passar, foi só isso.


— O senhor invadiu a contramão sem necessidade e colocou a moto em perigo!


— É claro, eu tive que abrir, o carro deu seta que ia parar!


— Não precisava invadir a contramão! Havia espaço pra passar! 
Se um carro parar na sua frente, isso não te dá o direito de invadir a contramão!

Ele deu aquela risadinha de quem se acha, fechou a janela e o trânsito andou, e não localizei nenhuma viatura que pudesse pará-lo.

E mesmo que achasse, eu nem teria o que alegar... barbeiragem não é crime.

De qualquer forma, a esposa estava ao lado dele e ia se encarregar de aplicar o devido e merecido sabão.

O que passa na cabeça de um senhor de 70 anos?


Que ele está certo e todos os outros estão errados — mas não é assim que todos nós pensamos?


O problema é que ao chegar a uma idade, algumas pessoas podem perder completamente o senso.


Seja permanentemente pelo envelhecimento do cérebro, seja momentaneamente por doenças que afetam a capacidade de julgamento, como diabetes.


E penso que talvez fosse o caso dele, uma crise de diabetes atrapalha o raciocínio e pode causar perda progressiva da noção, e até chegar à perda total de consciência ao volante (ou guidão).


A pessoa não percebe o que está fazendo e pode até desmaiar completamente: 


Situações como essas são mais comuns do que se imagina, o que ocorre é que o pessoal acha que o motorista está bêbado.


Um caso ainda mais grave, ele pode estar tendo um derrame:



Já passei pelas duas situações, crise diabética e AVC, felizmente não estava pilotando nem dirigindo.


Mas a consciência vai desaparecendo aos poucos, como visto nos vídeos, e você só percebe claramente que não está no seu normal quando a coisa fica crítica — no comando de uma moto ou carro, as coisas ficam críticas muito rápido.


Então fica aqui mais um alerta (de novo):

Pilote sempre preparado, alimentado corretamente conforme sua condição de saúde para evitar uma crise por falta de açúcar (hipoglicemia) ou excesso dele (crise diabética).

E nunca confie que o outro condutor esteja em pleno domínio e controle do veículo.

Se ele estiver com o raciocínio afetado pela idade ou por uma doença, poderá fazer manobras absurdas e ainda achar que está coberto de razão.
Imagem e reportagem: http://g1.globo.com/bahia/noticia/idosa-de-78-anos-que-dirigiu-carro-em-calcada-da-orla-de-salvador-diz-que-se-confundiu-com-piso.ghtml

Bônus:
Caso identifique alguém sofrendo um derrame (AVC), o socorro precisa ser imediato para minimizar as sequelas. (Quando eu apaguei de vez, já tinha sido levado ao pronto-socorro, e pude voltar a andar e pilotar normalmente em uma ou duas semanas.)

Quanto mais tempo o socorro demorar, maiores serão os danos cerebrais, e se o AVC não for contido, a vítima poderá morrer em poucas horas.

Mesmo que ela diga que está bem e não precisa ir ao médico.

Um abraço,
Jeff

12 comentários:

  1. Sou leitor assíduo do blog. E gostaria de saber se no mundial de motovelocidade as equipes usam o nível ideal de oleo e a durabilidade desses motores

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    1. Olá, leitor.

      Não tenho essa informação, mas tenho motivos para acreditar que eles usem o nível mínimo de óleo para diminuir o atrito e melhorar o desempenho.

      Quanto à durabilidade, pesquise no google por "motogp engine blown".

      Os estouros de motor são tão frequentes que a partir de 2010 as trocas foram limitadas ao uso de 6 motores por temporada:

      http://www.autosport.com/free/feature/2934/the-problems-with-motogp-engine-limits/

      Um abraço,
      Jeff

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    2. Como o objetivo das equipes é ganhar o campeonato, para eles o nível ideal de óleo não é o ideal para a longa vida do motor, mas apenas o suficiente para obter a pontuação máxima sem exceder o limite de motores.

      Um título mundial representa aumento nas vendas da marca, vale a pena sacrificar o valor de alguns motores em troca disso.

      Já as motos de mercado, bem... não são eles que pagam a conta, somos nós.
      Eu de novo,
      Eu

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  2. tem um monte de gente assim, aquele povo que chega na idade do "eu tô velho eu tô certo"

    já passei por algo assim, parei no semáforo e o velho de carro atrás olhando pra cor do farol com o focinho enfiado no volante veio vindo, veio vindo e pá, me derrubou da moto, sorte que do outro lado da avenida estavam 2 policiais de moto.

    o velho tentou jogar a culpa em mim dizendo que eu tinha vindo de ré mas eles viram e deram aquela mijada nele, pra ele prestar mais atenção e tals, o velho deve ter ficado uns 3 dias no sol pra se secar depois.

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    1. Desculpe, Patrick, tive de dar risada...
      A desculpa do velho de que a motocicleta veio de ré não deu pra segurar...
      É um bom exemplo de como a capacidade de julgamento fica afetada,a pessoa não percebe o ridículo do que está falando.
      Aliás, nem percebe que está mentindo descaradamente.
      Ainda bem que não vou chegar a essa idade.
      Um abraço,
      Jeff

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    2. Patrick, passo por isso semanalmente.
      "Eu sou velho e tenho mais experiencia".

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  3. Aconteceu com minha esposa há algum tempo... O senhor não quis pegar a faixa da esquerda exclusiva para conversão à esquerda pois a fila estava grande, e resolveu parar no meio da avenida, com a seta ligada enquanto o fluxo seguia normalmente por aquela faixa e a outra da direita. E ele ficou ali até o semáforo para conversão abrir. Estava chovendo, e freando no susto minha esposa fez a moto derrapar e tombar. Nada sério, mas no sentido contrário tinha duas motocicletas da polícia que vieram na hora, deram aquele fumo no homem, e como estava tudo bem, ficou por isso mesmo...
    A pessoa vai ficando meio caduca e vai criando suas próprias regras na cabeça, e isso somado à diminuição dos reflexos e da capacidade de julgamento, pode ser extremamente perigoso... Meu avô dirigia até os 90 anos de idade, a maior parte das vezes escondido da família. Todos tentavam evitar que ele saísse no trânsito, mas muitas vezes era impossível, ele saía mesmo sem carteira e documentos, pegava estrada pra ir pra roça, mesmo sem boas condições pra isso...

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    1. Olá, Péricles!

      "A pessoa vai ficando meio caduca e vai criando suas próprias regras na cabeça, e isso somado à diminuição dos reflexos e da capacidade de julgamento, pode ser extremamente perigoso..."

      É exatamente isso, a pessoa se torna incapaz de avaliar as consequências dos seus atos, e acaba colocando em risco a si mesmo e, principalmente, a nós motociclistas.

      Um abraço,
      Jeff

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    2. Ainda bem que nada de mais grave aconteceu com sua esposa.

      Pelo menos ela teve a satisfação de ver o corretivo aplicado na hora.

      Infelizmente, ele também se esqueceu do corretivo na mesma hora...

      Até mais,
      Eu de novo

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  4. No trânsito, tudo pode acontecer. Que Deus nos proteja.
    Pilotar moto é ótimo mas não estamos sozinhos, tem um monte de gente em nossa volta com veículo maiores, pesados e perigosos. Cada um tem uma explicação para o acidente, ninguém é punido e apenas o mais fraco se ferra.
    Respeito aos limites do veículo, do trânsito e do corpo é a regra de ouro nesta convivência.
    Abração.

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    1. É bem por aí, José Carlos!

      Esta semana mesmo meu pai, 82 anos, estava indignado com alguém que causou um acidente e foi liberado após pagar fiança.

      Queria pena de morte para o motorista, com direito a tortura e execução sumária, mais tortura, seguido de mais um fuzilamento, aquele papo careta de sempre.

      Ele não percebe que se ele ainda dirigisse, poderia ser ele mesmo o causador daquele acidente... e aí, como ficaria o discurso?

      Ainda bem que esse perigo nós não corremos. Pelo menos, não da parte dele, porque não dirige mais e não corremos o risco de ele pegar minha moto e sair por aí, ele odeia motos.

      Dou graças a Deus...

      Um abraço,
      Jeff

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