terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Vou me aposentar de falar do óleo... segue mais um vídeo autoexplicativo.

O Pedra Veloz leitor velho de guerra, a quem agradeço muito, muito mesmo, encontrou mais um vídeo de Mecânico Honesto.

Ele mostra e explica o estado de um motor de honda CG 150 cujo proprietário não leu o manual (ou se leu, leu por cima) e acreditou na conversa do óleo e não imaginou que ele sumia do cárter (ou se esqueceu de conferir mesmo).

Parece que ele acreditou que o óleo maravilhoso permitia rodar 4 mil km sem se preocupar com o nível nem repor o óleo.

Em uma moto nova a coisa demora um pouco mais para aparecer. Mas em um motor rodado, a coisa vira um vapt-vupt.

Deu no que deu:



Parabéns ao mecânico do canal Duas Roodas (não descobri o nome dele) — merece ganhar muitos clientes por atitudes como essa.

As imagens não ficaram muito evidentes para quem não conhece as peças em estado de novas, mas eu explico.

O que ele quis mostrar é que aquelas peças ou estão muito riscadas ou estão com folgas irrecuperáveis por desgaste excessivo.

Isso não tem jeito, só trocando peças muito caras e que estão à venda somente na concessionária.

O tensor da corrente é feito de plástico que suporta grande quilometragem trabalhando em temperaturas elevadas, mas só até um certo limite, precisará ser trocado em uma revisão preventiva. Talvez aos 50 mil km, não tenho certeza.

Ele se resseca e se desgasta com o uso, mas se ressecará e se desgastará muito mais rápido se o motor trabalhar em temperatura anormal devido ao pouco óleo.

Peças riscadas enfraquecem o motor porque não permitem boa compressão antes da explosão, parte da energia da explosão vaza para o cárter em vez de empurrar o pistão.

Peças com riscos e desgastadas aumentam o atrito interno do motor, roubando energia que iria para as rodas e transformando em calor. 

Mais calor evapora o óleo ainda mais rápido e é por isso que você precisa conferir o nível e repor o óleo cada vez com mais frequência quanto mais rodada for a sua moto.

Fazendo uma economia besta você cairá que nem um pato por não cuidar direito do seu motor.

Sim, economizar míseros 20 reais de óleo pode te custar bem mais do que 1.000 reais em um conserto...

Pode até colocar sua vida e a vida de sua garupa em perigo, porque a quebra de um pistão pode travar o motor junto com a roda traseira ou estourar a carcaça e vazar óleo na frente do pneu, aí é tombo certo.

Segue foto mostrando vários estágios de desgaste do pistão para você visualizar melhor.
Imagem: http://www.laskeyracing.com/shop/breakin.htm — O site da Laskey Racing é especializado em preparação de motores e fornece algumas dicas interessantes para quem gosta de mecânica automotiva.

Os pistões acima mostram o que acontece em um motor funcionando com aquecimento excessivo.
Imagem: http://xlforum.net/vbportal/modules/Jig/index.php

A saia (parte de baixo do pistão) se dilata mais que o esperado e acaba atritando com a parede do cilindro, deixando riscada sua superfície perfeitamente usinada.

Nem sempre dá para retificar ou trocar só a camisa (o revestimento interno do bloco do cilindro — nem todo motor usa camisas substituíveis). 

Aí a bobeira fica ainda mais cara.

Essa parede do cilindro originalmente não apresenta nenhum risco vertical, é quase espelhada.

Todo motor com o uso acaba riscando o cilindro, e o principal causador disso são as partículas em suspensão no óleo usado presas aos anéis do pistão. Daí a necessidade de trocar com boa frequência para não deixar acumular uma quantidade excessiva de sujeira dentro do motor.

Mas o aquecimento que chega a dilatar a saia do pistão acelera muito esse processo, porque as partículas presas entre o pistão e o cilindro e a sua própria superfície em contato direto atuarão como uma lixa a quase 10 mil ciclos por minuto.

E o aquecimento adicional resultante desse atrito aumentará ainda mais a temperatura, podendo fazer o pistão se derreter, o famoso "fundir o motor".

Riscos verticais permitem a passagem de óleo do cárter para a câmara de combustão onde ele é queimado, vira fumaça e desaparece do cárter.

O processo de sumiço do óleo é cada vez mais rápido quanto maior a quilometragem da moto. E é por isso que a garantia dura apenas o tempo suficiente para esse desgaste e consumo excessivo de óleo não se tornarem evidentes e chegarem a dar problema. 

Normalmente dá certo, os pipocos estouram só na mão dos clientes. Mas aí você junta um óleo 10W-30, concessionária colocando só o mínimo de óleo e proprietários levados a pensar que o óleo é mágico para durar 4, 5 ou 10 mil km, além de uma picaretagenzinha nova que descobri e que estou investigando para uma nova postagem suculenta, e você tem o quadro atual de clientes chutando moto na porta das concessionárias...

Note que o site da Laskey informa que os danos nos pistões mostrados na foto ocorreram por mistura excessivamente pobre (pouca gasolina em proporção ao ar aspirado pelo motor), o que provoca aquecimento e dilatação excessivos do motor.

Mas o aquecimento e dilatação excessivos com sintomas de desagste praticamente idênticos também ocorrem quando o óleo não lubrifica adequadamente o cilindro.

E ele não cumpre sua função ou porque está muito fino por atingir uma temperatura mais elevada que a prevista, ou porque já começou com uma viscosidade muito baixa... 

Mesmo que a mistura esteja bem proporcionada, problemas ocorrem por causa do uso de pouco óleo no cárter (dificultando o resfriamento do motor) e do uso de um óleo de uma viscosidade baixa que diminuirá ainda mais porque o motor está se aquecendo mais do que deveria...

A soma dessas duas é a pior condição possível para o motor.

E é isso que você, a concessionária ou a oficina fazem quando colocam apenas a quantidade recomendada pelo fabricante sem atentar para o nível do óleo e você não descobre por fazer a medição do jeito errado amplamente divulgada que eu vivo denunciando.

Mesma coisa quando não repõe o óleo consumido porque acredita que está usando um óleo mágico supermegapower que permite rodar metade do Brasil sem se preocupar com o nível dele. Afinal, o vendedor falou que valia a pena pagar mais caro porque o novo óleo oferece a melhor proteção para garantir a longa vida do motor, não falou?

Não caia nessa, a propaganda diz uma coisa e a realidade é outra.

Se você não cuidar direito da sua moto fiscalizando o trabalho das concessionárias desde a entrega da moto e em todas as revisões, ou da oficina a cada troca de óleo, e se não inspecionar e repor o óleo consumido conforme necessário, você dança e dança bonito.

PS: A postagem sobre descarbonização, flush e eliminação de borra foi transferida para amanhã devido a este vídeo enviado pelo Pedra Veloz. Agradeçam a ele!

Um abraço,

Jeff

domingo, 4 de dezembro de 2016

Depois deste vídeo, não preciso falar mais nada sobre o óleo da moto nunca mais...

Mas bah, me conheço, sei que não vou parar...

Este vídeo me foi indicado pelo leitor Walter Vecchi, a quem agradeço imensamente!

Assista este vídeo do Furlani e veja (e ouça) a confirmação de tudo que sempre foi dito aqui no blog!

A tampa do cabeçote desta honda CG 150 sempre revisada em concessionária é aberta e, para minha alegria (e tristeza do dono), olha só que coisa pavorosa de se ver:



Parabéns ao Furlani por mais esta iniciativa de denunciar essa prática danosa das montadoras que vai contra todos os princípios éticos pelas quais elas deveriam se pautar.

É por adotar esse óleo inadequado, esses prazos de troca absurdamente longos e permitir que suas concessionárias entreguem as motos aos proprietários com menos óleo do que seus engenheiros recomendam — enquanto posa de dedicada a 'oferecer o melhor óleo para prolongar a vida útil do motor' — que a honda deixou de ser Honda.

(E não se iluda: yamaha, suzuki, kawasaki, bmw, triumph, traxx, kasinski... todas elas perderam as maiúsculas faz tempo. A dafra nunca teve.)

Viu que beleza que fica o motor usando apenas 1 litro do óleo semissintético mágico 10W-30 e rodando os 4 mil km do intervalo de troca recomendado pela fábrica?

(E olha que semissintético resiste melhor à temperatura do que o óleo mineral, hein?)

Ouviu o que o Furlani disse e eu concordo 100%?

Que o interesse dos fabricantes está em você gastar o seu dinheiro comprando peças e fazendo serviços com eles?

Acabando logo com o motor para você comprar outra motocicleta nova?

Aquele cara dizendo isso no vídeo não sou eu não...

É muito bom saber que não estou sozinho nessa briga.

Além do Furlani e do Madeira, Mecânicos Profissionais, vários leitores também estão ajudando a divulgar essas picaretagens do mercado e abastecendo o blog com novas informações!

Nada se iguala à minha alegria neste momento!

Agora fico só imaginando a cara de bocoió daquele pessoal que sempre defendeu com unhas e dentes a honda e demais fabricantes...

Vá nessa onda de acreditar piamente nas montadoras e sua moto ficará do mesmo jeito que essa aí...

Eu queria ter gravado a reação dos mecânicos da concessionária dafra que fizeram a revisão de 6 mil km da minha Kansas 150 — a única que fiz depois de comprar a moto.

Eu comprei a Jezebel com pouco mais de 3 mil km do casal Lobo & Loba, que sempre a trataram com mais 200 ml de óleo do que o fabricante manda. Fui buscar em Volta Redonda (ela é carioca, ela é carioca... basta o jeitinho dela andar...)

Foi nessa primeira viagem que descobrimos que ela precisava era de 400 ml adicionais ao 1 litro falado no manual, mas a baixa quilometragem não chegou a comprometer significativamente o motor.

Naquela revisão de 6 mil km, os mecânicos ficaram admirados que o motor da Jezebel estava limpo, não tinha borra...

Eles nunca tinham visto um motor assim lá na concessionária...

Detalhe: 

Jezebel sempre usou a quantidade correta de óleo mineral 20W-50 trocado de mil em mil km.

Pois é...

Depois disso a motinho já morou em Santo André, Biritiba-Mirim (SP) e São José (SC).

Comigo ela conheceu Rio de Janeiro (de novo), Ilhabela, Foz do Iguaçu e Puerto Iguazu, Paraty, Florianópolis, São Joaquim, Imbituba, Novo Horizonte, Joanópolis, Águas de São Pedro, Americana, Sumaré, Itupeva, Bragança Paulista, Campinas, Santa Bárbara do Oeste, Serra Negra, fora outras, e continua lépida e fagueira. Não foi graças à dafra.

Hoje Jezebel está na casa dos 95 mil km com cabeçote, pistão e cilindro originais (só precisei trocar o câmbio porque extrapolei o peso máximo em viagens várias vezes).

Sabe porque a CG do vídeo tem tanta borra e aquele vazamento pela tampa do cabeçote?

Porque o aquecimento excessivo devido à pouca quantidade de óleo deforma a guarnição de borracha... além de queimar o óleo e formar borra.

Borra é óleo queimado. E o óleo queima porque o cabeçote se aquece muito, e o cabeçote se aquece demais quando o motor trabalha com pouco óleo e/ou óleo de viscosidade inadequada.

Já minha moto não vaza óleo pela tampa. Nem junta borra.

[Espaço reservado para a foto que alguém vai tirar do cabeçote da minha moto porque eu não tenho câmera fotográfica nem smartphone graças a Deus e ao meu vizinho malandro que fez a limpa do apartamento lá em São José.]

[Enquanto essa foto atual não vem, olha o cabeçote da Jezebel aberto quando ela tinha aproximadamente 62 mil km (55.907 no velocímetro + uns 6 mil que rodou sem cabo) o Daniel trocou o câmbio. Borra quase inexistente e nenhuma crosta]:
Imagem: Feita pelo Daniel na época da desmontagem para troca do câmbio. Outros detalhes na postagem sobre descarbonização do motor de 11/092014

Se o motor dessa honda CG 150 usasse 1,2 litro de óleo a cada troca, se usasse um óleo de viscosidade adequada à temperatura daquela região, e se o óleo consumido fosse reposto a cada 200 ml consumidos para permanecer dentro da faixa de segurança da vareta medidora...

Se fizesse tudo isso, o vídeo do Furlani seria para elogiar o estado maravilhoso do motor e não para mostrar toda essa borraiada.

Fiquei muito contente vendo esse vídeo, você nota, né?

E perdoe minha atitude mesquinha e um pouco vingativa, mas merecidamente curtida:

Aproveito para dizer para aquele fã de carteirinha dos fabricantes que ainda duvida deste blogueiro e não se convence nem mesmo vendo esse vídeo:

Continue a acreditar cegamente nos fabricantes, continue a colocar apenas a quantidade recomendada sem atentar para a complementação, continue a fazer a troca a cada 3 ou 4 ou 5 ou 10 mil quilômetros... 

Continue substituindo o filtro de óleo a cada trocentas trocas a cada trocentos mil km...

A moto é sua, você merece, seja feliz. Hehehehe

Um abraço a todos os leitores, menos a esses aí que eu falei por último,

Jeff :)

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Youtubers ofendidos que não reconhecem seus erros

A gente passa alguns dias sem poder entrar na internet e quando volta encontra uma dúzia de comentários irritados do autor do vídeo da troca de óleo que falei outro dia.

Postei todos.
Bom, vamos lá:

Caro Rengaf 2 rodas:

Eu não te expus, eu somente postei o seu vídeo e apontei os problemas que podem surgir por causa do seu vídeo e de outros similares ao seu.

"Postei sem a sua ciência"? 

"Me processar porque peguei o "seu" vídeo"?


Vou te explicar algumas coisas básicas.

Você postou seu vídeo no youtube usando a licença padrão do youtube:
Ao fazer isso, você abriu mão da propriedade do vídeo, ele passou a ser propriedade do google, que é o dono do youtube.

Em troca, o google está te pagando uns trocados proporcionais ao número de visualizações que o "seu" vídeo recebe.

Conforme essa licença que você não leu, qualquer usuário do serviço do youtube pode reproduzir / compartilhar (share) o "seu" vídeo — desde que não pratique nada condenável perante a lei e as regras de uso do youtube.

Visualizações do "seu" vídeo no meu blog entram na sua conta, são contabilizadas para você.

Sua irritação não faz sentido, você está ganhando views com o meu blog, está reclamando do quê?

De ter sido "exposto"?

Desculpe, mas... 

Foi você quem tomou a decisão de se expor publicando um vídeo com problemas que você não percebeu.

Em vez de reclamar, a atitude adulta seria reconhecer o que está errado e argumentar educadamente defendendo seu ponto de vista.

Idealmente, providenciar um novo vídeo mais rico com o conteúdo adquirido nessa troca de ideias.

Desculpe novamente, estou pedindo demais.

"O cara (sem noção doido pra leva(r) um processo) vem fala(r) que toca(r) no óleo dá câncer."

Não sou eu quem fala, é a honda e mais uma pá de fabricantes quem fala isso em todos os seus manuais técnicos:
Fonte: Qualquer manual de serviços da honda e de outros fabricantes

Como você vê, não sou sem noção e nem sou doido.

Apenas desconhecia que você não acredita que o contato frequente com óleo usado pode causar câncer de pele.

De qualquer forma, desculpe novamente por te avisar. 

Por mim você pode até nadar em óleo usado, não estou nem aí, não é problema meu — só me preocupo em levar conhecimento aos meus leitores.

Naquela postagem, em nenhum momento eu me referi a você ou dei a entender que você seja um "babaca".

Você entendeu dessa maneira.

Quanta irritação injustificada. 

Você precisa melhorar sua autoestima, rapaz.

Por aí falam coisa muito pior deste blog e explicitamente a meu respeito e não me incomodo — estou com a minha consciência tranquila porque não sou eu quem está fazendo um papel lastimável.

Se me apontam algum erro real meu, admito e publico retratação aqui no blog.

Caso você não tenha algum argumento para usar além desse 'eu faço e não dá problema', sinto muito.

Você fazer e não dar problema não quer dizer que outras pessoas não terão problemas sérios por conta do que você não considerou ao publicar o seu vídeo.

Aproveitando, deixa eu falar:

Seu vídeo tem mais um problema grave que não comentei na outra postagem, mas fui lembrado pelo leitor Allt:

Ao esvaziar o radiador, o motor da moto de quem fizer esse procedimento, mesmo que faça tudo certo e não perca nenhum o-ring, irá funcionar por muito tempo a seco enquanto o filtro e o radiador são preeenchidos de óleo.

E nunca é demais lembrar, trabalhará com menos óleo do que o recomendado pelo fabricante porque você não leu o manual do proprietário nem fez o procedimento da maneira correta — não ligou e desligou o motor para medir o nível após a troca.

Não completou o óleo até atingir o nível máximo recomendado pelo fabricante.

Ao recomendar colocar apenas a quantidade da carcaça, você errou feio duas vezes.

São duas coisas que só servem para abreviar a vida útil do motor.

Mas como você disse, Rengaf 2 rodas, a moto é sua e você faz o que quiser com ela.

Por mim você pode continuar fazendo o que você quiser com a sua moto até o dia em que isso te der problema.

Só não induza outras pessoas a fazer coisas erradas.

Quer ensinar alguém, tenha a responsabilidade de publicar um vídeo no mínimo correto e respeitando o procedimento básico determinado pelo fabricante.

Quer enfatizar a "grande sacada" de esvaziar os dutos e o radiador de óleo?

Tenha a responsabilidade de atentar para as consequências e pelo menos alertar àqueles que seguirão suas dicas sobre os riscos envolvidos e como evitá-los.

Por exemplo, oriente sua audiência sobre a necessidade de colocar mais óleo do que o recomendado na carcaça — afinal, é você quem está apontando o dedo sujo de óleo para o número ali gravado.

Oriente sua audiência sobre a necessidade de medir o nível de óleo da maneira correta para que eles não entrem numa fria por tua culpa — afinal, foi ideia sua postar um vídeo orientando o pessoal a fazer isso.

"Cuidado com o processo nas costa(s)"?

Você fez o que fez, postou um procedimento totalmente problemático em desacordo com o fabricante da motocicleta — e vem no meu blog me chamar de "sem noção doido pra leva(r) processo"...

E eu é que tenho de ter cuidado para não ser processado?

Não tenho o menor receio.

Não fui eu quem te expôs, foi você mesmo no "seu" vídeo e em uma dúzia de comentários aqui no meu blog. 

Mais fácil é alguém te processar por recomendar 1.350 ml de óleo no motor depois de fazer um procedimento de esvaziamento do radiador de óleo onde essa quantidade não será reposta.

Sabe, ao estimular dezenas de milhares de pessoas a fazer um procedimento de troca de óleo incorreto e desautorizado pela fábrica que potencialmente irá danificar os motores, você está assumindo essa responsabilidade.

Um bom conselho:

Tenha cuidado com os processos nas costas.

Seja feliz,

Jefferson

Aviso aos leitores — novo email para contato

Olá, pessoal!

Meio afastado por estes dias, mas está tudo bem.

Bom, tudo bem, daquele jeito, né?

Volto a postar quando for possível...

Mas o motivo de eu estar aqui hoje é que meu gmail está com a caixa de entrada entupida e não consigo livrar espaço.

Apaguei uma tonelada de mensagens com anexos e continua bloqueada, então quem quiser se comunicar comigo, por favor, use o novo email:

jefferson.tradutor@hotmail.com

Desculpe o inconveniente, estou atualizando também naquelas postagens onde eu menciono o email.

Um abraço,

Jeff

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Que brasileiros são esses?

Que tipo de gente (gente?) são esses donos de smartphones que falei na postagem passada?
Imagem e reportagem: http://g1.globo.com/sp/piracicaba-regiao/noticia/2016/11/nao-socorreram-meu-marido-para-gravar-video-diz-mulher-de-vitima.html

É isso que me desanima e me faz ter vontade de fechar janelas, olhos e ouvidos para o mundo.

Um abraço,

Jeff

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

O problema gravíssimo dos vídeos de dicas da internet

Dicas e procedimentos de troca do óleo veiculados na internet são na maioria das vezes bem intencionados...

Infelizmente, também na imensa maioria das vezes trazem mais prejuízo (e risco de vida) do que qualquer vantagem prática.

Veja este vídeo curtinho sobre a troca do óleo de motos do tipo yamaha (mas aplicável a qualquer moto com radiador de óleo):



O autor destaca os pontos que ele considera principais — soltar os tubos que conectam o cárter ao radiador de óleo, limpar os alojamentos do filtro, prestar atenção à posição correta de instalação do filtro, e enfatiza a colocação da quantidade gravada na carcaça.

Para começar, o autor do vídeo gasta um bom tempo mostrando um inútil "teste de viscosidade" do óleo contaminado com os dedos.

Ele não sabe que o contato frequente com óleo usado causa câncer de pele.

A principal recomendação do autor do vídeo — soltar os tubos entre o cárter e o radiador a fim de eliminar totalmente os restos de óleo velho — é causadora potencial de um problema extremamente grave:
Imagem: Comentários no próprio vídeo.

Aí você me pergunta:

O-rings? O que são O-rings?

O-rings são aneizinhos de borracha que fazem a vedação entre os tubos e a carcaça do motor.
Imagem: http://www.gaxetas.com.br/content/produtos/Categoria.aspx?id=23

Ao serem instalados, eles se deformam para se adaptar e vedar perfeitamente a conexão.

Poderão não vedar perfeitamente se forem reinstalados — daí a recomendação de serem trocados por novos todas as vezes que forem removidos.
Imagem: http://www.gaxetas.com.br/content/produtos/Categoria.aspx?id=23

Um pequeno vazamento por esses O-rings poderá não ser percebido porque irá acontecer somente com o motor em funcionamento.

Além disso, existe outro risco ainda mais grave:

O-rings são pretos e muita gente nem imagina que existem.

Não são colados — não podem ser colados — mas apenas encaixados nas conexões como se fossem arruelas.

Ao soltar os tubos para drenar completamente o óleo, os O-rings pretos irão cair e desaparecer no meio do óleo usado preto que será descartado.

Na hora da montagem o proprietário leigo, o mexânico experiente e o mecânico distraído irão se esquecer desses dois pequenos detalhes e parafusar os tubos sem os anéis de vedação.

Com a vibração do motor não amortecida pela borracha, os parafusos irão se afrouxar e permitir o vazamento de todo o óleo bombeado até o cárter ficar completamente seco.

Todo parafuso que você solta em uma moto correrá o risco de se afrouxar, então quanto menos você mexer onde não deve, menos riscos você correrá.

Até mesmo os parafusos do filtro de óleo — e é por isso que critiquei o procedimento do manual da yamaha que pede a remoção de um parafuso que potencialmente só trará problemas.
Não é troca, é vazamento por erro de montagem.

Que o diga minha amiga WD±40 carioca, que descobriu a мороженое que fizeram na sua Teneré depois de rodar 20 km com a moto perdendo óleo graças a essas artimanhas praticadas por mecânicos — mecânicos de uma oficina de confiança.

Se o óleo tivesse ficado no caminho da roda traseira, minha amiga teria caído no meio do trânsito pesado da avenida Brasil no Rio de Janeiro na hora do rush.

Felizmente ela não caiu e pôde ir cobrar a demissão do infeliz que praticou essa barbárie com a moto dela, e pôde divulgar o acontecido.

Assim mais pessoas não passarão por um perrengue potencialmente mortal desses causado por uma besteira como essa.

Senão, a gente só leria a notícia nos jornais:
Reportagem: http://www.midiamax.com.br/transito/sofre-queda-moto-morre-ser-atropelado-br-163-321207

Algo mais ou menos assim, só que com carros, ônibus e carretas por todos os lados:


окра, você está tão preocupado assim com a eliminação do resto de óleo velho?

Bota 1 litro de óleo novo sem soltar os tubos, liga o motor, faz o óleo circular para retirar o velho do radiador, escoa esse óleo de limpeza e reabastece com o óleo definitivo e faz o procedimento certo até atingir o nível correto...

Mas quer saber?

É o tipo de preciosismo desnecessário... dobra o custo dessa manutenção e traz uma vantagem não mensurável — eu não teria esse custo e trabalho adicional.

Quer ver uma solução ainda mais eficiente e prática?

Troque o óleo com metade dessa quilometragem absurda — ou até menos — para não ficar rodando com essa lama suja dentro do motor — isso sim aumentará de verdade sua vida útil.

Melhor gastar essas 20 merrecas do que fazer a burrada potencialmente fatal de instalar os tubos sem O-rings ou com os O-rings permitindo vazamento — ou rodar longos 5 mil km com óleo totalmente contaminado agindo como uma lixa dentro do seu motor.

Vou finalizar falando de mais um erro gravíssimo nosso velho conhecido e que consegue ser agravado por esse "tutorial".

Quem acompanha o blog já sabe que as montadoras recomendam uma quantidade suficiente apenas para atingir (quando atinge) o nível mínimo de óleo.

Nem vou falar que todas mandam ligar e desligar o motor, conferir o nível e adicionar mais óleo para atingir a marca de máximo do visor ou vareta de medição.

Sem conferir corretamente o nível de óleo após a troca, todo mundo começa rodando já com menos óleo do que deveria.

Mas fazendo apenas o que ele recomenda fazer no vídeo, a quantidade gravada NUNCA chegará sequer ao nível mínimo...

A intenção louvável de evitar a mistura do resto de óleo velho, feita com a maior das boas intenções, acaba resultando na diminuição da vida útil do motor e em risco à vida do(s) ocupante(s) da motocicleta e outros condutores.

Esse é um dos motivos que me deixam desalentado com o povo deste país... ainda mais a moçada cujo smartphone é mais smart que o proprietário.

Escolhi esse vídeo por ser curto, mas estou cansado de ver "tutoriais detalhados" de troca de óleo "conforme o manual", todos repetindo erros como estes apontados aqui.

Por incrível que pareça, os únicos tutoriais de troca do óleo que encontrei até agora feitos por brasileiros recomendando o procedimento correto de ligar e desligar o motor para conferir o nível após a troca foram o do Jaislan — que peca por outros motivos — e o vídeo do nosso leitor Takashi, ambos publicados neste blog.

O mais triste é constatar que aquelas outras dezenas de vídeos feitos por pessoas sem nenhum ou muito pouco conhecimento técnico recebem joinhas aos milhares e são compartilhados entre amigos.

Enquanto postagens como esta com textão e exigindo interpretação e raciocínio, bah, muito longa, nem li.

E assim caminha a humanidade.

Um abraço triste,

Jeff

Como previsto...

Demorou mais do que eu esperava...
Montagem sobre imagem e reportagem: http://www.manchetepiaui.com.br/index.php?sh=shmt&ma_id=2217&ma_titulo=Motociclista%20sofre%20acidente%20ao%20ca%C3%A7ar%20pok%C3%A9mon%20na%20PI-459%20em%20Paulistana

E ainda levou mês e meio para noticiar aqui porque o sistema de alerta do google falhou...

Mas era certeza de que iria acontecer mais cedo ou mais tarde.


Um abraço,


Jeff