sexta-feira, 17 de março de 2017

Novidades que poderemos ver em breve

São 5 novidades para bicicletas, mas 3 delas têm boa chance de serem adotadas pela indústria de motocicletas nas próximas décadas.

A primeira é o pneu que não fura. 

Não aposto no pneu furadinho (o Evertires), mas aposto naquele outro que é maciço (o Nexo).

Você pode se perguntar porque algo tão simples nunca foi pensado para motos, já que o risco de acidente gravíssimo com um pneu furado é enorme para as motos.

E o motivo é justamente a confiabilidade em motocicletas.

Um pneu todo perfurado como aquele aguenta uma bicicleta, mas corre o risco de se desintegrar por fadiga com o peso e a velocidade de uma moto. 
Imagem: Vídeo acima https://www.youtube.com/watch?v=9Rp9OXe7ftA

Mesma coisa os pneus puramente maciços. 

Eles absorvem mal as irregularidades do piso, se aquecem mais e também podem se esfarelar com o uso.

O único jeito é usar compostos de borracha e plásticos de alta tecnologia e fazer testes de rodagem por muito tempo para ter certeza que esses problemas foram solucionados.

Por isso aposto que em 20 anos (se o agente laranja recém empossado não acabar com o planeta), nossas motos estarão usando pneus desse tipo.

A segunda invenção nem é novidade no mundo das motos.
Imagem: Vídeo acima https://www.youtube.com/watch?v=9Rp9OXe7ftA

Suspensões articuladas foram as primeiras a serem usadas em motocicletas nos primórdios do século passado.


Imagem: MOTOUSA.com
Aí veio a segunda guerra mundial e houve um grande avanço na fabricação de sistemas de amortecimento para trens de pouso de aviões. Eles de novo!

Graças à produção em larga escala, as suspensões telescópicas se tornaram suficientemente baratas para uso nas motos.

Mas suspensões articuladas nunca desapareceram totalmente.

Além das Harley e Indian, que as usaram por mais tempo, até hoje suspensões articuladas não telescópicas são usadas em customização:
Imagem: http://4ever2wheels.com/2014/03/70s-choppers/

E volta e meia alguma montadora faz experiências com inovações articuladas, como a yamaha e honda nos anos 80.
Imagem: http://www.odd-bike.com/2013/03/yamaha-n-d-ffe-350-forkless-two-smoker.html

Alguns poucos modelos de série mais recentes também as utilizam, mas elas não são adotadas em larga escala devido ao custo e por maior tendência a provocar oscilações e perda de controle.

A bmw usa uma suspensão dianteira toda estranha em alguns modelos, a tal de Duolever
Imagem: http://canadamotoguide.com/images/stories/archives/CMG_test_rides/05_BMW_K1200S/technical/

Dizem que é superior, e como o preço não é problema de venda para eles...

Para conhecer outros tipos de suspensões, visite a página da wikipedia ou o site de onde tirei a imagem acima.

A terceira novidade é capaz de aparecer ainda mais cedo...
Imagem: Vídeo acima https://www.youtube.com/watch?v=9Rp9OXe7ftA

Quadros luminosos são algo meio futurista, tipo Blade Runner (passado no futuro distante de 2019).

São uma bela contribuição para a visualização de bicicletas, mas dependem de quadros plásticos.

E motos com quadros feitos de plástico não estão tão distantes assim. E o alumínio transparente já foi inventado...

A airbus (aquela airbus) já mostrou um quadro de motocicleta feito totalmente de plástico obtido por impressão 3D.
Imagem e reportagem: http://gizmodo.uol.com.br/lightrider-moto-impressao-3d/

A ideia é fazer uma moto elétrica, mas a motorização ainda não existe, então não dá para chamar de protótipo.

Graças à impressão 3D, o quadro sai pronto da máquina com uma leveza incomparável e resistência similar à do aço graças aos reforços "orgânicos".

Digo orgânicos porque essa estrutura cheia de reforços e espaços vazios é similar à de um osso.


Pois é, ossos são ocos. 

Bizarro, né? Mais custom que isso, só colocando uma caveira.

As últimas duas novidades do vídeo não teriam chance com as motocicletas.

O suporte de parede até seria mais útil para as motos, porque espaço em garagem de prédio pode ser bem mais difícil de achar que na varanda da casa de campo.

Mas não dá para usar com motos por dois ou três motivos: gasolina, óleo, fluido de freio e líquido de arrefecimento. Continuo ruim de conta. 

E a trava que também é farol e lanterna não se aplica a motos.

Ainda bem.

Então essas são as novidades.

Pneu que não fura, moto elétrica, quadro iluminado... admirável mundo novo.

Vivemos no futuro, só não percebemos.

Um abraço, e cuidado com DeLorean voadores,

Jeff

quarta-feira, 15 de março de 2017

Meninas, scooters, propagandas e mundo real

Esta é uma postagem especial para as garotas (e rapazes também) que estão pensando em começar a pilotar comprando uma motoneta.

Anúncios de scooters e motonetas sempre focam os aspectos positivos do produto, como a liberdade e a praticidade... e geralmente são voltados para o público feminino.
As fabricantes sempre mostram as motonetas apenas como veículos divertidos e seguros para iniciantes no mundo das duas rodas.

Desde sempre e em todo o mundo as motonetas (scooters para os americanos, ingleses, franceses e a moçada brasileira e italiana de hoje) são propagandeadas como veículos que chamam a atenção...

Uma promessa de aventura e liberdade repleta de sorrisos e diversão que combina com uma época saudosa retrô vintage que não existe mais.

Motonetas eram ótimas logo depois da Segunda Guerra Mundial.

A economia dos países estava em ruínas e sobravam rodinhas traseiras do trem de pouso de aviões de combate que não eram mais fabricados...
Imagem: http://batalhaodeguerra.blogspot.com.br/2013/09/avioes-de-combate-italianos.html
Para saber mais sobre todos os aviões da 2ª Guerra, recomendo a série Caças da Segunda Guerra Mundial no excelente canal do youtube Hoje na Segunda Guerra Mundial.

Naquela época os salários eram baixos, ninguém tinha dinheiro para gastar nem perspectiva de ganhar dinheiro a curto prazo, mas o povo precisava se deslocar e batalhar pela vida. Bom, isso não mudou.
Os anos 40, 50 e 60 — até meados dos anos 70 — eram tempos românticos onde segurança e capacetes nem passavam pela cabeça do pessoal

Curiosamente, apesar de poderem ser pilotadas tanto por homens quanto mulheres, as fabricantes veem nas garotas um enorme mercado para o produto...

Afinal, por que os garotos deveriam ter toda a diversão?
Bom, o problema é que a propaganda vende sonhos, e você e eu vivemos no mundo real.

E no mundo real em que pilotamos motos, existe uma coisa terrível e inescapável chamada buraco — buracos em todo lugar.
Reportagem: http://www.midiamax.com.br/transito/motociclista-cai-buraco-moto-pirueta-acerta-hillux-av-mato-grosso-331446

Buracos são problemas para todo mundo em duas ou quatro rodas, mas para as motonetas eles são ainda mais perigosos:
Imagem e reportagem: http://www.gp1.com.br/noticias/motociclista-atropelada-morre-ao-dar-entrada-no-hut-410222.html

A combinação de buracos enormes, rodas pequenas e suspensões frágeis menos robustas é desastrosa:
Imagem e reportagem: http://leisecamarica.com.br/buraco-causa-acidente-e-deixa-jovem-ferido-na-estrada-de-itaipuacu/

Um buraco capaz de quase derrubar uma motocicleta certamente derrubará um scooter porque o impacto sobre a suspensão é maior, a roda pequena se "encaixa" profundamente no buraco e causa perda de controle.

Buraco não só derruba, é capaz de quebrar de vez toda a suspensão:
Imagem e reportagem: http://g1.globo.com/mato-grosso-do-sul/noticia/2017/02/buraco-deixa-motocicleta-quebrada-e-um-ferido-em-campo-grande.html

As rodas pequenas de motonetas caindo em buracos são um problema até mesmo na Itália, terra-mãe das motonetas:
Imagem e reportagem: http://www.napolitoday.it/cronaca/incidente-stradale/ferito-scooter-galleria-vittoria.html

Veja nas fotos que até mesmo buracos pequenos (pelos nossos padrões brasileiros) são suficientes para derrubar centauros pilotos de motonetas.
Imagem e reportagem: http://www.teleischia.com/132925/borbonica-pericolosa-ennesimo-incidente-gennaro-savio-denuncia-la-citta-metropolitana-provveda-immediatamente-a-mettere-in-sicurezza-la-strada/

Não é nem questão de o asfalto brasileiro ser vergonhoso, isso está fora de questão — ele é mesmo.

É questão de o veículo motoneta ser inadequado para a realidade do dia a dia de trânsito pesado do século 21, aqui ou acolá. Simples assim.

As fabricantes não têm o menor interesse em alertar os consumidores sobre essa exigência de asfalto de boa qualidade típica das motonetas.

E algumas fabricantes até se esforçam para não deixar você perceber isso.

As propagandas costumam associar motonetas à juventude e ao prazer, abusando da imagem de garotas despreocupadas...

Garotas usando capacete aberto como se não houvesse o menor risco de cair de cara no asfalto e quebrar o maxilar... 
Sempre em dias ensolarados... não existe uma única propaganda no mundo todo com gente pilotando na chuva, nem buracos encobertos pela água da chuva.

E assim como ninguém fala de chuva, ninguém fala das principais deficiências das motonetas — o tamanho miúdo das rodas, instabilidade, dificuldade de frenagem e velocidade máxima inadequada para vias expressas.

Algumas vezes as rodas pequenas até acabam desaparecendo dos anúncios... Coincidência, claro.

Ou então recebem a devida contrapropaganda...

Que chega a provocar risos pela contradição entre o que diz e o mundo real...

Ou você acha mesmo que essas são as maiores rodas no oeste / ocidente?

Podiam ser entre as motonetas de 1950, mas até hoje continuam minúsculas e incapazes de enfrentar os buracos — de leste a oeste e de norte a sul.

E até mesmo a questão da fragilidade no trânsito recebe do pessoal do marketing um contrarreforço positivo.

No caso, um supercontrarreforço:

Na área de marketing, vale tudo para conquistar o coração e a mente dos consumidores.

Não se deixe iludir pelas propagandas coloridas, alegres e sorridentes.

Elas procuram chamar a atenção para o produto, muitas vezes associando a máquina com recursos que ela não possui.

Como a invulnerabilidade e resistência de um super-herói... 

Ou desviando sua atenção das coisas fundamentais.
Coisas fundamentais como sua segurança ao passar por buracos com rodas pequenas, por exemplo.

Hoje em dia motonetas são veículos dos mais envolvidos em acidentes de trânsito causados unicamente por essa limitação das rodas pequenas.

Os scooters provavelmente são o tipo de motocicleta com mais acidentes por queda sem colisão nem participação de outros veículos.
Pesquisa no google por queda motoneta.

A responsabilidade pela queda é sempre dos próprios pilotos e vítimas, ninguém fala das características de projeto que facilitam a ocorrência de acidentes... 

O direito romano diz caveat emptor, o comprador que se cuide.

Mas como o comprador pode se cuidar contra riscos que desconhece?

Por mais que as fabricantes passem a ideia de um veículo seguro para a juventude, as motonetas são inerentemente inseguras para todas as idades.

Cumpriram seu papel até 40 anos atrás, quando o tráfego menos intenso permitia quedas com menor risco de atropelamento ou colisão contra obstáculos.

Mas são profundamente inseguras nos dias de hoje.

Essas são coisas que as propagandas não dizem e nunca dirão.

Para vender o produto, o pessoal do marketing faz propagandas que apelam para sua emoção. 

E muita gente boa não tem pudor de apelar até para o ridículo, o que vale é vender o peixe.
Imagens desta postagem: Pesquisa no google por scooter advertising. Fabricantes diversos ao redor do mundo, nem todos presentes no Brasil.

Então não se deixe enrolar pelas propagandas.

Na hora de optar entre uma motocicleta ou uma motoneta para sua primeira moto, pense nos buracos e na velocidade das vias que você encontrará no seu trajeto diário.

Analise racionalmente se ela será a moto ideal para enfrentar as dificuldades do trânsito na sua região.

Vias expressas, ruas esburacadas, longos percursos em alta velocidade não combinam com motonetas.

Se mesmo assim o seu sonho é ter uma motoneta, e você não abre mão disso, pelo menos escolha uma com rodas grandes.

E use capacete integral, seu maxilar agradece.

Um abraço,

Jeff
PS 1: 
Caramba, aconteceu de novo...  outra vez uma postagem entrou no ar sem finalização. Peço desculpas a quem leu, os últimos dias foram atípicos.

terça-feira, 14 de março de 2017

Você nunca chega na lombada com os freios acionados

Ops...
Esta postagem estava na pasta de rascunhos e acabou sendo publicada na data em que estava prevista, sem estar finalizada. Mas como foi revertida para rascunho antes da publicação, estava programada para uma data anterior... e acabou entrando no ar fora do meu radar. Segue a republicação devidamente finalizada:

Este acidente aconteceu porque o motociclista não viu a lombada sem pintura no asfalto, e chegou freando... 

Primeira coisa:

Você nunca chega acionando os freios em uma lombada.

Fazer isso é pedir pra cair.

Você precisa frear antes da lombada (ou valeta, buraco, seja o que for) e aliviar o freio antes da roda chegar lá, senão a pancada será forte demais.

Note a mão e pé nos freios no momento em que ele passa pelo colega filmador:

Imagem: Vídeo acima https://www.youtube.com/watch?v=RrAdweNgMq4

Chegar com os freios acionados fará você perder o controle da moto exatamente como no vídeo.

Uma frenagem intensa faz os amortecedores da suspensão dianteira atuarem perto do limite de sua capacidade.

Portanto chegar acionando o freio elimina a capacidade de absorção de impactos da suspensão.

Justamente no momento em que a suspensão precisa fazer o seu trabalho de absorver a pancada, ela já está no fim de curso sem condição de absorver mais nada.

O impacto vai todo para o chassi e o corpo do piloto, impedindo o controle da força do freio e o domínio da moto.

Segunda coisa:

Fique atento à sinalização alertando sobre lombadas.

A pintura podia não estar lá, mas as placas de alerta sobre a existência de lombadas à frente estavam posicionadas alguns metros antes.

Imagem: Vídeo acima https://www.youtube.com/watch?v=RrAdweNgMq4

Só que elas foram ignoradas pelo piloto em excesso de velocidade.

Você terá mais chance de encontrar essas placas do que uma lombada pintada e sinalizada de maneira decente.

A tinta vai embora, mas as placas costumam ficar por mais tempo....

Se você pilotar confiando apenas em seus olhos, não distinguirá lombadas do asfalto em volta delas.

À noite então, sem chance.

Então maneire na velocidade, porque neste Brasilzão velho de guerra, lombada sem pintura abunda. Diacho, por que falando sobre lombada sem pintura fui lembrar do Nelson Rubens logo agora depois do carnaval?

Um abraço,

Jeff

segunda-feira, 13 de março de 2017

Dois capacetes fazendo muito bem o seu trabalho

Aproveitando o assunto dos capacetes da postagem anterior, segue um vídeo para mostrar capacetes bem afivelados fazendo muito bem o seu trabalho:


Como visto, acidentes podem acontecer até mesmo quando você pilota dentro dos limites de velocidade, e pelos motivos mais inesperados. E bizarros...

E nessas situações a coisa mais comum é meter a cara no asfalto — por isso que sou contra capacete aberto... 
Imagem: Vídeo acima https://www.youtube.com/watch?v=Vlq7_wwcyY8

Ou sair fazendo um voo de baixa altitude...
Imagem: Vídeo acima https://www.youtube.com/watch?v=Vlq7_wwcyY8

A primeira coisa que baterá no solo será sua cabeça, e é para isso que serve o capacete...

É mais que óbvio, mas o pessoal não dá a importância que merece.

Ainda mais com toda a publicidade com o pessoal rodando de capacete aberto como se fosse a melhor coisa do mundo. 

Não é.
Imagem: http://www.lordofmotors.com/2012/04/harley-propaganda.html

Já imaginou a cara do cara da Harley se ele estivesse usando o capacete preferido das propagandas da harley?

Como resultado dos bons capacetes bem afivelados, ambos os pilotos saíram praticamente ilesos do acidente.

O piloto da esportiva só não machucou a coluna caindo sobre a mochila nas costas porque usava um protetor de coluna.
Imagem: Pesquisa no google.

É um equipamento de segurança que já não custa tão caro — você encontra a partir de 75 reais, menos que um capacete — e pode fazer uma enorme diferença na hora de um acidente.

Afinal, uma lesão na coluna pode envolver meses e anos de fisioterapia, e algumas são irreversíveis, obrigando ao uso de cadeira de rodas.

E vou aproveitar para corrigir uma informação que fiz na outra postagem:

Eu disse que o capacete mal afivelado é a primeira coisa que voa longe, e você é a segunda.

Mas eu esqueci... e o leitor Felipe Rafael Valenzuela me lembrou:

Sapatos também saem voando, não são apropriados para andar de moto.
Imagem: Bakuon!! Episódio 4. — Não se preocupe, ela saiu ilesa. Bom, mais ou menos...

Ah, sim!

Sua garupa também sai voando, ainda mais se for uma criança. Ou uma boneca inflável como aquela da propaganda da harley.

Um abraço,

Jeff

sexta-feira, 10 de março de 2017

O detalhe que faz toda a diferença — afivelar bem o capacete

Vídeo com flagrante de acidente totalmente inesperado, felizmente tudo bem com as garotas na moto:
Imagem, vídeo e reportagem: http://g1.globo.com/sao-paulo/itapetininga-regiao/noticia/2017/03/motorista-do-carro-que-bateu-em-motocicleta-segue-internado-em-tatui.html

Note os capacetes rolando na rua...
Imagem, vídeo e reportagem: http://g1.globo.com/sao-paulo/itapetininga-regiao/noticia/2017/03/motorista-do-carro-que-bateu-em-motocicleta-segue-internado-em-tatui.html

Os capacetes não estavam bem afivelados, talvez nem mesmo estivessem afivelados.

Se as garotas tivessem batido a cabeça no chão, os capacetes não teriam servido pra nada.

Um capacete solto é a primeira coisa que voa longe em um acidente, você é a segunda.

E geralmente a sua cabeça chega ao chão antes do capacete...

Você nunca espera que um acidente possa acontecer.
Imagem e reportagem: http://www.correiodoestado.com.br/cidades/carro-sem-condutor-atropela-duas-pessoas-em-motocicleta/299548/ — Dois acidentes bizarros na mesma data... hoje foi dia.

Então afivelar corretamente o capacete é o mínimo que você pode fazer por você mesmo / mesma.

Para fazer sua função, o capacete precisa ficar justo na sua cabeça. 

A cinta do capacete deve ficar justa no queixo, sem apertar a ponto de incomodar.

A folga máxima da cinta jugular deve ser a espessura do seu dedo mínimo, daí para menos.

E você, dono / dona da moto, tem a obrigação de conferir se o capacete de sua garupa está bem afivelado.

Você é responsável pela vida de seu amigo passageiro / amiga passageira.

Como você viu no vídeo e na reportagem, não basta pilotar com cuidado.

Poxa, isso é tão fácil...

Não entendo porque o pessoal se descuida tanto disso.

Um abraço,

Jeff

quinta-feira, 9 de março de 2017

Morrer virgem ou não morrer, eis a questão

O leitor Ed me enviou um vídeo que mostra um acidente entre um motociclista empolgado e um motociclista desatento.

O vídeo era curtinho, mas foi retirado do youtube porque era uma edição não autorizada do original:
I saw what you did...

Felizmente eu havia encontrado o original, que é bem mais longo, mas bem mais detalhado para passar informações sobre os motivos desse acidente.

Apesar de a sequência do acidente em si acontecer a partir dos 06:05, tudo que aconteceu antes contribuiu para chegar até lá:


Metade do pessoal jogará a culpa no motociclista que entrou desatento na via e a outra metade colocará a culpa no motofilmador com excesso de empolgação.

Em quem você vota?

Eu diria que os dois estão errados...

O erro maior foi do motofilmador que abusou da velocidade, é fato. 

E ele teve sorte, porque quem entrou na frente foi um motociclista, mas poderia ter sido um fusca ou uma kombi. Kombis adoram fazer isso.

Mas para entendermos uma causa importante dos acidentes de moto é importante considerar o motivo de o motofilmador estar tão empolgado.

Afinal, foi isso que, essencialmente, levou ao acidente:

Era um dia especial para ele, um momento único, em que estava rolando uma série de emoções...

Cara, falo por experiência própria, há momentos em que as coisas acontecem na tua vida e você é levado a fazer coisas que normalmente não faria... 

Pura empolgação e felicidade fazem você perder o contato com o mundo à sua volta.

É efeito da adrenalina, ela faz você perder pouco a pouco o contato com a realidade e cometer erros de avaliação.

É só ver como ele vai aumentando o ritmo da pilotagem e das falas dos 06:05 até o momento do acidente.

O excesso de empolgação volta e meia é prenúncio do desastre.

Perceber isso pode fazer a diferença entre escapar ou se envolver em um acidente grave — e de moto, todos os acidentes são potencialmente muito graves.

Nesses momentos, parece que tem um diabinho no ombro te dando ideias...

Em cima de uma moto, isso pode causar situações muito complicadas...

Quando você está muito empolgado, e acontece alguma coisa inesperada — como um pedestre que te faz olhar para trás — e existe a coincidência de alguém não perceber uma moto vindo com excesso de empolgação...

Mas aí você pergunta, faria diferença pilotar a 80 km/h ou a 60 km/h?

Faria muita diferença, porque aquela rua de duas faixas deve ter limite de 40 km/h... pelo menos naquela quadra do acidente o limite me parece ser de 40 km/h.

No trecho imediatamente anterior fiquei na dúvida se o limite era de 60 ou 50 km/h, mas a partir do semáforo há uma redução de largura da via para duas faixas, o que determina automaticamente a redução da velocidade no trecho.

Foi por esse motivo que o outro motociclista entrou na frente. 

Ele fez o cálculo mental para uma velocidade normal e acabou não percebendo a moto se aproximando lá longe.

Ele olhou para a região onde um veículo se aproximando em velocidade normal esperada estaria... mas a moto chegou mais rápido que o esperado.

Esse acidente poderia acontecer até mesmo se fosse um carro se aproximando.

Seria mais difícil, porque os carros são mais visíveis... 

É mais fácil com motos porque elas são estreitas, são ágeis e seu único farol se confunde com os faróis de outros carros atrás dela.

Além disso, como a cabeça do piloto motofilmador estava na festa, na celebração, na amizade, naquele momento especial da vida dele com o filho ou filha a caminho...

Ele não estava ligado em nenhum desses detalhes.

É um "efeito túnel", só que não é visual, é puramente sensacional. 

Ou seria senciente? 

Bom, não deixa de ser sensacional.

Isso pode acontecer — e acontece — com qualquer um, até para o mais pacato dos motociclistas... basta juntar os fatos externos certos no momento exato.

A adrenalina, o excesso de felicidade, a alegria incontida podem preceder acidentes graves porque fazem com que a gente se distraia do trânsito.

Então, quando se sentir muito empolgado no comando de uma moto, aperte o botãozinho da ducha fria...

Faça um esforço tremendo para voltar para a Terra, perceba o espaço à sua volta, passe a acelerar numa boa, senão você corre o risco de morrer virgem.

Ou de não ver o filho / a filha / os gêmeos que vão nascer.

Um abraço,

Jeff

quarta-feira, 8 de março de 2017

A morte e os crimes dos superboys

Tá vendo esse carinha aqui brincando de super-homem com a motocicleta?
Imagem: http://g1.globo.com/pe/petrolina-regiao/noticia/2017/02/video-mostra-colisao-de-motos-durante-racha-que-matou-jovens-veja.html

Ele vai morrer em 5 segundos.
Imagem, vídeo e reportagem: http://g1.globo.com/pe/petrolina-regiao/noticia/2017/02/video-mostra-colisao-de-motos-durante-racha-que-matou-jovens-veja.html

Quando você tira os pés das pedaleiras, você não tem controle nenhum sobre a moto.

Você até pensa que tem, mas ao menor desequilíbrio você descobre que não tem.

E ao descobrir isso, você só tem mais 0,5 segundo de vida. 

Com sorte, um ano inteiro na ala de ortopedia mais três anos de fisioterapia e sequelas para o resto da vida. 

Em compensação, não dá para brincar de super-homem em uma cadeira de rodas.

Desgraçadamente, a brincadeira inconsequente serviu para tirar a vida de outro motociclista que não estava fazendo idiotices no comando de um veículo perigoso como uma motocicleta.

A molecada estava rachando em um lugar que parecia seguro.

Sem trânsito, com boa visão...

É sempre assim.

É o que sempre acontece quando um bando de moleques pensam que são pilotos e se põem a rodar em excesso de velocidade em uma via pública com pouco trânsito...
Vídeo e reportagem: http://g1.globo.com/rj/norte-fluminense/noticia/2015/08/camera-flagra-acidente-durante-racha-e-vitima-pode-ter-braco-amputado.html

O piloto inocente teve sorte de apenas correr o risco de perder o braço por causa desses molequinhos irresponsáveis.

Garoto, sua primeira moto não pode ser a última.

Você vai comprar sua primeira moto, não sua primeira morte.

Juízo, garoto!

E se fizer arte, não terá meu abraço,

Jeff