domingo, 12 de junho de 2016

O resgate de Jezebel

Eu enrolei esta postagem o quanto pude.

Inventei um monte de desculpas para mim mesmo, protelei, comecei e abandonei a postagem inicial.

Fiquei um bom tempo cabreiro com isso, mas hoje entendo o motivo:

Eu não queria decepcionar meus amigos com uma postagem aquém do que o evento merecia...

E realmente não consegui escrever algo que expressasse toda a alegria, gratidão, emoção que trazer Jezebel de volta para morar comigo me trouxeram. Nossa, essa frase ficou horrível, mas vai assim mesmo...

Então me conformei em escrever este relato aqui para que todos saibam o quão bacana foi, mas você já fique sabendo que não dá para expressar tudo isso em palavras...

Nem vou mencionar que descobri que tudo isso foi tramado pelos meus amigos em conversas no Zapwhatzap, em um plano benigno chamado Operação Não é Mamãe Ops, corrigido pelo Vinícius: O nome era "Projeto Precisa me Amar" (longa história...)

Na mesma semana que os amigos Vinícius e Marlene me trouxeram um PC para que eu pudesse voltar a escrever e me comunicar via internet, o amigo Edifrans me trouxe um celular e aí surgiu a ideia (pensava eu na época, mas já estava tudo tramado por eles) de a gente ir buscar a Bebél e minhas coisas lá em Santa Catarina.

A intenção inicial era aproveitar o feriadão de maio para que nós quatro fôssemos até lá... mas a coisa acabou não saindo como pensado. Pensava eu.

Sucedeu que na inesperada madrugada de terça, antes do feriadão, estávamos eu e meus pensamentos  junto com o Edi e o Wandão a caminho de Floripa!

E tudo aconteceu tão rápido que naquela tarde mesmo Jezebelzinha já embarcava alegremente para a viagem de volta...

Difícil saber quem estava mais contente nessa história toda... Jezebel só não subiu sozinha na caçamba porque a Meri, o Daniel, Edi e Wandão não deixaram... 

Jezebel curtindo o passeio acomodada com os cabelos ao vento, fomos até a casa do Dan para conversar, repor as energias e resgatar as coisas que o meu vizinhozinho não saqueou — consegui recuperar alguma coisa, somente o necessário, porque o extraordinário é... ops, me empolguei.

(Meri fotografou, acabou ficando de fora do retrato da Santa Ceia... uma pena. Deviam inventar uma maneira de todo mundo caber na foto sem precisar dar aquela corridinha que nunca dá certo...)

Acabamos voltando na mesma noite, pernoitando no Tio Doca, velho hábito, com direito a chuleta com polenta, velho hábito do Edi, e outra chuleta com polenta, velho hábito do Edi de manhã cedinho tomamos o rumo de casa.

Edi e Wandão descarregaram todas as minhas coisas em casa, exceto a Jezebel... Os dois me enrolaram direitinho e se mandaram com ela na caçamba, promessa de voltarem no fim de semana para montarmos a moto...

Chega o sábado, visto minha velha roupa de briga (essa o vizinho não roubou) a fim de lavar a moto e fazer a revisão antes de colocá-la para funcionar.

Ilusão.

Jezebel não veio na caçamba, me enrolaram de novo, o Edi e o Vinícius dão umas desculpas sem pé nem cabeça e, quando chego até lá onde ela estava...

Encontro Jezebel montada, revisada, lavada, polida, encerada e tinha até uma festa para comemorar seu retorno!

A galera fundadora dos WD±40 estava lá para me fazer essa surpresa... não são mesmo uma turminha do bem?

Depois descobri que a galera WD±40 que não pôde comparecer também colaborou para essa festa acontecer.

Na foto tirada pelo Betho, estão o Wandão, Zé, Edi, Marlene, Gi, Vinícius e nossas meninas...
Estendo meus agradecimentos a todo mundo que torceu por nós, especialmente também aos amigos WD±40 que não puderam comparecer, mas fizeram uma pequenina ruminante bovina para custear essa viagem...

Serei eternamente grato a todos vocês pelo tanto que nos ajudaram (Jezebel também agradece!)

Que a Vida retribua com imensa generosidade tudo que fizeram por mim nesse momento em que mais precisei! É uma maneira de dizer "Deus lhes pague essa dívida, porque eu estou completamente duro."

Um forte abraço carinhoso a todos,

Jeff

sexta-feira, 10 de junho de 2016

O desrespeito a regras de trânsito simples e suas consequências

Atualizando as informações de ontem, acabei de ver no noticiário de hoje à tarde duas informações novas e relevantes sobre as causas do acidente da Mogi-Bertioga.

Na mochila de uma das vítimas teria sido encontrado um abaixo-assinado que os alunos pretendiam circular pedindo o afastamento de motoristas da empresa que eles avaliavam colocar suas vidas em risco.

Reportagem: http://g1.globo.com/sp/santos-regiao/noticia/2016/06/abaixo-assinado-contra-motorista-e-encontrado-em-mochila-de-vitima.html

Ou seja, os estudantes não se sentiam seguros em descer a serra na velocidade habitual praticada pelos motoristas.

Não respeitar a velocidade máxima permitida, eis o primeiro desrespeito a uma regra de trânsito simples.

Mas apareceu outra informação nova:

O motorista de um carro deu uma entrevista, ele esteve envolvido no acidente...

Ele descia a serra em velocidade compatível quando viu os faróis do ônibus crescendo atrás dele, chegando muito perto.

Talvez a segunda regra de trânsito simples descumprida, o ônibus não teria mantido uma distância de segurança do veículo à frente.

O motorista do carro relatou que, pressionado, diminuiu a velocidade para facilitar a ultrapassagem...

Nesse momento o ônibus resvalou contra o canto traseiro esquerdo do carro e seguiu desgovernado, se inclinando para um lado e para outro até que finalmente tombou contra a pedra.

Ônibus e caminhões mudando de faixa bruscamente podem perder o controle devido ao centro de gravidade muito alto em relação ao solo.



Terceira regra de trânsito simples desrespeitada: ao ser ultrapassado, manter a velocidade constante — nunca acelerar, tampouco desacelerar.

Três fatores que somados podem explicar o acidente de ontem.


Três regras simples que as pessoas costumam ignorar porque não veem problema nisso.

Até que aconteça uma desgraça.

Ontem havia relatos de que o motorista teria alertado a falta de freios do ônibus, um sobrevivente relatou que o ônibus fez 6 a 8 curvas sem controle

Aquilo que o sobrevivente interpretou como curvas podem ter sido o que vimos no filme acima.

Uma série de fatores podem ter se somado para a tragédia.

Mas o fator final, a gota que transbordou o copo, parece ter sido a redução de velocidade do carro na ingênua tentativa de facilitar a ultrapassagem... algo previsto ccom uma proibição no código de trânsito.

Nada do que eu digo aqui é novidade.

Tudo está escrito naquele livrinho chato que todo mundo é obrigado a ler (e nem todos prestam atenção) no manual de formação de condutores das autoescolas.

Um livrinho que deveria ser levado mais a sério por todo mundo.

Um abraço,

Jeff

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Descida de serras e perda dos freios — de novo

Quem viu os jornais de hoje soube de mais um acidente terrível, outro ônibus perdeu os freios em uma descida de serra e tombou contra um barranco.

Desta vez foi na serra de Bertioga em São Paulo.
Reportagem: http://g1.globo.com/sp/santos-regiao/noticia/2016/06/onibus-com-ao-menos-40-passageiros-tomba-na-rodovia-mogi-bertioga.html

O ano passado foi em Santa Catarina.
Reportagem: http://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/2015/03/pericia-de-acidente-de-onibus-que-matou-51-em-sc-esta-no-final-diz-igp.html

Mas o que eu queria comentar é o fato de que no acidente de hoje, um caminhão também perdeu os freios no mesmo local, e só não aumentou a tragédia porque parou contra as viaturas que prestavam socorro.

Dois acidentes pelo mesmo motivo, falta de freios de um veículo pesado, ocorrendo no mesmo local, na mesma hora.

Uma análise apressada apostaria em uma condição da pista; a vivência me leva a crer em falhas mecânicas causadas por fator humano.

E esse fator é justamente a excessiva confiança dos motoristas nos freios de suas máquinas.

Um veículo (qualquer veículo) dispõe de três mecanismos para impedir a velocidade excessiva ao descer uma serra prolongada.

O freio-motor, o freio hidráulico, o freio mecânico de emergência, que o pessoal só usa para estacionar e lembram dele apenas como freio de estacionamento, o vulgo "freio de mão".

Infelizmente, a confiança excessiva no freio hidráulico leva o pessoal a descer a serra contando que ele sempre funcionará a contento... 

Mas na hora em que acontece uma pane desse sistema, fica muito difícil controlar um veículo pesado.

O freio de emergência não consegue dar conta do recado em uma descida de serra.

E para que o freio-motor possa atuar com eficácia, ele precisa atuar durante todo o trajeto, impedindo que o veículo ganhe embalo — justamente para evitar o uso excessivo e consequente superaquecimento dos freios.

Descer uma serra em marcha elevada abusando dos freios e só tentar usar o freio-motor em caso de pane não dá certo; os freios superaquecidos perdem a eficácia.

E uma marcha reduzida não será engrenada a tempo depois que o ônibus / caminhão / carro — ou motoestiver descendo embalado ladeira abaixo.

Na primeira curva mais exigente, o veículo perderá a tangência e só irá parar contra o barranco ou descendo uma ribanceira, com um saldo mortal.

E o que leva um sistema de freios hidráulicos (ou mesmo mecânicos, como os freios a tambor de nossas motos) vir a falhar é justamente o excesso de uso em uma serra.

Sim, motos são leves, mas o abuso dos freios pode causar uma pane por superaquecimento de sapatas e pastilhas — já falamos sobre isso nesta postagem.

Voltei ao assunto porque esse fato precisa ser de amplo conhecimento de todos.

Somente sabendo que essas coisas acontecem e entendendo o motivo de elas acontecerem é que as pessoas evitarão correr este risco.

É uma mensagem que jogo em uma garrafa no mar da internet...

Essa é a única forma que encontro para tentar ajudar as pessoas... quem sabe um futuro motorista de ônibus não está lendo esta mensagem agora?

Quem sabe algum dia ele venha a postar aqui nos comentários que saber disso salvou sua vida?

Ou a vida de dezenas de jovens estudantes universitários...

Martelar esses assuntos é minha tentativa ingênua de tentar contribuir para um mundo melhor.

Transcrevo o comentário do amigo WD±40 motociclista e caminhoneiro Edifrans:

Vale lembrar que a maioria dos caminhões e ônibus utilizam-se de sistemas de freio a ar.

Outro detalhe que as gerações mais novas desconhecem é uma regrinha simples que os mais experientes (antigos) usavam que é a seguinte: 


"Em qualquer longo trecho de declive utilize a mesma marcha engrenada que utilizaria para subir"

Essa simples regra ajuda a saber exatamente qual a marcha adequada que irá 'segurar' seu veículo sem que precise abusar do uso dos freios. 

Em alguns caminhões e ônibus de ano/modelo <1975 essa mensagem estava presente em plaquetas afixadas no próprio painel do veículo.

Um abraço,

Jeff

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Pista molhada e o uso do freio-motor

O piso de paralelepípedos, às vezes chamado erroneamente de macadame, é uma armadilha potencialmente fatal quando molhado.
Reportagem: http://g1.globo.com/mg/sul-de-minas/noticia/2016/06/mototaxista-morre-em-batida-com-caminhao-no-centro-de-sao-lourenco.html

Preste atenção especialmente nesse tipo de piso aí da foto, que é um paralelepípedo ainda mais liso do que o normal e, portanto, ainda mais perigoso.

Frear em cima de paralelepípedos é deslizar no sabão, e sua única maneira de evitar um tombo com muitas raladuras ou entrar na traseira de um caminhão parado é manter uma velocidade reduzida.

Se você percorre habitualmente uma avenida em 5ª marcha, com pista molhada diminua a velocidade e percorra o mesmo trecho em 3ª ou 4ª marcha.

Usando uma marcha mais reduzida e menor velocidade, o efeito de frenagem do freio-motor é mais intenso basta desacelerar para a moto diminuir a velocidade rápida e suavemente, sem risco de travar as rodas. Não só da moto.

Isso ajuda muito nas condições de baixa aderência, tipo piso molhado e com lama na pista.

Além disso, com chuva, os freios da moto perdem eficácia porque estão lubrificados com água — óbvio, né?

O problema é que em uma emergência você os aciona com firmeza.


Como estão molhados, eles não respondem como você espera, e aí você vê a encrenca crescendo na sua frente.


Instintivamente você coloca mais força nos comandos — sem esperar que o atrito intenso irá fazer os freios secarem rapidamente.


Em um instante sua moto não tem freios, uma fração de segundo depois eles secam e a moto está com as rodas travadas contigo aplicando força total nos comandos...

Aquela pequena rabeada que a moto dá quando você exagera no uso do freio traseiro com pista seca se torna um tombo certo com pista escorregadia.

Todo motociclista um dia acabará caindo por causa disso, não tem como escapar — por isso é muito melhor estar em velocidade baixa, e aí o freio-motor ajuda muito a moderar a velocidade.

Moderando a velocidade com pista molhada, você enfrenta com facilidade situações inesperadas em condições de baixa visibilidade — como um caminhão parado em noite chuvosa, caso do acidente acima.

Ou uma caçamba de entulho sem adesivos reflexivos...

Reportagem: http://www.rspolicia.com.br/2014/09/transito-motociclista-bate-contra-uma.html

Controlando a moto em baixa velocidade, usando o freio-motor, você terá muito menos chances de bater ou cair.

E mesmo que você caia, o máximo que irá machucar será o seu orgulho.

Um abraço,

Jeff

domingo, 5 de junho de 2016

O recall da yamaha Crosser 150

Assim que voltei à internet, recebi a notícia do recall da yamaha Crosser 150, agradeço ao leitor que indicou o assunto, mas não localizei mais a mensagem.
 
Reportagem: http://g1.globo.com/carros/motos/noticia/2016/05/yamaha-xtz-150-crosser-tem-recall-por-possivel-quebra-do-chassi.html 
  
Um recall para troca do quadro completo da moto é muito sério, ninguém merece ter a moto se desintegrando no meio do trânsito...

O que faz com que um quadro se rompa aparentemente sem motivo?

Problemas de qualidade do aço, da execução das soldas, subdimensionamento do projeto ou uma combinação de tudo isso.

Motos que não quebram lá fora acabam se partindo ao meio aqui no Brasil por causa das condições de nossas ruas e estradas, e da ingenuidade dos pilotos que pensam que elas foram projetadas para rodar nas condições brasileiras.

Projetos modernos feitos no Japão, China, Itália, Alemanha ou Inglaterra são feitos por engenheiros em salinhas com ar condicionado que não imaginam as condições carroçáveis das ruas deste fundão de quintal chamado Brasil.

Motos projetadas para rodar apenas metade do ano (porque no resto cai neve e as motos ficam na garagem) em estradas bem conservadas do primeiro mundo não aguentam o tranco por aqui se o projeto não for reforçado.

Lombadas são algo desconhecido no exterior. São redutores de velocidade, mas os alegres motociclistas brasileiros usam como rampinha de salto... a moto não foi projetada para isso e acaba quebrando.

Essas características do Brasil eram conhecidas dos engenheiros brasileiros da velha geração... o antigo presidente da honda declarou em uma entrevista que as CG — aquelas que ficaram famosas pela durabilidade
, não as atuais — tiveram de ser reforçadas para aguentar as estradas e os pilotos brasileiros.

Infelizmente, hoje os novos executivos dessas montadoras apenas trazem os projetos / quadros / motores lá de fora sem fazer as devidas e necessárias adaptações e reforços, e a yamaha agora está pagando o preço dessa perda de conhecimento da nova geração.


Aliás, parece que os novos engenheiros não estão conseguindo projetar nem mesmo motos para rodar poucas voltas em condições ideais de pista, veja o caso da kalex do piloto Luís Salom...
Reportagem: http://grandepremio.uol.com.br/motogp/noticias/testemunha-do-acidente-fatal-de-salom-oliveira-relata-momento-assustador-vi-que-perdeu-a-roda-dianteira

Como o pessoal da yamaha vai resolver definitivamente esse problema das Crosser?


Se for simples falta de qualidade do aço, vão trocar seis por meia dúzia, a menos que o aço sofra um rigoroso controle de qualidade metalúrgica.

Se o projeto estiver subdimensionado, o único jeito será fabricar quadros reforçados com aço mais espesso, o que quer dizer aumento de custo.

Insignificante para os fabricantes, mas eles adoram choramingar caraminguás...

Vale lembrar que essa troca obriga a numerar novamente o chassi.

Resta saber se o chassi novo já virá com a mesma numeração ou se sobrará para o cliente correr atrás da renovação da documentação...

Recall para troca de chassi completo não é novidade, a honda fez a mesma coisa com as Biz em fevereiro de 2008, e até hoje provavelmente tem motinhos por aí que nunca fizeram a troca por desconhecimento dos proprietários. 

Recall convocado em 2008
Reportagem: http://carros.uol.com.br/motos/noticias/redacao/2008/02/12/honda-chama-275-mil-biz-125-no-maior-recall-de-sua-historia.htm 

Também teve o caso das dafra Kansas, que até hoje ficam se partindo ao meio e eles nunca tiveram a hombridade de convocar o recall.

Não adie fazer essa
troca convocada pela yamaha.

Um quadro partido provocará perda de controle da moto, e se piloto / garupa caírem na frente de um veículo, o resultado pode ser o pior possível.

Felizmente, as empresas um pouco mais sérias não se negam a fazer recalls diante da possibilidade de novas ocorrências (alguém deve ter caído e sobrevivido para que o problema fosse notado).

Já as empresas sem a menor seriedade adiam o recall por 8 anos e dizem para o Ministério Público que as motos não apresentam problema algum...


Só para não deixar esquecer...

Infelizmente, a ganância e a pressa em lançar novos produtos sem os devidos testes de resistência de longa duração tem colocado nossas vidas em risco, nós compradores de motos recém lançadas fomos transformados em cobaias dos fabricantes.

Qualquer que seja a marca, fique atento às condições de sua moto

Caso ela apresente instabilidade por motivo desconhecido, inspecione o quadro para ter certeza de que não está rachado.

Um abraço,Jeff
PS: Agradeço a colaboração do leitor Robson Souza, que deu o seguinte depoimento nos comentários.

Como estes ficam visíveis apenas para quem entra na postagem, republico abaixo estas informações valiosas para os proprietários:


Boa tarde Jeff,

Li seu blog inteiro mas esse é meu primeiro comentário. Parabéns pelo seu trabalho de informação e meus sinceros sentimentos de melhoras a você.



[Valeu, Robson!]

Vamos lá, eu sou um dos contemplados com o recall da Crosser 150. Anunciaram o mesmo tinham umas duas semanas que havia adquirido a minha. Mas antes de chegar ao recall, gostaria de fazer uma observação. 


A moto foi entregue com óleo 20w50 e pasmem, com nível do óleo correto (fiz a medição exatamente como você explicou aqui, e também é explicado no manual).

Sobre o recall, funcionará da seguinte maneira. Você leva sua moto até a concessionaria, eles fotografam toda ela, inclusive a numeração do chassi, enviam a fabrica e o prazo para retorno é de 15 dias. 


A numeração do chassi continuará a mesma, ou seja, não ocorre alteração no documento, o lacre da placa, como é preso ao chassi, a própria Yamaha fará a relacração, nas cidade onde o Detran não oferecer o serviço "delivery", esse procedimento ficará a cargo do propriotário, digo, proprietário, porém com o custo pago pela Yamaha.

Existem também relatos em fóruns sobre a troca da caixa de direção e do amortecedor traseiro nesse mesmo procedimento mais buchas e parafusos pois estão ligados ao chassi (a confirmar quando eu fizer o procedimento na minha).


Obs.: A minha está com 50KM rodados só, pois ainda não utilizo a moto pois estou terminando de tirar minha habilitação. Assim que tiver ela em mãos, vou providenciar o recall e volto aqui para relatar a experiência.

Obs 2.: Segundo informações também em foruns, ocorreram casos de trincas nos quadros em casos específicos no Nordeste (não ditos quantos), devido ao uso mais "severo" em estradas de terra / esburacadas, e dessa forma a fabricante optou por chamar todos os chassis para troca e o problema é realmente na espessura das soldas.


Um adendo, após o retorno do chassi, o prazo de execução do serviço é de 2 dias.

Assim ficam esclarecidas minhas dúvidas e também as de muitos leitores quanto a este recall.

Forte abraço,

Jeff

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Como não ir para o SUS sem cair da moto

Como contei outro dia, fiquei internado 30 dias com um ataque de nefrite, pressão alta, artrite e diabetes.

Olha só que coisa mais feia:

Mas afinal, por que eu fiquei doente?

E o mais importante, como não passar pelo que eu passei?

Agora que estou bem recuperado, posso fazer uma avaliação e passar a informação para que você, amigo leitor, possa se prevenir, evitar tudo isso e passar adiante essas dicas.


Chove muito em Santa Catarina — já falei isso por aqui?


E porque chovia quase todo santo dia, passei os últimos três anos bastante enfurnado em casa, digitando o trabalho ou o blog. 


Com a crise e pouco trabalho, nas vezes em que o sol saía, faltava gasolina no tanque e dindin no bolso. E mesmo assim, como todo motociclista, eu saía coberto dos pés à cabeça. 

Resumindo, tive oportunidade de pegar muito pouca praia por lá.
 

E esse foi o primeiro fator para me deixar doente, a falta de sol.
 

Depois de sair do hospital eu pesquisei e descobri (na verdade, lembrei, porque já tinha lido isso nos tempos de escola) que falta de sol causa falta de vitamina D.
 

Vitamina D é aquela que é produzida pela pele exposta aos raios solares e que você também encontra em peixes e no óleo de fígado de bacalhau, coisas fora da minha dieta.
 

Falta de vitamina D causa raquitismo, uma deformação dos ossos. E consequentemente artrose e artrite, segundo alguns médicos — e eu tenho todos os motivos para acreditar neles.
 

Falta de sol é uma coisa a que estamos expostos — talvez o certo seja dizer que ao sol nós não estamos expostos.
 

E nós motociclistas não tomamos sol nem na careca porque o capacete não deixa.
Mmmm mmm mmmmm mmm!

O ritmo da vida de casa para o trabalho, do trabalho para a escola, e aí já é noite, impede que a gente tome o mínimo diário de sol necessário em braços, pernas, peito e costas para produzir vitamina D.

A dose diária é coisa pouca, cerca de 20 minutos nas horas de menor intensidade, longe do meio dia, e pode ser tomada em duas etapas de 10 minutos.
 

O segundo fator que me deixou doente foi uma dieta com excesso de pão. Nos meses sem grana a dieta foi só na base de sanduíche, pão e biscoito. Resultado, excesso de glúten.
Excesso de glúten causa prisão de ventre e irritação dos intestinos, levando ao enfraquecimento, emagrecimento, dermatites aparentemente sem motivo, rabugice irritabilidade, perda de cálcio dos ossos e diabetes. Além de aumentar a pressão e reduzir a imunidade.

E falando em pressão, sabe o que causa aumento da pressão arterial? Sedentarismo, ficar digitando e rodando de moto em vez de caminhar até a padoca...
 

Ou seja, tudo que eu fiz e tudo que eu não fiz contribuiu para me levar para o hospital com um ataque de nefrite, artrite, pressão alta e diabetes. Quando vou para o hospital, vou com estilo. 

Falo isso aqui no blog como um alerta porque esses fatores são muito comuns e afetam a todos nós motociclistas, principalmente a falta de oportunidade para tomar sol. E peixe (fonte de vitamina D) é coisa cada vez mais rara nos PF de todo dia.
 

Tudo isso foi diagnosticado pelos médicos lá no hospital?
 

Não, eles se limitaram a me desenganar e atochar remédio por tudo que foi lado, menos aquele que você pensou (ufa!).
 

Eu descobri o que eu tinha realmente lendo as edições de julho de 2014 e abril de 2015 da revista Superinteressante que meu irmão tinha em casa, respectivamente as matérias O perigo do glúten e Falta de sol e a polêmica da vitamina D.
http://super.abril.com.br/superarquivo/345

http://super.abril.com.br/ciencia/a-polemica-do-gluten
 

Foi só ligar os pontos — os sintomas batiam 100% com tudo que eu estava passando e comecei a tomar por conta própria um suplemento de vitamina D e banhos de sol, além de reduzir o consumo de glúten — e foi só depois disso que recuperei a capacidade de andar normalmente, sem mancar nem sentir dor.


A humanidade evoluiu por milhões de anos adaptada a uma dieta que não incluía excesso de glúten (não praticávamos a agricultura e não sabíamos fazer farinha e açúcar), e tomávamos sol todos os dias... sem roupas.

Faz todo o sentido do mundo que muitas doenças modernas sejam causadas pela fuga da Natureza.

Pesquise por dieta paleolítica, mas não caia no exagero de abrir mão de tudo que é moderno, basta não exagerar nas coisas — hoje como menos da metade do que eu comia antes de ir para o hospital, e não sinto fome.


Se eu fosse confiar apenas no diagnóstico dos médicos que me trataram lá no SUS, eu teria de aprender a conviver com os sintomas de uma doença incurável pelo resto da vida — sério, o médico que falou comigo usou o mesmo discurso que ele faz para quem tem câncer.


Ele chegou a dizer que uma cura era altamente improvável, mas ele já tinha visto pacientes se recuperarem de doenças incuráveis. Eu teria de me conformar em conviver com a dor e a degeneração progressiva das articulações e dos ossos sem nenhuma perspectiva de cura.

Faltou um bom professor lá na faculdade dele para ensinar coisas que deveriam ser básicas para um médico — falta de vitamina D, falta de oportunidade de tomar sol, falta de exercício e excesso de glúten causam baixa imunidade, artrite, diabetes e pressão alta.
 

Mas você, leitor do blog, tem o meu depoimento:
 

Saí do hospital sem conseguir andar e sem perspectiva de cura por parte dos médicos, e dois meses após voltar para casa, e um mês depois de começar a me tratar por conta própria, estou aqui de volta tão lépido e fagueiro como há muito tempo não me sentia, pronto para ir buscar Jezebel — com um tratamento muito barato, praticamente gratuito.
 

Fazer pequenas caminhadas, tomar um pouco de sol pela manhã ou ao final da tarde, beber muita água, cortar o excesso de pão e massas, aumentar o consumo de cálcio, peixe e frutas praticamente não tem custo algum e poderiam ter evitado uma temporada dolorida no hospital.
 

Não vejo a hora de encontrar aqueles médicos novamente, olhar bem na cara deles e dizer umas boas.
 

Boas novas, claro ;)
 

Um abraço,
 

Jeff

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Ciclistas ocultos na faixa de ônibus

Olá, pessoal!

Aí vai a primeira postagem gerada nesta nova etapa do blog! Estou preparando uma especial para contar sobre a volta de Jezebel, mas ainda dependo de algumas fotos... vai ter de esperar um pouquinho.

Vamos lá:

Tem coisas que a gente vê melhor quando não está andando de moto.

E em um desses dias em que eu andava de ônibus, tive oportunidade de ver uma cena interessante.

Estou no ponto de ônibus quando vejo um grande perigo para nós, motociclistas:
 
 
Imagem: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/67731-ciclistas-adotam-cameras-para-denunciar-motoristas.shtml

Pois é, um ciclista.

Na faixa exclusiva para ônibus, uma fila desses grandalhões começou a reduzir a velocidade para parar no ponto, e escondido atrás do primeiro deles vinha um ciclista totalmente à direita, andando perto da calçada.

Na verdade, vinha aquele que considero o pior dos ciclistas: o cara de meia idade com bicicleta esportiva, completamente equipado.

Gente que anda assim costuma se arriscar ainda mais no trânsito. Tem habilitação para carros e não anda de moto porque acha a motocicleta muito perigosa. Pensa que aquele capacete o protege de verdade. Acha que sabe tudo e não sabe nada.

Não deu outra:

Assim que o ônibus à frente dele começou a reduzir a velocidade, o ciclista saiu de trás do ônibus para fazer a ultrapassagem sem diminuir a velocidade. Ciclista detesta frear a bicicleta.

Como tinha experiência no trânsito, o otário respeitável cidadão desmotorizado deu aquela olhadinha rápida para ver se não vinha nenhum carro, e se mandou como deu.

Olhou para ver se não vinha nenhum carro na faixa ao lado, mas não o suficiente para ver uma motocicleta no corredor.

Não fosse o motociclista cravar os freios, o ciclista feliz tinha ido se ralar no asfalto e o motoqueiro infeliz tinha caído na frente da roda do segundo ônibus.

Errou o ciclista?

Claro que errou, o ciclista é sempre o culpado ele não podia mudar de faixa daquele jeito.

Mas o motoqueiro também errou, o motociclista é sempre o culpado ele não pode trafegar sempre pelo corredor, ainda mais com o trânsito em movimento.

Ao se posicionar entre os carros e os ônibus, a moto fica exatamente no ponto cego de todo mundo, a começar pelos motoristas de ônibus e carros.


E principalmente, fica no ponto cego dos ciclistas doidos para mudar de faixa sem perder o embalo, e dos pedestres querendo atravessar a rua pela frente dos ônibus.

Os ciclistas e pedestres ficam totalmente encobertos pelos outros veículos e, quando você menos espera, eles cortam sua frente ou trombam contra sua lateral, levando você para o chão.

Então já sabe, nas proximidades de pontos de ônibus esse tipo de coisa acontece com muito mais frequência, então fique atento a essa possibilidade e evite passar perto de coletivos para evitar surpresas desagradáveis como essa de sair rolando abraçado a um barbudo suado logo pela manhã.

Um abraço, porque eu não pedalo,

Jeff