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segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Meu pior tombo e a importância de usar equipamentos de proteção

Bom, agora a parte que todo mundo estava esperando, o tombão.

Felizmente uma câmera no local flagrou o momento em que fui ao chão:

Na hora em que a roda desgarrou, não deu tempo de pensar em mais nada, e enquanto eu via as pedrinhas rolando na viseira do capacete, meus pensamentos foram apenas dois.

Felizmente, um gravador no local registrou meus pensamentos:

NÃO!!!! NÃO!!!!.... que legal, o capacete está funcionando!

O local do acidente foi este aqui, na Serra do Ribeira:
Essa estrada corta o parque até a cidade de Apiaí, onde começa o Rastro da Serpente.

O estrago na Jezebel foi este:

Para-lama quebrado (agora o dianteiro, o traseiro já tinha sido remendado com arame na mesma viagem), os dois espelhos, os dois piscas do lado direito ficaram pendurados e acabaram caindo pelo caminho, os alforjes rasgaram na emenda, o cabo do velocímetro se soltou na pancada com a placa... 

E falando na placa, ela foi a grande heroína do dia:
Não dá para ver direito na foto, mas depois dela tem um abismo.

Se não fosse a placa, Jezebel teria deslizado para o abismo, um tombo de uns 100 metros, pelo menos.

Com a escapada da roda, ela desviou para a direita e bateu contra a placa, enquanto eu deslizei junto, mas do lado da estrada — o maior risco que corri foi ser atropelado por uma onça, porque na estrada não passava ninguém.

Não passava ninguém e eu preso embaixo da moto, sem conseguir sair.

Quase quebrei as costelas, a primeira coisa que fiz foi avaliar se tinha quebrado ou não — a segunda foi desligar o corta-corrente com o pé livre, o outro preso embaixo da moto.

Cabeça fria nessa hora: 

Se eu me levantasse afobado, uma costela quebrada poderia se deslocar e perfurar o pulmão, e aí eu estaria no mato sem cachorro. Só onças.

Depois de apalpar e ter certeza de que as costelas não estavam quebradas, mas poderiam estar trincadas (porque a dor era muito forte), começou a luta para sair de debaixo da moto vazando combustível... tudo era urgente e eu não conseguia fazer nada com rapidez.

E por que eu não conseguia me levantar?

Porque o pé livre não conseguia fazer força... eu estava usando botinas desse tipo aí embaixo (não eram da mesma marca, mas o modelo é parecido):
Bonitinhas e baratinhas, mas com um sério problema se você for viajar em uma estrada com onças:

No tombo, a bota deslizou no pé e ficou no meio do caminho, não entrava nem saía do pé.

Deitado eu não conseguia calçar de novo porque ela entra muito justa, nem tinha como tirar de vez porque não tinha ponto de apoio e a dor nas costelas impedia de me sentar ou fazer força.

Felizmente os outros equipamentos funcionaram bem.

O capacete robocop aguentou a pancada e protegeu muito bem o meu rosto. 

Eu sempre achei que a queixeira seria arrancada no caso de um tombo — e também sempre achei que nunca iria cair — mas de moto, nunca pense em nunca acontecer um acidente, use sempre os equipamentos de proteção.
E a queixeira realmente quase foi arrancada durante a queda. 

Ela quebrou na articulação — se eu estivesse uns 10 km/h mais rápido, a outra articulação sozinha não teria aguentado, a queixeira seria arrancada e eu certamente teria me machucado.

Moral da história: 

Capacete robocop nunca mais, o conforto não compensa o risco.

Quem também se portou muito bem foi a jaqueta de couro, fez o trabalho dela com perfeição e ganhamos estes registros de batalha que nos enchem de orgulho:
E o que causou tudo isso?

Acredite se puder, aquelas pedrinhas ridículas que resolveram se soltar na nossa frente — e o uso de medicação contra dores que prejudica nossa capacidade de julgamento e reação.

Desviando de um buraco, ficamos muito perto da lateral suja da estrada, e não deu tempo de fazer mais nada, só ir pro chão colecionar mais uma história.

Aquelas pedrinhas ridículas no canto direito da foto — Jezebel está na contramão, virada em direção da subida para não cair do cavalete, a serra é íngreme e em descida nesse trecho.
Depois que consegui sair e me levantar, e com dificuldade e muita dor calçar novamente a bota, aí do nada apareceram dois carros e em seguida mais um.

O pessoal dos dois carros me ajudou a colocar a moto em pé e o pessoal do mais um se mandou.

Foram os primeiros que bateram estas fotos, menos a do tombo e a vista da serra, e me ajudaram a prender os alforjes caídos em cima da moto com os elásticos que eu sempre carrego.

Eles que perceberam que eu e a Jezebel quase tínhamos caído no abismo.

Duas semanas antes, um motociclista e sua moto caíram em outra barroca da mesma estrada e só foi resgatado porque ficou horas chacoalhando uma árvorezinha comprida e um motorista desconfiou que aquilo não era coisa de macaco.

Depois de ter certeza de que eu conseguiria subir de novo na moto e ligar o motor, e eu dizer que estava tudo bem, eles foram embora, gente boa — até endireitaram a placa para que ela continuasse avisando o pessoal sobre a curva logo à frente. E quem sabe segurar alguma outra moto...

Depois de alguns dias me enviaram as fotos porque eu havia passado meu email atual ainda não hackeado e já estava pensando na postagem que iria estrear de novo o blog...

Eu disse que estava tudo bem, mas não estava não.

A dor era muita, agora na coluna e também nas costelas. Costelas dóem pacas.

Subi na moto e percebi que não havia removido o cabo do velocímetro que estava arrastando no chão.

Descer e subir de novo com a dor que eu estava? Nã nã nã. 

Pisei no cabo e acelerei a moto, ele ficou por lá mesmo, consciência pesada de poluir a natureza, mas era questão de sobrevivência.

Agora eu iria mesmo chegar a Apiaiaiai com a noite caindo, não tinha como ir ligeiro, cada buraquinho e pedregulhozinho da estrada eram motivo de dor intensa... eu não podia escorregar nas poças de lama, eu tinha de chegar rápido até o hospital e bater uma radiografia naquelas costelas.

Mas nessas horas tudo ajuda, e do nada no meio de lugar nenhum surgiu uma onça um filho de cadela que começou a me seguir e avançar contra o pé que eu não podia dar uma bicuda por causa da dor. Espaço reservado para protestos de defensores de animais que não pilotam motocicleta.

O totó não desistia e eu não tinha como fugir dele, até que tive a ideia de acionar a embreagem e acelerar ao máximo. Jezebel não é veloz, mas sabe como fazer um barulhinho bom.

Cheguei no hospital e uma enfermeira percebeu que eu não estava visitando um parente, então me ajudou a descer da moto. 

Atendimento preferencial para idosos estropiados, radiografias tiradas, costelas inteiras, pensei que ia receber um colete de gesso ou pelo menos um enfaixamento para diminuir as dores.

Costela não pode enfaixar. Pelo menos, não no meu caso. Ia ter de conviver com a dor. Um mês inteiro de dor, acordando a toda hora por causa da dor.

E aí, medicado contra dores de novo, vem a questão: o quequeu faço?

Eu TINHA de ir até Floripa para receber meu pagamento, ou não teria como voltar para casa.

A noite de quinta-feira eu passei no hotel emendando as duas metades dos alforjes com laça-gatos, felizmente eu tinha levado uma dúzia deles. Furava o couro corvim com a chave de fenda e suturava com os laça-gatos.

O conserto ficou tão bom que eles estão lá até hoje. Emendados e remendados pela segunda vez. 

Chegou a madrugada, hora de dormir, hora dos caminhões que levam madeira para as padarias e pizzarias começarem a subir a ladeira em frente ao hotel. Noite inteira sem dormir, e com dor.

Sexta-feira pela manhã, éramos os primeiros na loja/oficina de motos de Apiaiaiai.

Peripécias para conseguir que minha filha fizesse o pagamento do conserto sem poder falar diretamente com ela, tipo email sem fio via balconista da loja.

No final da história, consertos realizados, Jezebel ganhou um para-lama amarelo que odeio até hoje e tive de comprar o único capacete que entrou muito apertado na minha cabeçona gorda.

Fomos os primeiros a entrar na oficina e só saímos quando perdi a paciência às três da tarde e fui buscar a moto lá dentro da oficina, eu precisava chegar até Floripa ainda naquela noite porque tinha o compromisso de me encontrar com minha amiga e fonte pagadora no dia seguinte.

Estavam esquentando o motor para lavar a moto. Pois é, não pergunte. Não tem explicação.

Chegamos em Curitiba já estava anoitecendo e ainda tínhamos 300 km pela frente, com dores, cansado e com problemas para digerir aquela maldita coxinha de beira de estrada.

O cansaço era tanto que diminuí o ritmo para poder ficar atrás de um caminhão cheio de luzes sem ter de decidir o que fazer, apenas não perder as luzinhas de vista.

Depois de uns 50 km o motorista desconfiou da moto que o seguia e parou no acostamento, acabei parando junto, foi uma luta conseguir sair dali.

Chegando em Palhoça, rodei a cidade inteira várias vezes procurando o hotel que eu conhecia o caminho de cor.

Mas de noite e tão cansado, eu não sabia mais para que lado estava a serra e para que lado estava o mar, e de madrugada não tinha para quem perguntar.

E ainda por cima, sob os efeitos desesperadores da coxinha de Curitiba.

Acabamos morrendo em um motel na BR-116 ops, BR-101 lá pelas 6 da manhã onde pude tomar um banho. E lavar as roupas — coxinha em Curitiba, nunca mais. 

Jezebel ficou na garagem (não passava pela porta da suíte) e o motel tinha um degrau daqueles que você não vê e fui para o chão, onde fiquei me perguntando why, God, why?

Mas no final final deu tudo certo, até recuperei o blog um ano depois, e estamos aqui para contar a história.

É como diz a camiseta que eu usei na viagem:
Continue rodando, nunca desista

"Ué, falou tanto, mas cadê a jaqueta?"

Motivos religiosos.

Minha religião não permite usar jaqueta em trajetos inferiores a 5 km. Se eu cair de casa até a padoca, eu fiz por merecer.

Aproveito para mandar um forte abraço aos meus amigos Daniel e Meri que bateram as fotos e me deram sustança enquanto estive por lá, e agradeço aos leitores pela paciência de ouvir até aqui,

Jeff & Jezebel

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Novidades que talvez apareçam por aqui

Cinco Quatro acessórios interessantes para motocicletas:


O primeiro foi comentado pelo leitor José Carlos Aires, e é uma lanterna / luz de freio / setas de LED com bateria que detecta automaticamente a desaceleração da moto, alertando até mesmo quando você usa freio motor.

Freio motor é aquela desaceleração da moto simplesmente reduzindo marchas ou aliviando o acelerador, coisa que não é sinalizada pelas luzes normais da moto.

Como essa desaceleração pode ser intensa, contar com um sistema como esse será muito útil.
Imagem, outro vídeo e reportagem: http://g1.globo.com/carros/motos/noticia/luz-de-freio-para-capacete-promete-aumentar-seguranca-do-motociclista.ghtml

Além disso, serve de reserva para o caso de a iluminação traseira da moto falhar.

E por estar em uma posição alta, facilita a visualização da moto no trânsito — lanternas de motos são muito pouco visíveis, são ocultadas facilmente pelo carro atrás de você.

O brake light dos carros reduz acidentes porque permite que vários motoristas antecipem a frenagem quando ele se acende lá na frente, e motos nunca tiveram isso, até agora.

Você encontra mais informações sobre essa novidade neste link da reportagem da globo enviado pelo José Carlos.

A segunda novidade é uma luva equipada com GPS (ou um GPS embutido em uma luva, você decide).
Imagem: Vídeo acima https://www.youtube.com/watch?v=UePIvvNmd8E

Eu não me adaptaria com um GPS fixado no guidão da moto, e tenho dúvida se me adaptaria com um desses.

Aliás, tenho dúvida se me adaptaria com qualquer novidade tecnológica que distraísse minha atenção da pilotagem...

Mas de repente pode atender a uma necessidade de muita gente, o tempo dirá.

A terceira novidade é um headset que permite receber ligações de celular, além de gerenciar uma série de funções úteis para quem pilota.
Imagem: Vídeo acima https://www.youtube.com/watch?v=UePIvvNmd8E

Poder atender ligações do pessoal atrasado e perdido errando o caminho que gosta de pesquisar caminhos alternativos no meio dos passeios seria uma função muito bem vinda lá nos WD±40...

E a quinta novidade interessante é a bota de proteção com sistema de iluminação que reproduz a sinalização de setas e luz de freio:
Imagem: Vídeo acima https://www.youtube.com/watch?v=UePIvvNmd8E

Além de ser uma alternativa com reforços de proteção para as pouco práticas botas de cano longo, esse sistema de iluminação melhora a visibilidade do piloto.

Entretanto, não reproduz a lanterna, o que traz uma desvantagem em relação à luz de freio de capacete lá em cima:

A lanterna no capacete sinaliza a posição do piloto em caso de queda.

Bom, se não voar longe com o impacto...

Mas em casos de queda simples, de longe os mais comuns, indicar a posição de um motociclista caído pode salvar vidas.

Um abraço,

Jeff

segunda-feira, 13 de março de 2017

Dois capacetes fazendo muito bem o seu trabalho

Aproveitando o assunto dos capacetes da postagem anterior, segue um vídeo para mostrar capacetes bem afivelados fazendo muito bem o seu trabalho:


Como visto, acidentes podem acontecer até mesmo quando você pilota dentro dos limites de velocidade, e pelos motivos mais inesperados. E bizarros...

E nessas situações a coisa mais comum é meter a cara no asfalto — por isso que sou contra capacete aberto... 
Imagem: Vídeo acima https://www.youtube.com/watch?v=Vlq7_wwcyY8

Ou sair fazendo um voo de baixa altitude...
Imagem: Vídeo acima https://www.youtube.com/watch?v=Vlq7_wwcyY8

A primeira coisa que baterá no solo será sua cabeça, e é para isso que serve o capacete...

É mais que óbvio, mas o pessoal não dá a importância que merece.

Ainda mais com toda a publicidade com o pessoal rodando de capacete aberto como se fosse a melhor coisa do mundo. 

Não é.
Imagem: http://www.lordofmotors.com/2012/04/harley-propaganda.html

Já imaginou a cara do cara da Harley se ele estivesse usando o capacete preferido das propagandas da harley?

Como resultado dos bons capacetes bem afivelados, ambos os pilotos saíram praticamente ilesos do acidente.

O piloto da esportiva só não machucou a coluna caindo sobre a mochila nas costas porque usava um protetor de coluna.
Imagem: Pesquisa no google.

É um equipamento de segurança que já não custa tão caro — você encontra a partir de 75 reais, menos que um capacete — e pode fazer uma enorme diferença na hora de um acidente.

Afinal, uma lesão na coluna pode envolver meses e anos de fisioterapia, e algumas são irreversíveis, obrigando ao uso de cadeira de rodas.

E vou aproveitar para corrigir uma informação que fiz na outra postagem:

Eu disse que o capacete mal afivelado é a primeira coisa que voa longe, e você é a segunda.

Mas eu esqueci... e o leitor Felipe Rafael Valenzuela me lembrou:

Sapatos também saem voando, não são apropriados para andar de moto.
Imagem: Bakuon!! Episódio 4. — Não se preocupe, ela saiu ilesa. Bom, mais ou menos...

Ah, sim!

Sua garupa também sai voando, ainda mais se for uma criança. Ou uma boneca inflável como aquela da propaganda da harley.

Um abraço,

Jeff

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Posso pilotar com a perna quebrada?

Tem problema pilotar com a perna engessada?

Magina, problema nenhum, ainda é capaz de alguém bater uma foto e você acabar aparecendo no noticiário.

Se caprichar, você pode até acabar aparecendo na televisão ou no youtube:
Reportagem e vídeo: http://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2015/08/moto-invade-estacao-tubo-e-quase-acerta-funcionario-assista-ao-video.html

Assista o vídeo na reportagem do g1 neste link.

E se for pego pela polícia, ainda ganha uma multa por colocar a vida de outras pessoas em risco — não fosse a ninjice do gari, a manchete poderia ser outra.


Motocicleta é um negócio tão dependente de tudo estar em perfeita ordem que basta você não ter firmeza no pé para se arriscar a um acidente.


Por coincidência, justamente hoje comprei botas novas (as velhas se bateram com as dez).


Bota motoqueiro, solado grosso, xuxu xuchu chuxu chuchu belexa.


Sentei na moto e o pé não entrava embaixo do pedal do câmbio, ficou difícil passar marcha. 


Na primeira freada levei um susto porque o pé chegou mais rápido que o normal no pedal do freio.


Isso causou algumas situações complicadas no trânsito, ninguém espera que você comece a acelerar e diminua a velocidade porque a marcha não entrou, quase bateram atrás umas duas vezes.


E as freadas mais intensas exigem algum tempo para você se acostumar com a nova reação do freio traseiro.


Saímos da sapataria direto para a oficina para fazer o ajuste do pedal do câmbio — sim, as motos têm essa regulagem.


É só soltar o pedal do câmbio e encaixar em uma nova posição levantando o pedal um pouquinho, ou então reajustar o comprimento da articulação do câmbio também muito pouca coisa; se exagerar, ficará impossível mudar de marcha.


Deu um pouco de trabalho achar um ajuste que permitisse encaixar a bota e ainda passar as marchas sem ter de levantar excessivamente o pé, mas chegamos lá.


Se apenas um calçado novo já alterou tudo isso na pilotagem, causando riscos, imagina tentar pilotar com dor, sem firmeza nas pedaleiras, com bota de gesso ou imobilizador, e não poder fazer força no pedal do freio ou do câmbio...


Foi isso que causou o acidente lá de cima, repare que o piloto está usando um fixador externo no fêmur — provavelmente resultado de um tombo anterior.


A criatura não imaginou que as hastes do fixador pudessem enroscar na moto na hora em que ele precisasse acionar o câmbio.


Ele perdeu o controle da moto de maneira exemplar — foi filmado tentando domar o cavalinho chucro xucro e se espataquando* na plataforma de embarque civilizada de Curitiba.

* Do verbo espataquar, se esborrachar que nem um pato.

E a cereja do bolo, batendo a cabeça com força no chão porque o capacete mal ajustado ou desafivelado foi a primeira coisa que voou longe — essa é a maneira que a Vida usa para ver se bota algum juízo em quem é cabeça dura. E sobrevive.

Por muito pouco esse acidente que estamos aqui brincando não se tornou algo extremamente grave e mesmo fatal.

E tudo pela irresponsabilidade do sujeito de achar que conseguiria fazer algo que o bom senso sairia correndo e pedindo socorro.


Felizmente esse cara vai passar um bom tempo afastado do guidão enquanto conserta a moto, a única que se machucou gravemente neste incidente, coitada.

Vamos esperar para ver se no próximo tombo ele pelo menos aprendeu a travar direito o capacete.

Um abraço,


Jeff

sábado, 21 de junho de 2014

Meu pé, meu querido pé

Este é um daqueles modelos plásticos de pé que você vê nas lojas de produtos ortopédicos.


Imagem: http://www.drtobler.com/the-agony-of-da-feet-no-more/

Este também é outro modelo plástico de pé, mostrado dentro de uma bota cortada.


Imagem: http://www.flatfeetpain.com/shoes-for-plantar-fasciitis/

O pé visto por dentro é feio, né?

Mas estou postando essas imagens aqui para você perceber a importância do uso de calçados adequados para andar de moto.


Veja que um tênis/bota de cano curto como esse da foto é bacana, tem um ótimo encaixe para a pedaleira na sola que dá mais firmeza durante frenagens,
mas o cano curto não protege a parte saliente de um dos ossos, a cabeça a protuberância o maléolo medial da tíbia.

Melhor uma bota com cano mais longo, porque essa parte do osso fica muito exposta em caso de queda.


Na imagem você pode ver a espessura do couro e do solado de uma boa bota. 


Caso o motociclista caia e seja arrastado por um carro, toda aquela camada de couro da bota teria de ser desgastada até que o asfalto chegasse na pele, músculos, ossos, tendões, artérias, veias e 
nervos (uh, isso dói...)

Mas se o motociclista não usar uma bota adequada, o calçado vai pular fora do pé e não haverá nada entre o pé e o ralador de queijo asfalto passando rápido debaixo dele até o carro parar algumas dezenas de metros depois.

Por que eu estou postando isso?


Porque outro dia na Rede Vida no Trânsito vi uma apresentação sobre lesões de motociclistas.


Lembra do primeiro modelo de pé lá de cima?


Tinha uma foto quase igual.


não era um pé de plástico.


Depois dessa...


Hoje é sábado, dá uma sapeada por aí e capriche na escolha de sua nova bota de couro grosso com cano médio ou longo


E com salto.


Um abraço,


Jeff

domingo, 5 de janeiro de 2014

FULL GEAR x FOOL'S GEAR

Olá, pessoal

Para começar o ano, adaptei um poster bastante conhecido sobre segurança de pilotagem, mas que não lembro de ter visto traduzido.

No original, FULL GEAR x FOOL'S GEAR, um trocadilho intraduzível... então troquei por um trocadilho infame.

Gear quer dizer engrenagem, marcha e também mecanismo, equipamento. Em nosso caso, equipamento de proteção

A tradução seria algo como EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO COMPLETO x EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO DO TOLO, o que não é um trocadilho em Português. E também não caberia na imagem...

Então segue o poster 'traduzido' com variações e adaptações, com sem a devida autorização da swmsa.org e da National Association of State Motorcycle Safety Administrators.



Esses caras aqui também merecem crédito, mas não couberam na imagem:




Amanhã voltamos ao ritmo normal de postagens... espero eu.

Um abraço,

Jeff

sábado, 23 de novembro de 2013

Óbvios ululantes


Ganha um doce quem descobrir o motivo de ele não ter conseguido parar a moto.

Dicas: Não foi só a alta velocidade. E a resposta não está escrita no link da reportagem.

Se não conseguir matar a charada, a resposta está aqui.

Um abraço,

Jeff

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Eu queria recomendar, mas não sei se vale a pena...

Comprei a edição de outubro da revista Duas Rodas, e havia um DVD encartado, Segurança em Duas Rodas — Dicas para uma Condução Segura.

O nome prometia, e lá fui eu assistir à produção da equipe da revista Duas Rodas com patrocínio da Mobil.


Imagem: DVD encartado na edição nº 457 da revista Duas Rodas, outubro de 2013

Dicas de segurança são sempre bem vindas, mas me surpreendeu a maneira como eles deixaram de aproveitar bem essa ótima oportunidade de divulgar dicas de pilotagem defensiva.

Assisti aos cinco vídeos e vi dicas de segurança muito, mas muito básicas, mais básicas que as descritas aqui... além de alguns erros que considero crassos.

Logo na introdução eles falam que vão mostrar as principais dicas de como pilotar sua moto, tanto na cidade como na estrada, incluindo as melhores técnicas para fazer curvas e frenagens.

Aí começa o de sempre: usar os dois freios a 70/30, inverter a relação com pista molhada, o básico básico. Só que não saiu disso.

1º absurdo, a dica para frear usando apenas dois dedos com pista molhada para evitar travar a roda dianteira.

Sabe... frear em condições normais não exige esse cuidado, você consegue dosar a frenagem com todos os dedos. 

E se precisar frear mais forte, já estará com os quatro dedos no manete.

Mas condição normal é condição normal, o problema é a frenagem no susto, na emergência. 

Quero ver quem é que vai pensar em ir com dois dedinhos vendo a traseira do caminhão crescendo na sua frente.

E se estiver só com dois dedinhos, de onde vai tirar força para aumentar o esforço. Não gostei dessa dica, receio que possa induzir a acidentes.

Depois disso, aí entra o Eric Granado, piloto patrocinado pela Mobil, como se fosse o cara mais experiente do mundo, dando dicas a um novato:

Manter os pés horizontais nas pedaleiras, joelhos junto ao tanque, adotar uma postura relaxada, capacete bem afivelado.... Uou, massa, mudou a vida do novato!

Agora vão começar as dicas, as melhores técnicas para fazer curvas, certo? 

Errado, acabou de acabar o bloco Dicas de Pilotagem.

Foi constrangedor ver o novato agradecendo ao Eric pelas dicas.

Ah, tenha dó, vai.

E cadê as melhores técnicas para fazer curvas?

Não deram a cara em 4:10 minutos.

Será que estão no segundo bloco, Dia a Dia no Trânsito?

Não, não estão. 

Não dá para falar muita coisa em 2:58 minutos. 

Eles poderiam ter investido um pouco mais nesse tema, afinal, é o dia a dia no trânsito, né?

Teria muita coisa para falar da pilotagem que mais utilizamos. Mas não, nem 3 minutos, tchau i bênçaum.

Terceiro bloco, Pronto para Viajar, menos que o básico, aí vem um casal com muita experiência em viagens internacionais dando dicas para pegar a estrada.

Pena que para eles pegar a estrada seja ir pro Atacama.

Fala-se de como organizar as roupas no baú, mas não se fala em ultrapassagem, a manobra mais arriscada da estrada; achei que a abordagem destoou da proposta do DVD.

Destaque do bloco, as dicas da garupa:

Viajar o mais recuada possível para não bater capacetes, não atrapalhar os movimentos do piloto... e não esquecer a nécessaire porque a maquiagem não pode faltar numa viagem.


Dane-se o controle sobre a moto, dane-se a segurança; não pode bater capacete e faltar maquiagem.

As melhores técnicas de curvas na estrada?

Não sobrou tempo para falar disso em 4:18 minutos, precisavam mostrar as fotos das viagens.

Não tenho certeza de ter ouvido a palavra ultrapassagem no bloco inteiro. Fui lá conferir, não fala mesmo.

Quarto bloco, Mobilização Manutenção da Moto, mais propaganda.

A pérola:

“A cada 1000 km tem que checar se o nível do lubrificante não está abaixo do recomendado”.

Meu caro, minha cara, se você deixar para olhar o nível do óleo a cada mil km e fizer uma viagem, ou usar a moto intensamente, corre o risco de achar só fumaça e borra no cárter.

OK, estou exagerando, mas o limite para inspecionar o óleo é a cada 500 km, não mais do que isso. 

O ideal é todo dia pela manhã, pois um vazamento pode começar literalmente do dia para a noite.

Quanto a trocar o óleo depois de 1000 km... é ruim, hein?


A pérola visual:

O cara chegando em casa com a moto e inspecionando o nível com a moto inclinada... pouta descuido, meu!

Se você quer ensinar como se faz, tem que ensinar corretamente: a moto tem que estar niveladinha e com o motor frio.

Medir o nível com o motor quente vai dar uma indicação errada porque o óleo estará dilatado pelo calor; o certo é fazer isso depois que a moto esfriar e de acordo com as instruções do manual.

O importante é garantir o nível correto o tempo todo. E você só consegue aferir o nível com a moto nivelada. Inclinar a moto para qualquer lado dará uma indicação falsa para menos ou para mais.

Fim do bloco de 4 minutos com generosas esguichadas de lubrificante para corrente em aerossol (adivinha a marca?)

E aí vem a quinta e última seção, Equipamentos de Segurança. Pérola do bloco:

A narradora falando “descalço, nem pensar” enquanto a imagem mostra alguém pilotando de chinelos. 

Motivo do "descalço, nem pensar": o risco de ralar os pés.

Bom, acho que isso era meio óbvio, né?  Ninguém precisa assistir a um vídeo sobre condução segura para descobrir isso.

Mas o problema é novamente a falta de pesquisa:

A legislação proíbe o uso de chinelos, que podem atrapalhar o comando da moto, mas não proíbe pilotar descalço.

Certamente é um fator de risco, porque os pés ficam suados, pés molhados escorregam nas pedaleiras, etc., mas o vídeo não fala sobre a proibição e o risco dos chinelos e outros calçados inadequados, uma situação muito mais comum.

3:15 e sobem os letreiros, acabou o DVD que poderia ter sido gravado num CD.

Claro que frisei os pontos que considero negativos, tem outras coisas que não mencionei porque não dá para resumir tudo. Mas as coisas certas são a obrigação de quem se propõe a fazer um DVD desses, é o mínimo que se espera.

É sempre bom conhecer o máximo possível sobre segurança de pilotagem e o DVD é gratuito, e para quem está em dúvida sobre sua primeira moto, a revista ainda tem um comparativo muito interessante sobre as novas Titan e Fazer 150, com um resultado surpreendentemente surpreendente.

Eu nem devia estar fazendo propaganda da revista, porque denunciei para eles os escândalos que atormentam os proprietários de motos iguais à minha, e eles deram uma de Zé Manquinho.

Ou João Sem Braço, sei lá.

Resumindo, fiquei com a sensação de que o trabalho poderia ter trazido muito mais informações.

Será que guardaram as melhores técnicas de fazer curvas para o mês que vem?

Sei não...

Um abraço,

Jeff

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Capotagem com o freio dianteiro

Reportagem: http://g1.globo.com/mg/grande-minas/noticia/2013/02/adolescente-de-17-anos-morre-em-acidente-de-moto-em-montes-claros.html

Certa vez eu comentei que era idiotice dizer que o freio dianteiro a disco seria mais perigoso que o freio a tambor porque supostamente poderia fazer a moto capotar. 

Bem, continuo acreditando nisso, e este acidente é uma boa prova.


Conseguir capotar a moto atuando o freio dianteiro é muito difícil, mesmo que ele seja a disco. 


O acidente não aconteceu por causa dos freios.

Note que a moto capotou usando o ineficiente freio a tambor. 


Então, apesar de parecer inicialmente o vilão da história, devemos procurar a causa em outro local, e não no freio dianteiro.


Afirmo que essa moto não teria capotado se o piloto estivesse usando calçados adequados e os pés não tivessem escapado das pedaleiras.


O fator fundamental, dito no texto da matéria, foi que o piloto estava de chinelos, ultrapassou o sinal vermelho e tentou frear no desespero.


Seus pés escorregaram das pedaleiras e ele tentou se segurar cravando os controles das mãos, travando o freio dianteiro.


Não se pode culpar nem a moto e nem os freios.

Não é o tipo de freio em si que é perigoso, mas sim a falta de aprendizado no uso dos freios, somado aos abusos tradicionais: excesso de velocidade e pilotagem sem as mínimas condições de segurança.


Para pilotar e sobreviver, basta usar a mesma velha receita de sempre:


O piloto tem de ter controle total sobre a moto em qualquer situação, e isso envolve:


- ser habilitado, 

- usar calçados e trajes adequados, 
- adotar uma postura correta nos controles,
- pilotar em velocidade compatível, 
- respeitar a sinalização, 
- treinar as técnicas de frenagem e manobras de emergência.

A importância da firmeza dos pés nas pedaleiras eu já comentei nesta postagem, e sobre o uso de calçados adequados nesta aqui e nesta outra


Falei até sobre a necessidade dos calçados terem saltos.


Não se descuide desse item de segurança fundamental. 


Escorregar o pé da pedaleira durante uma frenagem de emergência pode ser fatal.


Um abraço,

Jeff