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sábado, 10 de outubro de 2015

Pisca-alerta e a estrutura do blog

Comentário postado pelo leitor Robson Nascimento na postagem A esperteza da dafra de não convocar um recall:

Jeff, como não achei um botão para enviar a minha pergunta de outra maneira, faço-a aqui nos comentários deste post mesmo, direcionada a você, demais colaboradores do blog e leitores (ou seja, quem puder responder rsrs):

Você sabe informar se existe algum motivo em específico — além de economia na fabricação — para os fabricantes de motos dispensarem itens de segurança como o pisca-alerta?

Há situações em que eu quero deixar um pedestre atravessar a rua ou permitir que um motorista cruze minha preferencial, mas fico com receio de fazer isso porque não há como os motoristas atrás de mim saberem da minha intenção sem que eu pare completamente a moto e coloque os pés no chão e fazer isso se tornaria muito menos prático que simplesmente passar direto e não fazer aquela boa e velha cortesia.

Além disso, existem aquelas situações em que é imprescindível parar a moto, aí o "pisca-alerta" existente é a ausência do piloto em cima da moto, ou os pés do mesmo apoiados no chão, que dificilmente alguém conseguiria enxergar em locais deficientes de iluminação pública. 

Para amenizar, deixo a seta ligada, mas seta e pisca-alerta sinalizam ações diferentes, se eu não estiver enganado.

Abraços.

Olá, Robson! Obrigado por acompanhar o blog!

Para começar, deixa eu aproveitar para tirar uma dúvida bastante comum:

Muita gente não encontra o formulário de contato, e isso acontece porque a maior parte do pessoal acessa o Minha Primeira Moto via smartphone — a telinha é pequena.


Quem usa o PC encontra uma barra vertical na lateral direita com várias informações que ajudam a fazer pesquisas no blog:


Além de uma relação de Principais postagens escolhidas pelos autores para figurar em destaque, existe a relação As mais lidas, atualizada automaticamente conforme o volume total de visitação.
 
Quer saber como pesquisar um assunto no blog?

Logo abaixo você encontra o campo Procurando algo? para fazer pesquisas via google em todas as postagens — muito útil.

Existe também uma classificação por Temas, onde você poderá pesquisar uma relação agrupando todas as postagens sobre um determinado assunto.


Dica: O tema Denúncia tem muita coisa bem interessante... 


Continuando a descer a página existe o Arquivo do Blog com todas as postagens por ordem de data — é só clicar na setinha para abrir o índice de postagens mês a mês e, clicando na setinha de cada mês, você encontra uma relação dia a dia. 

Mais abaixo você encontra um campo para quem quiser Receber atualizações no seu e-mail, basta digitar seu endereço e você receberá um informe assim que uma postagem nova for publicada.


O blog não usa esse endereço para nada, mas não sei o uso que o FeedBurner poderá fazer. Não costumo me cadastrar nesse tipo de coisa.

Logo abaixo vem o endereço do blog no facebook, que eu não consigo acessar para responder os comentários feitos por lá, um link para Curtir a página.

Por fim há a seção Colaboradores — onde você encontra os endereços de e-mail para se comunicar diretamente com os autores do blog. Alguns endereços estão em duplicidade, mas eu não acho mais a aba para corrigir isso...

Last but not least, ao final da coluna estão os links para Blogs que gostamos.


*****

Agora que todo mundo já sabe que esses recursos existem, vamos à resposta da pergunta do Robson:

Os fabricantes não instalam pisca-alerta apenas por economia de fabricação mesmo.

Como a motocicleta é um veículo pequeno que quase não ocupa espaço no acostamento, a lei não obriga a instalação de pisca-alerta, assim o fabricante não instala.

Ignoram que as condições de trânsito de hoje não são como as de 50 anos atrás, e o pisca-alerta se tornou uma necessidade diante das situações que você mencionou.

Quanto às limitações de utilização do pisca-alerta definidas no código de trânsito, penso que o código está cheio de boas intenções, mas quem sente na pele o perigo que corremos, só nós mesmos.


Jezebel, a Kansas, tem pisca-alerta, enquanto Edith, a Fenix Gold, não tem.

Então sinto falta do pisca-alerta na estrada em dias de chuva extrema, quando parar no acostamento pode ser mais perigoso do que continuar em baixa velocidade.


Nessa situação o código diz para não usar o pisca-alerta, mas é o meu couro e a minha moto que estão na linha de tiro, então quero mais é que o código se exploda, quero garantir minha visibilidade e não ser atropelado.

Em compensação, acho pouco prático usar o pisca-alerta quando há pedestres atravessando a faixa de segurança.


Acho mais rápido usar o sinal universal de braço levantado acenando para indicar a existência de um problema à frente; no caso o braço direito, enquanto a mão esquerda segura a embreagem e o pé direito controla a frenagem.


Talvez eu faça isso influenciado pelo fato de usar duas motos — o lampejador do farol de uma fica no lugar do pisca-alerta da outra, então acabo usando sempre o aceno de mão por segurança, vale para qualquer moto que eu esteja usando sem precisar pensar e perder um tempo que pode ser suficiente para evitar uma situação de risco. 

Quanto à boa e velha cortesia, tenho uma postagem sobre isso recomendando exatamente o que você faz, chamada Não seja gentil no trânsito

Não seja gentil no trânsito se isso puder colocar a sua segurança em perigo, afinal somos tão vulneráveis quanto pedestres no meio dos carros.

Outro motivo que adia a adoção do pisca-alerta por parte dos fabricantes é a compatibilidade com as peças existentes. 

As motocicletas chinesas, por exemplo, usam peças universais, o conjunto de interruptores de um modelo é utilizado em várias motos de vários fabricantes, e todos são iguais aos que alguma honda, yamaha, suzuki ou kawasaki usou em algum modelo em alguma época em algum país do mundo — as peças sempre foram produzidas na China...

Para usar pisca-alerta, a carcaça do conjunto teria de ter o botão, o fio incorporado ao chicote e o relé com capacidade de acionar todos os piscas ao mesmo tempo, e aí entra o fator custo.

Comparado ao preço da moto isso seria uma merreca, mas em uma indústria que economiza até arruela porque milhões de arruelas por ano representam um valor significativo, o pisca-alerta é visto como um luxo dispensável.

Um abraço,

Jeff

quinta-feira, 5 de março de 2015

Um novato e uma moto potente



Pilotar motos de alta cilindrada sem experiência com motos menores dá nisso.

Quando chega a hora em que precisa agir, o cara trava — toma decisões erradas que podem ser fatais. 


Mesmo que tivesse ficado sem o freio dianteiro, ou sem ambos os freios, o piloto poderia ter usado o freio-motor da moto — reduzindo rapidamente as marchas para fazer a moto desacelerar — e isso já no primeiro shit. 


Um pouco mais de vivência e ele não passaria por essa situação.


Veja este depoimento:




Esse rapaz, o Vinícius (não é o nosso Vinícius aqui do blog) comprou logo de cara como primeira moto uma 750. 

Como relatado por amigos, "ele andava a milhão", mas como todo novato, apenas achava que tinha condição para isso. 


Ele não tinha experiência, não tinha noção do perigo, achava que conseguiria dominar a moto em qualquer situação e velocidade.


Os amigos comentaram que ele não tinha bom domínio da moto, ele frequentemente aparecia nos próprios vídeos abrindo nas curvas e indo parar na contramão, escapando de acidentes por sorte.


A fatalidade que o vitimou era plenamente evitável.

Para não diminuir a alta velocidade em que estava, nem voar sobre uma lombada, ele tentou passar pelo espaço da sarjeta entre a lombada e a guia.


A moto resvalou, ele perdeu o controle e voou contra um poste.


Por ironia do destino, justamente o poste que ele publicou no primeiro vídeo que fez com sua câmera, quando passava pela sarjeta para evitar uma lombada, exatamente esta aqui. 


Reportagem: http://www.guarulhosweb.com.br/noticia.php?nr=82643

Quinze dias depois o Vinícius fez a mesma coisa, no mesmo lugar, mas errou.

Morreu com apenas 25 anos. Uma imagem igual a esta foi a última coisa que ele viu.

Nos dois vídeos que assisti com depoimentos sobre esse acidente (o outro é este aqui), o pessoal foi unânime e enfático: 

Não sonhe em ter uma moto potente como primeira moto.

Ganhe experiência com uma moto pequena, vá subindo de cilindrada gradativamente, aprenda as manhas traiçoeiras das motos antes de se aventurar com uma moto potente e, muitas vezes, indomável.

Algo que falo desde o primeiro dia aqui no blog.


Um abraço,


Jeff

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Apresentação

A Escolha da Primeira Moto

Pensando em comprar sua primeira moto, mas não tem ideia do que esperar, nem por onde começar?

Este blog foi criado para lhe dar dicas e ajudar a entender melhor o que uma moto poderá fazer por você, e o que você poderá fazer para que esse relacionamento seja muito legal.

A primeira coisa que você tem que estar consciente é do que uma moto não é.

Primeiro, ela não é uma bicicleta motorizada. Bom, as primeiras até que eram...


Para conhecer a História da Motocicleta, clique no link.

E para você, acostumado a andar de carro, ela está muito longe de ser um carro conversível de duas rodas.

Portanto esqueça, apague completamente da cabeça tudo o que você sabe a respeito de conduzir um carro; pilotar uma moto é algo totalmente diferente.

A pilotagem de uma moto exige que você trabalhe todo seu corpo em sintonia com a máquina. Somente com essa integração você poderá desfrutar do máximo prazer que ela pode te dar (uau...) Mas moto é assim mesmo, ela faz tua cabeça.

Motos têm alma.

Com o tempo você vai descobrir o quanto isso é verdadeiro.

Se você quiser comparar uma moto, compare-a uma mulher ciumenta. Ou uma tigresa no cio. Ou uma potra indomada. Ou uma mistura de todas elas.

Trate-a bem e vocês irão longe e serão muito felizes.

Destrate-a e ela te humilhará sem dó nem piedade, deixando você no chão e debaixo das rodas dela.

Então, para começar, vamos às perguntas básicas:

Qual a melhor cilindrada para começar?

Posso começar direto com uma 1000? 600? 250?

Sinceramente, não aconselho começar direto com uma moto de média ou grande cilindrada.

Leve em conta que cair com a moto faz parte de ser motociclista.

Não conheço nenhum que não tenha caído ou deixado a moto cair logo no primeiro ano. E cair com uma moto de alta cilindrada é algo muito frustrante, para o bolso e para o amor-próprio.

Nada pior do que ser apaixonado e sonhar em ter uma determinada moto, e depois vê-la riscada / amassada / destruída / detonada / estropiada / chorando por sua culpa.

Dominar uma moto de alta cilindrada pode ser algo muito complicado até para quem já tem boa experiência, mas não está acostumado com aquele modelo em particular.

Quer ver um exemplo? Dá uma olhada neste vídeo:

Essa reação da moto é a famosa “chicotada” ou "saída de traseira". O piloto chamou o acelerador e a moto fez aquilo que nos carros seria “cantar pneu”.

Só que um carro dança para um lado e para outro apoiado em 4 pneus.

A moto, quando dança, você dança.

Essa é uma situação muito difícil de controlar. Futuramente vamos analisar este caso para discutirmos o que ele fez, o que não devia ter feito, e o que você poderá fazer para não entrar nessa fria.

(A propósito, não fique preocupado não. Um tombo desses só dá para sujar o macacão.... mas se ele tivesse caído para o outro lado da mureta da ponte, a coisa seria bem diferente...)

Uma 250 já é suficientemente arisca para quem está começando. Por isso, comece com uma moto pequena, no máximo uma 150 para conhecer diversos macetes que ajudarão muito no futuro.

Depois de uns dois anos e alguns tombos (sim, não tem jeito, vamos conversar sobre isso mais pra frente), você poderá pensar em partir para uma moto de maior cilindrada.

Recomendo não ir direto para uma 750, 1000 ou 1200.

Adquira mais experiência durante algum tempo com uma 250 ou 400. 

A tentação de pegar direto uma 600 é grande, mas acredite, ela pode ser muito perigosa para quem está começando.



Olha só o risco que você estaria correndo:
Uma moto potente e pouca experiência podem ter este resultado. Aí não tem mais volta.

Mesmo com uma moto menor, você conseguirá ir aos mesmos lugares que essas aí de cima forem. E se já for uma 250, terá potência suficiente para atingir o limite de velocidade das estradas.

Uma moto muito potente te convida a conhecer os limites dela. Se você ainda não estiver preparado, poderá ser a última aventura de sua vida.

Uma coisa que você precisa saber:

Hoje em dia, motos muito potentes estão sendo equipadas com controle eletrônico de tração para evitar incidentes como aquele que você assistiu. 

Mas até recentemente isso não existia, há muitas dessas motos selvagens por aí, e um dia você poderá se apaixonar por uma delas.

Então, lembre-se que tentar domar essas feras já levou muita gente para o estaleiro. Ou para mais longe.

Comece com uma 150, aprenda os segredos da pilotagem antes de encarar uma dessas para que sua jornada não termine 5 km depois de sair da concessionária.

Excesso de velocidade, falta de domínio e falta de respeito pela moto matam.

Não caia nessa armadilha.

Um abraço,

Jeff
ATENÇÃO:
Conferir o óleo apenas tirando a vareta é errado e está destruindo seu motor! Os fabricantes divulgam informações contraditórias e o prejudicado é você. Veja a denúncia neste link.