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quarta-feira, 17 de maio de 2017

Parte 3 - O tiro no pé de de distorcer o que é dito aqui no blog com bons argumentos... contra eles mesmos

E finalmente, a última postagem sobre essa crítica — a menos que algum leitor queira mais informações ou tenha críticas.

Porque você sabe, EU não me furto às críticas... 

Faço questão de responder e deixar as coisas muito claras, Tintin por Tintin.
Imagem: https://terrademordor.wordpress.com/2014/01/19/voce-sabia-tintin-12/

Para tentar dar peso de autoridade para sua crítica, o autor transcreveu textos de sites consagrados de gente que realmente entende do assunto.

Para variar, voltando a falar apenas de óleos xxW-30 e desconsiderando totalmente 
o óleo 0W-20 determinado pela HONDA
Fórum: https://www.htforum.com/forum/threads/o-persistente-mito-do-oleo-fino-demais-para-nosso-clima.243520/
Original: http://www.upmpg.com/tech_articles/motoroil_viscosity/

Segue a tradução:


"Eu nem sei dizer quantas vezes eu ouvi alguém, geralmente um mecânico de automóveis, dizer que eles não usariam um óleo para motor 5W-30 porque ele é, "muito fino". Então eles podem usar um óleo para motor SAE 10W-30 ou SAE 30. Nas temperaturas de trabalho do motor esses óleos são os mesmos. O único momento em que o óleo 5W-30 é "fino" é nas condições de partida a frio onde você precisa que ele seja "fino".


E ainda este texto do Bob, the Oil Guy (Bob, o cara do óleo):

Fórum: https://www.htforum.com/forum/threads/o-persistente-mito-do-oleo-fino-demais-para-nosso-clima.243520/
Original: https://bobistheoilguy.com/motor-oil-101/

Este primeiro parágrafo chega a ser hilário quando confrontado com os absurdos escritos naquela crítica:


"Todo mundo, incluindo bons mecânicos pensam que são especialistas neste campo, mas poucos entendem de óleos para motores. A maior parte do que ouço é o oposto da verdade. No entanto é fácil ver como as pessoas se confundem, já que sempre há alguma verdade nessa concepção errada.


A maior confusão é por causa da maneira como os óleos para motores são classificados. É um sistema antigo e está confundindo muita gente. Eu sei que a pessoa está confusa quando eles dizem que um óleo 0W-30 é muito fino para seus motores porque o manual antigo diz para usar 10W-30. Isso é errado.


"O motor é projetado para funcionar a 100°C (212°F) em todas as temperaturas externas desde o Alasca [o estado americano mais frio] até a Flórida [estado mais quente]. Você pode entrar em seu carro em setembro (primavera nos EUA) e dirigir em zigue zague até o Alasca chegando em novembro (fim do outono no hemisfério norte). A melhor coisa para seu motor seria que ele nunca fosse desligado, ou simplesmente fosse mantido em movimento dia e noite. A espessura do óleo seria uniforme, seria sempre 10 [centistokes]. Em um mundo perfeito a espessura do óleo seria 10 em todas as temperaturas."


A crítica comete um erro grosseiro de usar essa argumentação dos especialistas em lubrificação.

Os especialistas falam sobre o preconceito de usar um óleo de viscosidade de inverno menos viscoso — mas continuando a usar a mesma viscosidade em alta temperatura SAE 30 que eles já estavam usando naquele país de clima temperado.


Um argumento totalmente descabido quando se denuncia a redução da viscosidade em alta temperatura de SAE 30 para SAE 20 no Brasil tropical.


Nenhum dos autores citados corrobora o argumento da crítica feita a este blog.


E a argumentação do segundo especialista em óleo tem um erro de interpretação básico...


Vamos analisar o primeiro bloco:


Viscosidades de inverno não são aplicáveis ao Brasil.


Não temos invernos de cair neve como lá, exceto em um punhado de dias em regiões muito específicas. 


Portanto esse texto é inútil como sustentação porque foge do assunto abordado, que é o óleo 0W-20,
 caso encerrado.

Segundo bloco, esse é mais interessante:

Primeiro parágrafo, paradoxalmente aplicável em sua totalidade ao texto da crítica. 


Segundo parágrafo, vide explicação logo acima, caso encerrado.


Terceiro parágrafo, e aqui está o grande X da questão:


Bob, o cara que entende de óleo, diz que o motor trabalha sempre a 100 graus Celsius e por isso o óleo sempre está com viscosidade de 10 centistokes ou 10 mm2/s.


Ele fala em valores médios ideais, temperatura de radiador do motor, quando o problema realmente está nos componentes internos em temperaturas muito distantes dessa média ideal.


São eles que sofrem o efeito do óleo pouco viscoso e se desgastam. 


viscosidade varia conforme a temperatura do óleo, e 100°C é a temperatura estabelecida em laboratório para a medição padronizada da viscosidade.


No entanto, as peças dentro do motor não estão todas uniformemente a 100 graus Celsius. 


Há locais muito mais quentes:

Imagem: Vídeo https://www.youtube.com/watch?v=KhL_g5LscTw aos 09:36 na postagem http://minhaprimeiramoto.blogspot.com.br/2017/04/o-video-russo-sobre-oleos-sinteticos-5w.html

O radiador estará perto dos 100 graus, podendo chegar a 115 e no limite a 120 porque o sistema é pressurizado, mas essa não é a temperatura do óleo em cada parte do motor.


As peças internas em atrito direto e a uma temperatura muito superior aos 100 graus — como o virabrequim, cilindros, pistões, pinos dos pistões e anéis dos pistões — receberão óleo com viscosidade inferior a 10 centistokes.


E essa viscosidade se reduz instantaneamente, bem abaixo dos tais 10 centistokes, asim que o óleo entra em contato com as peças quentes.


E essas são justamente as peças mais sensíveis ao desgaste, e é para elas que é obrigatório garantir o óleo com a maior viscosidade possível na temperatura em que se encontram.


Se o óleo fino e quente já chegar nelas com uma viscosidade ridiculamente baixa, não fará seu papel. 


Daí a necessidade de aumentar a viscosidade em função da temperatura ambiente — regra prática adotada por TODOS os fabricantes de motores e equipamentos industriais em TODOS os países do mundo.


Simples assim, mas um fato que a crítica diz logo no início que é uma "má interpretação simplista e errônea"... 


Afirmação que seria cômica, não fosse a tragédia da desinformação embutida.


Então Bob, o cara do óleo, entende profundamente de óleo, mas no trecho selecionado não menciona particularidades internas dos motores. 


E por isso ele não considera pontos essenciais.


Não considera a influência da temperatura ambiente na hora do cárter ajudar a esfriar o óleo;


Não considera a influência da temperatura ambiente na hora da tampa de válvulas ajudar a esfriar o óleo;


Não considera a influência da temperatura ambiente em que o ar ou a mistura ar/combustível entram na câmara de combustão para resfriá-la antes da explosão e assim abaixar a temperatura de todo o conjunto;


Não considera a influência da temperatura ambiente na hora de o radiador esfriar o líquido de arrefecimento...


Que por sua vez irá colaborar para que o óleo chegue às peças sensíveis com a maior viscosidade possível...



E agora você entende a lógica da ilustração de temperaturas do vídeo russo — ela mostra temperaturas tão diferentes para o mesmo motor.



Demônio da lógica gosta de aparecer

São temperaturas de funcionamento nas condições de inverno e verão — o óleo no cárter estará a 80°C em dias com neve e a 150°C em dias de verão nos desertos russos e de países para onde seus veículos são exportados.

Mesma coisa para todas as outras temperaturas mostradas na figura...


São as temperaturas que seu óleo encontrará durante o inverno na Sibéria ou no verão do deserto de Ryn, às margens do mar Cáspio.

Se o raciocínio do Bob estivesse correto — e a temperatura ambiente realmente não influísse na temperatura de trabalho do óleo — os motores dos carros circulando no Oriente Médio ou em Las Vegas 
não precisariam usar óleo 5W-50...

Poderiam usar tranquilamente o mesmo óleo 0W-30 do cidadão que mora no Alasca. Só que não.

Por que eles usam 5W-50 e não 20W-50?


Porque apesar de o deserto 
atingir mais de 40 graus durante o dia, as noites são muito frias, temperaturas abaixo de zero não são raras, então é importante facilitar a partida.
Fonte: https://www.vegas.com/weather/averages.html

Nessas condições um óleo 20W-50 atenderia?


Em um carro mais antigo com motor de partida potente, sim. A partida seria um pouco difícil nas manhãs mais frias, mas não impossível.


Com um óleo 15W-50 o arranque seria melhor e com um 10W-50 melhor ainda, e com um 5W-50 a partida é fácil.


Porque eu enfatizei antigo com motor de partida potente?

Porque tudo na indústria automotiva visa a economia.

Se eles projetam um motor que usa óleo menos viscoso, a partida em dias frios com neve caindo será facilitada, então não há necessidade de um motor de partida tão potente.

Colocam um motor de partida menos potente custando mais barato, mas que dará conta do recado. Supostamente.

Aquele exemplo de dizer que um cidadão pode fazer uma viagem da região mais quente do EUA para a mais fria, ou vice-versa, sem se preocupar com o óleo, é verdadeiro, mas é um exemplo muito fraco.

Uma coisa é fazer uma viagem atravessando regiões de climas diversos — outra muito diferente é viver permanentemente em um desses locais. 


Pergunte para o pessoal que mora em Las Vegas e no Oriente Médio porque eles não usam óleo 0W-30 nem 10W-30...


O motorista que viesse do Alasca para a Flórida encontraria um estado com temperaturas quentes para um cidadão alasquiano — mas nada assustadoras para nós aqui no Brasil:

Fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/Florida#Climate

Máximas de 33°C — nada excepcional.


A Flórida atinge essas temperaturas apenas nos meses de verão, enquanto no Brasil muitas de nossas cidades atingem temperaturas acima disso o ano todo...


Bem diferente de Campo Grande, com máxima de 39,7°C:

Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Campo_Grande#Clima

Rio de Janeiro, com máxima de 42,0°C:

São Paulo, com máxima de 37,8°C:

Ou mesmo Porto Alegre, mais ao sul e que teoricamente deveria ser uma cidade mais fria, mas que tem máximas elevadas, com máxima de 40,6°C:
Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Porto_Alegre#Clima

Finalizando este bloco com as palavras do próprio Bob, o especialista em óleo:


"É fácil ver como as pessoas se confundem, já que sempre há alguma verdade nessa concepção errada."


Resumindo, a crítica cita autoridades no assunto QUE NÃO CONSIDERAM detalhes fundamentais.


Voltando ao tópico do fórum...


Aquela crítica feita contra este blog disse que somos "um caso clássico de uma simplista e má interpretação de texto (...) gerando uma conclusão incompleta e simplista, portanto, errônea
."

Que ironia, né?

E falando em ironia, já que a crítica citou fontes consagradas para pesquisa no exterior, por que não citou a THE ENGINE OIL BIBLE?

Aí vai uma palhinha:
Recomendação: http://www.carbibles.com/viscosity.html 

Tradução:


AGORA ESTOU TOTALMENTE CONFUSO. VOCÊ PODE SIMPLIFICAR TUDO ISSO PARA MIM?

Claro. Aqui está uma tabela de três linhas para dar a você uma ideia de onde os óleos para motores típicos são usados:


Só lembrando, alguma coisa parece estar muito fora da ordem (mas dentro da nova ordem mundial?) na visão das montadoras por estas bandas tropicais:

Aí você me pergunta:

Os automóveis honda e toyota já não usavam óleo SAE 10W-30 e funcionavam bem? 


Sim, funcionavam satisfatoriamente, mas nunca foram tão duráveis aqui quanto no exterior, onde são famosos pela durabilidade.

Até onde isso pode ser atribuído somente ao desleixo dos proprietários brasileiros é questionável, porque o pessoal nos EUA não é conhecido pelo capricho com a manutenção de seus carros.

Em minha opinião, os motores dos carros japoneses durariam muito mais com o uso de um óleo de viscosidade adequada à nossa temperatura — recomendação que fabricantes como a honda fazem em todo o mundo, mas curiosamente, omitem no Brasil.

A honda não usa 10W-30 nas motocicletas?

Sim, usa — e os 
motores não estão nada felizes com o óleo 10W-30.

Os motores de motos de arrefecimento a ar estão sofrendo — é só ver as motos da honda e os coitados que se iludiram com a propaganda maciça do óleo genuíno bom pra caramba, tão bom que a honda colocou o nome dela... 

Desabafo: http://www.reclameaqui.com.br/17805672/honda/oleo-inadequado/

Sabe, eu adoraria ver o que o dono dessa moto responderia para o autor da crítica quando ele dissesse:


"Outra bobagem: Exageros ao dizer que "óleos mais finos são consumidos muito mais rapidamente"..."


A prova de que são consumidos mais rapidamente foi que o dono acostumado com motos não estava preparado para o ritmo alucinante de sumiço do óleo mais fino.


Sumiço mais rápido assumido pela própria fabricante do óleo, como vimos naquele vídeo da shell.


Os motores de carros e de motos com arrefecimento líquido estão em situação melhorzinha. 


Os motores com óleo 10W-30 sofrem sempre?


Os motores com óleo 10W-30 sofrem mais nos dias quentes do ano e nos congestionamentos. 


Os motores com óleo 0W-20 sofrem sempre. No inverno todo mundo tem um alívio refrescante. 

O problema é que não adianta o motor funcionar bem com o óleo fino na maior parte do ano...


O estrago feito por má lubrificação em um único dia quente pode ser pequeno, mas é irreversível, apenas isso...

E o desgaste é cumulativo e progride geometricamente — ou seja, cada vez mais rápido.

Cada vez que seu motor é submetido ao estresse térmico e de atrito excessivo por má lubrificação por óleo inadequado ele desenvolverá desgastes somente reparáveis com a substituição ou retífica das peças.

Detalhe: motores modernos não admitem retífica de virabrequim, somente trocando o conjunto todo.


E por conjunto todo, as concessionárias gostam de trocar o motor inteiro.

Custos de reparação ficam na casa de 21 a 30 mil reais... que não são cobertos pela garantia da honda, porque constituem "mau uso"...


Mesmo quando o cliente consumidor não sai da concessionária:

Reclamação: http://www.reclameaqui.com.br/10208624/honda/honda-civic-2013/2014-com-25000-km-e-fundido/

E sejamos justos com a honda, eu também denunciei a mesma prática pela toyota:

Reclamação: http://www.reclameaqui.com.br/8817481/toyota/corolla-motor-fundiu---/

E quais as consequências da adoção do óleo 0W-20?

No finalzinho de 2014 eu previ uma situação similar às de motos honda com óleo genuíno, muita gente reclamando da pouca durabilidade dos motores.


Passados 2 anos, a quebradeira está começando...

Reclamação: http://www.reclameaqui.com.br/n1pyJP1NXtLU6vza/honda/motor-fundiu-com-menos-de-120-mil-km/


Reclamação: http://www.reclameaqui.com.br/1dhie6VK7E4AUghf/toyota/veiculo-corola-2017/

Sabe, é curioso...

Essa crítica tão empenhada contra o blog não enfocou comparar um óleo SAE 0W-20 com um óleo 10W-30, que era a questão denunciada aqui, e sabe por quê?


Porque para isso não existem argumentos contrários...


Ou melhor, os próprios argumentos que foram usados na crítica se opõem aos fatos...


O autor da crítica sabe muito bem que a viscosidade W se refere à temperatura na partida, abaixo de zero grau, mas faz de conta que ela é importante para discutir a viscosidade a 100°C.


Ele até menciona que o óleo chega a 150° dentro do motor — mas continua a raciocinar exclusivamente em cima do óleo 10W-30...


O conhecimento do assunto que o autor demonstra está acima do nível de um curioso.


Está mais próximo, eu diria, de um profissional da área automotiva... essa é minha opinião.


O que transparece na crítica é mais do que apenas desconhecimento ou engano — existe uma interpretação intencionalmente tendenciosa das coisas que foram ditas e dos fundamentos que ele mesmo cita como fontes.


Na minha avaliação, tal atitude poderia ser interpretada como uma disposição de espírito que inspira e alimenta ação maldosa, conscientemente praticada.


A defesa tão enfática de pontos de vista totalmente errados, tentando desqualificar as denúncias daqui do blog, embasada em argumentos apenas com aparência de corroboração, mas sem ligação com o fato denunciado, faz com que eu acredite cada vez mais na minha "teoria da conspiração".


Depois de ver essa crítica tão bem elaborada com argumentos tão distorcidos, estou ainda mais convencido de que não é só teoria não...


Fatos:


Os carros são os mesmos, tanto lá como cá.


E as leis físicas que determinam a necessidade de usar um óleo de viscosidade adequada à temperatura da região de utilização são universais.


Chamam-se Leis da Termodinâmica, e sem o conhecimento dela os motores nunca teriam sido projetados...


Elas prevalecem por mais que os defensores do contrário esperneiem e elaborem textos "matadores" demonstrando todo seu [des]conhecimento.


O melhor termômetro para ver o efeito desses óleos recomendados pela honda aqui no Brasil é muito fácil:


Faça uma pesquisa por "honda fervendo" ou "toyota fervendo" no google e tente contar quantos casos aparecem.


O pessoal coloca a culpa na tampa do radiador, coitada...


Confundem efeito com a causa, adiam o problema e correm a postar um vídeo no youtube.


O motor ferver é indicativo de um motor trabalhando em excesso de temperatura.


Excesso de temperatura por excesso de atrito interno por má lubrificação devido a um óleo de viscosidade inadequada para a temperatura ambiente típica do Brasil. 


Simples assim.


Por mais que tentem distorcer meus argumentos, é impossível distorcer os fatos e as leis da Física.


Um abraço aos leitores amigos e aos críticos sinceros deste blog, e em especial ao leitor e filósofo John Locke, que defendeu o blog lá no fórum da crítica, sem obter resposta.


Fiquei contente por ele ter postado lá as tabelas que obrigariam o autor da crítica a entrar em detalhes espinhosos — se este estivesse disposto a esclarecer o assunto e não apenas a tentar desqualificar as informações apresentadas aqui.

E também agradeço ao leitor Daniel Wippel que havia me informado sobre as tabelas técnicas de viscosidade lá da Viscopedia por outro motivo, e elas acabaram sendo muito úteis para esta série de postagens.

A postagem de amanhã trará um exemplo muito concreto da prática comum das montadoras de oferecer orientações confusas sobre o óleo do motor.

Não faz parte da série em resposta à crítica, mas o assunto é correlato.

Até a próxima,

Jeff

terça-feira, 16 de maio de 2017

Parte 2 - O tiro no pé de distorcer o que é dito aqui no blog com bons argumentos... contra eles mesmos

RETRATAÇÃO PARCIAL:

Relendo a postagem depois de escrita, sou obrigado a admitir que eu fiz mesmo um raciocínio enviesado merecedor de críticas...

Realmente, com base somente na informação do manual da honda que usei como exemplo, não seria possível chegar à conclusão de que "quanto maior a temperatura, maior a viscosidade recomendada".

Apesar de isso ser uma verdade factual, eu falei com base no que todo mundo sabe — as tabelas de viscosidade em função da temperatura ambiente estão na maioria dos manuais de proprietário; inclusive, esta segunda parte fala também sobre isso.

Mas realmente aquela recomendação da honda não serviria de base para essa interpretação.  

Lamento ter feito esse raciocínio falando da viscosidade de inverno quando só poderia ser feito sobre a classificação de viscosidade em alta temperatura... 

Acabei cometendo o mesmo erro que critiquei na crítica. 

Mas exceto esse engano, todo o restante da minha argumentação é comprovável — e é absurdo tentar condenar o blog inteiro por causa de um deslize em um único parágrafo.

15 palavras no meio de um único texto — entre centenas de postagens existentes à época — não servem de base para dizer que o blog é, nas palavras do crítico, "perfeito exemplo de site desinformador" — isso foi extremamente injusto e tendencioso. 

FIM DO MEA CULPA, vamos ao que interessa. Retornando ao texto programado para hoje:

Como vimos na postagem de ontem, este blog foi criticado por dizer as coisas como elas são. Com um pequeno deslize, admito.

Na tentativa de rebater minha postagem, a crítica omitiu totalmente o fato principal da denúncia:

mudança de 10W-30 para 0W-20 foi solenemente ignorada na argumentação usada para desacreditar tudo que é denunciado aqui.

Insistiram em falar e martelar óleos 0W-30, 5W-30 e 10W-30 — que absolutamente não eram o tema da denúncia.

E aí fizeram a afirmação mais bizarra de todas:
Fórum: https://www.htforum.com/forum/threads/o-persistente-mito-do-oleo-fino-demais-para-nosso-clima.243520/

Tive de parar de escrever por alguns instantes.

Eu poderia simplesmente dizer que isso é o básico do básico de qualquer aplicação de lubrificação, seja industrial ou automotiva.

Mas preferi responder à dúvida do autor da crítica, porque o entendimento dessa questão é fundamental.

Vou começar explicando o fundamental e depois rebaterei a argumentação da crítica usando os argumentos encontrados lá mesmo.
Primeiro:

"Que diabo de lógica existe em falar que quanto maior a temperatura ambiente mais viscoso deve ser o óleo?????"

A lógica, meus caros, é a seguinte:

Em uma região quente o arrefecimento do motor é menos eficiente porque o gradiente térmico (diferença de temperatura entre o motor e o meio ambiente) é menor.


Por isso o motor trabalha mais aquecido e o óleo chega aos componentes do motor em temperatura mais elevada do que chegaria em uma região de clima frio.

Ao trabalhar mais quente, a viscosidade do óleo diminui e a lubrificação fica prejudicada.

E uma lubrificação prejudicada aumenta o atrito e o desgaste dos componentes — é uma fonte adicional de calor interno para o motor, agravando ainda mais a situação.

Explicando de modo mais fácil usando o exemplo extremo utilizado na crítica:
Diabo da lógica mandando lembranças

O radiador de um motor e o motor inteiro expostos à temperatura de –50°C na Sibéria têm mais facilidade para esfriar do que o mesmo radiador e motor inteiro expostos à temperatura de +50°C no Saara. 


Óbvio, né?

Mas tem gente que não percebe ou não quer perceber. 


E alguns poucos não têm interesse que os outros percebam porque isso gera um mercado lucrativo de reposição de peças, prestação de serviços e giro mais rápido dos veículos à venda.

Preciso me lembrar de agradecer pelo ótimo exemplo fornecido com a Sibéria e o Saara...


Se eu falasse em situações nem tão extremas, ficaria mais difícil de visualizar o que ocorre. É como dizem, sempre se pode achar algo útil quando se procura a fundo.


O motor é projetado para trabalhar idealmente em temperaturas entre 90 e 100 graus Celsius. 

A ventoinha é acionada dentro dessa faixa ou sem passar muito dos 100 graus para evitar que a temperatura suba ainda mais e o motor ferva — não é viável projetar o sistema de arrefecimento para suportar pressões e temperaturas excessivas.

As divulgações que as montadoras fazem é que "os motores modernos trabalham em temperaturas mais elevadas que os antigos".

Não é bem assim.

Todo termostato é ajustado para ligar dentro daquela faixa aproximada de 90 a 100°C ou muito pouca coisa a mais do que isso, depende de cada fabricante.

Permanecer acima disso é uma condição anormal transitória enquanto a ação da ventoinha trabalha para abaixar a temperatura do líquido de arrefecimento.

Como foi dito, 115 a 120 graus é a temperatura em que o líquido de arrefecimento ferve no interior do sistema mantido sob pressão e a pressão interna é liberada por uma válvula de segurança, que é a tampa do radiador.
Imagem: Mercadolivre

Quando a pressão interna do radiador é maior do que a força exercida pela mola da tampa, a parte inferior se levanta e permite a saída do vapor e líquido fervente.

Não é uma condição normal de trabalho do motor.

O motor não é projetado para trabalhar permanentemente com temperatura do líquido de arrefecimento próxima ao limite máximo.

Aliás, nada em engenharia é projetado para trabalhar no limite máximo — sempre é necessário ter uma margem de segurança.

O processo de esfriamento leva um tempo para o ar conseguir retirar calor suficiente do radiador e esfriar o líquido de arrefecimento.

Qualquer sistema já próximo do limite tem maior chance de entrar em colapso e não conseguir dar conta do trabalho.

No caso do sistema de arrefecimento, o motor ferve.

E isso é fundamental:

A diferença entre um motor de carro bem lubrificado e outro com óleo inadequado é a seguinte:

O motor bem lubrificado trabalhará abaixo da temperatura de acionamento da ventoinha e fervura do líquido de arrefecimento — enquanto o outro permanecerá sempre na dependência da ventoinha ser acionada.

A ventoinha é — ou deveria ser — um último recurso de segurança. 

Motores elétricos têm vida útil limitada menor que a do motor do veículo.

Se a ventoinha vier a falhar, e motor estiver trabalhando dependendo dela para estabilizar a temperatura, a vida útil do motor será prejudicada. 

Além disso, a temperatura do radiador pode não chegar aos 115 ou 120 graus Celsius, mas todas as demais temperaturas internas do motor estarão mais elevadas em um ambiente mais quente.

A começar pela câmara de combustão, que naquele exemplo extremo, em vez de receber ar a –50°C negativos, fará a admissão do ar a +50°C positivos.


Em uma situação mais próxima da nossa realidade, em vez de receber ar a +20°C na Europa, fará a admissão do ar a +40°C no Brasil.

Esses 20 graus a mais na temperatura ambiente irão comer as margens de segurança garantidas pela boa lubrificação do motor — se o óleo for inadequado — e pela ventoinha. 

E aí o óleo idealmente abaixo dos 100 graus circulará sempre perto dos 115 a 120 graus...

E quanto maior a temperatura, menor a viscosidade real do óleo nas peças, daí a necessidade de compensar esse efeito abastecendo o motor com óleo de viscosidade mais elevada.

Tudo é definido muito precisamente dentro do motor — é a engenharia da coisa. 

Até mesmo a proporção da mistura que entra na câmara de combustão influi na temperatura de trabalho do motor.


O motor precisa do esguicho de combustível para roubar calor da câmara antes da combustão.


Um motor trabalhando com mistura pobre (pouco combustível proporcionalmente ao ar aspirado) trabalha em temperatura vários graus mais elevada que com mistura rica.


Donos de carros não têm essa percepção, mas nós donos de motos arrefecidas apenas a ar sabemos muito bem o que acontece.


Quando o motor da moto trabalha muito quente, ele morre com facilidade, sofre pré-ignição ("bate pino"), o câmbio tem dificuldade de passar marchas, você não consegue colocar a moto no neutro...

Mas a crítica quer convencer que a temperatura do ar que entra na câmara, e a temperatura do ambiente ao redor, não influi na temperatura de trabalho do motor.

Sinto desiludir o autor da crítica, mas não fui eu quem inventou o diabo dessa lógica.

As Leis da Termodinâmica são universais e elas são usadas pelos engenheiros que entendem do assunto para projetar os motores.


Os mesmos engenheiros que fazem as tabelas de viscosidade recomendada em função da temperatura ambiente que estão nos manuais de proprietário.


Tabelas que o autor da crítica fez questão de ignorar, não respondendo ao único comentário feito lá questionando suas alegações — agradeço o apoio do leitor John Locke.


Tabelas parecidas com esta:

Tabela: http://minhaprimeiramoto.blogspot.com.br/2013/11/alerta-aos-proprietarios-de-kawasaki.html

Logo depois da frase sobre o "diabo de lógica" que me obrigou a toda esta explicação, a crítica diz o seguinte: 
Fórum: https://www.htforum.com/forum/threads/o-persistente-mito-do-oleo-fino-demais-para-nosso-clima.243520/

Que ótimo...

O autor é adepto da lógica "se uma coisa é igual a outra, então a outra é igual à coisa".

O que é um exemplo idiota de lógica perfeita, mas...

O QUE ISSO TEM A VER COM O ASSUNTO?

É ÓBVIO que "um óleo 0W-30, 5W-30 ou 10W-30 terá A MESMA VISCOSIDADE com o motor quente, pois os valores APÓS o W são IGUAIS"...

Mas o autor faz questão de ignorar o tema fundamental:

Um óleo 0W-20 NUNCA TERÁ a mesma viscosidade de um óleo 10W-30 e nem de um óleo 15W-40 na temperatura de trabalho — porque os valores APÓS o W são DIFERENTES.

E era isso que estava sendo denunciado pelo blog.

Para eliminar qualquer dúvida, já que o autor da crítica gosta tanto de falar de partida a frio:

Na partida a zero grau centígrado, um óleo 0W-20 TERÁ a mesma viscosidade de um óleo 0W-30 e de um óleo 0W-40 — porque os valores ANTES do W são IGUAIS.

O que para nós aqui no Brasil é uma informação inútil.

Nossas temperaturas nunca chegam a ficar tão baixas que essas diferentes classificações de viscosidade façam qualquer diferença na partida — salvo alguns poucos dias em regiões muito específicas.

Pois é...

O argumento inicial da crítica foi todo por água abaixo...


A crítica utilizou meia dúzia de postagens para defender seu ponto de vista.


Usou o recurso de falar muitas coisas corretas depois de iniciar falando inverdades.


É uma técnica de oratória bem conhecida.


Ao final, todos lembrarão da dissertação maravilhosa e cheia de conteúdo não aplicável à discussão em si, sem atentar que partiu-se de um ponto totalmente infundado.


É uma velha técnica de retórica já criticada no tempo da Grécia clássica.


Adotar um óleo ainda mais fino em um país tropical era toda a questão que o autor da crítica não percebeu ou fez questão de não perceber — e que sua crítica fará com que outros não percebam.


E agora, leitor, depois de ler minha postagem e os argumentos feitos contra ela, qual dos dois textos você considera o verdadeiro DESINFORMADOR?


Alguém responda pra mim:


Por que uma crítica inteligente, feita por pessoa que sabe muito bem o que está falando, consegue ser racional e claro nas suas explicações...


Que tem acesso a muitas informações, não é um mero proprietário curioso...


Qual o motivo de ter feito todas essas distorções ao que foi dito neste blog?


Qual o interesse em distorcer de maneira absurda as informações dadas aqui?


Por que essa defesa tão enfática usando argumentos tão incorretos, entremeados de fontes respeitáveis e seguidos por uma enxurrada de argumentos enfáticos, mas vazios para o assunto em questão?


Qual o interesse de quem propaga inverdades a fim de "denunciar" quem "desinforma"... recorrendo a tais práticas insustentáveis de desinformação?


Olha como é fácil desmascarar uma afirmação... ahn... digamos... tendenciosa e eticamente questionável:

Fórum: https://www.htforum.com/forum/threads/o-persistente-mito-do-oleo-fino-demais-para-nosso-clima.243520/

Pois então... a crítica disse:

"Não existe tecnicamente NADA que sugira tal interpretação, que é simplesmente errônea"...


(Deixa eu rir um pouquinho aqui...)

"Não existe tecnicamente NADA..." 


"NADA", A NÃO SER as tabelas e gráficos de viscosidade que apontam diferenças de viscosidade a 100°C cerca de 20% a 25% mais elevadas de uma categoria para outra, né? (Não encontrei dados para o SAE 0W-20, mas estas duas viscosidades serão usadas no parágrafo posterior.)

Fonte: http://www.viscopedia.com/viscosity-tables/substances/engine-oil/#c1295 

Essa informação não é 'suficientemente técnica' para o autor da crítica?


Ou será que uma diferença de 20% a 25% entre uma categoria e outra não é significativa na opinião do autor?


Para o motor, uma máquina de precisão, você pode apostar que uma diferença de 24% ou 20% faz muita diferença, para o bem ou para o mal... 


Se não fizesse, os fabricantes não teriam o trabalho de determinar viscosidades diferentes em função da temperatura ambiente — e determinar as situações de uso de uma e outra:

Imagem: Tabela de viscosidade em função da temperatura ambiente de manual de proprietário de automóvel volvo que será discutida na próxima postagem extraída do vídeo https://www.youtube.com/watch?v=wyF3o3c1uug aos 03:24 — Este assunto será tratado na próxima postagem.

Nem teriam o trabalho de dizer que "o uso de um óleo de viscosidade incorreta pode encurtar a vida [útil] do motor".


É... parece que aqueles 24% ou 20% na viscosidade fazem muita diferença, né?


Mas voltando à parte divertida:


Qual é a informação "vista anteriormente" que a crítica usou para dizer que "um óleo SAE 30 não oferece melhor película de lubrificação" que um SAE 20 na temperatura de trabalho?

Esta aqui:

Fórum: https://www.htforum.com/forum/threads/o-persistente-mito-do-oleo-fino-demais-para-nosso-clima.243520/

A crítica tem a ousadia de comparar e argumentar em cima de dois óleos de mesma viscosidade SAE xxW-30 — para dizer que não há diferença que justifique um óleo SAE 30 proteger melhor que um óleo SAE 30...


Usar os valores diferentes da viscosidade a frio W para dizer que não há diferença no desempenho de óleo com mesma viscosidade a quente... 


Que raio de lógica é essa?

É uma comparação patética, mas que engana os incautos desconhecedores do assunto.

Mas sou obrigado a concordar com uma coisa nessa crítica:


É um raciocínio que não tem lógica nenhuma e indica apenas DESCONHECIMENTO.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Xeque-mate

Ainda bem que NÃO é da minha autoria, não fui eu a escrever isso....

E para finalizar este bloco, vou ficando por aqui.


Amanhã eu encerro esse assunto, prometo.

Rebaterei os melhores argumentos que foram apresentados na crítica, mas com tradução para o nosso idioma.

Senão, um monte de palavras em inglês poderia dar a impressão de ser apenas encheção de linguiça para ostentar um conhecimento precário do assunto.

Até amanhã e um abraço,

Jeff