domingo, 6 de novembro de 2016

Apache, a moto mais injustiçada do Brasil...ops, da Índia

A postagem de hoje é sobre a moto possivelmente mais injustiçada que já foi vendida no Brasil — a indiana dafra tvs Apache 150.


A Apache foi a primeira moto lançada pela dafra depois do fracasso colhido com as primeiras Speed, Kansas, Laser e Super 100 com que a empresa foi criada.

Acabou sendo envolvida pelo auge do escândalo dos motores dessas motos estourando.

A principal causa do problema das primeiras motos era a dafra insistir em não fazer aquilo que seu manual do proprietário mandava fazer nas trocas de óleo.

Ao abastecer seus motores com quase 30% menos óleo que o correto (ou faltar 40%, se você considerar em relação ao recomendado) e não rever essa situação mesmo alertada sobre o fato, a dafra selou o destino de sua imagem. Aliás, até hoje não aprendeu a lição.

Infelizmente, a má fama da montadora nacional sobrou para uma das melhores motos lançadas no Brasil na década passada... 

Uma moto que vendeu dois milhões de unidades no mundo todo não encontrou boa representação no Brasil.

Quando começaram a surgir notícias de que a Apache também apresentava câmbio duro (mas em menor proporção que Kansas e Speed) e a dafra começou a fechar concessionárias e piorar ainda mais o fornecimento de peças e assistência técnica, o povo caiu fora.

Uma pena, porque a moto não recebeu o mérito que devia — de todas as parceiras da dafra, a tvs era de longe a mais gabaritada:
Imagens e reportagem: http://g1.globo.com/carros/motos/noticia/2016/01/nova-apache-rtr-200-e-lancada-na-india-dafra-nao-confirma-para-o-brasil.html

O motor de pequena cilindrada da nova moto da bmw nasceu na Engenharia da tvs lá na Índia.

E nasceu mesmo, não é uma daquelas enrolações que a dafra gosta de divulgar.

Se desenvolver um motor adotado pela bmw não é prova de competência técnica, não sei o que é.

Mas a Apache em si, o modelo que foi comercializado no Brasil, tinha algum problema?

O único problema foi a parceria tvs-dafra.

A Apache foi comercializada como 150 pelo marquetingue da dafra para tentar bater de frente com a então recém lançada honda Titan 150.

Perderam a chance de lançar como se deve uma moto que já era uma 160 seis anos antes da honda:
Site: https://www.tvsapache.com/

Notou?

Apache RTR 160, esse sempre foi o nome oficial dessa moto lá fora.

Sua cilindrada sempre foi 160, mas o marquetingue da dafra optou por comercializar a moto como apenas mais uma 150 entre outras no mercado.

Tecnicamente, ela não ficava devendo para ninguém.

Usa o eficiente carburador a vácuo (como as yamaha de então), e mecanicamente seu motor é avançado a ponto de usar balancins de comando roletados — coisa que na época do lançamento só a honda usava nas pequenas cilindradas.

Mas esse argumento nunca foi usado como destaque de vendas pela dafra — isso só foi descoberto em um teste de "longa duração" quando uma revista especializada desmontou o motor. 

"Longa duração" é modo de dizer, porque 25 mil quilômetros é o mínimo do mínimo do mínimo do mínimo que um motor deve durar — um teste a partir de 100 mil km é que mereceria ser chamado de longa duração.

A revista motociclismo desmontou completamente o motor com apenas 25.000 km e descobriu que a Apache do teste — que fez todas as revisões em concessionárias — mostrava um grave problema no virabrequim.

As fotos mostravam sinais claros de falta de lubrificação adequada... um sério comprometimento para um motor tão novo que espantou os mecânicos e jornalistas.

Por sinal, essa reportagem foi removida "misteriosamente" do site da revista motociclismo.

Felizmente o resultado interessantíssimo desse teste não foi eliminado (ainda):
Reportagem: http://www.motorpress.com.br/moto/testes/testes-testes/longa-duracao-dafra-apache

Pois é, a pobre Apache padecia do mesmo problema que até hoje vitima as dafra, a falência prematura do motor por falta de óleo.

Para variar, como no caso das Kansas, Speed e agora as Horizon, a dafra nunca admitiu que estavam sendo incompetentes para definir a lubrificação correta de seus motores.

Responderam contra todas as evidências (inclusive fotográficas) para a revista motociclismo que o comprometimento óbvio do virabrequim por má lubrificação não representava problema algum:
Reportagem: http://www.motorpress.com.br/moto/testes/testes-testes/longa-duracao-dafra-apache

Por que será que o teste de "longa duração" de 25 mil km que denunciava o problema foi eliminado do site da revista?

Será que foi pelo mesmo motivo que as denúncias feitas diretamente à redação dessa revista e de todas as outras revistas "especializadas" em motociclismo nunca foram publicadas? Preciso me lembrar de fazer uma postagem sobre isso qualquer dia desses...

Nem preciso detalhar tudo que está errado na "justificativa" dada pela engenharia da dafra... a vida se encarregou disso.

Como dizia o Caetano a vida é real e de viés, e o mundo aqui fora é diferente dos testes feitos pela dafra no paraíso celestial das motocicletas. Deve ter sido o mesmo local onde estão fazendo até hoje o teste de 10.000 km da Kansas 150 para descobrir qual era o problema..

E o que os proprietários constataram na prática foi aquele problema velho conhecido — motos estourando o motor com menos de 25.000 km:
Imagem: Velocímetro de Apache com motor totalmente destruído por falta de óleo do vídeo da oficina que fez a endoscopia do motor.

Para ser mais exato, 24.867,3 km.

É claro que o descuido desse proprietário contribuiu para a morte desse motor, mas ele foi induzido a isso pelas informações excessivamente otimistas do manual do proprietário.

As pessoas tendem a acreditar que 3.000 km é uma quilometragem que poderão rodar despreocupadas com o nível de óleo mineral do motor — e está provado que isso não é verdade.

De qualquer forma, a reclamação de câmbio duro era constante entre os proprietários — denúncia que nunca recebeu atenção da empresa.
Fórum: http://comunidade.motonline.com.br/forum/dafra/278953-finalmente-apache.html?start=630 — O motonline não autoriza a reprodução, mas desculpem, eu preciso denunciar o que precisa ser denunciado e ninguém mais faz.

Os proprietários pensam que têm de se acostumar, quando na verdade a dificuldade de achar o neutro e mudar marchas é apenas o sintoma da falta de óleo...

Como sempre, para quem reclama as concessionárias alegam que "a moto é assim mesmo", e os extremamente competentes engenheiros da dafra nunca solucionaram o problema.

Eles padecem de cegueira seletiva para problemas de má lubrificação... ou então eu que enxergo muito bem. E olha que sou míope...

Este é o manual original da Apache no Brasil: 

A velha pegadinha de completar o óleo somente se ele estiver abaixo do nível mínimo... essa é clássica.

Achei estranho eles mandarem rosquear a vareta para a medição, isso não é usual na maioria das motos vendidas no Brasil.

O manual também não menciona a necessidade de medir com o motor frio, nem de ligar o motor antes da medição.
E recomenda o uso de óleo mineral 20W-50 trocado a cada 3.000 km e a troca do filtro de óleo tipo cartucho a cada 3 mil km, mais a limpeza do filtro de tela não descartável a cada 6 mil km.

O óleo recomendado era o nosso velho conhecido mobil supermoto 4T, aquele que sempre foi o queridinho da honda e sempre teve o costume de desaparecer do cárter mais rápido que os outros:
Desconfiado de que nenhuma palavra sobre medição a frio ou sobre ligar o motor antes da medição pudesse ser mais um dos expedientes da dafra, pesquisei o manual original da Apache lá na Índia:

Note que o fabricante original determinava o uso de óleo puramente sintético (TVS TRU4 Synthetic) ou semissintético (TVS TRU4 Premium), e não mineral...

Nunca pensei que diria isso algum dia, mas a dafra introduziu duas modificações para o bem:

1) Ao contrário do manual original, recomendou completar o óleo até atingir a marca superior da vareta medidora, ao contrário do manual original que se contenta com o óleo em qualquer lugar.

O que não adianta nada porque nenhum proprietário faz isso, muito menos as concessionárias — simplesmente colocam a quantidade recomendada sem imaginar que é insuficiente.

2) Adaptou a viscosidade do óleo sintético 10W-30 original para a mais adequada para o Brasil, 20W-50...

Em compensação, trocou o óleo sintético pelo mineral, o que causou problemas que logo foram relatados nos fóruns de proprietários...
Fórum: http://comunidadertr.net/forum/index.php?topic=138.0 — Interessante notar como as melhores opiniões são massacradas pelo pessoal que defende cegamente o que é dito pelas empresas... mistura de fé, falta de conhecimento e, em alguns casos, interesse das empresas...

para minha surpresa, o manual original manda mesmo parafusar a vareta na hora da medição (thread in = rosqueie para dentro)... a dafra não pode ser acusada de ter marmotado isso.

Mas há outro problema grave no manual original da tvs:
"Verifique o nível de óleo conforme a tabela de manutenção para evitar danos de alto custo."

Essa recomendação é totalmente furada porque o "intervalo de verificação" para óleo sintético recomendado lá na Índia conforme a tabela é de 3.000 km!

E a cada 6.000 km após o fim do amaciamento aos 12.000 km!

Ora, dizer para conferir e completar o nível de óleo somente a cada 3.000 km ou 6.000 km é muito exagerado — se o motor estiver consumindo por desgaste normal, a quilometragem rodada antes da verificação terá sacrificado o motor.

Se fizer isso com óleo mineral, 3.000 km já será o dobro da hora de ter trocado... 

Fazer o proprietário confiar nessas quilometragens exageradas é a mesma coisa que dizer para o proprietário não conferir o nível!

Incrível como os fabricantes nunca percebem esses detalhes em seus manuais, né?

Quem cai nessa pegadinha destrói o motor aos 24.867,3 km...

Então a conclusão é que a dafra não foi a única responsável pelos problemas de lubrificação da Apache — a tvs indiana teve boa parte da responsabilidade.

O problema maior está aqui:

Esse procedimento de medição atarraxando a vareta não é muito comum na indústria de motocicletas que estamos acostumados, mas é usual na Europa — a inglesa triumph e a alemã bmw o adotam.

Como nação invadida pelos britânicos e que só conquistou a independência em 1947, a Índia herdou a praxe de medição da escola de engenharia de seus conquistadores — e na minha opinião aí está a raiz dos problemas de lubrificação e desgaste prematuro do motor da Apache.

Sua construção é muito parecida com a dos motores suzuki, o que é compreensível porque durante 19 anos a tvs montou motocicletas da suzuki na Índia. Fica a dica, não encontrando peças na dafra, comecem a procurar peças alternativas na linha da suzuki.

E como sabemos que os motores suzuki 125 e 150 usam mais óleo do que a fábrica fala...

A soma dos fatores:

a) a adoção de um óleo mineral — que não aguenta a mesma quilometragem porque não resiste a altas temperaturas tão bem quanto o sintético;

b) um procedimento de medição recomendado pela tvs parafusando a vareta medidora e que estabelece um nível mais baixo do que o ideal para a boa lubrificação do motor;

c) a não recomendação de fazer a medição com o motor frio, levando os proprietários a medir logo após a troca com o motor ainda quente;

d) a não recomendação para ligar por alguns minutos e desligar o motor frio antes da medição;

Considero a soma destes quatro elementos como a causa das dificuldades enfrentadas pelos proprietários.

E que infelizmente resultaram na rejeição da moto pelo mercado... uma grande injustiça.

Esta postagem nasceu de uma troca de correspondências com o proprietário de uma Apache, o Vyvern, a quem agradeço imensamente pelas imagens e relatos que possibilitaram esta postagem.

E nada melhor que o depoimento de quem convive com a moto:

Desde que a comprei ela nunca entra no neutro direito... na verdade depois que vi suas dicas no blog eu comecei a achar que era o óleo... 

Daí pensei em colocar esse motul [5100 sintético]... nesse momento... ela até está de boa... não demora tanto para entrar no neutro... 

Mas são só duas semanas de óleo novo... então é cedo pra dizer... porque realmente... ela sempre teve esse problema de dificuldade do neutro e outros donos de Apache já reclamaram disso na net...

Vyvern fez a medição do jeito tradicional após a troca de óleo com a quantidade recomendada, e o resultado que ele encontrou foi a vareta medidora seca:

Com base em tudo que conversamos, chegamos à conclusão que o melhor para esse motor seria medir o nível sem parafusar a vareta, o que resultaria em uma quantidade adicional de óleo em relação ao recomendado:

[Medir o nível do jeito] tradicional você diz do jeito de ligar o motor pela manhã, né? 

Então foi isso mesmo! Enfim sua afirmação faz sentido... eu vou comprar outro litro do Motul 5100 e fazer esta complementação... 

Realmente estava pensando em por esta quantidade de 1,1 ou 1,2 litro mesmo depois de ler as informações aê...

Aproveito para acrescentar o comentário que o leitor Carlos Silva fez no facebook sobre esta postagem:

Tenho uma Apache 150 e nunca tive problemas com o neutro que tanto ouço alguns proprietários dizerem e realmente ela usa 1.250 ml de óleo para atingir a marca máxima da vareta. Desde quando comprei uso esta quantidade e estou nos 40 mil km sem problemas.

Obrigado pelo depoimento, Carlos!

Tomando estas precauções, começando com o nível máximo e não deixando de inspecionar e eventualmente repor o óleo semanalmente conforme necessário — ou durante viagens longas a cada 300 a no máximo 500 km (na estrada o consumo é rápido), seu motor deverá durar o que se espera que ele dure.

Aliás, como em todas as motos.

Então está dito, considero a Apache uma moto excelente — assim que foi lançada eu pilotei a moto do meu amigo Wagnão lá do fórum e dos WD±40.

Aliás, foi graças ao Wagnão que pilotei pela primeira vez uma Kansas um ano antes de comprar a minha... grande Wagner!

Durante nossa viagem a Penedo em 2015, a Apache do Wagner conseguiu acompanhar o ritmo intenso das 250 que eram maioria no passeio.

Mantivemos 110 km/h a maior parte do tempo, o que é velocidade de cruzeiro para uma Mirage ou Fenix Gold, mas perto do limite de velocidade máxima para uma Apache.

É uma moto valente e que mereceria ter tido um destino melhor no Brasil.

Quem sabe a tvs um dia venha para cá e faça um trabalho melhor do que foi feito pela dafra até agora...

Um abraço,

Jeff

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Você pensava que a yamaha era santa?

Na postagem anterior eu denunciei a suzuki por recomendar o óleo mineral para 3.000 km e provei que o estado de um óleo que roda essa quilometragem é lastimável.

Mas os leitores Robson Souza e Rodrigo Mello me lembraram que a yamaha também recomenda óleo mineral para incríveis 5.000 km!

Isso já havia sido comentado comigo antes, mas esses 5 mil km para óleo mineral são tão surreais, tão fora da curva, que meu cérebro não conseguiu processar a informação...

É muito diferente rodar 5 mil km no motor de um carro ou moto que usa arrefecimento líquido, e rodar essa mesma quilometragem em uma moto com motor de arrefecimento a ar, com temperaturas do óleo de 160 a 170 graus centígrados...

Óleo mineral não se dá bem com altas temperaturas... se degrada muito mais rápido.

Veja o manual da Crosser 150 (a mesma tabela é usada também na Fazer 150):
A yamaha comete a quilometragem de troca do óleo a cada absurdos 5.000 km.

Você viu na postagem de ontem o estado em que se encontra o óleo de um motor arrefecido a ar depois de rodar por 3.000 km:
A última gota dessa quase lama nem consegue escorrer tamanha é a quantidade de contaminantes presentes nesse óleo que rodou 3 mil km. Para ver o vídeo de onde a imagem foi tirada, leia a postagem anterior.

Óleos minerais, por melhores que sejam, não resistem a altas temperaturas e cargas da mesma maneira que os sintéticos e semissintéticos.

Sua quilometragem recomendada é obrigatoriamente menor que a dos mágicos óleos sintéticos e semissintéticos (apesar de estes também não estão imunes à contaminação, que é o principal motivo para não recomendar altas quilometragens para troca).

O realmente curioso é que a yamaha teve a coragem de omitir em todo seu manual qualquer referência ao fato de o bom óleo Yamalube recomendado e comercializado por ela ser de fato um óleo MINERAL, e não um mágico óleo sintético ou semissintético...
Não há uma única referência à palavra "mineral" em todo o manual... curioso isso.

Em tempos em que o pessoal ouve falar em quilometragens enormes, quem iria atentar para esse detalhe, né?

Curioso como coisas que eram inadmissíveis num dia viram recomendáveis da noite pro dia... aí vem um babaca dizer que é porque "os óleos hoje são muito melhores"...

Tá bom, viraram óleos mágicos de um dia para o outro...

Ressalto que é elogiável a preocupação da yamaha em explicar o papel e a importância do óleo para o motor, mas várias coisas são incompreensíveis:

A yamaha recomendar quilometragens irreais para a inspeção do nível do óleo, para a troca do óleo e para a substituição do filtro de óleo...

A yamaha falar para os proprietários se preocuparem em repor o óleo consumido somente depois que ele estiver abaixo do mínimo...

A yamaha não mencionar uma única vez que o óleo é consumido naturalmente durante o funcionamento do motor e portanto precisa ser verificado e reposto com frequência — frequência que aumenta conforme o motor envelhece e as peças se desgastam.

Outra coisa absurda é a contradição de também admitir o uso de óleos 10W-40 e 20W-40 que até outro dia eram expressamente vetados para seus motores...
Como o próprio texto da yamaha explica, o óleo remove as partículas do desgaste e limpa o motor... mas quem limpa o óleo?

O filtro só retém a sujeira que não passa por ele.

Use um óleo menos viscoso como o 10W-40 ou 20W-40 e seu motor se desgastará ainda mais rápido, gerando mais partículas e entupindo o filtro ainda mais rapidamente...

Com o filtro bloqueado por excesso de sujeira, o óleo sujo percorrerá um caminho alternativo para evitar fundir o motor.

Será aquela lama que irá limpar as peças do seu motor... epa... péraí... não...

Você viu a imagem do óleo aos 3.000 km... você vai ter coragem de ficar usando aquela gororoba dentro do seu motor por 5.000 km?

E trocar o filtro somente a cada 10 mil km?

Não é à toa que tem tanta motocicleta já com o motor nas últimas assim que acaba o período de garantia...

Os novatos rodam 10 mil quilômetros com a moto e pensam que isso é grande coisa... aí o motor abre o bico com 20 a 30 mil km e acham normal.

E há outra pegadinha naquela tabela lá em cima:

A yamaha orienta os clientes a verificarem o nível de óleo (e vazamentos) a cada 5.000 km.


Meu caro, minha cara...


Se você esperar 5 mil km para conferir o nível de óleo, capaz de não encontrar nem o pó da rabiola lá dentro do cárter...


É uma contradição com o procedimento de medição do nível de óleo, aquele que 90% do pessoal nem lê.


Lá está escrito:

O nível de óleo deve ser verificado antes de cada condução, e o filtro de óleo trocado de acordo com os intervalos determinados na tabela de manutenção.

Só que a tabela não diz claramente que a quilometragem recomendada para a troca do filtro de óleo é a cada 10.000 km — ela menciona apenas uma troca na primeira revisão e outra na revisão dos 10 mil km.


Quanto você aposta comigo que vai ter proprietário interpretando a tabela como se o filtro devesse ser trocado apenas nessas duas revisões, depois nunca mais?


Porque ao pé da letra, é isso que a tabela está dizendo. Mas 
vamos relevar... 

Falhas de elaboração acontecem nos manuais de propretário — aliás, em proporções assustadoras — por que será?

E se alguém for tão desconhecedor de mecânica básica a ponto de se deixar enganar por isso e nunca trocar o filtro de óleo, aí já é despreparo para a vida.

O ponto importante no segundo bloco em destaque nessa página é o seguinte:

"Aqueça o motor por vários minutos."


As montadoras adoram mandar os proprietários mandar aquecer o motor por vários minutos por um motivo simples:


Longos períodos de aquecimento fazem o óleo se dilatar, resultando em uma leitura acima da que obteriam se apenas fizessem o óleo circular pelo motor e preencher a bomba, o filtro e as galerias de óleo. 


Além disso, manter o motor funcionando com a moto parada sem ventilação é uma condição de funcionamento totalmente anormal. 


Se o proprietário deixar a moto funcionando por mais de 5 minutos, o aquecimento no cabeçote poderá ser suficiente para deformar a junta da tampa do cabeçote — agora você descobriu porque vaza tanto óleo por ali.


Um superaquecimento do motor também irá causar danos como o empenamento do cabeçote — só sara com retífica ou troca do cabeçote.


E muitos proprietários nem imaginam que manter o motor em funcionamento com a moto apoiada sobre o cavalete lateral não é recomendável porque causa desgaste em um dos lados do cilindro e pistão, causando ovalização que só sara com retífica.

Antigamente essa advertência constava dos manuais de proprietário, mas hoje... economizaram essa tinta.


Mas o procedimento do manual da yamaha comete outros pecados:

O manual afirma que após a troca do óleo, ele deverá estar "entre as marcas de nível mínimo e máximo".

E que somente será necessário adicionar óleo se ele "estiver abaixo da marca de nível mínimo".


São duas afirmações mentirosas porque te induzem a colocar a quantidade recomendada e não se preocupar — afinal, a medição sempre resultará acima do mínimo, né?


E o proprietário se ilude de que o nível 1 mm acima do mínimo já está atendendo ao que o fabricante fala...


E se medir errado, sem ligar o motor, vai encontrar o nível lá no máximo...


Mas não é assim que o motor foi projetado — a faixa de medição da vareta ou visor de nível define os limites de uso que não devem ser ultrapassados.


Você sempre precisa deixar o óleo na marca de nível máximo para que o motor nunca trabalhe com óleo abaixo do mínimo devido ao consumo normal.

Se você não completar o óleo com um adicional que varia de motor para motor e de fabricante para fabricante logo após a troca, fazendo o procedimento correto, sempre rodará em uma condição que não protegerá adequadamente o motor.


Câmbio duro, dificuldade de achar o neutro, aquecimento excessivo do motor, motor estalando ao ser desligado, etc., etc. 


A yamaha mandar colocar mais óleo somente depois que o nível ficar abaixo do mínimo é francamente uma sacanagem com o seu motor.


A faixa de medição existe para ser cumprida e não extrapolada.


O procedimento da yamaha também é desnecessariamente complexo:
A quantidade recomendada remete a valores e unidades confusos misturando litros, quartos americanos e quartos imperiais.

Pela norma ABNT, que define a redação de literatura técnica, não se faz referência a unidades não pertencentes ao sistema métrico justamente para evitar qualquer confusão.

Você compra o óleo em litros e não em frações de galões usados nos EUA ou Inglaterra, certo?

Mas para que simplificar, se pode complicar?

Essa parece ser a filosofia dos departamentos de literatura técnica das montadoras.

Da mesma forma, o procedimento de verificação do fluxo de óleo a partir do item 10 é desnecessário e somente serve para induzir os compradores a sempre realizar a "complexa" tarefa da troca do óleo em suas concessionárias.

Nada no procedimento de troca necessita que seja feita obrigatoriamente essa verificação.

Se o óleo não flui após a troca, isso se deve a um problema mecânico anterior à troca ou ao esquecimento de colocar óleo no motor.

Tipo de preciosismo que serve mais para desestimular a troca do óleo por proprietários, como para aumentar as chances de que mais um parafuso não receba o aperto correto e venha a se soltar e cair pelo meio do caminho...

Depois de trocar o óleo com o motor já quente, a yamaha manda não apenas ligar o motor, mas mantê-lo em funcionamento por vários minutos uma vez mais com a justificativa de procurar por vazamentos.

Vazamentos que somente poderão ocorrer pela tampa de abastecimento ou pelo parafuso que não precisaria ser removido... mas coincidentemente esses "vários minutos" irão aquecer e dilatar o óleo...

Como todas as outras montadoras, a yamaha não enfatiza a importância de verificar o nível de óleo pela manhã com o mínimo de aquecimento.

Pelo contrário, enfatiza longos períodos de aquecimento e longos tempos de espera não determinados para o óleo retornar para o cárter.

Isso maximiza as chances de que os proprietários não percebam que as quantidades recomendadas não são suficientes para atingir o nível máximo da vareta medidora.

Experimente verificar o nível de óleo na manhã seguinte a uma troca com a quantidade recomendada, sem exagerar no aquecimento do motor como o manual te induz, e tenha uma grande surpresa...

Manter o óleo sempre baixo irá destruir seu motor de imediato?

Depende de como você usa sua moto.


Na imensa maioria das vezes, o que irá acontecer é que seu motor durará metade do que poderia durar antes de pedir uma cara retífica com substituição de peças bem caras.


Na pior das hipóteses, você irá pegar uma estrada em alta velocidade, ou subir uma serra prolongada com pouco óleo, e seu motor irá travar no meio do caminho.


Você poderá ter a sorte de perceber o motor perdendo rendimento e ir para o acostamento...



Ou ter a surpresa de ver seu motor travando e estourando com a biela atravessando a carcaça e jogando o resto de óleo na roda traseira.





Se isso acontecer, reze para não bater contra alguma coisa nem ser atropelado, senão você entrará para as manchetes da categoria "motociclista morre ao perder o controle da moto" sabe-se lá o motivo.

E torça para nenhuma moto estourar o motor e vazar óleo na sua frente...


Desculpe, não resisti...

Os novatos nem imaginam a importância de manter o nível de óleo correto no motor, e as montadoras parecem estar cada vez menos preocupadas com isso.

Seus manuais de proprietário são a prova disso.

Há várias postagens neste blog abrigadas no tema Denúncia na lateral desta página.

Ali você encontrará material sobre a hondayamahasuzukikawasakibmwtriumphmvk, kasinski e dafra...

Agradeço a inestimável colaboração dos leitores Robson Souza e Rodrigo Mello que enviaram imagens de seus manuais de proprietário, sem as quais esta postagem e a descoberta de novas peculiaridades praticadas pelas montadoras seria impossível.

Um abraço,

Jefferson Wagner Dessordi

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

As mentiras da troca do óleo a cada 3, 5, 10 ou 12 mil km e da capacidade real de óleo do motor da moto

Depois da denúncia da prática escandalosa de ontem, vou alertar sobre mais duas estratégias prejudiciais para nossas motocicletas muito exercidas pelas montadoras:

1) Determinar a troca do óleo do motor em quilometragens exageradas

2) Confundir propositalmente "quantidade recomendada" com "capacidade de óleo do motor" (no texto em azul)

A denúncia da postagem anterior já estava longa demais, então adiei comentar a outra mentira divulgada pela suzuki no email do Jaislan (obrigado mais uma vez, Jaislan!):
Imagem: Resposta da suzuki divlugada no vídeo publicado pelo Jaislan aos 02:10

Afirmo que a suzuki está mentindo (de novo) neste email porque essa quilometragem de 3.000 km definida pela central de atendimento está em contradição com o próprio manual do proprietário da suzuki.

Como será demonstrado abaixo, esta é mais uma mentira da central de atendimento aos clientes da suzuki — e que também é praticada com variações por outras montadoras que recomendam intervalos de troca de óleo prolongados.

A yamaha chega a falar em 5.000 km para uso do óleo mineral, a bmw chega a recomendar 10.000 km para seu óleo sintético e a honda fala em 12.000 km para seu óleo mágico semissintético em suas NC 700 / NC 750... (Obrigado por lembrar, Robson!)

Esta postagem mostrará a prova de que os engenheiros da suzuki nunca recomendaram tal quilometragem de 3.000 km.

Além disso, relacionará os motivos pelos quais essa quilometragem é totalmente inadequada e também apresentará um vídeo comprovando os efeitos danosos de tal quilometragem abusiva sobre o óleo do motor.

Essa questão do intervalo prolongado para a troca de óleo é extremamente importante e lesiva aos seus interesses, caro proprietário:

A j. toledo suzuki afirma oficialmente nesse email que "a periodicidade de troca do óleo" mineral recomendado por eles é de 3.000 km — outras montadoras fazem isso diretamente no manual do proprietário.


No entanto, não é isso que os engenheiros da suzuki falam no manual.

Ao ler o email da suzuki, a maioria dos consumidores acreditará piamente e não perceberá a contradição com o que é dito no manual do proprietário.

Afinal, quem seria louco de contestar a palavra oficial do fabricante da moto?

Mas o fato é que ao recomendar 3.000 km para um óleo mineral a suzuki está forçando a amizade — e o motor da sua moto.

Até pouco tempo atrás, nenhum fabricante recomendava óleo mineral para mais do que 1.000 km em motos de arrefecimento a ar, nem a suzuki.

Na verdade, até onde eu sei os engenheiros da suzuki até hoje nunca recomendaram oficialmente nada diferente. 

Veja:

Como foi observado pelo leitor Takashi neste vídeo, o manual do proprietário da GSR 150i e outras motos da suzuki é omisso quanto à quilometragem recomendada para a troca do óleo.

O manual não determina uma quilometragem para a troca do óleo — apenas estabelece a troca do filtro de óleo a cada 3.000 km ou 6 meses depois da segunda revisão:
Imagem: Página 24 do manual da suzuki GSR 150i em vídeo feito pelo leitor Takashi fazendo a troca conforme o manual. 

É só ler a tabela de manutenção do manual, ela menciona somente o intervalo de troca para o filtro de óleo, e não para o óleo.

E a prova de que a informação dos 3.000 km do email da central de atendimento é uma gorda mentira é esta aqui:

O manual fornece as "capacidades de óleo lubrificante no motor" tanto para a troca com filtro quanto para "somente troca"

"Somente troca" é a troca do óleo sem substituição do filtro de óleo.
Fonte: Manual do Proprietário de j toledo suzuki motos do Brasil da GSR 150i publicado na internet por POWERED Jaislan® Produções©

Se o óleo deveria ser trocado junto com o filtro somente a cada 3.000 km como diz a mentira do email da central de atendimento...

Por que o manual do proprietário determina uma quantidade para troca do óleo sem a substituição do filtro?

Essa seria uma informação totalmente desnecessária se o óleo realmente devesse ser trocado apenas a cada troca do filtro de óleo a cada 3.000 km, você concorda?

Ao especificar a quantidade para troca sem substituição do filtro do óleo, o manual da suzuki ambiguamente afirma — sem usar palavras — que O ÓLEO DEVE SER TROCADO EM INTERVALOS MENORES DO QUE OS 3.000 km DA TROCA DO FILTRO... 

Basta o mínimo de raciocínio e conhecimento do assunto para chegar a isso.

Essa técnica de elaborar manuais ambíguos com procedimentos subentendidos é muito comum entre as montadoras.

Por exemplo, a dafra não menciona a necessidade de ligar o motor para efetuar a medição a frio do nível de óleo da Horizon 150, mas faz um alerta para tomar cuidado com o escapamento quente...

Nos novos manuais de proprietário das CG 160, CB Twister, etc. a honda continua recomendando uma quantidade insuficiente, mas instrui a medir o nível de óleo "corretamente" ligando e desligando o motor logo após a troca do óleo.

No entanto, deixou de orientar que a medição precisa ser feita com o motor completamente frio a fim de evitar uma leitura com o óleo dilatado.

O detalhe é que a troca é feita com o motor quente, e nessa condição a quantidade recomendada parece atingir o nível correto... é uma ilusão, é o mesmo caso da denúncia de ontem.

Se o proprietário conferir novamente no dia seguinte pela manhã irá descobrir que a moto já está pedindo mais óleo...

Mas quem é que confere o nível de óleo duas vezes após a troca?

Todo mundo confia na informação dos fabricantes e segue em frente.

Não devia...

As montadoras se aproveitam que os proprietários desconhecem os pormenores da lubrificação do motor — desconhecem até mesmo a função do óleo dentro do motor.

Mas a partir de hoje isso não acontecerá mais com você, leitor / leitora, porque as funções do óleo e os motivos para não prolongar exageradamente a quilometragem para a troca do óleo serão explicados nesta postagem.

A suzuki afirma mentirosamente no email oficial da central de atendimento que "a periodicidade de troca do óleo é a cada intervalo de 3.000 km."

MENTIRA DESCARADA que não tem apoio nas informações publicadas no seu próprio manual do proprietário...

E que, como é explicado ao longo do texto, contribui significativamente para a diminuição da vida útil do seu motor.

A OUTRA MENTIRA DESCARADA começa no próprio manual do proprietário, vale a pena recapitular rapidamente:

A mentira é chamar a "quantidade aproximada" de óleo recomendada para a troca de "capacidade de óleo lubrificante no motor".
Fonte: Manual do Proprietário de j toledo suzuki motos do Brasil da GSR 150i publicado na internet por POWERED Jaislan® Produções©

Ao fazer esse uso indistinto de palavras com significados diferentes, a suzuki (e não só ela) induz seus clientes a pensarem que não podem colocar nem uma gota a mais de óleo no motor — porque a palavra "capacidade" passa a ideia da impossibilidade de o motor aceitar mais óleo.

E isso não é verdade, como foi demonstrado na postagem anterior e na postagem O óleo da Intruder 125 e a farsa desmascarada.

É um recurso que não apenas a suzuki, mas várias outras montadoras utilizam — a honda escreve "capacidade de óleo 1 litro" nos manuais de proprietário das CG Fan e Titan.

Isso causa aos proprietários o receio de complementar o óleo até atingir a marca de nível superior, mas a própria honda distribui documentação pública afirmando que a capacidade do cárter é de 1,2 litro.

Com medo de estragar o motor por excesso de óleo — um risco real, mas que não ocorre quando se segue a determinação de completar até atingir a marca superior conforme o procedimento do manual — os proprietários são induzidos pelos fabricantes a estragar o motor por insuficiência de óleo.

Lentamente, mas inescapavelmente, o motor trabalhará mais quente que o ideal e as peças se desgastarão em taxas mais aceleradas... e no final, a conta sobrará para o dono da moto pagar ao fabricante das peças.

Fabricante que, por coincidência, é a própria montadora que causou toda a confusão ao elaborar um manual ambíguo — e no caso da suzuki, ao mentir para seus clientes que buscam orientação.

Voltando à quilometragem recomendada para a troca do óleo da suzuki — mas o raciocínio é aplicável aos motores de todas as motocicletas:

3.000 km é uma quilometragem com base em condições ideais de uso do motor e do óleo mineral que não se aplicam à imensa maioria das motos de pequena cilindrada.

Especificamente, no caso da suzuki não se aplicam nem à pequena Burgman, nem à Intruder 125, Intruder 250, Yes 125, GS 120, GSR 125 ou GSR 150i.

Essa quilometragem é atingível com óleos minerais apenas com motos arrefecidas a água, que não esquentam tanto quanto as motos arrefecidas a ar.

É uma quilometragem possível (mas não recomendável) para a Inazuma e Burgman 400 de arrefecimento líquido, e as outras daí para cima.

Nas motos arrefecidas a ar, o óleo se deteriora muito mais rapidamente porque a temperatura mais alta do motor facilita e acelera as reações químicas que degradam o óleo.

Ainda mais o óleo mineral que não resiste tão bem às altas temperaturas quanto o óleo sintético.

Para começar a conversa:

Em quanto tempo esses 3.000 km são percorridos?

Por negligência, a suzuki não mencionou nesse email a informação importante sobre o período máximo de troca de 6 meses recomendado no manual.

É uma falha grave considerável em um documento oficial que deveria orientar corretamente seus clientes.

Tem mais:

A quilometragem recomendada para troca pela central de atendimento não considera se esses 3.000 km foram percorridos em uma única viagem de 5 dias a 90 km/h — ou em 180 percursos diários de 16,6 km a 40 km/h. 

Você atingirá 3.000 km das duas maneiras, mas elas são muito diferentes em termos de desgaste do motor e vida útil do óleo.

Na primeira situação, o óleo do motor completa um número de ciclos e horas de trabalho muito menor do que na segunda.

Rodando na estrada serão 33,3 horas totais de trabalho do óleo em condição ideal de funcionamento do motor durante apenas 5 dias.

Já rodando poucos quilômetros por dia serão 75 horas totais de trabalho do óleo durante 180 dias na condição de uso mais severa do motor — utilização em parte significativa do tempo com o motor abaixo da temperatura normal de funcionamento.

O leitor Clebeson Policarpo perguntou no facebook:

Não seria com o motor acima da temperatura ideal?

Seria abaixo porque o motor só atinge a temperatura ideal de funcionamento perfeitamente distribuída em todo o motor depois de uns 10 ou 15 minutos de funcionamento.

E você não pode pré-aquecer o motor por todo esse tempo antes de sair, porque com a moto parada ele iria se superaquecer sem ventilação e acabar com o cabeçote empenado (deformado).

Muita gente já chegou ao seu destino nesse meio tempo, ou então isso representa 50% do seu trajeto.

E nessa condição as folgas ainda não chegaram ao ponto ideal, o motor consome mais óleo, polui mais, o óleo é mais severamente contaminado do que quando entra em regime.

Se durante o trajeto ele pegar um congestionamento, aí sim o motor trabalhará acima da temperatura ideal.

Além disso, em baixa velocidade com paradas frequentes no trânsito da hora dos picos de congestionamento.

E com a possibilidade de ficar preso parado em marcha lenta no trânsito, quando a temperatura aumentará significativamente e não haverá ventilação adequada para o motor.

Nessa condição de jornadas curtas o óleo será exposto por até 180 dias a uma grande quantidade de combustível não queimado e gases da queima provenientes da câmara de combustão (gás blow-by).

E funcionará por muito mais tempo em condições ruins quando comparado a um motor trabalhando em condição de estrada com rotação estável e ventilação ideal.

O que nos leva ao outro motivo porque quilometragens prolongadas de uso do óleo nunca são recomendáveis:

Gasolina e álcool são solventes de óleo — diluem e prejudicam suas qualidades lubrificantes.

Nossa gasolina contém um teor de álcool que não é recomendado para motores em lugar nenhum do mundo.

No entanto, o veto ao uso de combustível com teor elevado de etanol é sumariamente eliminado dos manuais de proprietário de veículos brasileiros — caso contrário seria impossível vender carros e motocicletas no Brasil.

Esse etanol presente obrigatoriamente por decreto em todos os tipos de gasolina à venda no Brasil gera maior volume de vapor de água na câmara de combustão.

Vapor de água em alta temperatura e pressão se decompõe em hidrogênio livre, oxigênio livre e radicais livres de OH (oxidrila ou hidroxila) que reagem com os componentes do óleo lubrificante.

Essas reações degradam o óleo em taxas muito maiores do que no exterior, onde a gasolina é pura e não há tanto vapor de água.

Óleo degradado tem suas qualidades lubrificantes prejudicadas — o que significa que ao final da vida útil do óleo é maior o atrito interno das peças e seu desgaste é mais acelerado.

É por esse motivo que o motor da sua moto funciona tão melhor quando você faz a troca do óleo — ele fica mais silencioso, a marcha lenta fica mais estável e o câmbio fica mais suave de engatar porque a lubrificação com óleo novo é mais eficiente.

Mas as quilometragens de troca são mantidas elevadas sem considerar esses agravantes locais — como se nossas motos rodassem no Japão em clima ameno e com gasolina de alta qualidade.

Ao recomendar uma quilometragem extremamente alta, esse óleo degradado permanecerá muito mais tempo no cárter se oxidando, acidificando e deteriorando.

Exceto os óleos totalmente sintéticos puros, todo óleo lubrificante contém enxofre (S) residual do refino do petróleo.

Enxofre (S) é altamente reagente com oxigênio (O) e hidrogênio (H), formando H2SO4.

Esse óleo contaminado por H2SO4 formado pela combinação de vapor de água e hidrogênio liberado na combustão reagindo com o enxofre presente no óleo lubrificante poderá permanecer no cárter por até 175 dias a mais do que o óleo usado na viagem de 5 dias.

H2SO4 é ácido sulfúrico, corrói tudo.

Quanto mais tempo o óleo permanecer no cárter, maior sua contaminação por ácido sulfúrico, mais agressivo quimicamente será o óleo velho dentro do motor.

E se isso tudo não bastasse, finalmente o terceiro e mais importante fator para não adiar a troca de óleo por quilometragens elevadas:

Graças a suas propriedades detergentes, o óleo mantém em suspensão as micropartículas de alumínio, aço e carvão resultantes do desgaste e funcionamento normais do motor — pois além de lubrificar e esfriar, a terceira função do óleo é limpar internamente o motor.

As micropartículas maiores são retidas pelo filtro, mas as menores que a porosidade do elemento filtrante em motos que usam filtro do tipo cartucho como a GSR 150i e a Intruder 125 continuarão circulando por longos seis meses junto com o óleo.

Cada vez em maior concentração conforme aumenta o número de horas e ciclos de funcionamento do motor, essas micropartículas flutuando no óleo atuarão como uma microlixa abrasiva cada vez mais eficiente sobre as peças de maior precisão, mais delicadas, caras e submetidas aos maiores esforços e folgas mínimas.

Os maiores prejudicados serão a bomba de óleo, os rolamentos e mancais, comando, parede do cilindro e as superfícies dos dentes das engrenagens do câmbio. 

Em motores multicilindros maiores com bronzinas, de manutenção supercara, as bronzinas serão as maiores vítimas.

É por tudo isso que não é vantagem nenhuma para o proprietário prolongar a permanência de óleo sujo, contaminado, degradado e acidificado no motor.

Prolongar o uso do óleo é uma economia burra que vai contra os interesses dos proprietários — mas não contra os interesses de quem quer vender peças e serviços de retífica e manutenção do motor.

Ou convencer o proprietário a comprar um modelo mais novo ou mais potente antes que a moto atual "comece a dar problemas".

Curiosamente, os fabricantes adoram recomendar quilometragens elevadas para a troca do óleo...

Essa é mais uma das mentiras propagadas pela central de atendimento da suzuki em desacordo com o manual do proprietário.

Determinar uma quilometragem absurdamente elevada para a troca periódica não traz economia alguma — somente causa prejuízo aos proprietários.

E é uma mentira institucionalizada por todas as montadoras de motocicletas.

Melhor do que apenas falar é mostrar exemplos da vida real.

Nada como ver o estado lamentável em que fica um óleo mineral depois de rodar 3.000 km para entender o problema.

Veja a condição do óleo que sai deste motor a partir dos 16:35:
Apesar do título, o autor não faz a troca de óleo conforme o manual. 
Aliás, ele exemplifica de maneira perfeita como os proprietários são vítimas das estratégias utilizadas pelas montadoras para induzir seus clientes a erros — por exemplo, o erro de usar menos óleo do que o necessário para atingir o nível recomendado no manual, o erro de usar óleo mineral por quilometragens excessivamente elevadas, o erro de usar óleo de viscosidade inadequada. 
O sofrimento do motor com óleo 10W-40 — não recomendado pela fabricante, mas gravado nas tampas de outros modelos da suzuki como denunciado na postagem anterior — é perfeitamente audível no vídeo enquanto ele aquece o motor após a troca a partir de 16:15.

Você observa que o óleo se tornou quase uma lama de tantos contaminantes...

A última gota dessa quase lama nem consegue escorrer tamanha é a quantidade de contaminantes presentes nesse óleo que rodou 3 mil km:
Imagem: Vídeo do Jaislan mostrado acima aos 17:35.

Toda essa sujeira ficou passeando lá dentro do motor por relativamente pouco tempo porque o autor do vídeo faz altas quilometragens semanais.

Agora imagine o caso dos usuários que rodam baixas quilometragens por dia mantendo esse caldo sujo dentro do motor por meses... coitado do motorzinho.

Usar a desculpa de que os óleos modernos podem ser usados por mais tempo apenas mascara o fato de que essa maior duração estará contribuindo somente para acelerar o desgaste do motor.

É verdade que óleos sintéticos e semissintéticos resistem melhor a altas temperaturas — mas eles continuam sendo contaminados pelos gases de combustão.

Eles continuam sendo contaminados pelas partículas desgastadas do motor, eles continuam mantendo essas micropartículas em suspensão circulando dentro do motor.

Por que as montadoras enfatizam tanto o grande intervalo recomendado para troca?

Porque é vantajoso para elas, não para você.

O ganho sobre a venda de poucos litros de óleo é insignificante.

Mas o ganho sobre a venda de peças de reposição e serviços de recondicionamento, além de facilitar a venda de motocicletas zero km "antes que sua moto atual comece a dar problemas" — ah, esse é lucrativo.

Essa falsa economia na troca de óleo é um forte argumento de vendas que ilude e seduz muitos proprietários.

Quem tem dinheiro para jogar fora não está nem aí que o motor vá durar menos.

O playboyzinho irá ralar e vender a moto em poucos meses, para ele tanto faz.

A bomba sobrará para o comprador da moto de segunda mão, que sabe que não terá direito à garantia.

Quando o motor der pau com baixa quilometragem, ele pensará que deu azar e amargará o mico do conserto.

trabalhador comprador da moto de segunda mão, e principalmente o trabalhador que compra a moto zero km pensando em contar com ela por muitos anos, afinal foi comprada com dinheiro suado, pensado, sacrificado... 

Esses é que são as maiores vítimas desses artifícios praticados pelas montadoras de motos.

Elas exploram o desconhecimento e a boa fé do povo para lucrar mais recorrendo a artifícios para enganar seus consumidores.

Não precisariam recorrer a esse tipo de expediente, mas o fazem de maneira contumaz.

E os proprietários, tal qual um rebanho obediente, não questionam, não argumentam, nem imaginam a tramóia — apenas levam suas motos direto para o abatedouro espertamente arquitetado pelos fabricantes.

Não agradeça a mim, o mérito é todo dos fabricantes.

Essa mesma marmotagem do óleo mineral para quilometragens altíssimas é praticada por outras montadoras como a yamaha e a dafra.

A honda usa a desculpa do mágico óleo semissintético... assim como a bmw abusa da desculpa do óleo sintético.

Esse é um álibi — não convincente e derrubado por argumentos técnicos sobre a contaminação e degradação a longo prazo do óleo — que suzuki, yamaha e dafra não podem usar porque recomendam óleo mineral. 

A kawasaki só escapa da lista porque, apesar de recomendar óleo mineral, todas suas motos são de arrefecimento líquido — mas a kawasaki comete o mesmo pecado do óleo insuficiente denunciado na postagem anterior.

Questione isso com a montadora de sua moto, seja ela qual for, e veja o que eles te respondem.

Envie um print da sua pergunta e da resposta que eles vão te enviar para jefferson.tradutor@gmail.com
jefferson.tradutor@hotmail.com (Estou com problemas para receber mensagens no gmail.)

Montadoras, respondam a esta acusação se tiverem alguma coisa a dizer.

Terei prazer em publicar tudo aqui no blog. 

E aproveito para agradecer mais uma vez ao vídeo filmador Jaislan da Silva Pereira por suas contribuições inestimáveis sem as quais seria impossível comprovar estas duas denúncias não apenas contra a suzuki, mas contra toda uma série de indústrias que lucram com o nosso prejuízo.

Um abraço,

Jefferson Wagner Dessordi