quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Dica para ultrapassagens urbanas

Ao se preparar para uma ultrapassagem, não basta ver que o trânsito na pista oposta está livre.

Você precisa ver se lá na frente não existe algum carro estacionado ou obstáculo que irá obrigar o motorista que você está ultrapassando a desviar.

Porque na hora que ele precisar desviar, o motorista não olhará pelo espelho, ele simplesmente verá a pista oposta livre e jogará o carro para o outro lado.



Ele vai desviar do caminhão sem olhar se tem moto ultrapassando, quer apostar?

Os motoristas ainda não aprenderam a procurar por motocicletas no espelho. Acho que nunca vão aprender.

Na cabeça deles, existe o fluxo que vai e o fluxo que vem em sentido oposto.

Na hora que ele vê um obstáculo à frente, não imagina que uma moto (a sua) possa estar trafegando pela contramão (afinal, é isso que você está fazendo no momento da ultrapassagem, não é?)

Motoristas não percebem motos pelo espelho; estão sempre mal regulados, a maioria ajusta o espelho para ver a traseira do próprio carro na hora de estacionar.

Essa regulagem é totalmente errada porque cria um ponto cego enorme onde as motos desaparecem.

E se o carro estiver com os vidros fechados, com o rádio ligado, ele não ouvirá sua aproximação. Se for meio surdo, nem com o vidro aberto. Que nem eu.

Então, na hora de ultrapassar, tenha certeza de que o motorista acabará te fechando, e você sabe quem é que vai se ferrar...

Antecipe essa situação e seja ninja. Não se trata de tentar adivinhar o que o motorista irá fazer; se trata de saber como o trânsito funciona e se adaptar a ele.

É mais uma variante da visão além do alcance.

Um abraço,

Jeff

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Motos custom, Harleys e nada a ver com nada

O blog passou por mudanças, alcançou um maior volume de visitações (obrigado!!!), passou a ser significativo para o adsense, e como você notou, começaram a aparecer anúncios na barra lateral.

Fiquei curioso com um deles de uma revendedora harley (não que eu esteja interessado...), e achei essas duas perolitas:

Há quase um século, em 1901...

Ô, pessoal...

2014 2013 – 1901 = 112, portanto mais de um século... escorregaram na conta, ou então já passou da hora de atualizar o site...


A segunda perolita é a descrição de como a harley só veio à luz porque um projetista alemão não creditado sabia como fabricar motos similares às europeias, e assim nasceu a primeira Harley-Davidson. 


Imagem: http://www.hdhistory.com/the-birth-of-harley-davidson/

Será que essas motos teriam o mesmo charme com o nome Harley-Davidson-Schuffenhausen?

Só brincando, porque na internet a gente encontra quase tudo, e o site da própria HD cita o nome do homem, um tal de Ole Evinrude, já ouviu falar?


Imagem: http://www.evinrude.com/en-us

Parece que motor de moto não era bem a praia dele.

E a terceira perolita (que eu só descobri depois que a postagem estava pronta) é que o alemão na verdade era norueguês. Mas o norueguês vai continuar sendo alemão, senão a postagem vai para o saco.

Não deixa de ser irônico que o motor da marca-ícone dos EUA tenha nascido graças a um alemão nascido na Noruega, assim como o único motor harley realmente moderno, que equipa a V-Rod Muscle, também tenha sido desenvolvido pelos alemães nascidos na Alemanha via parceria com a bmw Porsche (essa perolita foi minha mesmo)


imagem: http://www.totalmotorcycle.com/photos

Acho algumas Harleys bonitas, mas não gosto da insistência deles em fabricar motos de desenho e mecânica, digamos, 'clássicos' demais.


Sem contar as características que todo mundo reclama: muita vibração, muito calor, suspensão ineficiente, peso enorme, incapacidade de inclinar nas curvas, freios insuficientes, charmosos vazamentos de óleo e incômodos assentos originais ejetores de garupa. 


Se bem que essa última até pode ter suas vantagens...


"Ué, mas você não gosta de moto custom?"


Gosto, da mesma forma que gosto de esportivas ducatis, kawasakis, algumas triumphs, yamahas, nortons, suzukis, gileras e algumas hondas.



Imagem: http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Gold_Triumph_Daytona_675_front.jpg#filelinks

Eu gosto é de moto, ponto. 

harley não é sinônimo de custom, e custom não é sinônimo de harley.


Custom quer dizer personalização.


Desde o segundo dia que inventaram a primeira moto, já tinha gente fazendo a sua própria moto "custom".


Imagem: http://www.lordofmotors.com/
Essa é a Bofete 1910. Uma chopper muito à frente do seu tempo.

Você pode pegar qualquer moto, até uma Indian, e transformá-la numa custom, basta fazer as modificações que você quiser dentro dos limites da segurança.
Imagem: http://highoctantokyo.blogspot.com.br/

Uma moto no estilo europeu Café Racer até poderia ser chamada de custom. Um tipo de.


Imagem: http://www.cycleworld.com/norton/

Mas com o tempo, a palavra custom passou a ser associada àquele estilo de personalização típico dos EUA, e a H-D começou a fazer modelos cada vez mais parecidos ao que o pessoal fazia nas ruas, e hoje as pessoas não conhecem mais a origem da palavra e não sabem distinguir custom de harley e vice-versa. 

O mesmo fenômeno aconteceu com as café racers, a norton acima é original de fábrica, mas remete ao que os proprietários faziam nos anos 60/70/80; o
s departamentos de marketing tiveram enorme participação nisso. 

Mas chega de filosofivagação, voltemos aos motores alemães da harley...


Até ontem, o único motor realmente moderno da harley era o Revolution, que equipa a V-Rod, de arrefecimento líquido, e para mim a boa notícia é que ele serviu de base para os novos lançamentos de "baixa" cilindrada, as Street 500 e 750.


Imagem: http://www.autoevolution.com/news/2013-eicma-harley-davidson-street-500-and-750-revealed-video-70317.html

Uma "custom" de cilindrada civilizada, com motor de alto rendimento, proporcionando desempenho muito bom e economia de combustível, com menores custos de manutenção, passa a ser uma opção muito interessante.

Não sou dos que acham que moto tem que ter motorzão; eu chego nos mesmos lugares que uma Electra Glide com minha 150 e ainda gasto muito menos com combustível e manutenção.


Se uma moto consome a mesma coisa que um carro e fica presa no trânsito do mesmo jeito, ela deixa de ser vantajosa para mim.


Uma moto 500 (ou 750, no máximo máximo forçando a barra uma 883, vá lá...) representa o limite do que eu considero uma cilindrada prática; mais do que isso, é desperdício e inconveniência.


Com esses lançamentos de motos mais amigáveis para o dia a dia, como toda moto devia ser, e não somente para exibir nos fins de semana sem ameaça de chuva, talvez eu possa voltar a chamá-los de Harley com H.


Ah, mas esquece...


É bem capaz de esses modelos não vingarem.


A maioria dos proprietários de Harleys as rejeitarão como "moto de menina", "moto de aprendiz", "imitação da honda VT 500 1985" e as concessionárias brasileiras continuarão praticando custos irreais de vendas, frete, peças, manutenção e acessórios.



Imagem: http://www.bikez.com/motorcycles
A VT 500 não foi sucesso de vendas nos EUA em 1985... 
Será que chegou a hora de uma moto de certa forma equivalente?

E pra piorar, no Brasil, Harley ainda é vista como sinônimo de moto pra ricaço, e o marquetingue capenga e a gulodice empresarial tupiniquim se aproveitam disso, o que é uma pena.

Uma 883 lá nos States tem preço de tabela de 8.099 dólares. Mais 360 dólares de frete para qualquer estado dos USA e 7% de imposto, total de 9.051 dólares.

Se você morasse lá, essa moto seria sua pela bagatela equivalente a 21 mil reais, isso com o dólar disparadão de hoje.


Ainda um investimento alto no Brasil, mas acessível para assalariados de primeiro mundo. 

Na terra do Tio Sam, um carteiro ganha 2.638 dólares trabalhando 160 horas por mês. Um professor ganha 4.055 dólares, trabalhando 36,6 horas por semana. Tudo já descontados os impostos.*
Fonte: http://www.worldsalaries.org

Imagem: http://sozinhonaestrada.blogspot.com.br/2012/03/harley-davidson-883-r-uma-moto-vibrante.html

Aqui no Brasil ela não sai por menos de 30 mil reais, sem contar o frete, que não é de ridículos 360 dólares, não mesmo... aposto em quase 10 vezes mais do que isso, estarei errado? 

Então acho que vou continuar usando por muito tempo o h para a empresa e o H para as motos, infelizmente.

Para conhecer mais sobre choppers e bobbers, e sobre café racers, e muita coisa interessante sobre a história da harley, das Harleys e de motos em geral, visite o blog do Bayer, o Old Dog Cycles.


Um abraço,


Jeff

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Baú de surpresas

Vamos ver se você adivinha qual a surpresa que vai acontecer neste vídeo.

Vídeo: Vinícius de Melo, o autor dos tutoriais para postagem de vídeos mais maneiros que você possa imaginar.

Acertou?

Não dava para imaginar, né?

Tá bom, até dava, tava escrito na abertura do vídeo.

Mas até eu me surpreendi com aquele carro saindo dali da frente do caminhão nesse vídeo feito pelo Vinícius. 

Veículos opacos são sempre um problema, quando não ocultam um carro, ocultam pedestres, outras motos, obras à frente...

Então o negócio é ficar sempre o mais distante possível desse tipo de veículo. 

Caminhões e ônibus são sempre um baú de surpresas, você nunca sabe o que vai pela frente

Um abraço,

Jeff

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Desconfie das promoções


"(...) queremos preservar e valorizar o patrimônio de nosso cliente (...)"

Ué, mas moto honda não foi sempre considerada justamente por preservar e valorizar o patrimônio dos clientes?

Por que isso agora?

Será que aconteceu alguma coisa em tempos recentes que abalou essa imagem e agora eles estão tentando consertar oferecendo garantia de três anos e, coisa inédita, sete trocas de óleo...

Curioso, logo o óleo, né?

De onde será que veio essa preocupação com o óleo e a garantia?

Será que eles não estão fazendo isso por causa da epidemia de motores honda indo para o brejo antes do fim da garantia com a adoção do novo óleo 10W-30 no lugar do antigo 20W-50? 

Será que estão preocupados em fazer as trocas na casa deles para assegurar a quantidade certa de óleo a fim de evitar que os motores abram o bico ainda durante a garantia, e depois, baubau, o proprietário que se vire?

Uma coisa eu sei:

Essa desculpa de que é para comemorar os 10 milhões de unidades vendidas não cola nem aqui, nem na China. 


Um abraço,

Jeff

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

O google emburreceu?

Venho reparando que de uns tempos para cá as pesquisas no google apresentam resultados cada vez piores.

Antigamente era muito fácil encontrar exatamente aquilo que você procurava. Bastavam três palavras, e na primeira página aparecia exatamente o que você buscava.


Mas agora, parece que alteraram os algoritmos por lá, e uma busca por gargalo tanque moto resulta nisto:



Todas as imagens: google.com

Uma página repleta de gargalos de tanques, nenhum deles de moto, mas todos ofertas de manjadíssimos sites de vendas pela internet.

A busca em inglês se sai um pouco melhor, mas acrescenta coisas que não têm nada a ver, sabe lá que critério estão usando:



Na medida em que você avança, a coisa fica muito pior:




Uma busca por preço harley 500 (não que eu esteja interessado...) apresenta metade dos resultados para HD (disco rígido) de 500 GB, todos propagandas dos mesmos manjadíssimos sites de vendas.

O grande mal dos gringos é quererem ser espertos demais, aí acabam fazendo burradas como essa, permitindo que o algoritmo interprete Harley como HD e priorizando as propagandas nas buscas


Se o google continuar introduzindo erros nas buscas e se vendendo para quem paga as propagandas em detrimento dos usuários da ferramenta de busca, vão conseguir matar algo que já foi excelente, e nós seremos os maiores prejudicados.


Mas como protestar contra isso, se eles não respondem nem as reclamações diretas de problemas na ferramenta de publicação de blogs?


O abraço de hoje fico devendo,


Jefferson

Momento Pai e Filha

Nada como receber uma boa surpresa no meio de uma tarde vazia.

Tá aqui uma das grandes alegrias que só uma moto proporciona...



Levar a filhota paulista para conhecer as belezas de Floripa (ignore o feioso atrás dela, estou falando da Lagoa da Conceição).

Um abraço,

Jeff

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

imprença, ética e Vendas

Talvez você tenha visto esta reportagem sobre a morte trágica do ator Paul Walker, de Velozes e Furiosos, diretamente no site sensacionalista TMZ ou mais provavelmente no fantástico da globo:


Com o estardalhaço habitual, a imprensa noticiou que em 2004, antes de colocar o modelo Carrera GT à venda, a matriz norte-americana da Porsche enviou uma orientação para seus revendedores:

NÃO PONHA 'CARRO DE CORRIDA' NAS MÃOS ERRADAS

Ele era "difícil de dirigir" e apresentava as "desvantagens de um carro de corrida", como a hipersensibilidade às condições da pista e necessitar conhecimento do tipo e irregularidades da superfície de rodagem.

A reportagem dá a entender que a Porsche teria alertado que o carro seria perigoso por si, não deveria ser vendido para pessoas inexperientes e, de certa maneira, insinua que isso teria alguma relação com a morte do ator e seu sócio.

Mas não é bem assim, o tmz truncou o documento original dando a entender ambiguamente que o Carrera teria facilidade de capotar.

O texto original é este aqui, também publicado por eles:


Imagem pdf: http://tmz.vo.llnwd.net/o28/newsdesk/tmz_documents/1202_carrera_gt_2.pdf

Provavelmente você também havia entendido daquele modo porque globo/fantástico/g1 embarcaram na onda marota do tmz sem pensar nem pesquisar, a tradução ficou porca e patética:


Até o Homer Simpson Bob Esponja Patrick Estrela Gary Plank perceberia que nenhum carro 'deita de lado' por passar em cima de uma lata de cerveja.

Ou que um simples vazamento de fluido da direção hidráulica não poderia ter causado o acidente e o incêndio, como divulgado pela imprensa. 

Quem disse isso simplesmente ignora que o tanque de gasolina de um Porsche Carrera GT fica na frente do carro, como num fusca.

Nem vou comentar as "desavantagens da corrida de carro"...

Têstu: tmz.com    Tradussaum: istagiaru du g1.globo.com 


Essa orientação da Porsche NÃO se destinava a alertar os possíveis compradores quanto aos riscos de conduzir um Carrera GT nas ruas.

A única finalidade da mensagem era evitar que os funcionários das concessionárias e possíveis compradores / interessados inexperientes danificassem os veículos em manobras no pátio da loja/oficina ou durante um test drive antes da venda.

"A embreagem é muito cara, 24 mil dólares. O carro não pode passar sobre uma lombada sem danificar os três painéis inferiores [da carroceria] que somados custam 39.367,97 dólares. A transmissão custa 42.585,57 dólares (...) Acredite, esse veículo não pode passar por cima de uma lata de cerveja Foster deitada. Ele irá esmagar a lata e danificar os painéis inferiores de fibra de carbono." 

"Você precisa conhecer o tipo de superfície de rodagem em que está (desníveis; buracos, emendas do pavimento, etc.)".


Ou seja:

Mero documento interno para os concessionários, orientando-os a preservar o produto antes da venda ou durante as revisões. 


Depois da venda, "ema ema ema, o propriotário terá problema, ter lucro é nosso lema".


Não se iluda!


Nenhum vendedor / empresa do planeta irá se arriscar a perder uma venda falando qualquer coisa em público que vagamente possa sugerir que um veículo fabricado por eles seja perigoso.


Ou afugentar seus compradores informando que ele é frágil e altamente suscetível a danos bem caros.


Essa mesma ética(?) se aplica à indústria / mercado de motocicletas.


O pessoal não sente o menor remorso de vender à vista uma moto de alta cilindrada para um garoto de 16 anos sair pilotando da concessionária e virar estatística depois de 5 km.


Fato real ocorrido aqui em Floripa há alguns anos.


Tem um fabricante que não teve o menor pudor em criar uma categoria de competição para garotos a partir de 10 anos (!!!)

Um bando de crianças pilotando motos 150cc de quase 100 kg a 110 km/h, se embolando nas frenagens e curvas no limite da aderência, o pódio só tem lugar para os três primeiros; ora, o que poderá dar errado, Murphy?

Então, para seu próprio bem, procure conhecer todos os riscos que envolvem a pilotagem de uma moto antes de escolher e sair pilotando sua nova máquina.


Quanto maior a cilindrada, mais arisca e difícil de domar será a moto, e maiores serão as chances de você se arrepender para o resto da vida.


Que poderá ser muito curta.


Sempre comece pela menor moto com tamanho adequado para você.

As informações de riscos inerentes você não ouvirá dos vendedores nas concessionárias, terá de pesquisar em blogs e fóruns do modelo. 


Sempre haverá alguém comentando sobre um susto, uma reação inesperada ou uma pane típica ou defeito crônico daquele modelo de moto em particular.


Converse com proprietários (que não estejam pensando em vender a moto para você).


Se ainda não leu, leia a Apresentação, primeira postagem deste blog. Lá eu comento esse assunto com um pouco mais de profundidade.


Um abraço,


Jeff