quarta-feira, 23 de março de 2022

Motos e semáforos: um acidente muito comum

Leia no site ricmais a reportagem com vídeo sobre este acidente trágico no dia do aniversário do motociclista, triste coincidência, também meu aniversário.


Reportagem com vídeo: https://ricmais.com.br/seguranca/acidentes/camera-mostra-que-van-furou-sinal-em-acidente-que-matou-motociclista-no-reboucas/

4 segundos depois que o semáforo fechou para a van, o motociclista cruzou a pista e o acidente aconteceu.

Por que o motorista da van resolveu cruzar com o sinal fechado?

O motorista que vê um sinal ficando vermelho faz uma estimativa rápida:

"Carros parados na outra rua irão demorar para acelerar, dando tempo para ele cruzar."

O que ele não leva em conta é que alguém esteja se aproximando e cruze a via já embalado.

Acidentes assim acontecem com motos e também com carros, ônibus e caminhões.

Quem está embalado vê o sinal verde e vai em frente, sem contar com a possibilidade de alguém furar o vermelho.

Infelizmente, nessa situação a batida é inevitável. É como se fosse um cruzamento sem semáforo nem preferencial.

O que você motociclista pode fazer para não cair nessa armadilha?

Primeiro, saber que a armadilha existe. O vídeo da câmera de circuito fechado e a reportagem do site mostram exatamente a dinâmica desse tipo de acidente.

Motos são particularmente uma constante nesse tipo de acidente porque são muito ágeis, e essa agilidade faz com que deixemos de ser suficientemente cautelosos.

Segundo, se preparar para a armadilha. Nunca chegue a um cruzamento imaginando que ninguém irá furar o vermelho.

Pelo contrário, sempre imagine que alguém irá fazer exatamente o que o motorista da van fez: aproveitar o embalo, furar o sinal e dizer que a culpa foi do motociclista que morreu e não pode se defender.

O único erro que o motociclista cometeu foi confiar que todos respeitam as leis de trânsito.

Não caia nesse erro.

Sempre esteja preparado para desviar, frear ou, se possível, tentar minimizar as consequências da colisão se jogando ao solo para evitar bater diretamente contra o veículo infrator.

Um abraço,

Jefferson

quinta-feira, 17 de março de 2022

É nessa hora que você salva sua vida jogando a moto para a contramão

Triste vídeo que mostra um motociclista perdendo a vida na cidade de Patos de Minas (MG) porque um caminhão não respeitou a preferencial:

Isto sempre acontecerá e o que você pode fazer é estar sempre preparado para esta possibilidade.

O motociclista poderia ter se livrado da morte se tivesse desviado para a contramão, que estava totalmente livre.

Chegar nos cruzamentos já contando com a possibilidade que coisas assim aconteçam faz com que em pouco tempo você pense automaticamente em alternativas diante do perigo.

Treinar manobras de emergência para não "congelar" diante da situação também é fundamental.

Faça esse treinamento em um local que não ofereça riscos.

Outra coisa que talvez pudesse ter salvado sua vida e evitado o traumatismo craniano da passageira seria ambos usarem os capacetes corretamente afivelados — você pode ver no vídeo como os dois capacetes voam assim que eles são atingidos.

Note que eles estavam em uma motoneta. 

Tenho algo para falar sobre acidentes com motonetas, mas ainda não preparei a postagem porque perdi minha pesquisa, mas vou começar de novo quando tiver tempo.

Você poderá saber mais a respeito da tragédia na reportagem do site Patos Notícias.

Meus sentimentos à família deste cidadão e uma breve recuperação para a passageira.

Jefferson

sábado, 26 de fevereiro de 2022

Algo que nunca falei aqui no blog?

Em todos estes anos do blog, sempre enfatizei o cuidado que a gente que anda de moto precisa ter nos cruzamentos.

Mas hoje percebi que há outro local onde precisamos ter muito cuidado e que eu não tinha comentado até agora (ou pelo menos, não lembro de ter comentado).

Pensei nisso ao ver esta notícia de um acidente grave em Urussanga, Santa Catarina:

Reportagem Com informações do TNSul: https://www.sulinfoco.com.br/colisao-entre-moto-e-carro-deixa-jovem-gravemente-ferido-em-urussanga/

Desconfiei que não era um cruzamento e, com um pequeno trabalho de detetive e a ajuda do Google Maps, encontrei o local na avenida Presidente Vargas, centro da cidade:

Imagem: Google Maps

Foi na saída de um estacionamento.

O carro saiu do estacionamento bem na frente da moto.

Mas antes que você fique com raiva da motorista, olhe bem para esta foto para entender a causa real do acidente.

Houve um motivo para a motorista não ver a motocicleta se aproximando, e ele está bem evidente na imagem, já é nosso velho conhecido de outros carnavais.

Sim, o poste:

Imagem: Google Maps

O poste localizado logo na saída do estacionamento foi capaz de cobrir a visão da motocicleta que se aproximava.

Nenhum motorista foi ensinado que um poste pode encobrir uma motocicleta inteira, exceto os que aprenderam na prática.

A motoescola também não ensina isso para os motociclistas — só sabe disso quem fez um curso de segurança na pilotagem e os leitores deste blog. Se tiver oportunidade, faça um curso de pilotagem defensiva. As autoescolas, motoescolas e montadoras teriam o dever moral de dar um curso desses para cada motorista e motociclista, mas não o fazem.

Ao sair de um estacionamento, motoristas esperam ver automóveis, e automóveis não ficam encobertos. Então eles olham, não veem nada além do poste, e vão em frente.

Se você motociclista não estiver atento para essa possibilidade, antevendo o risco e pronto a frear ou desviar com segurança, poderá sofrer um acidente como este, que a princípio não parece sério, mas foi muito grave para o motociclista internado com traumatismo craniano.

Fique atento às saídas de estacionamentos, e não se descuide também das entradas:

Muita gente faz manobras impensadas quando percebe que está passando da entrada e acaba cortando a frente de nossas motocicletas.

Um abraço,

Jeff

domingo, 30 de janeiro de 2022

Fascinante, diria o Sr. Spock

A Ciência descobre mais um motivo porque motoristas não vêem as motos... e os motociclistas também não.

Todos somos vítimas desse mecanismo e o responsável é o nosso cérebro. 

Essa explicação para nossa dificuldade em ver as coisas, inclusive motos, carros, caminhões e trens, é no mínimo "fascinante".

Imagem: Wikipedia, Spock's Brain. Pior episódio da série, tão ruim que chega a ser divertido.

Esta interessante reportagem da Sciencealert, com título em tradução livre Para ajudar-nos a ver um mundo estável, nosso cérebro nos mantém 15 segundos no passado, explica o complicado processo que nos permite perceber o mundo. A matéria está em inglês, mas você pode traduzir usando o recurso de tradução do Google. 

Em resumo:

Nossos olhos são extremamente móveis.

Se a imagem que formamos no cérebro se focasse apenas na informação que chega através das imagens vistas, teríamos uma visão caótica e incapaz de focalizar o que é importante naquele momento — mais ou menos como aqueles filmes com câmera nervosa mostrando uma briga nos filmes do Borne em busca de sua identidade.

Para evitar isso, o cérebro mantém um "quadro congelado" daquilo que ele não considera importante para o quadro observado.

O cenário atual que formamos na mente seria uma mistura de informações processadas nos últimos segundos mais as novas recebidas a cada instante.

O processo é mais ou menos o mesmo que o da compactação de arquivos de vídeo: a paisagem fixa não recebe atenção, enquanto os objetos móveis são processados a cada quadro.

O cérebro suaviza as informações usando como base o que foi visto nos últimos poucos segundos, a imagem que interpretamos não é garantidamente uma visão de tudo em tempo real. Se fosse, não teríamos capacidade de processar tantas informações ao mesmo tempo.

Imagine nossos ancestrais na floresta: 

A floresta não se mexe, seu foco de visão está no animal sendo caçado, na fruta sendo colhida; a paisagem não é importante a menos que algo comece a se mover perto de você, e esse algo pode representar um perigo — uma cobra, um inseto perigoso, uma onça te caçando.

Traga isso para o trânsito dos dias atuais, o ritmo é totalmente diferente. 

Toda a paisagem está se movendo perto de você e tudo é potencialmente um perigo, mas o nosso cérebro continua formando um quadro de estabilização das imagens.

Nesse cenário, a prioridade são os carros.

Pois é, ele nem sempre prioriza o que deveria, seu mecanismo de lidar com as imagens está programado para lidar melhor com visões de veados, bisões e cobras do que com visões de motocicletas.

Cobras se movem lentamente, motocicletas se movem muito rápido. A informação da moto não se encaixa no que o cérebro se acostumou a prever por milênios.

Então, sabendo que nosso cérebro é ainda mais limitado do que imaginávamos (oh, tristeza...), tenha ainda mais cuidado ao pilotar e dirigir.

A real é que o mundo não é o que parece.

Um abraço,

Jeff

terça-feira, 25 de janeiro de 2022

E aí, de quem é a preferência?

Você vai com sua moto e chega em um cruzamento que não está claramente sinalizado — de quem é a preferência?

Quem tem de parar, você ou o carro preto?

Imagem e reportagem: https://tarobanews.com/noticias/transito/camera-registra-batida-entre-carro-e-moto-no-centro-de-londrina-4p0EM.html

A regra é clara:

A preferência é sempre de quem vem pela sua direita, a mão do acelerador, exceto em rotatórias.

No caso acima, a preferencial é claramente do motociclista, porque ele se aproxima pelo lado direito do carro preto.

Sabendo disso, o motorista do carro preto vai parar e ceder a vez para o motociclista à direita dele, certo?

Errado:

A lição é evidente:

O motociclista nunca pode confiar que irão respeitar sua preferencial.

Os condutores erram, e erram com muita frequência em relação a motos por um motivo simples — eles dão uma rápida conferida para ver se há algum carro se aproximando.

Motos são magrelas e motociclistas nem sempre, mas podemos ficar ocultos para o motorista por causa da coluna dianteira direita do carro.

Ou sermos confundidos com a paisagem. Ou um pedestre. 

Nessa situação, nós passamos batido. O motorista só nos vê quando já estamos voando sobre o capô.

Então o jeito é se garantir e nunca entrar em um cruzamento na confiança.

Esteja sempre atento e pronto para acionar os freios e desviar. 

Ter quase certeza de que alguém vai desrespeitar sua preferencial (ou até furar o sinal vermelho) irá te salvar de inúmeros acidentes.

Mas não freie sem necessidade, senão você poderá causar seu próprio atropelamento pelo carro atrás de você. 

Se precisar frear, freie em duas etapas, aliviando em seguida para dar tempo de o cara atrás de você reagir e conseguir parar.

E nas rotatórias?

A preferência é sempre de quem já está nelas. 

Nas rotatórias, os outros carros e motos sempre se aproximarão pelo seu lado esquerdo, mas nesse caso, prevalece a regra de que a preferência é de quem chegou primeiro.

Um abraço,
Jeff

sábado, 18 de dezembro de 2021

Uma cena que não deveria ser comum

Caramba, outro ano com o blog fora do ar...

Esses anos não foram fáceis.

Depois da covid não fui mais o mesmo, mas aos poucos estou tentando voltar a ser. Ando ainda mais lento do que antes...

Recentemente, alguns leitores descobriram uma conta de instagram que precisei criar para trabalhar, e me deixaram emocionado com os comentários sobre o blog.

Isso me deixou com o sentimento de que talvez eu pudesse reiniciar minha participação por aqui se aparecesse algum assunto que pudesse ser útil para a moçada que está começando a andar de moto... e hoje acabou aparecendo:

Reportagem: https://www.agoramt.com.br/2021/12/em-rotatoria-motociclista-tenta-ultrapassar-pela-direita-e-moto-fica-embaixo-de-pneu-de-caminhao/

Acho que nunca uma foto ilustrou tão bem essa situação super comum em acidentes de moto.

Esse tipo de atropelamento autoinfligido me incomoda muito, tanto que foi tema das primeiras e também de uma das últimas postagens do blog.

Tipicamente, quem passa por isso é o/a motociclista inexperiente, sem malícia de trânsito, que ainda não conhece o comportamento dos veículos grandes.

Todo caminhão e ônibus faz a mesma coisa, abre para um lado para conseguir contornar a curva para o lado oposto.

E esse corredor do lado aberto é um convite quase irresistível para o motociclista que não antecipa o que irá acontecer ali na frente.

Ele se fecha com rapidez surpreendente e quando o pneu encosta na moto, ele a prende no lugar e não tem como evitar que ela vá pra baixo do caminhão, não dá tempo de fazer nada.

Então conhecer isso é fundamental para não passar pela situação que esse motociclista passou.

Felizmente ele sobreviveu praticamente ileso. 

Nem todo mundo tem a mesma sorte.

Alguns sobrevivem por até uma hora sem nunca poderem ser retirados dali porque o pneu é a única coisa capaz de estancar as hemorragias. 

Acredite, é uma cena que ninguém quer ver.

Taí, talvez uma postagem alertando para um perigo como esse possa ser um motivo para eu voltar a postar aqui no blog.

Vou pensar sobre isso.

Um abraço,

Jeff

PS: Obrigado aos leitores que me incentivaram a retomar o blog. Suas palavras foram recebidas com afeto e me ajudaram mais uma vez a enfrentar minha depressão recorrente. Forte abraço!

segunda-feira, 28 de setembro de 2020

A covid e eu

Olá, pessoal

Conforme prometido na postagem da semana passada, explico os motivos para o blog ficar fora do ar durante seis meses.

Bom, minha saúde não andou lá essas coisas, e minha moto andou menos ainda.

Passei a tomar muitos remédios novos depois de uma consulta em março, e tive vários sintomas que atribuí inicialmente aos efeitos colaterais daquelas pandorgas.

Mas vendo agora, acho que foi mesmo covid.

Fui a uma consulta em março que estava agendada há meses. Ela ocorreu poucos dias antes da decretação da quarentena obrigatória — o salão de espera do Hospital Municipal tinha centenas de pessoas sem máscaras, o vírus já estava circulando na população, hoje acredito que peguei o bicho ali mesmo.

Na época em que escrevi a despedida do blog eu já estava com os sintomas e cheguei a pensar que não sobreviveria à pandemia, achava que aquele adeus seria para sempre... 

Não cheguei a ter falta de ar a ponto de procurar um médico, mas teve umas duas ou três semanas em que faltou fôlego, eu não conseguia nem levantar da cama, se tivesse piorado um pouco mais, teria buscado a internação.

Senti dores que não eram as típicas da artrite, mas pareciam percorrer os nervos e veias das pernas como fogo. Minha pressão permaneceu ainda mais anormalmente alta que de costume, apesar de toda a medicação. 

Devo ter pegado a forma branda da covid porque tive muito pouca tosse, alguns espirros e alguma tremedeira. Não percebi febre, mas posso ter delirado que não tive. 

No pior estágio a fraqueza nas pernas aumentou, depois melhorou um pouco, mas mesmo depois disso as dores continuaram implacáveis, era analgésico forte todo dia várias vezes ao dia, ou eu não dormia.

Fiquei semanas sem capacidade de fazer força nem conseguir ficar de pé por mais de 5 minutos.

Resumindo, foi muito bem mais do que uma "gripezinha".

Nesse meio tempo fiz pesquisas e, muitos koalas depois, felizmente sem necessidade de internação, resolvi tentar combater as sequelas com meios naturais porque já estava entupido de remédios fortes.

Vi uma reportagem a respeito das qualidades anti-inflamatórias do curry, uma mistura de temperos orientais conhecida há 500 anos em Portugal como caril e que alguns amigo confundem com cúrcuma (né, Daniel?)

Cúrcuma é a mesma coisa que açafrão-da-terra.

Curry/caril é uma mistura de pó de açafrão-da-terra mais cardamomo, coentro, gengibre, cominho, casca de noz-moscada, cravinho, pimenta e canela além de outros como alforva, pimenta-de-caiena, cominhos finos, noz-moscada, pimenta-da-jamaica, pimentão e alecrim, conforme a preferência. Fonte: wikipedia

Passei a consumir curry e canela em pó diariamente e comecei a ter melhoras significativas. 

Além disso, percebi que minha dieta tinha falta de um alimento fundamental para manter os níveis de vitaminas do grupo B: feijão. Dez entre dez brasileiros preferem feijão.

Com esse negócio de cozinhar em casa só no micro-ondas, o feijão tinha ficado de lado e as marmitex marmitexes quentinhas de comida chinesa (adoro) não vêm com feijão... 

Beribéri é o quadro de sintomas por falta de feijão vitamina B, e também tive falta de vitamina C, frutas também não acompanham quentinhas. Vitamina C ajuda a combater a artrite porque facilita a absorção de colágeno.

Depois que enriqueci a dieta (infelizmente, só a dieta), minhas dores diminuíram muito, a ponto de não depender mais de remédios. Também não sinto mais problemas de inflamação recorrentes, combatidas com outro remédio que tinha passado a tomar.

A pressão também se mantém mais baixa porque agora cozinho sem usar sal, mas com muitos temperos tipo alho, salsinha e cebolinha, todos apontados como anti-inflamatórios naturais.

Agora estou bem melhor e mais otimista quanto ao futuro. Até deixei de usar repelente de koala!

Mas chega de falar de mim, que sou um assunto nada interessante, só comento essas coisas na esperança de que minha experiência ajude mais alguém a se livrar de problemas de saúde semelhantes aos meus.

Na próxima postagem, voltarei a falar de motos.

Vou contar minha última viagem (no bom sentido — a última viagem que fiz antes da pandemia) onde tudo que podia dar errado deu pior ainda, e tudo por um motivo bobo e evitável.

Um abraço, se cuidem, e cuidem uns dos outros,

Jeff