terça-feira, 18 de abril de 2017

É, dona honda... complicou para o seu lado

Outra coisa, dona honda:

Nessa pesquisa para tentar entender o porquê de informações importantes não serem fornecidas aos clientes brasileiros, fui investigar os primórdios do uso de óleo 10W-30 no restante do mundo e encontrei isto...

Nossa brasileira CG 125 é muito parecida com esta moto aqui:
Manual honda GLH 125 SH 2012

Uia, reproduzi até a parte que diz que nenhuma parte do manual do proprietário dela pode ser reproduzida sem permissão por escrito... Por que tanto segredo com um manual de proprietário público, dona honda?

A senhora me dá essa permissão, dona honda? Porque é para um assunto de utilidade pública que irá esclarecer e beneficiar milhões de proprietários de motos neste Brasil, não só da marca honda.

Se a senhora não der, vou publicar mesmo assim, porque são referências fundamentais para esta postagem. 

E a senhora certamente não quer que as pessoas pensem que não está interessada em informar corretamente seus clientes, né dona honda?

Então vamos lá:

Essas motos honda GLH 125 SH, equivalentes à nossa CG 125 varetada, eram vendidas em 2012 na Turquia, Ucrânia e Austrália — onde também recebiam o nome de CB 125 E. Vá entender...
Imagem: http://www.mmotoracks.com/product/engine-guard-crash-bars-for-honda-cb125e-glh125-sh

Está lá no manual da GLH 125 SH / CB 125 E:
Manual honda GLH 125 SH 2012

Dona honda, agora diz pra gente:

ATENÇÃO: 

Cometi um erro na hora de anexar as figuras, acabei colocando páginas do manual de uma moto no lugar da outra. Como construí o texto em cima do roteiro de figuras erradas, bagunçou tudo, mas não há prejuízo para o entendimento. ambas as motos citadas usavam óleo 10W-30 na ocasião. Estou corrigindo da melhor maneira possível, acrescentando informações e não subtraindo nenhuma. Os blocos novos estarão sublinhados.

Por que os manuais brasileiros não têm alertas sobre o óleo do motor como este da GLH 125 SH / CB 125 E CRF 50 2012?
Manual honda GLH 125 SH 2012 CRF 50 2012

Tradução:

Usar o óleo correto, e regularmente verificar, adicionar, e trocar o óleo irá ajudar a prolongar a vida do seu motor. 

Mesmo o melhor óleo é consumido.

Trocar o óleo ajuda a eliminar a sujeira e depósitos mantidos no motor. 

Operar o motor com óleo velho ou sujo pode danificar seu motor.

O funcionamento do motor com óleo insuficiente pode causar sérios danos ao motor e transmissão.

Por que isso não é enfatizado para todo mundo aqui no Brasil, dona honda?

E por que aquele asterisco * na viscosidade 10W-30 nunca foi usado aqui no Brasil?

Na página seguinte do manual o asterisco diz o seguinte:
Manual honda GLH 125 SH 2012 CRF 50 2012

* Para temperaturas do ar normais. Veja a próxima página para informações adicionais sobre temperatura / viscosidade.

Normais no Japão, Turquia, Ucrânia e Austrália.

Nem vou perguntar por que motivo os manuais estrangeiros não determinam a marca do óleo... pelo contrário, enfatizam que qualquer óleo atendendo às especificações é aceitável, mas aqui no Brasil... só o óleo da concessionária. Por que será, hein?

E olha só que interessante o que o manual diz na outra página sobre temperaturas do ar "não normais" no Japão, Turquia, Ucrânia e Austrália:
Manual honda GLH 125 SH 2012 CRF 50 2012

Tradução:

Outras viscosidades mostradas no seguinte gráfico podem ser usadas quando a temperatura média na sua área de pilotagem estiver dentro da faixa indicada.

Quer dizer que para temperaturas médias acima de 20 para mais de 40 graus a dona honda lá fora recomendava óleo 10W-40 no lugar do 10W-30???? Que surpresa, só que não — eu sempre disse que em nosso país o óleo precisa ser mais viscoso para proteger melhor o motor.

E aqui o motivo da confusão, as páginas são muito parecidas. Este é o verdadeiro manual da GLH 125 SH:
Manual honda GLH 125 SH 2012

E a GH 125 SH era a mesma coisa, a honda sugeria usar 10W-30 e determinava corrigir a viscosidade em função da temperatura da área de pilotagem:

Tradução:

Viscosidade:

A categoria de viscosidade do óleo do motor deverá se basear na temperatura atmosférica média em sua área de pilotagem. O seguinte [gráfico] fornece uma orientação para a seleção da categoria correta de viscosidade do óleo a ser usado nas várias temperaturas atmosféricas.

O gráfico é idêntico ao da CRF 50, recomendando o uso de óleo 10W-40 para temperaturas médias mais elevadas.

E vale lembrar, até a adoção do 10W-30, os manuais da honda recomendavam nesse gráfico o óleo 20W-50 para essa faixa de temperatura...

Por que as motos vendidas no Brasil na mesma época nunca tiveram essa opção de usar um óleo mais viscoso e "mais adequado à temperatura média da área de pilotagem"? Responde essa, dona honda!

Por que no mesmo ano de 2012 — e até hoje — as nossas motos foram — e são — obrigadas a receber goela abaixo apenas o famigerado óleo semissintético 10W-30? Responde essa também, dona honda!

A senhora mesma diz que essa viscosidade 10W-30 não é adequada para temperaturas elevadas...

Será que essa regra de adaptar a viscosidade conforme a temperatura da região de pilotagem só vale fora do Brasil?

Curioso isso, hein dona honda?

Analise comigo:

Para a Ucrânia e Turquia, países europeus na mesma latitude do Japão, o óleo 10W-30 pode até atender razoavelmente, dependendo da época do ano.
Imagem: http://www.estadosecapitaisdobrasil.com/mapa-mundi/

Vai passar um pouco de sufoco em poucos dias do verão, mas são poucos dias de um verãozinho brando, isso é tolerável.

Nessa latitude de Japão, EUA, Canadá, Ucrânia e Turquia chega a cair neve, como você pode ver nesta foto de uma GLH 125 SH / CB 125E com acessórios fabricados na Ucrânia.
Imagem: http://www.mmotoracks.com/product/engine-guard-crash-bars-for-honda-cb125e-glh125-sh

E no Japão chega a nevar tanto que o pessoal até samba de bomba.
Imagem: http://www.eglobe1.com/japan-snow-festival/

Já para a Austrália sobrou o óleo que a honda considera adequado à temperatura da região de utilização, o 10W-40.

A Austrália é um pouco mais quente que Japão, Turquia e Ucrânia.
Imagem: http://imgur.com/gallery/qyCuWon

Bom, só um pouco...

O 10W-40 também é um óleo só um pouco mais viscoso do que o famigerado 10W-30...
Mas ainda menos viscoso que o 20W-50. Note que o gráfico da honda padece do mesmo mal que critiquei na suzuki... o gráfico SAE colorido está mais coerente com as faixas de temperatura para cada viscosidade.

Agora olhe no mapa:
Imagem: https://origini.com.br/painel-fotografico-mapa-mundi-tradicional-origini.html

A Austrália está mais ou menos na mesma latitude, até um pouco mais ao sul do que o Brasil.

Está mais fora da área tropical que o Brasil — metade do Brasil está em uma região tropical mais quente do que a Austrália...

Mas em 2012 a honda sugeria usar um óleo mais viscoso que o 10W-30...

Enquanto isso, aqui no Brasil, a honda recomendava obrigava até hoje obriga todo mundo a usar SOMENTE óleo 10W-30.

POR QUÊ ISSO, DONA HONDA?

Por que o que vale para a Austrália não vale para o Brasil????

Por acaso a tecnologia honda dos motores brasileiros é diferente da tecnologia honda dos motores do resto do mundo?

Por que o consumidor brasileiro não tem acesso ao mesmo tipo de informação que os consumidores do resto do mundo, dona honda?

Afinal, quais são seus critérios para omitir informações importantes para uns e não para outros, dona honda?

Mais uma curiosidade que eu queria explicação, dona honda:

Por que a senhora fala que esse motor lá na Turquia, Ucrânia e Austrália usa somente 800 mililitros de óleo, dona honda?
Manual honda GLH 125 SH 2012

0,8 litro??

Não é muito pouca coisa não?

Uma CG rodar com a mesma quantidade de óleo recomendada para uma Leadizinha ou uma Bizinha?

E olha que a Lead nem tem câmbio para lubrificar...

Posso estar enganado por algum pequeno detalhe, mas até onde a gente consegue ver, aquele é o mesmo motor da CG, sem tirar nem por...

Até conferi a ficha técnica — mesma cilindrada, mesmo diâmetro do cilindro e mesmo curso do pistão.  

E nossas motos CG o manual fala 1,0 litro e 1,2 litro, mas na prática a gente viu que é mesmo 1,2 litro...

A razão do meu estranhamento, dona honda, é que se bobear, é capaz até de essas motos serem fabricadas aqui no Brasil mesmo...
Reportagem: http://www.automotivebusiness.com.br/noticia/22802/honda-vai-de-consorcio-para-enfrentar-2016

Quero ver explicar mais essas, dona honda.

Um abraço aos leitores, e no aguardo das explicações da honda, sentado em uma almofada bem confortável e fazendo outras coisas enquanto espero, 

Jeff
O mesmo das postagens anteriores.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Xiiii, agora quero ver a honda também explicar isso...

Ontem eu postei que a honda nunca tinha alertado seus clientes sobre a necessidade de antecipar a troca do óleo do motor quando estivesse sujo, independente da quilometragem.

Pois bem, me enganei, isso não é exatamente verdade.

O leitor Pedra Veloz, a quem agradeço imensamente, me alertou que o manual das CG 160 continha exatamente aquela observação que eu disse que a honda nunca fez aos proprietários no Brasil.

Investiguei o assunto e descobri que a verdade é muito pior — para a honda.

De fato, a honda incluiu esses alertas em alguns dos seus manuais, mas não todos.

Agora a honda vai ter de explicar para os clientes dela qual o motivo de ter incluído o alerta em alguns modelos e em outros não. 

Dona honda, tira essa curiosidade de todo mundo:

Por que os manuais de suas motos mais populares — Lead, Biz, Titan / Fan / Bros 150, CB 300, XRE 300 — por coincidência, aquelas que mais se deram mal com o "maravilhoso" óleo semissintético 10W-30  nunca apresentaram os alertas comentados na postagem de ontem?
Manual honda CB 300 2015 https://www.honda.com.br/pos-venda/motocicletas/manuais — Não vou postar imagens de todos esses manuais, você pode conferir no link.

Por que as motos mais caras — da CB 500 para cima — já tinham o alerta no manual mais de um ano antes das populares que nunca receberam o alerta?
Manual honda CB 500 2014 https://www.honda.com.br/pos-venda/motocicletas/manuais — Não vou postar imagens de todos os outros manuais, você pode conferir no link.

Por que esse alerta velho de anos lá no exterior começou a ser publicado para os modelos com motor 160 — aqueles que vieram substituir os problemáticos 150 abrindo o bico com óleo 10W-30 — somente a partir dos modelos 2016 lançados em meados de 2015?
Manual honda CG 160 2016 https://www.honda.com.br/pos-venda/motocicletas/manuais — Não vou postar imagens de todos os outros manuais, você pode conferir no link.

Por que o manual da Twister 250, que é posterior, não fala nada sobre esse alerta que já constava na CG 160, dona honda?

A CB 250 Twister foi lançada em outubro de 2015, depois da CG 160 lançada em agosto, ambas como modelo 2016...

Por que os proprietários da nova Twister não precisam ser informados de algo que os proprietários de CG 160 precisam?

Por que os proprietários da nova Twister não precisam ser informados de que o óleo precisará ser trocado antes da quilometragem recomendada se estiver sujo?

Saber que rodar com óleo sujo e velho danificará o motor não é algo que todos os proprietários de suas motos deveriam ficar sabendo, dona honda? 

Por que essa informação importante é dada para alguns proprietários e não para outros?
Site da imagem
Qual o critério para algumas motos receberem o alerta e outras não, dona honda?

Até onde vejo, parece que a dona honda omite essa informação para os proprietários das motos mais populares e fabricadas em maior quantidade... Lead, Biz, Titan / Fan / Bros 150, CB 300, XRE 300 — e agora a CB 250 Twister...

Seria esse o critério, dona honda?

Mas por que essa discriminação contra os proprietários de motos populares, dona honda?

Porque a senhora sabe, esses proprietários sem essa informação não farão a troca antecipada do óleo e continuarão a rodar com óleo sujo até atingir a quilometragem que a senhora falou, estragando seus motores mais rapidamente...

E geralmente quem compra as motos mais populares, as motos "mais baratas" do mercado, é o pessoal trabalhador que leva em muita consideração a "economia" proporcionada pelos grandes intervalos de troca de óleo sugeridos pela senhora, né?

Mas a dona honda sabe que o pessoal que acreditou nas suas propagandas e não teve acesso a essa informação e saiu rodando com óleo velho e sujo pela quilometragem recomendada tomou na cabeça...

O tal óleo maravilhoso não fez o trabalho fantástico que a senhora prometeu, dona honda... 
Imagem: propagandas óleo genuíno honda

Também, né? 

Óleo semissintético não passa de uma mistura de 70% óleo mineral com no máximo 30% de óleo sintético e aditivos... óleo semissintético não consegue fazer mágica.

Mesmo assim, a senhora prometeu com todas as letras, até GARANTIU que o novo óleo "genuíno honda" iria "proteger o motor, transmissão e embreagem por muito mais tempo", dona honda...

E deixou de avisar os proprietários que o óleo sujo precisa ser trocado antes daquele "muito mais tempo" que a senhora garantiu, dona honda.

Por acreditarem no que a honda disse, e por não ficarem sabendo o que a honda não disse, um monte de gente viu o motor indo embora rapidinho e teve um prejuízo danado. Sem falar na viscosidade inadequada, mas isso é assunto para amanhã... com provas vindas do outro lado do mundo.

Sabe como é que ficou essa GARANTIA DE MOTOR PROTEGIDO POR MUITO MAIS TEMPO, dona honda?

Sua "garantia" nas concessionárias não valeu nada, porque a garantia da moto não cobre "mau uso" dos proprietários...

Mesmo que o "mau uso" tenha ocorrido com base nas informações recebidas (ou não) no manual do proprietário e nas concessionárias... bizarro, né?

"Engraçado" é que todo mundo resolveu fazer "mau uso" depois que surgiu esse novo óleo.

Esse novo óleo que a honda não avisou que precisava ser trocado antes do longo tempo prometido se estivesse sujo — e todo óleo fica sujo com o uso.

Quem tomou prejuízo foram justamente os proprietários que não costumam ser advogados nem costumam recorrer a advogados, dona honda...

(Porque as motos mais caras, essas que a senhora se preocupou em alertar, por coincidência costumam ser compradas pelo pessoal bem relacionado, data venia...)


Já o povão que depende da moto para trabalhar todo dia, batalhando duro para ganhar o salário e pagar a moto com sacrifício, o máximo que faz é jogar a moto na calçada da concessionária e bater boca com os vendedores, né?
Imagem e reportagem: http://www.rondoniagora.com/policia/homem-destroi-a-propria-motocicleta-a-marteladas — Será que foi briga de casal?

O povo não tem quem fale por eles, nem sabe onde buscar informações — quando a moto dá problema, o pessoal acha que foi azar e parte pra outra.

Quando muito, dão a moto problemática a preço de banana como entrada e mergulham em outro carnê de prestações a perder de vista... 

Muito bom para a senhora que vende peças e outras motos, dona honda, mas muito triste para o trabalhador que vê a moto dos sonhos virar um pesadelo que destrói o orçamento familiar...

Pois é, dona honda, ao omitir informações que poderiam perfeitamente estar em seus manuais, a senhora pode ser responsabilizada pelo prejuízo que causou.

É uma coisa chamada Lei nº: 8.078/1990 – Código de Defesa do Consumidor (CDC).

Eu começaria por aqui:
Fonte: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8078.htm

Será que "consumo" também se referiria ao consumo de óleo? Penso que dependerá da interpretação do juiz.

Mas acredito que o caso também poderia se encaixar nestes itens aqui:
Fonte: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8078.htm


Mas a postagem começou a ficar longa e eu guardei o melhor para a postagem de amanhã...

Nessa pesquisa acabei descobrindo uma coisa que vai ser ainda mais difícil a honda explicar...

Até lá e um abraço,

Jeff
O mesmo da postagem anterior.

domingo, 16 de abril de 2017

honda, explique isso para seus clientes

Dona honda, explique para seus clientes aqui no Brasil por que razão eles nunca foram alertados disto:

Atualização: Tem novidades sobre este assunto, estarão nas postagens de terça e quarta-feira.

Este é o manual de proprietário que a honda adotou lá fora quando passou a usar o óleo 10W-30 no mundo todo...
Imagem: Manual CB 500 2013 achado na internet.

Lá está escrito logo no início — porque é importante:

Óleo do Motor


O consumo de óleo do motor varia e a qualidade do óleo se deteriora de acordo com as condições de pilotagem e tempo decorrido.


Verifique o nível de óleo regularmente, e adicione óleo de motor recomendado se necessário. 
Óleo sujo ou óleo velho deveriam ser trocados assim que possível.

Pois é...


Por que a senhora não diz as coisas que eu destaquei para os seus clientes brasileiros, dona honda?

Olha só o manual da nova CB 250 Twister:
Manual CB 250 Twister 2016 achado no site da honda https://www.honda.com.br/pos-venda/motocicletas/manuais

Viu só?

A dona honda não alerta que precisa trocar o óleo sujo, nem que o óleo vai perdendo as qualidades milagrosas com o tempo...

E também não alerta que o consumo de óleo do motor "varia" com o tempo decorrido — por que não diz logo "aumenta", dona honda?

Eu até conferi a página 6-5 para ver se isso estava nos Cuidados na manutenção, mas só perdi meu tempo — lá não tem uma palavrinha sobre o óleo do motor...
Manual CB 250 Twister 2016 achado no site da honda https://www.honda.com.br/pos-venda/motocicletas/manuais

Nem no resto do capítulo, o pessoal pode conferir nos seus manuais ou no site da própria honda.

Poxa, dona honda...

Os coitados dos proprietários aqui no Brasil acreditam nas propagandas que a senhora faz e na conversa dos vendedores das concessionárias...

Os donos acabam não se preocupando em rodar com óleo sujo e velho porque todo mundo diz pra eles que o "óleo genuíno honda" é bom pra dedéu...

Por que motivo, dona honda, a senhora faz esse alerta lá fora e não faz o mesmo alerta — até com mais ênfase — aqui para os brasileiros, dona honda?

Porque não sei se a senhora sabe, dona honda, o Brasil é um país tropical e lá fora o óleo trabalha em condições muito mais suaves que aqui... 

Se a senhora tivesse avisado que precisava trocar o óleo sujo antes dos 4 mil km e agora 6 mil km, muita gente não ia ter ficado reclamando porque o motor deu pau, o motor fundiu, o cabeçote trincou com 30 mil km, dona honda...

Se a senhora tivesse avisado que o óleo bom pra dedéu perdia as propriedades lubrificantes com o tempo e as condições de pilotagem, muito dono tinha se precavido, né?

Por que o povo brasileiro não é alertado dos mesmos riscos que o povo do resto do mundo, dona honda?

O consumidor brasileiro não merece o mesmo respeito que todos os outros?

Explica essa para a gente, dona honda...

Mas não só aqui no blog não.

A coisa é tão grave que a senhora deveria era fazer um alerta no rádio, TV e mídia impressa explicando que houve uma "falha de tradução" e essas informações não foram passadas...

Deixando bem claro para todo mundo que óleo sujo pede troca, portanto ele pode não atingir aqueles 4 ou 6 mil km...

Ainda mais se a moto já tiver uma certa quilometragem — que geralmente ela atinge após o fim da garantia e as 7 trocas de óleo grátis, né dona honda?

E aproveita pra explicar que essa "falha de tradução" ocorreu aí dentro porque alguém mudou o texto que os tradutores entregaram.

Os tradutores não inventam nem somem com texto, eles entregam o material traduzido tal qual ele chega para eles...

Quem decidiu que essas informações não eram importantes para os clientes brasileiros é prata aí da sua casa, dona honda.

E capricha no pedido de desculpas para seus clientes, porque tem muita gente muito brava com a senhora, dona honda.

Desconfio que vai ter muito mais gente ainda mais brava depois de ficar sabendo que não mereceu a mesma consideração que os clientes no resto do mundo e ficou no maior prejuízo por sua culpa, dona honda.

Feliz Páscoa,

Jefferson Wagner Dessordi, 
O Jeff, autor de outras postagens sobre isso aqui no blog.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Frear no pânico e travar a roda dianteira

Esta é uma situação que você precisa evitar, a frenagem no pânico:

Travar a roda dianteira pode te levar para o chão fácil, fácil.

Por isso a necessidade de manter uma distância prudente de veículos opacos que não permitam ver o que ocorre à frente deles.

O trânsito pode estancar de repente, pode aparecer um pedestre, pode ocorrer uma pane mecânica ou, como neste caso, motoristas podem parar por não saber que caminho tomar. Não deviam, mas param. E tem quem faça isso na maldade mesmo.

Uma alternativa melhor do que tentar estancar a moto — o que tem altas chances de resultar num tombo — será desviar a moto.
Imagem: Vídeo acima https://www.youtube.com/watch?v=iftdKGVLnu0

Havia espaço para entrar no corredor, e não havia nenhuma outra moto no espelho.

Mas a reação instintiva de quase todo novato — principalmente de quem aprendeu a conduzir carros — é cravar os freios.

Então você precisa controlar esse instinto de frear típico dos motoristas e aprender a desviar a moto por ato reflexo.

O jeito de fazer isso é treinar muitas manhãs de domingo fazendo slalom em uma área isolada até aprender a dominar a moto como se ela fosse uma extensão do seu corpo.

Você começa devagar até pegar o jeito:

E com o treino depois de vários dias você será capaz de fazer isto:

Nos intervalos dos treinos — vários dias de treinos — você aproveita para praticar técnicas de frenagem.

Comece devagar até adquirir a perfeita noção de como usar os freios e, principalmente, quando NÃO usar os freios em curvas e manobras de emergência.

Existe um ponto limite até onde você pode frear durante uma curva sem comprometer a trajetória da moto.

Saber instintivamente onde estão os limites de curvas e freios permitirá que você se safe de situações como a do primeiro vídeo sem nem precisar pensar no que precisa fazer.

A moto permite fazer manobras que os novatos nem imaginam que serão capazes um dia:


A grande ilusão de quem compra uma moto é pensar que sabe pilotar apenas porque consegue fazer curvas suaves em alta velocidade.

Mas o verdadeiro domínio da moto é saber controlá-la em qualquer velocidade para se livrar de encrencas em todas as situações.

E como regra geral, a melhor coisa é ficar longe da possibilidade de alguém frear do nada na sua frente para não ser pego no susto.

Porque quem se ferra é sempre a gente.

Um abraço,

Jeff

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Novidades que talvez apareçam por aqui

Cinco Quatro acessórios interessantes para motocicletas:


O primeiro foi comentado pelo leitor José Carlos Aires, e é uma lanterna / luz de freio / setas de LED com bateria que detecta automaticamente a desaceleração da moto, alertando até mesmo quando você usa freio motor.

Freio motor é aquela desaceleração da moto simplesmente reduzindo marchas ou aliviando o acelerador, coisa que não é sinalizada pelas luzes normais da moto.

Como essa desaceleração pode ser intensa, contar com um sistema como esse será muito útil.
Imagem, outro vídeo e reportagem: http://g1.globo.com/carros/motos/noticia/luz-de-freio-para-capacete-promete-aumentar-seguranca-do-motociclista.ghtml

Além disso, serve de reserva para o caso de a iluminação traseira da moto falhar.

E por estar em uma posição alta, facilita a visualização da moto no trânsito — lanternas de motos são muito pouco visíveis, são ocultadas facilmente pelo carro atrás de você.

O brake light dos carros reduz acidentes porque permite que vários motoristas antecipem a frenagem quando ele se acende lá na frente, e motos nunca tiveram isso, até agora.

Você encontra mais informações sobre essa novidade neste link da reportagem da globo enviado pelo José Carlos.

A segunda novidade é uma luva equipada com GPS (ou um GPS embutido em uma luva, você decide).
Imagem: Vídeo acima https://www.youtube.com/watch?v=UePIvvNmd8E

Eu não me adaptaria com um GPS fixado no guidão da moto, e tenho dúvida se me adaptaria com um desses.

Aliás, tenho dúvida se me adaptaria com qualquer novidade tecnológica que distraísse minha atenção da pilotagem...

Mas de repente pode atender a uma necessidade de muita gente, o tempo dirá.

A terceira novidade é um headset que permite receber ligações de celular, além de gerenciar uma série de funções úteis para quem pilota.
Imagem: Vídeo acima https://www.youtube.com/watch?v=UePIvvNmd8E

Poder atender ligações do pessoal atrasado e perdido errando o caminho que gosta de pesquisar caminhos alternativos no meio dos passeios seria uma função muito bem vinda lá nos WD±40...

E a quinta novidade interessante é a bota de proteção com sistema de iluminação que reproduz a sinalização de setas e luz de freio:
Imagem: Vídeo acima https://www.youtube.com/watch?v=UePIvvNmd8E

Além de ser uma alternativa com reforços de proteção para as pouco práticas botas de cano longo, esse sistema de iluminação melhora a visibilidade do piloto.

Entretanto, não reproduz a lanterna, o que traz uma desvantagem em relação à luz de freio de capacete lá em cima:

A lanterna no capacete sinaliza a posição do piloto em caso de queda.

Bom, se não voar longe com o impacto...

Mas em casos de queda simples, de longe os mais comuns, indicar a posição de um motociclista caído pode salvar vidas.

Um abraço,

Jeff

terça-feira, 11 de abril de 2017

Os 12 mil km da troca de óleo da kawasaki

Eu pensava que a cara de pau das fabricantes quanto a altas quilometragens recomendadas para a troca de óleo já tinha atingido seu limite, mas...

O troféu temporário agora vai para a kawasaki.

12.000 km.
Perdi a informação de quem me enviou o link, peço desculpas por não poder dar crédito ao leitor que sugeriu a postagem, procurei no email e nos comentários do blog e não encontrei... my bad.

Troca do óleo e do filtro de óleo a cada 12 mil km...

Mas o que importa aqui é o seguinte:

A kawasaki está recomendando trocar o óleo do motor a cada 12 mil quilômetros, e em menor quilometragem em caso de uso severo — mas não define bem o que é uso severo.



Eles falam em condições empoeiradas, úmidas, lamacentas, de alta velocidade, ou partidas e paradas frequentes.

Mas não dizem que a principal condição de uso severo para todos os motores é aquela que as pessoas pensam que é uso leve:

Ir de moto para o trabalho ou escola em jornadas curtas de até 30 km todos os dias... não dando tempo para o motor esquentar adequadamente.

O resultado é óbvio, os proprietários vão pensar que não fazem uso severo e somente irão se preocupar com a troca aos 12 mil quilômetros acreditando nas virtudes do óleo mágico...

SÓ QUE A KAWASAKI NESSE MANUAL NÃO FALA NADA SOBRE ÓLEO SEMI/SINTÉTICO...
Quem lê o manual em inglês, se sente autorizado pela fabricante a usar óleo mineral...

OPS, pequena correção: 

A categoria SM é de óleos sintéticos. Mas SG, SH e SJ são óleos minerais. 

De qualquer forma, isso não é mencionado no manual e eles não fazem distinção entre um tipo e outro para chegar a 12 mil km.

Ao contrário de outros países onde a venda casada é proibida, aqui no Brasil ela só é proibida no papel, porque na prática é honda mandando usar óleo da honda, yamaha mandando usar óleo da yamaha, kawasaki mandando usar óleo da kawasaki...

Esta última tem um acordo comercial com a mobil para usar o óleo semissintético Super Moto 4T MX 10W-40 (o mesmo que a suzuki recomenda):
Olha lá o kawasaki na parte inferior do rótulo...

Será esse óleo semissintético que será colocado na sua moto kawasaki, então você estará um pouco melhor aqui no Brasil do que os clientes lá na Índia, de onde esse pdf do manual foi obtido.

Mas não muito melhor, porque um óleo semissintético não é um óleo puramente sintético.

É preciso tomar cuidado com algo essencial:

Todas as motos da kawasaki trabalham com arrefecimento líquido, exceto as pequenas fora de estrada como a KLX 110:
Imagem: http://kawasakibrasil.com.br/produtos/klx110/

Então o uso de um óleo de menor viscosidade que a recomendável para as temperaturas em nosso país não será um problema tão crítico para a maioria das máquinas deles — mas certamente será problema para as trilheiras.

Motores de arrefecimento líquido trabalham com temperatura limitada a 115-120 °C, bem abaixo dos 160-170 °C típico dos motores esfriados a ar.

Mas apesar de o arrefecimento líquido aliviar as coisas, com 12 mil km para troca não há óleo que aguente tanta contaminação por partículas de desgaste... 

Nem motor que mereça tamanho sacrifício.

Note que o óleo da parceria mobil/kawasaki não é um óleo puramente sintético de qualidades amplamente superiores como foi visto no vídeo promocional da shell.

É um óleo semissintético, ou seja, uma mistura principalmente de óleo mineral com uma parcela de óleo sintético e aditivos para compatibilizar os dois...

E a kawasaki está dizendo que esse óleo aguenta 12 mil km, assim como o filtro de óleo...

Difícil, hein?

Serão longos 12 mil km com seu motor sofrendo com as partículas de desgaste lá dentro do motor.

Na hora da primeira troca, você já estará meio decepcionado com o desempenho do câmbio e motor.

Aí ele ganhará um refresco com o óleo novo, e você passará mais 12 mil km vendo o comportamento da moto piorar cada vez mais...

Já na segunda revisão, depois de quase um ano, o pessoal vai te sugerir a compra de um modelo mais novo e você estará inclinado a aceitar alegremente achando que é um ótimo negócio.

São as sutilezas que os intervalos de troca de óleo extremamente longos proporcionam.

Não sei porque fui lembrar agora daquele negócio de cozinhar uma rã viva lentamente...

Conhece a história?

Cozinhando uma rã em fogo baixo, ela não percebe que está sendo cozida e morre sem nem tentar fugir...

Não sei o que isso tem a ver com troca de óleo a cada 12 mil quilômetros, deve ser coisa da minha cabeça.

Acho que foi por causa da cor verde.
Imagem: http://convenientsolutions.blogspot.com.br/2014/05/frogs-in-pot.html

Um abraço,

Jeff