segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Gasolina vazando pela tampa do tanque de combustível

Uma coisa que assusta muito novato é a moto começar a vazar gasolina pelo respiro da tampa do tanque de combustível.

Você deixa a moto estacionada e quando volta o tanque está lavado, escorrendo gasolina. 


Por que isso acontece?


Porque você encheu deixou encher demais o tanque, e depois estacionou a moto inclinada sobre o cavalete lateral. 



Imagem: http://www.hotbikeweb.com/features/0503_bree_hot_bike_model/photo_14.html

Abasteça somente até o nível indicado pela cauda seta.


A gasolina do posto vem de um tanque enterrado no solo, bastante fria. Aí você enche o tanque da sua moto, em cima do motor quente, e deixa a moto exposta ao sol do meio-dia, inclinada.

A gasolina se aquece, aumenta de volume (lembra das aulas na escola?) e tem que ir para algum lugar.


Se não tivesse o respiro, alguma solda do tanque iria se romper. (E o seu motor também não iria funcionar, porque a gasolina não ia sair do tanque.... mas essa é outra história.)


Para evitar esse transbordamento, nunca abasteça o tanque completamente até a boca, e nunca apoie a moto sobre o cavalete lateral com o tanque cheio. 


Encha no máximo até a parte inferior do gargalo, mais ou menos 5 cm abaixo do bocal, onde acaba aquele tubo de aço.


Não estacione a moto sobre o cavalete lateral sem antes rodar uns 30 km e, se for deixar a moto estacionada debaixo do sol forte, deixe para abastecer ao final do dia. 


Tomando esses cuidados, isso não acontecerá mais.


Dica: Um frentista me disse que a melhor maneira de limpar um tanque lavado com gasolina é usando um pano embebido em óleo diesel. 

Pelo que ele falou, isso foi ensinado no curso de treinamento de frentistas. Nunca experimentei, mas fica a dica.

Espero que nunca precise!

Um abraço,


Jeff

domingo, 1 de dezembro de 2013

Continuação da Premonição 2

Desgraçadamente, sou obrigado a vir aqui comentar este assunto de novo, o que eu menos queria na vida; o pesadelo é cada vez mais real, a desgraça está feita.


Como no pesadelo, o cometa da serra de Rebemar da cidade de Havilândia se desintegrou. 

Ele teria perdido a cauda sobre o deserto do sul de Caafir; só não era 15/9, era bem 10/9.



É por demais angustiante abrir a internet todos os dias na expectativa de que outros cometas venham a se desintegrar em grande altitude, sem chance para ninguém.

Vamos aguardar o desenrolar dos fatos, e por Deus, que eu esteja errado! 

Mas se não estiver, que os responsáveis por isso tenham o caráter de fazer o necessário para que essa tragédia não se repita, mesmo que isso envolva o sacrifício pessoal de suas carreiras.

Me deem alguns dias; confirmando minhas suspeitas, esclarecerei a todos.

Amargamente,

Jefferson

sábado, 30 de novembro de 2013

Capacete coquinho

Você reparou o que está errado nesta foto?



Nenhum dos dois está usando capacete!

Aquele coquinho na cabeça do piloto não é um capacete de verdade; é uma imitação de brinquedo que o infeliz está usando na ilusão de que não vai tomar multa.

Se o cara tivesse lido a etiqueta que veio nele, provavelmente encontraria isto:

"Este é um item de brinquedo e não se destina ao uso como equipamento de segurança. USE POR SUA CONTA E RISCO!"

Esse é um cuidado a ser tomado quando comprar um capacete barato pela internet.

Imagem: http://www.michigan.gov/msp/0,4643,7-123-1593_30536_25802-154932--,00.html


O pessoal vende qualquer coisa, não está nem aí. Desconfie das pechinchas.

E o desavisado que compra uma imitação dessas só descobre a burrada que fez quando é tarde demais; adeus, vida.

Existem capacetes coquinho que oferecem um pouco de proteção, esses são legalizados. No Brasil, teriam o selo do Inmetro no lugar do selo DOT:


Imagem: http://www.michigan.gov/msp/0,4643,7-123-1593_30536_25802-154932--,00.html

Existe uma camada protetora de isopor que oferece alguma proteção contra impactos.



Mas até mesmo o capacete coquinho legalizado, em termos de proteção, é quase um zero.

Na hora do tombo, ele protege somente contra impactos diretos no coco, típicos de acidentes em alta velocidade, quando o piloto voa e aterrissa de cabeça. 


Reportagem: http://apnendenovaodessa.blogspot.com.br/2011/03/uso-de-capacetes-reduz-risco-de-lesoes.html

As estatísticas de acidentes comuns em velocidades médias nas ruas mostram que a maior parte dos impactos é recebida nas regiões que o coquinho não protege, particularmente queixo, testa e nuca.



É por esse motivo que os capacetes integrais oferecem proteção tremendamente superior:



Imagina só o estrago se o dono deste capacete tivesse optado por um coquinho:

 Imagem: Vai saber quem postou

Ao escolher um capacete, leve isso em consideração e, na medida do possível, não economize.

Uma última coisa: 

Alguns partidários do coquinho alegam que um capacete mais pesado, como o integral, pode favorecer lesões na coluna cervical por deslocamento do pescoço.

Uma análise de 40 mil colisões de motocicletas entre 2002 e 2006 nos EUA mostrou o contrário.
Fonte: Deficiente Ciente - 18/03/2011

Resumindo, não há vantagem alguma no uso do capacete coquinho, a menos que você pense somente em aparência.

Mas a sua própria aparência poderá ser seriamente comprometida por causa disso. 

Caso sobreviva a um tombo besta.




Este filme e mais informações foram publicados originalmente na postagem Entendeu porque capacete aberto não serve para nada?

Para saber mais sobre capacete coquinho, leia a postagem Capacete coquinho matou filho do Erasmo Carlos.

Para saber mais sobre capacetes abertos, leia a postagem Modinhas tolas.

E uma postagem que se aplica tanto ao capacete coquinho quanto ao capacete aberto: Nem o Exterminador se salva...

Um abraço,

Jeff

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Bobeira inocente

"Eu saí, olhei os velocímetros dos dois carros parados. O meu estava em 50 km/h. O do outro motorista estava em 120 km/hQuando desci, já vi ela [a vítima atropelada na calçada] no chão e entrei em pânico, em desespero. Não consegui olhar. Tenho pavor de sangue, sabe? Virei o rosto e já pedi para alguém chamar o socorro."


Tadinho do Elton Rafael Garcia, né?

Quem lê isso pensa que ele é vítima inocente do outro motorista abusado, preocupadíssimo com a senhora atropelada num acidente em que ele 'não teve culpa'.

Mas para azar do Elton Rafael Garcia, existia uma câmera de segurança que flagrou o acidente e mostrou claramente quem é que estava em maior velocidade.


Reportagem: http://g1.globo.com/pr/norte-noroeste/noticia/2013/11/familia-de-mulher-atropelada-no-pr-deve-entrar-na-justica-contra-taxista.html

Não dá para saber a quanto ele vinha, mas certamente o outro motorista não estava a 120 km/h.

Pra piorar a situação do Elton Rafael Garcia, ele postou fotos na internet que ele mesmo bateu no local do acidente, junto com as pérolas:


Reportagemhttp://g1.globo.com/pr/norte-noroeste/noticia/2013/11/familia-de-mulher-atropelada-no-pr-deve-entrar-na-justica-contra-taxista.html

Resultado disso é que, além da família da vítima, o dono do táxi que ele destruiu também abriu um processo contra o Elton Rafael Garcia por conta do prejuízo, e juntou o vídeo, a declaração mentirosa e as postagens alegres como evidências.

A única notícia boa nisso tudo é que a vítima atropelada se recupera relativamente bem, apenas braços e perna quebrados e algumas cirurgias; mas nasceu de novo. 

“Foi um momento de bobeira, de inocência. Não tinha ideia da proporção que isso poderia tomar.”

Pois é, foi mesmo, Elton Rafael Garcia.

kkkkkkkkkk

Jeff
PS: O que isso tem a ver com motos? É só para lembrar a regra de ouro, nunca confie que irão respeitar sua preferencial. Tem muitos Eltons por aí.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Planejamento de viagem

As férias estão chegando... Motoca na garagem implorando por uma aventura...

Só por brincadeira, vamos planejar uma viagem de uns 500 km, tipo São Paulo ao Rio, ou vice-versa?

A primeira coisa é determinar o roteiro, e nesse caso nem sempre a distância mais curta é a melhor viagem.

Mapa: Google Maps

Uma ida de SP ao Rio (são exemplos, considere as cidades locais de sua região) pode ficar muito mais interessante se você fugir da mesmice da via Dutra e explorar o litoral norte de SP/sul do RJ, uma das regiões mais lindas do mundo, por dentro da reserva da Mata Atlântica à beira-mar. E ainda fazer um passeio por Lídice, com direito a túnel escavado a mão na montanha e uma estradinha com curvas e paisagens de serra maravilhosas.

Você adiciona 120 km e várias horas, mas ganha uma viagem inesquecível...  pode ser muito mais vantagem.

Para calcular quanto tempo vai durar a viagem, a conta que você faz é do tipo 500 km, 100 km/h, em 5 horas você estará lá, certo?

Muito errado!

Mesmo que você escolha ir pela via Dutra e o Google te diga que você faz 430 km em 4 horas e 42 minutos, esse cálculo é ainda mais irreal para motos.

Começa que a velocidade real envolve negociar ultrapassagens com caminhões, velocidade reduzida em trechos urbanos e de serra com muitas curvas, você não consegue manter a velocidade máxima o tempo todo.

Para uma 150, você pode considerar uma média horária real de 65 km/h, esse é um dado real obtido em velocímetro digital.

Além disso, você precisa estimar paradas de 15 minutos a cada hora, hora e meia. Se você não parar, sua companheira que não vê a luz do dia pedirá divórcio antes do fim da viagem.

E as paradas são ótimas oportunidades de descobrir coisas incríveis, como o riacho pedregoso que passa no fundo do posto de gasolina e que você nem imagina que existe. Rendem ótimas fotos.

Então, no exemplo SP/RJ, a estimativa do google indo direto pela Dutra é de 4 horas e 42 minutos, mas você pode considerar que levará 6 horas e 40 minutos a 65 km/h, mais 1 hora de almoço mais umas duas horas de paradas, arredondando, 10 horas de viagem. Se estiver em grupo, as paradas serão mais demoradas e frequentes, bote 12 horas no seu cálculo.

E se fizer pelo caminho mais longo, menores velocidades, considere uma média de 45 km/h. Pode chutar umas 16 horas de viagem.

E aí entra um fator fundamental a ser considerado: o cansaço.

Chegar cansado a uma cidade grande com trânsito agitado que você não conhece pode ser muito perigoso.

E depois de 12 horas de viagem, você não tem mais condição física de prosseguir.

Primeiro, porque o cansaço na pilotagem pode ser fatal. Segundo, porque estará escurecendo numa região que você desconhece. Seus reflexos estarão mais lentos, sua capacidade de raciocínio terá diminuído, sua agilidade poderá ser insuficiente. E terceiro, porque certamente sua moto estará precisando repor o óleo do motor e ajustar/lubrificar a corrente.

Todas as vezes que tentei extrapolar esse limite das 12 horas o resultado foi terrível; a sensação de incapacidade de continuar pilotando a moto, a incerteza de conseguir completar as curvas devido ao cansaço, o desespero de saber que não há um local para parada nas imediações tornam proibitivo ultrapassar esse limite físico.

Então, na hora de planejar uma viagem mais longa, use esses conhecimentos para não ser surpreendido pelo cansaço no meio do nada. 

Indo ao Rio (ou vindo de lá) pelo melhor caminho, recomendo pernoitar em Trindade ou Paraty. Duas localidades tão apaixonantes que talvez façam você desistir de continuar a viagem e ficar por lá mesmo, só curtindo.

Um abraço,


Jeff 

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

A marcha lenta da minha moto fica variando

Se a marcha lenta da sua moto fica variando, uma hora está abaixo de 1000 rpm, outra hora está bastante acelerada, daqui a pouco fica baixinha novamente, sua moto está com a famosa "entrada de ar falso".

Hummm... tem algum cilindro com ar falso...
Imagem: http://www.ohgizmo.com/2013/05/22/king-of-all-motorcycles-red-baron-bike-is-powered-by-an-airplane-engine/


Esse nome é uma grande bobagem, porque o ar que entra por onde não deve é bem verdadeiro. Mais correto seria chamar de 'entrada falsa de ar'.

Mas o que seria esse tal de "ar falso"?

Seguinte: 

Para funcionar redondinho em todos os regimes do motor, seja na marcha lenta, seja durante a aceleração, a proporção de ar e combustível tem que ser a mais próxima possível de um valor ideal. 

Combustível a mais ou a menos irá alterar o desempenho do motor, sempre para pior. 

Para garantir a proporção exata, a mistura de ar e combustível tem que chegar à câmara de combustão sem alterações.

Se o carburador estiver mal fixado ao flange de união com o cabeçote (o chamado isolante ou coletor — nome totalmente inadequado para motos monocilíndricas), o vácuo do motor sugará ar diretamente da atmosfera, alterando a mistura dosada pelo carburador. Ou bagunçando os cálculos da injeção eletrônica nas motos IE.

O sintoma mais evidente será a rotação de marcha lenta subindo e descendo sem motivo aparente.

O motivo é aquela folga que aumenta ou diminui em função de motivos aleatórios, inclusive a temperatura do motor. 

Não confunda essa variação de rotação ao acaso, típica do ar falso, com o aumento gradual da rpm que ocorre conforme a temperatura do motor vai aumentando; em dias frios, é normal a marcha lenta começar baixa e ir aumentando ao longo da manhã devido ao aquecimento normal dos componentes.

Você constatou que é mesmo ar falso, e agora? 

Tem que levar na oficina?

Só se o problema não desaparecer com um pequeno aperto daquelas porquinhas (ou parafusos) que fixam o carburador ao isolante, e o isolante ao cabeçote. Algumas motos usam uma abraçadeira.

Se depois disso o problema não desaparecer, então a origem da entrada falsa de ar poderá ser uma vedação estragada ou uma trinca no isolante, aí só trocando as peças... mas elas são baratas.

Se a sua moto for do tipo injeção eletrônica, esse problema de flutuação não precisa ser causado necessariamente por 'ar falso'. 

Ele também pode aparecer por algum sensor eletrônico com mau contato ou defeituoso; no primeiro caso, apertar o conector poderá resolver, mas no segundo, será necessário substituir a peça.

Em todos os casos, não deverá ser um reparo caro, a menos que o próprio módulo IE precise ser trocado, o que é algo muito raro — mas tentador para a oficina, se a sua moto estiver fora de garantia.

Nessa última situação, tente fazer uma segunda avaliação em outra oficina antes de autorizar a troca.

Muitas concessionárias têm apenas trocadores de peças e não mecânicos de verdade.

Um abraço,

Jeff

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Malditos tachões

Um dia um mau engenheiro sujeitinho desprezível interessado em ganhar dinheiro fácil teve uma ideia de um produto novo e versátil que serviria para a separação de pistas e redutores de velocidade transversais.

Sem se importar com os possíveis riscos que seu novo invento traria, saiu feliz da vida vendendo para prefeituras e autarquias 'especializadas' em segurança viária por todo este Brasilzão velho de guerra.

Encheu os bolsos, porque segurança viária aqui é piada e a grana das licitações públicas fala mais alto.


É, estou falando dos malditos tachões, tartarugas, olhos-de-gato, catadióptricos ou sei lá como chamam aí na sua terra.

Depois de algum tempo, os eleitores proprietários de automóveis começaram a reclamar de que essa praga dos infernos estava danificando a suspensão de seus carros.


Também estavam derrubando e matando motociclistas, mas com esses ninguém se importa.


Então, para não desagradar os motoristas com seus preciosos amortecedores, em 2009 o Contran proibiu o uso de tachões como redutores de velocidade transversais (lombadas).


A lei não pegou (esses da foto acima foram instalados em 2012) e também não impediu a criatividade do pessoal de criar novas e mais traiçoeiras armadilhas para os motociclistas, porque assim se ganha mais dinheiro.



Denúncia: http://www.revistamotoclubes.com.br/2013_11/Materia_2013_11_01_CurtaseGrossas.htm

Imaginou você vindo no meio da pista atrás de um veículo que encubra a visão e de repente você está em cima disso?

Já estará desequilibrado pelos 3 tachões centrais, e para qualquer lado que você tente desviar, encontrará uma fila de tachões para acabar de te derrubar. 


Muito cuidado com essa praga infernal.


Não faça ultrapassagens sem antes visualizar se não encontrará tachões separando as pistas lá na frente.


Caso você erre seu cálculo, poderá ter o mesmo destino deste colega:



Reportagem: http://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/2013/11/jovem-de-19-anos-morre-em-acidente-caminho-de-aniversario-de-prima.html

Sim, ele errou ao fazer uma ultrapassagem em local proibido. Pagou com a vida ao se desequilibrar nos tachões. 

Não cometa esse erro.


E também não cometa o erro de subestimar a imbecilidade de alguns motoristas idiotas, daqueles que acham que é ofensa ser ultrapassado.


Você correrá o risco de iniciar uma ultrapassagem em local permitido, e o imbecil ao seu lado acelerar para não permitir sua ultrapassagem, te jogando no início dos tachões.


Não sei se foi isso que aconteceu aqui, não estou tentando aliviar para o lado do motociclista; mas tenho cicatrizes pra provar que isso pode acontecer.


Não se deixe empolgar achando que a moto pode fazer ultrapassagens em locais proibidos por ser estreita e se encaixar facilmente no trânsito. 

Nunca faça ultrapassagens em locais proibidos, desobedecer a sinalização viária é chamar por encrenca. Além disso, tachões e motoristas ineptos são armadilhas que geralmente não prevemos. 

Tenha sempre uma margem de reserva e, se não tiver jeito, evite rodar sobre os tachões; cruze-os da maneira mais fechada possível.


Como se fosse um obstáculo de trilha.

Um abraço, e boa sorte,

Jeff
PS: Depois de postado o texto, encontrei uma crônica excelente com o mesmo nome e tema no blog Cariocadorio. Não deixe de lê-la, é muito tocante e te deixará ainda mais revoltado com esse descaso criminoso contra uma parcela da população, a nossa.