segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Batendo papo sobre óleos e óleos falsificados

Olha só a denúncia da blogueira filipina Buko0:

Óleo shell falsificado lá na terra dela:
Imagem: http://www.yamahat135.com/threads/between-the-fake-and-the-genuine-parts-and-accessories.13449/page-3

Lá nas Filipinas, China e extremo Oriente estão falsificando tudo, desde o óleo até a embalagem. Paraguay, alguém?

No Brasil, há uma maneira muito mais matreira de fazer falsificações — reaproveitando as embalagens vazias... (o som falha um pouquinho, mas depois volta)

É por isso que você precisa desconfiar de óleo barato, e conferir o lacre e a aparência geral de produto e embalagem, e conferir o carimbo da data de fabricação e validade, isso é mais difícil de falsificar.

Nada de embalagem sem lacre, você tem de ter certeza que o lacre estava intacto antes de abrirem o frasco.

A melhor coisa é você mesmo comprar o óleo e só depois entregar para alguém fazer a troca. Ou trocar você mesmo(a).

Essas maracutaias já vêm acontecendo há muito tempo:
Reportagem: http://g1.globo.com/Noticias/Economia_Negocios/0,,MUL54057-9356,00-OLEO+LUBRIFICANTE+TAMBEM+E+ADULTERADO.html — Nem adianta clicar na relação de marcas adulteradas, a globo se esqueceu de manter o arquivo à disposição.
Reportagem: http://estadodeminas.vrum.com.br/app/noticia/vrum-na-tv/2011/07/17/interna_noticias,44183/boca-no-trombone-oleo-lubrificante-adulterado.shtml — Não consegui carregar a página...

E pesquisando, descobri que a coisa é pior do que eu imaginava:
Reportagem: http://www.lorenaemfoco.com.br/2011/07/policia-civil-fecha-fabrica-de.html

Pois é, uma em cada cinco embalagens de óleo é falsificada... nem eu que sou tremendamente paranoico ia imaginar algo assim...
Imagem: http://chacomsig.blogspot.com.br/2011/05/o-que-e-um-surto-psicotico.html

E eles não apenas colocam um óleo vagabundo na embalagem de um óleo bom.

Os bandidos diluem o óleo com solvente para render mais, abaixando a viscosidade (hummm...) e tornando o produto inútil para proteger o motor contra desgaste (duplo hummm...), e fazendo com que ele desapareça mais rápido do cárter (hummm-hummm-hummm...)

Eu usava Motul, mas fiquei cismado com a possibilidade de o óleo estar sendo falsificado por causa disto:

Você encontra óleo Motul com rótulos diferentes e cores diferentes. 

Essa suspeita também teve o autor da denúncia no fórum Naked Club, ele postou várias fotos comparativas como essa aí do lado.

A própria Motul respondeu à dúvida levantada e afirmou que os dois óleos são da Motul, a diferença é a procedência, a refinaria na Espanha ou na França... e esses rótulos mal feitos são deles mesmos...
Imagens e denúncia: http://nakedclub.com.br/cgi-sys/suspendedpage.cgi?f=12&t=9809 — mas hoje o link não está funcionando, talvez a página tenha sido removida, então salvei as fotos da busca do google e postei aqui. Por via das dúvidas.

Mas mesmo que os dois sejam da Motul, para mim, o óleo rosado é melhor. 

Na primeira troca que fiz com a Edith usei Motul e veio essa versão mais escura, não senti o mesmo ganho de desempenho, o mesmo ronronar gostoso do motor que estava acostumado a perceber com a Jezebel.

Teve gente que já encontrou besouro dentro da embalagem, e esse tipo de contaminação não acontece na refinaria...

O resultado é que, para não ficar sempre com pulga atrás da orelha, deixei de usar o Motul. Azar deles.

Aproveitei para testar várias marcas de óleo, mesmo porque na estrada em viagens longas você não encontra Motul com facilidade. 

Jezebel sempre usou apenas Motul 3000 e Yamalube, e ultimamente com o motor mais velhinho e as folgas no limite da tolerância, ela vem usando Castrol 25W-60 Alta Quilometragem.

Viajando com Edith, como sempre abasteço gasolina da shell, experimentei o óleo deles, e estava satisfeito.

Eu não percebia diferença, mas mal sabia eu que Edith não estava feliz.

Descobri isso na última troca, quando usei pela primeira vez o Yamalube com ela — e ela ficou super contente. 

Sabe como descobri isso?

Edith parou de escapar marcha. Pelo menos com a mesma frequência.

Ela tem o costume de não engrenar direito a segunda e a terceira marchas. Às vezes, pegando uma subida forte, a marcha pula fora e a rotação vai lá em cima — nada que não dê para se conviver.

Eu poderia me descabelar, mas não ia resolver muita coisa. Mesmo porque já não tenho muito o que descabelar, e já vivo com o pouco que tenho descabelado. 

O número de série do motor dela é muito baixo, o que indica um primeiro lote, e primeiros lotes de fabricação sempre têm suas picuinhas.

A picuinha dela é essa, mas não chega a ser algo que compense abrir o motor e trocar os componentes do seletor de marchas. Então digo que é só uma mania dela e vamos em frente. Cada moto tem sua mania, a dela é essa. Sem estresse.

O fato é que assim que passei a usar Yamalube, as marchas da Edith pararam de escapar nos locais habituais — agora só faz isso muito de vez em quando e em ladeiras realmente muito íngremes, quando eu não tomo cuidado de engrenar com vigor a segunda ou a terceira marcha.

Isso indica que a lubrificação dos componentes melhorou, facilitando o engrenamento da marcha na posição correta.

É uma diferença sutil, mas bem real. Diria que melhorou uns 80% usando Yamalube.

Então vou padronizar eternamente essa marca de óleo, porque senti que realmente vale a pena. Pelo menos até ela ficar bem velhinha e começar a pedir um óleo mais grosso, aí apresento o 25W-60 para ela.

Pitorescamente, adotar o Yamalube faz surgir um novo problema: 

Yamalube não é fácil de achar em viagens... como contornar?

Bom, quem fabrica o óleo, embala e coloca o rótulo da yamaha é a chevron, antiga texaco. 

O Yamalube nada mais é que o herdeiro do antigo texaco Havoline que eu usava na minha primeira moto, o óleo que fez minha honda zero km parar de fumar com o melhor óleo do mundo recomendado para os clientes pela honda. 

Coisa engraçada é que a honda recomendava uma marca para os clientes, a única que atendia às rigorosas especificações da honda, mas ela mesma não usava o óleo que recomendava... 
Imagem: Base http://www.motorsport.com/motogp/photo/user-uploads/honda-nsr500-1984-freddie-spencer/

Cadê a coerência, dona honda? 

Seja o pão, pão, e o queijo, queijo, já dizia o cara que sabia das coisas...

Mas voltando à vaca fria:

Na falta de Yamalube, vou de Havoline — que aliás, é bem mais barato que o Yamalube porque não tem que pagar a mesada da dona yamaha.

Também não é muito fácil de achar, mas já aumenta um pouco as chances.

Pena que a próxima viagem está distante... não será antes de 2016.

Ou 2017. Thanks, Dilma.

Um abraço,

Jeff

sábado, 14 de novembro de 2015

Exercício para praticar o contra-esterço

Nós sempre falamos para aprender a praticar o contra-esterço, e finalmente encontrei um vídeo que ensina como fazer isso.

Esse domínio da moto é algo que você precisa ter porque desviar de um problema é muito mais eficiente e menos complicado do que simplesmente frear.

Aquele acidente da postagem do outro dia poderia ter sido evitado com essa técnica.

Note o jogo de cintura dos pilotos e a maneira como eles empurram o guidão direito para ir para a direita, e empurram o guidão esquerdo para ir para a esquerda.

Isso é o contra-esterço, e ele pode ser o seu melhor amigo na hora do sufoco. 

Inicialmente os cones estão colocados a uma distância de 11 metros uns dos outros e a extensão total é de 66 metros — você vai precisar encontrar um estacionamento ou rua fechada ao trânsito com pelo menos 80 metros livres.
A meta é atingir uma velocidade de 50 km/h costurando entre os cones, sem frear nem acelerar. 

Sempre comece com velocidades menores e vá aprimorando o domínio.

Quando estiver craque, pratique a manobra evasiva, que simula desviar de um carro parado na sua frente em uma rodovia.
Pratique essa manobra por vários fins de semana desviando tanto para a esquerda quanto para a direita — ela poderá salvar sua vida e sua moto muitas e muitas vezes.

Não importa se a sua moto é grande ou pequena: aprenda, pratique muito e não vacile na hora de usar o contra-esterço e as manobras evasivas.

Aquele circuitinho das aulas da motoescola só serve para tirar a carteira de habilitação.

Para sobreviver no trânsito, não serve para nada.

Um abraço,

Jeff
PS: Lembre-se que todo exercício com a moto tem o risco de cair associado. 
Os autores do vídeo não recomendam fazer os exercícios sozinho em local isolado devido à possibilidade de queda com uma moto pesada. 
Tome os devidos cuidados para não levar um tombo e se machucar sem ter recursos para pedir ajuda.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Uma brincadeira boba com a moto... o que pode dar errado?

Uma brincadeirinha inofensiva, tipo disputar uma corrida entre uma moto de verdade e um carrinho de controle remoto, em um local sem trânsito... o que pode dar errado?
Dar uma queimadinha no pneu, um burnáuti como se diz em Português do Brasil, fazer um pouco de fumaça com todo o cuidado... o que pode dar errado?

Se divertir um pouquinho atravessando uma pocinha rasa para lá e para cá com uma moto feita pra encarar todo terreno... o que pode dar errado?

Tirar um pequeno racha com os amigos, o que pode dar errado?

Reportagem: http://g1.globo.com/rj/norte-fluminense/noticia/2015/08/camera-flagra-acidente-durante-racha-e-vitima-pode-ter-braco-amputado.html

Esse crime aconteceu em 26 de agosto.

Mas ontem mesmo aconteceu de novo, só que quem se ferrou foi o rachador.

Reportagem: http://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2015/11/motociclista-morre-apos-bater-em-trator-durante-racha-em-americana.html

Brincadeiras bobas com motos, é só diversão, não é mesmo?

Não mesmo.

Em alta velocidade, você não consegue desviar nem de um trator parado.

E morrer estupidamente desse jeito não é nada divertido. 


Vidaloka é vidakurta.

Um abraço,

Jeff

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Acidente fatal por um motivo tolo que todo mundo pode cometer

Isso foi tudo o que restou da moto e do piloto.

A namorada na garupa sobreviveu com várias fraturas.
Imagem e reportagem: http://noticias.terra.com.br/brasil/catve/videos/motocicleta-atinge-lateral-de-caminhao-na-br-369-condutor-morreu-no-local,7962251.html

Não vou dizer o que causou essa fatalidade porque o relato no vídeo diz tudo.

Só te digo uma coisa:


Não cometa o mesmo erro que ele.


Assista ao vídeo até o final, a causa do acidente foi relatada aos socorristas pela namorada, e é surpreendente.


Caso você não consiga assistir o vídeo, o piloto perdeu o controle da moto porque foi mexer no bolso, foi para a contramão e bateu na lateral de um caminhão.

Tenha consciência de que até mesmo uma coisa boba como mexer no bolso, atender/desligar o celular, conferir a carteira — fazer essas coisas durante a pilotagem podem causar uma perda de controle da moto potencialmente fatal.

Qualquer inclinação do corpo se reflete no comportamento da moto, fazendo ela se desviar da trajetória.

Com apenas uma mão no guidão, basta encontrar um buraco para perder o controle da moto. E buraco é o que mais você encontra por aí....

Não se trata de ser alarmista — se trata de conscientizar as pessoas que não imaginam que tal risco possa sequer existir.

A reportagem com a prova de que pilotar uma moto não tem espaço para distrações ou brincadeiras está aí para todo mundo ver. 

Um abraço,

Jeff

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Motonetas e capacetes para motonetas — alguma coisa está fora da ordem

Você está pensando em comprar uma motoneta porque ela parece menos perigosa do que uma moto?

E para acompanhar, um capacete aberto daquele tipo que se usa com motonetas?

Não se iluda, uma motoneta é mais perigosa do que uma motocicleta — e um capacete aberto é a sua pior escolha para uma motoneta.

Eu sempre tive a convicção de que motonetas eram mais perigosas porque são mais instáveis diante das irregularidades do asfalto.

Os pneus finos e as rodas pequenas sofrem muito mais com as irregularidades do caminho, a baixa potência não permite circular com desenvoltura por vias de alta velocidade, e os freios são o que há de pior, geralmente do tipo tambor.

Como são baixinhas, elas são mais difíceis de ver no meio dos carros, e seus pilotos não enxergam o trânsito por cima dos carros à frente. 
Mas o leitor Netinho Eneias Negralha encontrou a evidência de outro perigo muito mais grave quando comentou o seguinte na postagem Você nunca viu motonetas tão rápidas:

Impressão minha, ou nessas motinhos tipo Biz o impacto parece ser direto na "cabeça"?

Este vídeo eu já havia publicado naquela postagem, mas vale a pena ver de novo:

Comprove você mesmo como nos tombos os pilotos batem violentamente a cabeça no asfalto:

A evidência de que as motonetas tendem a jogar a cabeça do piloto no solo me deixou curioso e pesquisei outros vídeos com acidentes normais de trânsito:



E realmente, como você pode ver, mesmo no trânsito normal as motonetas têm maior tendência de jogar o piloto de cabeça contra o asfalto, diferentemente das motocicletas.

E a conclusão a que chegamos é de que isso se deve a três fatores: 

A velocidade relativamente mais baixa das motonetas, a menor altura em relação ao solo e a falta do tanque de combustível entre as pernas do piloto, tudo isso facilita cair de cabeça contra o chão.

E aí vem se somar o último fator que agrava os acidentes com motonetas: 

A moda...
Todas as imagens acima são de propagandas feitas pelos fabricantes associando capacetes abertos a motonetas. 

Vendendo a ilusão de que as motonetas são mais seguras, a moda e as propagandas dos fabricantes empurram goela cabeça abaixo dos compradores e compradoras os famigerados, ultrapassados, anacrônicos e inseguros capacetes abertos.

É só fazer uma busca no google por capacetes para motonetas ou scooter helmets que você vai encontrar isto:
Imagem: Pesquisa do Google

Os vídeos provam que boa parte dos acidentes com scooters jogam o piloto de cara no chão, mas a imensa maioria dos capacetes vendidos para os proprietários dessas motonetas é do tipo aberto.

Os fabricantes de motos não sabem disso? Não têm estatísticas mostrando o que a gente acaba descobrindo por acaso aqui no blog?

Para os fabricantes de capacetes abertos essas estatísticas não importariam, porque o custo de fabricação de um capacete aberto é menor, dá menos trabalho e usam menos material para fabricar — e portanto a margem de lucro é maior. 

Eles continuariam fabricando capacetes abertos mesmo que ficasse provado que matam e desfiguram muito mais gente do que os fechados.

Mas eu acredito que os fabricantes de motos têm esse conhecimento sim, sabem de tudo isso e devem ter estudos aprofundados a respeito... mas faz parte das regras do marketing: 

Se você quiser aumentar as vendas de um produto, nunca passe aos clientes em potencial a impressão de que ele seja perigoso.


Muita gente inocente acredita naquilo que lhe é mostrado, não tem acesso a outras informações, e acaba sendo induzido a um erro muito grave.


E é um erro que se perpetua há gerações, pelo menos desde o final dos anos 60...

O que explica a lógica de "capacetes femininos não precisam ser tão seguros quanto capacetes masculinos", já que ambos correm os mesmos riscos?

Capacetes integrais são fabricados desde 1967.


http://adrenalinamotos.blog.br/a-origem-dos-capacetes-agv/
Em 1970 o piloto que competiu com o Fórmula 1 que não era um charutinho mais bonito de todos os tempos, o nosso bicampeão mundial Emerson Fittipaldi (sem falar do campeonato da Indy e os dois GP de Indianápolis), já corria usando um capacete integral. 

Capacete aberto é coisa para Speed Racer, Trixie ou Penélope Charmosa, não para pilotos da vida real.

Os tempos evoluíram, os capacetes evoluíram, e as câmeras de vídeo estão aí para acabar com esses velhos mitos.

Nem as motonetas são mais seguras do que as motos, nem os capacetes vendidos para os donos de motonetas são seguros o suficiente para o tipo de acidente mais comum entre as motonetas.


Imagem: giphy.com
Apesar de ser a escolha de nerds como Howard e Sheldon, o capacete aberto, além de ser uma fria, não é a escolha mais inteligente.

Será que vale a pena se deixar levar pela moda em uma situação em que é a sua vida, seu nariz e os seus dentes que estão em jogo?

Leve isso em consideração na hora de escolher sua primeira moto e seu primeiro capacete.

Boas escolhas,

Jeff

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Para variar, motoristas continuam não vendo motos

Entenda porque os motoristas atravessam na frente das motos e não cometa os mesmos erros que esse piloto.

Neste momento, nem você nem o motorista veem a moto — o motorista com a câmera a bordo inicia a conversão à esquerda:
Agora você e o motorista veem a moto — o motorista interrompe a manobra e o motociclista começa a frear travando a roda traseira:
O carro continua parado, mas a moto continua se arrastando nos freios:
E num piscar de olhos a moto já bateu contra o carro:
A sequência dura uns 3 segundos e você pode vê-la a partir de 4:20 no vídeo abaixo — há vários outros acidentes bastante educativos no vídeo. Para ver em tela cheia, assista no YouTube.

Nessa situação, cravar os freios e ficar torcendo para a moto parar não resolve o seu problema.

Não pense como um motorista, aprenda a pensar como um piloto.

Motos não apenas aceleram e freiam. Elas também são ágeis para desviar de obstáculos... se você for ágil para comandá-la.

O melhor a fazer em uma situação como essa é frear o suficiente para reduzir a velocidade, já olhando pelo espelho para se encaixar na outra faixa, aliviar o freio no último momento e então desviar do carro parado. 

Você vai dizer que não dá para fazer tudo isso ao mesmo tempo...

Eu digo que dá, se você treinar frenagens de emergência com sua moto e desenvolver esse domínio da moto.

Moto não é igual carro, não basta sentar a полнолуние no banco. 

É fundamental desenvolver o domínio da moto para saber exatamente o quanto ela irá derrapar antes de parar, o quanto ela poderá derrapar sem te derrubar, em que momento você deverá aliviar o freio a tempo de desviar a trajetória sem bater...

Você somente consegue isso com muito treinamento. 

Ayrton Senna não nasceu sabendo pilotar.

Ele desenvolveu várias técnicas quando ainda garoto aprendeu a pilotar kart em Interlagos.

E o que tornava ele diferente de todos os outros pilotos de sua idade é que com ele não tinha tempo ruim:

Era só chover que ele estava lá correndo sozinho debaixo d'água para conhecer os limites e saber o que dava e o que não dava para fazer com pista molhada.

Quem coloca a vida em risco em cima da moto precisa treinar muito, porque na hora do aperto a decisão precisa ser tomada por instinto.

Treinar para não olhar para o problema e sim para a solução, treinar para frear o máximo possível sem cair, treinar para saber quebrar a cintura e fazer manobras fechadas sem perder o controle da moto e invadindo o mínimo possível a outra faixa...

Você precisa saber se adaptar à situação do jeito que ela vier para você, e no momento exato, sem vacilar. 

Prevendo a situação você poderá prever saídas; conhecendo as técnicas você poderá utilizá-las.

Invista em você e desenvolva essas capacidades. 

E acima de tudo, se previna.

Motos são difíceis de ver no trânsito.

Mantenha o farolzão alto aceso durante o dia e o farol baixo aceso durante a noite na cidade.

Mantenha o farol alto aceso durante a noite na estrada, abaixando sempre que aparecer outro veículo em sentido oposto.

Quanto mais visível você se fizer, menor a chance de alguém atravessar na sua frente.

Fique bem visível e viva muito. 

Acrescento o depoimento do leitor Wesley Moreira Mendonça:

Nas motos, geralmente desviar é melhor do que frear. Os carros freiam mais que as motos, mas as motos desviam melhor. 

Certo dia estava eu com minha mãe na garupa, ao passar por um certo cruzamento onde a preferência era minha, um motorista estava ameaçando cruzar a rua, e enquanto eu prestava atenção nele, o Fox que estava na minha frente freou para passar no quebra molas. 

Não tive duvidas, quando vi o porta-malas crescendo, deitei pra direita e podei. 

Parece quase puramente instintivo, mas a verdade é que quando se conhece bem a moto, mesmo as reações conscientes parecem instintivas, de tão familiarizado se está com a moto. 

Se eu tivesse tentado frear, não ia dar nunca, tava muito perto e eu estava a uns 40 [km/h] quando o Fox estava a uns 15, se muito.

Obrigado pelo relato, Wesley!


Compartilhar experiências é uma das melhores maneiras de alertar e conscientizar o pessoal!

Um abraço,

Jeff

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

A fixação do olhar e como isso te derruba

Este vídeo muito bacana explica o que é "fixação no alvo" (em Inglês, "target fixation"), ou seja, manter o olhar fixo em algum ponto e descuidar da trajetória da moto.

O autor explica que o fenômeno foi descoberto durante a 2ª Guerra, quando pilotos de bombardeiros inexplicavelmente acabavam mergulhando contra seus alvos ao invés de se desviarem dele, como eram treinados a fazer.


Assista ao vídeo e não se preocupe com os comentários em Inglês, a explicação é bem ilustrada visualmente:

No momento em que ocorre o receio de perder a trajetória, a tendência natural é fixar o olhar no problema e não na solução:

Veja como neste outro acidente ocorre exatamente a mesma coisa:

Esse fenômeno também pode ocorrer com a fixação do olhar em outras motos.

Este outro vídeo mostra isso acontecendo durante um passeio em grupo, onde nosso olhar está sempre direcionado para as motos dos amigos.

Pelo que entendi, a garota acidentada fixou o olhar na moto do namorado que ia mais à frente e acabou desviando para o acostamento sem perceber.

O motociclista que vinha logo atrás fixou o olhar no tombo dela e acabou comprando o terreno vizinho — isso é fácil de acontecer nos passeios em grupo.


No momento do pânico você trava o olhar naquilo que oferece maior risco e a moto obedece seu comando indo automaticamente naquela direção...


Outro dia mesmo dobrei a esquina de casa e dei de cara com uma moto no sentido contrário — na tentativa de identificar quem era meu vizinho, quase que a Edith dá uma beijoca na moto dele. 


Por isso é importante não se assustar com o trânsito na pista contrária ao sair de uma curva.


Nem se distrair com o trânsito na sua própria pista...

E não deixe passar pela cabeça aquele medo de não conseguir fazer a curva e acertar aquele carro parado no acostamento...

... porque senão você vai acabar acertando mesmo. 

E quais são as dicas para não cair nessa armadilha da fixação do olhar?

1. VIRE SUA CABEÇA E NÃO APENAS OS OLHOS. 

Mantenha-se escaneando o ponto em que você deseja ir — mover a cabeça ajuda a manter a atenção no que realmente te interessa. 

2. NÃO FIXE O OLHAR EM NENHUM PONTO.

Fuja da tentação de olhar alguma coisa anormal na estrada. 

Não adianta ter a atenção desviada pelo raro avistamento de uma quase extinta guaripé e não poder contar para ninguém porque você se extinguiu antes dela... 


3. MANTENHA O FOCO NA PILOTAGEM

Antes de entrar em cada curva, lembre-se de combater a tendência natural de olhar para uma situação inesperada e não para a trajetória que te livrará dele. 

Mantenha-se focado em terminar a curva. 

Programe-se contando que sempre poderá existir uma distração te esperando do outro lado e permaneça determinado a não se surpreender com ela.

4. OLHE A SAÍDA DA CURVA.

Não olhe para o problema!

Se na outra faixa estiver acontecendo um engavetamento, um show do Michael Jackson ou uma passeata de freiras safardanas de topless, não será para o seu bico — seu foco precisa estar em manter a sua trajetória e terminar a curva sem se envolver.

Depois de fazer a curva, você até poderá voltar para socorrer os feridos, pedir um autógrafo ou cair na gandaia.

5. RELAXE.

O medo de bater ou cair é meio caminho andado para o acidente.

Pilotar com menos tensão e mais ligado na pilotagem ajuda a evitar cair nessa armadilha.

E faça o que é mais recomendável no seu caso, procure ajuda médica — porque se na saída da curva você vê o Michael Jackson ou freiras safardanas de topless, você está é delirando.

Um abraço,

Jeff